🧭 MMPH · Cap.6 — Pressão e Ventos

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Ynoue, Meteorologia — Noções Básicas · V.02-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Definição e unidades

Pressão atm.Peso da coluna de ar por unidade de área sobre uma superfície. Peso (N) = massa (kg) × gravidade (m/s²).
DensidadeMassa num dado volume. Gravidade concentra o ar junto ao solo → atmosfera mais densa na superfície, rareia com a altura.
Unidade baseColuna de área 1 m² → N/m² = pascal (Pa). Livro adota hectopascal (hPa), hecto = 100.

1 hPa = 100 Pa = 1 mb (milibar, unidade antiga)

Condições-padrão ao NMM: 273,15 K (0 °C) e 101 325 Pa = 1 013,25 hPa = 1 atm = 760 mmHg.
Barômetro1º instrumento de medir pressão: barômetro de mercúrio, inventado em 1643 por Torricelli (aluno de Galileu). Barógrafo registra a pressão ao longo do tempo.

1.1 Ajuste ao NMM (PNMM)

ProblemaPressão diminui com a altura → não se comparam estações de altitudes diferentes.
  • Local acima do NMM (alt. +): soma-se incremento à pressão observada.
  • Local abaixo do NMM (alt. −): subtrai-se valor.
  • Taxa nas camadas baixas: ~10 hPa a cada 1 000 m.
fig6-2
fig6-2 — Esquema ilustrativo do barômetro de mercúrio de Torricelli
fig6-3
fig6-3 — Valores da pressão atmosférica em locais com diferentes altitudes (adaptado de Lutgens e Tarbuck, 2010)

1.2 Equação do estado

p = ρ R T (6.1) — p pressão (Pa), ρ densidade (kg/m³), T temperatura (K), R = 287 J kg−¹ K−¹.
  • T fixa, ↑ densidade → ↑ pressão.
  • ρ fixa, ↑ temperatura → ↑ pressão (moléculas colidem com mais força).
fig6-1
fig6-1 — Concentração das moléculas de ar em direção à superfície terrestre (adaptado de Aguado e Burt, 2010)
fig6-4
fig6-4 — Modelo da atmosfera em que a densidade do ar permanece constante com a altura (adaptado de Ahrens, 2009)
Conceito-chave 1Coluna menor de ar frio e denso exerce a MESMA pressão à superfície que coluna maior de ar quente (mesmo nº de moléculas). Pressão cai mais rápido com a altura no ar frio.
Conceito-chave 2Em altitude: ar quente ↔ alta pressão; ar frio ↔ baixa. Diferença horizontal de T → diferença horizontal de pressão → origina a força do gradiente de pressão.

1.3 Variação vertical e horizontal

  • Vertical: pressão decresce com a altitude, mas não uniforme — queda muito mais rápida perto da superfície.
  • Atmosfera padrão (Tab. 6.1, médias a 45°): NMM ~1 013 hPa/15 °C; a 50 km, 0,798 hPa/−2 °C.
fig6-5
fig6-5 — Colunas de ar sobre duas cidades: uma coluna menor de ar frio exerce a mesma pressão de uma coluna extensa de ar aquecido (adaptado de Ahrens, 2009)
DimensãoFaixa de pressãoDistância
Horizontal (ao NMM)960 – 1 050 hPa (~100 hPa)milhares de km
Vertical (0 → 50 km)~1 000 hPa50 km
fig6-6
fig6-6 — Variação da pressão com a altitude (adaptado de Strahler e Strahler, 1997)
fig6-7
fig6-7 — Pressão atmosférica ao NMM em 23 de março de 2010, a 00 UTC (adaptado de NOAA, s.d.)
Diferença vertical é uma ordem de grandeza maior que a horizontal. Para comparar estações, reduzir tudo ao NMM primeiro.
Onde ficamBaixas pressões nas latitudes médias (~50° N/S); altas nos subtrópicos (~30° N/S). Centros = linhas fechadas na carta.
VentoAr em movimento na horizontal. Caracterizado por 2 parâmetros: direção e velocidade. (Movimento vertical tem outro nome.)

2.1 Direção e velocidade

Direção meteorológica indica DE ONDE vem, não para onde vai. Vento de oeste = sopra a partir de oeste.
  • Rosa dos ventos: 360°, N = 0° (referência), cresce no sentido horário (NE 45°, E 90°...).
  • Difere do círculo trigonométrico: zero no N (não no E) e cresce horário (trig. cresce anti-horário).
Velocidade em m/s, km/h ou nós (knots, kt). 1 nó = 0,5 m/s = 1,8 km/h. Velocidade zero = calmaria.
RajadaAumento repentino e passageiro da velocidade, com mudança brusca de direção (turbulência, relevo, frentes frias). Por isso a observação usa média de 10 minutos.
VetorVento é grandeza vetorial: segmento orientado (origem, extremidade, direção, sentido, intensidade). Decomposto no plano: componente zonal (u) leste-oeste (eixo x) e meridional (v) norte-sul (eixo y).
ComponentePositivaNegativa
Zonal (u), xvento de W p/ Evento de E p/ W
Meridional (v), yvento de S p/ Nvento de N p/ S
fig6-8
fig6-8 — Rosa dos ventos e os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais, com seus respectivos valores em graus
fig6-9
fig6-9 — Comparação entre (A) o círculo utilizado para determinar a direção do vento e (B) o círculo trigonométrico

