MO Cap. 5 — Estabilidade, nuvens e precipitação

1. Estabilidade da atmosfera

Este capítulo trata da estabilidade da atmosfera e do modo como ela governa a formação das nuvens e da precipitação. Fisicamente, estabilidade é a tendência de um corpo de voltar à posição inicial depois de deslocado. No ar, ela é decidida pela diferença entre a temperatura de uma parcela de ar e a temperatura do ambiente ao seu redor — diferença que comanda tanto a formação de nuvens quanto a dispersão de poluentes.

Fonte: YNOUE, Rita Yuri; REBOITA, Michelle S.; AMBRIZZI, Tércio; SILVA, Gyrlene A. M. da. Meteorologia: noções básicas. São Paulo: Oficina de Textos, 2017. Cap. 5 — Estabilidade, nuvens e precipitação.

Edital: Anexo 2-A, Área V (Meteorologia e Oceanografia) — item 16.8 (Nebulosidade) e 16.9 (Nuvens): estabilidade estática da atmosfera (parcela × ambiente, TVVTA, adiabáticas seca e úmida), mecanismos de levantamento do ar e tipos de nuvem; item 16.10 (Precipitação): crescimento das gotículas por condensação e por colisão e coalescência, processo de Bergeron e medidas de precipitação; em continuidade ao item 16.7 (Condensação) · Anexo 2-B, Área V, item 2 (Ynoue, livro sem lista de capítulos; escopo fixado pelo 2-A).

A temperatura de uma parcela pode variar de duas maneiras: trocando calor com o ambiente (processo diabático) ou sem trocar calor algum (processo adiabático). Para chegar lá, o capítulo recorre a dois pilares da Física — a lei dos gases ideais e a primeira lei da termodinâmica — e depois aplica-os à subida do ar, aos mecanismos que forçam essa subida e às três condições de estabilidade estática.

1.1 Lei dos gases ideais

Pressão, volume e temperatura de qualquer material se relacionam por uma equação de estado. Os gases atmosféricos obedecem, com boa aproximação, à lei dos gases ideais, ponto de partida da maior parte dos estudos em Meteorologia:

pV=mRT(5.1)p\,V = m\,R\,T \tag{5.1}

Aqui pp é a pressão (Pa), VV o volume (m³), mm a massa (kg), TT a temperatura absoluta (K) e RR a constante do gás para 1 kg. Como a densidade é ρ=m/V\rho = m/V, a mesma lei se escreve em função de ρ\rho:

p=ρRT(5.2)p = \rho\,R\,T \tag{5.2}

E, para uma unidade de massa (m=1m = 1 kg), aparece o volume específico α=1/ρ\alpha = 1/\rho, que é o volume ocupado por 1 kg de gás a dada pressão e temperatura:

pα=RT(5.3)p\,\alpha = R\,T \tag{5.3}

1.2 Primeira lei da termodinâmica

A primeira lei da termodinâmica nasce da conservação de energia: a energia não se cria nem se destrói, transforma-se. Aplicada a uma parcela de ar, ela diz que o calor adicionado se reparte em duas parcelasuma realiza trabalho, a outra muda a temperatura:

ΔH=PΔα+cVΔT(5.4)\Delta H = P\,\Delta\alpha + c_V\,\Delta T \tag{5.4}

Nessa expressão, ΔH\Delta H é a variação de calor do sistema (positiva ao adicionar, negativa ao subtrair), PP é a pressão atmosférica, Δα\Delta\alpha é a variação de volume (positiva na expansão, negativa na compressão), cVc_V é o calor específico do ar a volume constante e ΔT\Delta T é a variação de temperatura. O termo PΔαP\,\Delta\alpha é o trabalho da parcela contra o ambiente: ao se expandir, ela realiza trabalho (positivo); ao se contrair, o ambiente realiza trabalho sobre ela (negativo). Já cVΔTc_V\,\Delta T é a variação da energia interna, ou seja, o quanto a temperatura sobe ou desce.

A ligação com o Cap. 4 é direta: uma parcela satura adicionando vapor ou perdendo temperatura, e o caminho mais comum na formação de nuvens é o resfriamento da parcela até o ponto de orvalho ou de congelamento — daí a importância da Eq. 5.4. Esse resfriamento pode vir por dois processos: o diabático e o adiabático.

Processos diabáticos

Nos processos diabáticosfornecimento ou remoção de calor da parcela. Uma panela de água sobre a chama aquece por condução — processo diabático. Na atmosfera, o ar polar continental que avança sobre o oceano mais quente é aquecido por condução vinda da superfície do mar; o ar que passa sobre uma superfície mais fria, ao contrário, perde calor e esfria. Também são diabáticas a perda de calor por evaporação (ou o ganho por condensação) e a perda por emissão de radiação (ou o ganho por absorção). Na primeira lei, esse calor trocado é o termo ΔH\Delta H.

Processos adiabáticos

Nos processos adiabáticos a temperatura da parcela muda sem qualquer troca de calor com o ambiente. É o caso especial em que ΔH=0\Delta H = 0, e a primeira lei se reduz a:

0=PΔα+cVΔT    PΔα=cVΔT(5.5)0 = P\,\Delta\alpha + c_V\,\Delta T \;\Longrightarrow\; -P\,\Delta\alpha = c_V\,\Delta T \tag{5.5}

Lendo o sinal: se a parcela se expande (Δα>0\Delta\alpha > 0), sua temperatura cai (ΔT<0\Delta T < 0); se ela se contrai (Δα<0\Delta\alpha < 0), sua temperatura sobe (ΔT>0\Delta T > 0). A formação de nuvens é o exemplo clássico. Quando a parcela sobe, a pressão do ambiente diminui; admite-se que a pressão interna se ajusta na hora, então o volume aumenta (lei dos gases) e, pela primeira lei, a temperatura dentro da parcela cai.

Fig. 5-1
Fig. 5-1 Ascensão de uma parcela seca na atmosfera por um processo adiabático (adaptado de Apollo, s.d.)

Para uma parcela seca, essa queda obedece a uma taxa fixa — cerca de 1 °C a cada 100 m de subida. Essa é a taxa adiabática seca, símbolo Γd\Gamma_d (dd de dry, seco):

\Gamma_d = \frac{-1\,^\circ\mathrm{C}}{100\ \mathrm{m}} = \frac{-10\,^\circ\mathrm{C}}{1\ \mathrm{km}} \tag{5.6}

Um exemplo numérico fixa a ideia: uma parcela a 1 000 m com 10 °C, levantada adiabaticamente até 2 000 m, sobe 1 000 m e perde 10 °C, chegando a 0 °C. No sentido inverso, uma parcela a -10 °C a 3 000 m, baixada até 2 000 m, é comprimida e aquece para 0 °C.

Se a parcela contiver vapor d'água e for resfriada até o ponto de orvalho ou de congelamento, atinge a saturação e o vapor começa a passar para líquido ou sólido. A altitude em que isso acontece chama-se nível de condensação por levantamento (NCL). A partir do NCL, a condensação libera calor dentro da parcela, que se aproveita dele para esfriar mais devagar. Essa taxa menor — válida para a parcela saturada — é a taxa adiabática úmida (mais precisamente pseudoadiabática), símbolo Γw\Gamma_w (ww de wet, úmido). Ela não é constante (varia com a temperatura), mas adota-se um valor médio:

\Gamma_w = \frac{-0{,}6\,^\circ\mathrm{C}}{100\ \mathrm{m}} = \frac{-6\,^\circ\mathrm{C}}{1\ \mathrm{km}} \tag{5.7}

Por que a úmida é menor que a seca. A condensação do vapor libera calor latente dentro da parcela. Esse calor "freia" o resfriamento: a parcela saturada esfria a ≈6 °C/km em vez dos 10 °C/km da parcela seca. Guardar a ordem Γw\Gamma_w (6) < Γd\Gamma_d (10) é a chave para entender a estabilidade estática mais adiante.

1.3 Mecanismos de levantamento do ar

Para uma parcela esfriar adiabaticamente e formar nuvem, antes ela precisa ser erguida. Há quatro mecanismos responsáveis pelo levantamento do ar.

Fig. 5-2
Fig. 5-2 Mecanismos de levantamento do ar: (A) convecção; (B) levantamento orográfico; (C) convergência de ar; (D) levantamento ao longo de superfícies frontais (adaptado de Ahrens, 2009, e Apollo, s.d.)