Escoamento zonal = predomínio L-O meridional = predomínio N-S

fig6-10
fig6-10 — Exemplo de um vetor indicando vento de sudoeste (225°); o número 3 m/s representa a intensidade do vetor, isto é, a velocidade do vento
Carta sinópticaDados simultâneos em horários-padrão da OMM (WMO). Direção = traço no ponto; intensidade em barbelas: 1 barbela = 10 kt, meia = 5 kt, triângulo = 50 kt; ≤2 kt sem barbela; calmaria (0 kt) = só um círculo.
fig6-11
fig6-11 — Representação da direção e da velocidade (barbelas) do vento em uma carta sinótica no hemisfério Sul (adaptado de Varejão-Silva, 2006)
Isógonas = pontos de mesma direção de vento. Isotacas = pontos de mesma intensidade.

3.1 Leis de Newton

  • 1ª lei: corpo em repouso/MRU mantém o estado até uma força atuar.
  • 2ª lei: F = m a (6.2). Refere-se à força resultante; corpo acelera na direção da resultante.
3 forças no vento horizontal: força do gradiente de pressão (FGP), força de Coriolis (FC) e atrito. FGP e FC agem em todos os níveis; atrito só perto da superfície.

3.2 Força do gradiente de pressão (FGP)

IsóbarasLinhas que unem pontos de mesma pressão.
Gradiente (GP)Variação da pressão por distância: GP = Δp / d (6.4). Ex.: 1 020→1 016 hPa em 100 km = 4 hPa/100 km = 0,04 hPa/km; a 50 km dobra (0,08 hPa/km).

Isóbaras afastadas → gradiente fraco isóbaras próximas → gradiente forte

fig6-12
fig6-12 — O gradiente de pressão entre os pontos 1 e 2 é 4 hPa em 100 km; a força direcionada da maior para a menor pressão é a força do gradiente de pressão (adaptado de Ahrens, 2009)
FGP = única força capaz de GERAR os ventos. Aponta das altas p/ as baixas, formando ângulo reto (90°) com as isóbaras. Magnitude acompanha o gradiente. FGP = −(1/ρ)(Δp/d) (6.5).
fig6-13
fig6-13 — Relação entre o gradiente de pressão e a força do gradiente de pressão; as setas vermelhas indicam a magnitude da força, sempre direcionada da maior para a menor pressão (adaptado de Ahrens, 2009)
FGP não atua sozinha: assim que o ar se move, a Coriolis o desvia.

Equilíbrio hidrostático

Relação de forçasResultado vertical
Gravidade = FGP verticalequilíbrio (sem aceleração)
Gravidade > FGP verticalar desce (subsidente)
FGP vertical > gravidadear sobe (ascendente)
fig6-14
fig6-14 — Coluna atmosférica com uma camada em equilíbrio hidrostático: a força que atua para cima (FGP) é igual à força que atua para baixo (gravidade) (adaptado de Wallace e Hobbs, 2006)
HidrostáticoFGP vertical (p/ cima) ≈ gravidade (p/ baixo), sentidos opostos → camada não se desloca na vertical. Movimentos verticais são bem mais fracos que os horizontais, mas o ar ascendente se associa a tempestades.

3.3 Força de Coriolis (FC)

NaturezaForça fictícia: efeito da rotação da Terra (referencial não inercial). Analogia: plataforma giratória — bola parece desviar do alvo.
fig6-15
fig6-15 — Carta meteorológica de 29 de agosto de 2016, a 00 UTC; linhas pretas indicam isóbaras ao NMM (a cada 4 hPa) e linhas azuis, a direção e a intensidade do vento (dados ECMWF)
Propriedades da FC:
  • Corpo em repouso não sofre FC; sem rotação da Terra não haveria FC.
  • Só muda a direção, nunca a velocidade.
  • Desvia p/ a direita no H. Norte e p/ a esquerda no H. Sul.
  • Proporcional à velocidade do vento; aumenta com a latitudenula no equador, máxima nos polos.
fig6-16
fig6-16 — Deflexão do vento para a esquerda do movimento no hemisfério Sul e para a direita no hemisfério Norte devido à força de Coriolis (adaptado de Strahler e Strahler, 1997)
fig6-17
fig6-17 — Deflexão no vento de oeste produzida pelo efeito de Coriolis, (A) no instante inicial e (B) decorridas algumas horas (adaptado de Grimm, 1999b)
A FC NÃO faz a água girar no ralo — só é perceptível após horas de movimento (brisas, ciclones, anticiclones). Numa carta real os ventos ficam paralelos às isóbaras (não a 90°) porque a FC entra após a FGP.
CLPCamada-limite planetária: faixa de ~1 000 m que sofre efeitos imediatos da superfície. ACIMA dela, FGP + FC combinam-se e produzem 2 ventos: geostrófico e gradiente.