Tab. 5.1 — Os quatro mecanismos de levantamento do ar.
MecanismoComo ergue o ar
Aquecimento da superfície e convecção livrede dia a superfície aquece; o ar quente junto a ela, menos denso, sobe, expande-se e esfria, condensando no ponto de orvalho
Levantamento orográficouma cadeia de montanhas força o vento a subir a barlavento (lado de onde sopra o vento), com chuvas intensas
Convergência de arnum sistema de baixa pressão o ar flui para o centro; por conservação de massa, o ar que converge tende a subir
Levantamento frontalnuma frente fria, o ar frio mais denso penetra sob o ar quente e o empurra para cima ao longo da frente

No levantamento orográfico, ao descer a sotavento (lado oposto ao vento) o ar fica mais seco e mais quente do que era; pode fluir por centenas de quilômetros e formar nuvens lenticulares a sotavento das montanhas.

Fig. 5-3
Fig. 5-3 Nuvem lenticular a sotavento das montanhas (Tronador, CC BY-SA 2.0)

No levantamento frontal, o ar quente erguido produz nuvens do tipo cumulus e cumulonimbus. Os nomes vêm do latim: cumulus significa aglomerado e nimbus, chuva forte.

1.4 Estabilidade estática

A estabilidade estática mede o destino de uma parcela em ascensão comparando sua temperatura com a do ambiente no mesmo nível. Se a parcela que sobe fica mais fria que o ambiente, é mais densa, tende a descer e voltar à origematmosfera estável. Se fica mais quente, é menos densa, tende a continuar subindo e se afastaratmosfera instável.

Para julgar isso, comparam-se duas taxas: a TVVTAtaxa de variação vertical da temperatura ambiente, o perfil real medido por radiossondageme a taxa da própria parcela, que é a adiabática seca (parcela não saturada) ou a adiabática úmida (parcela saturada). Atenção ao sinal: todas as taxas são negativas (a temperatura cai com a altura), então "menor" quer dizer "cai mais rápido". Daí saem três condições, mais a atmosfera neutra.

Atmosfera absolutamente instável

Ocorre quando a parcela, depois de erguida, fica sempre mais quente que o ambiente — seja ela seca ou saturada. Acontece quando a TVVTA cai mais rápido do que as duas adiabáticas:

TVVTA<Γd<Γw(ex.: 11<10<6 C/1000 m)(5.4.1)\mathrm{TVVTA} < \Gamma_d < \Gamma_w \qquad (\text{ex.: } -11 < -10 < -6\ ^\circ\mathrm{C}/1000\ \mathrm{m}) \tag{5.4.1}

Com TVVTA de -11 °C/1 000 m, a parcela seca (resfriando a -10 °C/1 000 m) e a parcela saturada (a -6 °C/1 000 m) ficam sempre mais quentes que o ambiente: menos densas, sofrem empuxo e sobem cada vez mais.

Fig. 5-4
Fig. 5-4 Atmosfera absolutamente instável para (A) uma parcela não saturada e (B) uma parcela saturada (adaptado de Ahrens, 2009)

Atmosfera absolutamente estável

É o oposto: com TVVTA de -4 °C/1 000 m, tanto a parcela seca quanto a saturada terminam mais frias (mais densas) que o ambiente e tendem a descer, voltando ao ponto inicial. A condição é a TVVTA cair mais devagar que as duas adiabáticas:

Γd<Γw<TVVTA(ex.: 10<6<4 C/1000 m)(5.4.2)\Gamma_d < \Gamma_w < \mathrm{TVVTA} \qquad (\text{ex.: } -10 < -6 < -4\ ^\circ\mathrm{C}/1000\ \mathrm{m}) \tag{5.4.2}

Fig. 5-5
Fig. 5-5 Atmosfera absolutamente estável para (A) uma parcela não saturada e (B) uma parcela saturada (adaptado de Ahrens, 2009)

Atmosfera condicionalmente instável

É a situação mais comum e depende da saturação. Uma parcela não saturada forçada a subir esfria pela adiabática seca e, nos primeiros quilômetros, pode ficar mais fria que o ambiente — portanto estável. Mas, ao continuar subindo, ela atinge a saturação; a condensação libera calor latente, ela passa a esfriar pela adiabática úmida (mais devagar) e pode tornar-se mais quente que o ambiente — então instável. Daí o nome: a instabilidade fica condicionada a a parcela saturar. A condição é a TVVTA ficar entre as duas adiabáticas:

Γd<TVVTA<Γw(ex.: 10<8<6 C/1000 m)(5.4.3)\Gamma_d < \mathrm{TVVTA} < \Gamma_w \qquad (\text{ex.: } -10 < -8 < -6\ ^\circ\mathrm{C}/1000\ \mathrm{m}) \tag{5.4.3}

Fig. 5-6
Fig. 5-6 Atmosfera condicionalmente instável (adaptado de Grimm, 1999a)

Há ainda a atmosfera neutra: a parcela, ao subir ou descer, tem sempre a mesma temperatura do ambiente, sem tender a se afastar nem a voltar. Isso ocorre quando a TVVTA iguala a adiabática seca (parcela não saturada) ou a adiabática úmida (parcela saturada).

Tab. 5.2 — Resumo das condições de estabilidade estática (taxas em °C por 1 000 m).
CondiçãoRelação das taxasComportamento da parcela
Absolutamente instávelTVVTA < Γd < Γwsempre mais quente; sobe (seca ou saturada)
Condicionalmente instávelΓd < TVVTA < Γwestável até saturar; depois instável
Absolutamente estávelΓd < Γw < TVVTAsempre mais fria; desce (seca ou saturada)
NeutraTVVTA = Γd (seca) ou = Γw (saturada)nem sobe nem desce

2. Nuvens

Reunindo o que já foi visto: para formar nuvem são necessários três ingredientes — um mecanismo de levantamento, parcelas de ar instáveis em ascensão e transporte de umidade. Dadas essas condições, o vapor condensa e a nuvem aparece. As nuvens assumem muitos formatos, tamanhos e alturas, mas quase sempre se limitam à troposfera, e podem conter gotas de água líquida, cristais de gelo ou ambos.

2.1 Tipos de nuvem

O sistema clássico de classificação se baseia na forma e usa quatro categorias de base, todas com nomes latinos:

Tab. 5.3 — Classificação clássica das nuvens pela forma.
CategoriaCaracterística
Cirrusnuvens finas, compostas de cristais de gelo
Stratusnuvens dispostas em camadas
Cumulusnuvens isoladas, de contornos bem definidos e base achatada, formadas por convecção
Nimbusnuvens que produzem chuva

As nuvens também se classificam pela altura da base, e os nomes podem combinar as categorias acima, recebendo abreviaturas padronizadas:

Tab. 5.4 — Classificação das nuvens pela altura da base.
GrupoNuvens (abreviatura)
Altascirrus (Ci), cirrostratus (Cs), cirrocumulus (Cc)
Médiasaltostratus (As), altocumulus (Ac)
Baixascumulus (Cu), stratus (St), stratocumulus (Sc), nimbostratus (Ns)
Convectivas (desenvolvimento vertical)cumulus (Cu), cumulonimbus (Cb)

Fig. 5-7
Fig. 5-7 Classificação de nuvens (Inmet, s.d.-d, e Bidgee, CC BY-SA 3.0)

A altura da base muda com a latitude, porque a troposfera é mais espessa nos trópicos e mais rasa nos polos. A tabela abaixo dá as faixas típicas em cada região.

Tab. 5.5 — Altura média da base das nuvens por região (km), adaptada de Antas e Alcântara (1969).
Altura da baseTropicalTemperadaPolar
Baixasuperfície a 2superfície a 2superfície a 2
Média2 a 82 a 72 a 4
Alta6 a 185 a 133 a 8

3. Precipitação

Uma nuvem é um conjunto de gotículas d'água ou cristais de gelo (ou ambos) em suspensão. As gotículas de nuvem têm diâmetro médio de apenas 0,02 mm; só viram chuva quando ganham massa suficiente para vencer a força de flutuação térmica que as sustenta no ar. Há dois processos que fazem a gotícula crescer: por condensação e por colisão e coalescência.

3.1 Crescimento por condensação

Tudo começa com o resfriamento adiabático da parcela ascendente, que satura e condensa o vapor — primeiro sobre os núcleos de condensação, depois sobre a própria gotícula. Esse processo, porém, só faz a gotícula chegar a um raio de cerca de 20 µm (micrômetros), insuficiente para a precipitação, que exige gotas com diâmetro acima de 1 mm. Por si só, portanto, a condensação não produz chuva: gera apenas gotículas pequenas demais para cair.