4.1 Vento geostrófico

FGP acelera o ar p/ a baixa FC começa a desviar velocidade cresce, desvio aumenta FC iguala FGP resultante = 0

Vento geostrófico: surge quando FGP = FC (equilíbrio). Escoa em linha reta, paralelo às isóbaras, velocidade constante. No H. Sul deixa as baixas à direita (altas à esquerda).
  • É aproximação do vento real: melhor longe do equador e acima da CLP.
  • Perto do equador Coriolis é fraca, o balanço se rompe, geostrófico se afasta do real.
  • Intensidade segue a FGP: FGP maior → vento mais intenso (analogia: rio corre mais rápido no leito apertado).
  • fig6-19
    fig6-19 — Comparação entre os escoamentos (A) do vento e (B) da água num rio para o hemisfério Norte (adaptado de Ahrens, 2009)
fig6-18
fig6-18 — Representação do vento geostrófico para o hemisfério Sul: acima da CLP, o ar inicialmente em repouso acelera até ficar paralelo às isóbaras quando a FGP se equilibra com a FC (adaptado de Grimm, 1999b)

4.2 Vento gradiente

QuandoIsóbaras curvas (células circulares): ciclones/baixas (pressão mínima no centro) e anticiclones/altas (pressão máxima no centro).
Vento gradiente = balanço de 3 forças: FGP + FC + força centrífuga (aparente).
Centrípeta × centrífugaCentrípeta aponta p/ o centro (impede escapar pela tangente). Centrífuga (FCe) é aparente, mesma intensidade, sentido oposto (p/ fora), da inércia da parcela.
Centro (sentido de giro, acima da CLP)H. NorteH. Sul
Baixa (ciclone)anti-horáriohorário
Alta (anticiclone)horárioanti-horário
fig6-20
fig6-20 — Movimento resultante e forças atuantes (FGP, FC e FCe) em torno de um centro de baixa pressão acima da CLP no hemisfério Norte, ao longo de quatro instantes (A–D) (adaptado de Gradient, s.d.)
BaixaFCe atua contra a FGP (p/ fora) → sentido ciclônico.
AltaFCe atua a favor da FGP → sentido anticiclônico.

5.1 Força de atrito

Nas cartas de superfície os ventos NÃO são paralelos às isóbaras: cruzam-nas das altas p/ as baixas com ângulo < 90° — em média ~30°. Causa: atrito vento × superfície.

Atrito reduz a velocidade reduz a FC balanço FGP-FC se rompe vento cruza as isóbaras rumo à baixa pressão

  • Acima de 1 000 m: vento paralelo às isóbaras (FGP = FC).
  • Em altitude o atrito é nulo.
Situação (superfície)H. SulH. Norte
Baixa (ar converge, p/ dentro)horárioanti-horário
Alta (ar diverge, p/ fora)anti-horáriohorário
fig6-22
fig6-22 — Efeito do atrito nos ventos em superfície: (A)–(C) hemisfério Sul e (D)–(F) hemisfério Norte; em altitude o efeito é nulo (adaptado de Ahrens, 2009)
fig6-23
fig6-23 — (A) Mapa meteorológico em superfície com isóbaras e vento (barbelas) num dia de dezembro na América do Sul e (B) escoamento idealizado em torno dos sistemas de pressão no hemisfério Sul (adaptado de Ahrens, 2009)
H. Sul: vento entra e gira horário nas baixas, sai anti-horário nas altas. H. Norte: entra anti-horário nas baixas, sai horário nas altas.
Em superfície o vento converge (entra) na baixa e diverge (sai) da alta. Esse comportamento horizontal liga-se a um movimento vertical.
BaixaAr converge no centro e sobe lentamente; a ~6 000 m começa a divergir em altos níveis. Se a divergência em altura supera a convergência em superfície, a pressão no centro decresce.
AltaProcesso inverso: ar diverge do centro em superfície; em níveis altos o ar converge e desce (subside) p/ repor.
Efeito no tempo: ar ascendente favorece nuvens e chuva; ar subsidente traz céu limpo. Baixas → tempo instável; altas → tempo bom.
Aparente contradição com o equilíbrio hidrostático (§3): este é apenas uma teoria simplificadora; os movimentos verticais existem e originam os sistemas atmosféricos.
fig6-25
fig6-25 — Centros de alta e baixa pressão e movimentos do ar associados, (A) para o hemisfério Sul e (B) para o hemisfério Norte (adaptado de Ahrens, 2009)