3.2 Crescimento por colisão e coalescência (nuvens quentes)

A maioria das nuvens baixas dos trópicos são nuvens quentes: têm topo com temperatura acima de 0 °C. Nelas, o crescimento vem da colisão e coalescência. As gotas dentro da nuvem têm tamanhos diferentes e, por isso, velocidades terminais (de queda) diferentes — uma gota grande cai mais rápido que uma pequena. Ao cair, a gota maior alcança e colide com as menores; após a colisão elas normalmente se juntam, formando uma gota ainda maior. Esse "juntar-se" é a coalescência.

Fig. 5-8
Fig. 5-8 Colisão e coalescência em nuvem quente (adaptado de Ritter, 2006)

3.3 Nuvens frias e mistas — processo de Bergeron

A maioria das nuvens médias e altas tem topo abaixo de 0 °C — são as nuvens frias, compostas de cristais de gelo e/ou gotas líquidas super-resfriadas. Algumas têm temperatura abaixo de 0 °C só na parte superior: gotas líquidas embaixo, gotas super-resfriadas e cristais de gelo no meio, e apenas cristais de gelo no topo — são as nuvens mistas (um cumulonimbus, por exemplo). O crescimento nessas nuvens foi descrito pelo meteorologista Tor Bergeron (1891-1977) e leva o seu nome.

O processo de Bergeron explora uma assimetria: para uma mesma temperatura, a pressão de vapor de saturação sobre o gelo é menor do que sobre a água. Assim, num ambiente com cristal de gelo ao lado de gota super-resfriada, se há vapor suficiente para a gota não evaporar, há vapor mais que suficiente para se depositar sobre o cristal. Quando o vapor se deposita (ressublimação), a pressão de vapor ao redor cai; essa queda faz a gota super-resfriada evaporar, e o vapor liberado vai se depositar de novo no cristal. O cristal cresce enquanto a gota encolhe; ao crescer, ganha velocidade de queda e colide com outras gotas e cristais, aumentando ainda mais.

Fig. 5-9
Fig. 5-9 Processo de Bergeron em nuvem mista (adaptado de Tarbuck e Lutgens, 2006, e Ritter, 2006)

3.4 Medidas de precipitação

A quantidade e a distribuição das chuvas definem se o clima de uma região é seco ou úmido e, junto com a temperatura, determinam a vegetação natural. A chuva é medida pontualmente em estações meteorológicas (automáticas ou convencionais) com o pluviômetro, que existe em vários formatos e sistemas de registro.

A unidade da chuva é a altura pluviométrica (hh), em geral em milímetros (em alguns países usa-se a polegada: 1 mm = 0,039 in). Ela é a razão entre o volume precipitado e a área de captação:

h=volume precipitadoaˊrea de captac¸a˜o(5.8)h = \frac{\text{volume precipitado}}{\text{área de captação}} \tag{5.8}

O significado prático é simples: 1 L de água espalhado por 1 m² forma uma lâmina de 1 mm de altura. Ou seja, 1 mm = 1 L/m². Se um pluviômetro coletar 52 mm, isso equivale a 52 L por metro quadrado:

h=1 L1 m2=1000 cm310000 cm2=0,1 cm=1 mm(5.9)h = \frac{1\ \mathrm{L}}{1\ \mathrm{m}^2} = \frac{1\,000\ \mathrm{cm}^3}{10\,000\ \mathrm{cm}^2} = 0{,}1\ \mathrm{cm} = 1\ \mathrm{mm} \tag{5.9}

O pluviômetro padrão da rede brasileira é o Ville de Paris. Há modelos mais baratos em plástico rígido, voltados ao monitoramento de chuvas em propriedades agrícolas; por terem área de captação menor, são menos duráveis e menos precisos que o padrão. A área de captação mínima recomendável é de 100 cm².

Fig. 5-10
Fig. 5-10 Tipos de pluviômetro: (A) Ville de Paris e (B) em plástico rígido (cortesia da Estação Meteorológica do IAG/USP)

O capítulo seguinte passa à pressão atmosférica e aos ventos — as grandezas que põem em movimento as massas de ar cuja subida, vista aqui, dá origem às nuvens e à chuva.