Definição e unidades
Pressão atm.Peso da coluna de ar por unidade de área sobre uma superfície. Peso (N) = massa (kg) × gravidade (m/s²).
DensidadeMassa num dado volume. Gravidade concentra o ar junto ao solo → atmosfera mais densa na superfície, rareia com a altura.
Unidade baseColuna de área 1 m² → N/m² = pascal (Pa). Livro adota hectopascal (hPa), hecto = 100.
1 hPa › = 100 Pa › = 1 mb (milibar, unidade antiga)
Condições-padrão ao NMM: 273,15 K (0 °C) e 101 325 Pa = 1 013,25 hPa = 1 atm = 760 mmHg.
Barômetro1º instrumento de medir pressão: barômetro de mercúrio, inventado em 1643 por Torricelli (aluno de Galileu). Barógrafo registra a pressão ao longo do tempo.
1.1 Ajuste ao NMM (PNMM)
ProblemaPressão diminui com a altura → não se comparam estações de altitudes diferentes.
- Local acima do NMM (alt. +): soma-se incremento à pressão observada.
- Local abaixo do NMM (alt. −): subtrai-se valor.
- Taxa nas camadas baixas: ~10 hPa a cada 1 000 m.
1.2 Equação do estado
p = ρ R T (6.1) — p pressão (Pa), ρ densidade (kg/m³), T temperatura (K), R = 287 J kg−¹ K−¹.
- T fixa, ↑ densidade → ↑ pressão.
- ρ fixa, ↑ temperatura → ↑ pressão (moléculas colidem com mais força).
Conceito-chave 1Coluna menor de ar frio e denso exerce a MESMA pressão à superfície que coluna maior de ar quente (mesmo nº de moléculas). Pressão cai mais rápido com a altura no ar frio.
Conceito-chave 2Em altitude: ar quente ↔ alta pressão; ar frio ↔ baixa. Diferença horizontal de T → diferença horizontal de pressão → origina a força do gradiente de pressão.
1.3 Variação vertical e horizontal
- Vertical: pressão decresce com a altitude, mas não uniforme — queda muito mais rápida perto da superfície.
- Atmosfera padrão (Tab. 6.1, médias a 45°): NMM ~1 013 hPa/15 °C; a 50 km, 0,798 hPa/−2 °C.
| Dimensão | Faixa de pressão | Distância |
|---|---|---|
| Horizontal (ao NMM) | 960 – 1 050 hPa (~100 hPa) | milhares de km |
| Vertical (0 → 50 km) | ~1 000 hPa | 50 km |
Diferença vertical é uma ordem de grandeza maior que a horizontal. Para comparar estações, reduzir tudo ao NMM primeiro.
Onde ficamBaixas pressões nas latitudes médias (~50° N/S); altas nos subtrópicos (~30° N/S). Centros = linhas fechadas na carta.
VentoAr em movimento na horizontal. Caracterizado por 2 parâmetros: direção e velocidade. (Movimento vertical tem outro nome.)
2.1 Direção e velocidade
Direção meteorológica indica DE ONDE vem, não para onde vai. Vento de oeste = sopra a partir de oeste.
- Rosa dos ventos: 360°, N = 0° (referência), cresce no sentido horário (NE 45°, E 90°...).
- Difere do círculo trigonométrico: zero no N (não no E) e cresce horário (trig. cresce anti-horário).
Velocidade em m/s, km/h ou nós (knots, kt). 1 nó = 0,5 m/s = 1,8 km/h. Velocidade zero = calmaria.
RajadaAumento repentino e passageiro da velocidade, com mudança brusca de direção (turbulência, relevo, frentes frias). Por isso a observação usa média de 10 minutos.
VetorVento é grandeza vetorial: segmento orientado (origem, extremidade, direção, sentido, intensidade). Decomposto no plano: componente zonal (u) leste-oeste (eixo x) e meridional (v) norte-sul (eixo y).
| Componente | Positiva | Negativa |
|---|---|---|
| Zonal (u), x | vento de W p/ E | vento de E p/ W |
| Meridional (v), y | vento de S p/ N | vento de N p/ S |
Escoamento zonal = predomínio L-O › meridional = predomínio N-S
Carta sinópticaDados simultâneos em horários-padrão da OMM (WMO). Direção = traço no ponto; intensidade em barbelas: 1 barbela = 10 kt, meia = 5 kt, triângulo = 50 kt; ≤2 kt sem barbela; calmaria (0 kt) = só um círculo.
Isógonas = pontos de mesma direção de vento. Isotacas = pontos de mesma intensidade.
3.1 Leis de Newton
- 1ª lei: corpo em repouso/MRU mantém o estado até uma força atuar.
- 2ª lei: F = m a (6.2). Refere-se à força resultante; corpo acelera na direção da resultante.
3 forças no vento horizontal: força do gradiente de pressão (FGP), força de Coriolis (FC) e atrito. FGP e FC agem em todos os níveis; atrito só perto da superfície.
3.2 Força do gradiente de pressão (FGP)
IsóbarasLinhas que unem pontos de mesma pressão.
Gradiente (GP)Variação da pressão por distância: GP = Δp / d (6.4). Ex.: 1 020→1 016 hPa em 100 km = 4 hPa/100 km = 0,04 hPa/km; a 50 km dobra (0,08 hPa/km).
Isóbaras afastadas → gradiente fraco › isóbaras próximas → gradiente forte
FGP = única força capaz de GERAR os ventos. Aponta das altas p/ as baixas, formando ângulo reto (90°) com as isóbaras. Magnitude acompanha o gradiente. FGP = −(1/ρ)(Δp/d) (6.5).
FGP não atua sozinha: assim que o ar se move, a Coriolis o desvia.
Equilíbrio hidrostático
| Relação de forças | Resultado vertical |
|---|---|
| Gravidade = FGP vertical | equilíbrio (sem aceleração) |
| Gravidade > FGP vertical | ar desce (subsidente) |
| FGP vertical > gravidade | ar sobe (ascendente) |
HidrostáticoFGP vertical (p/ cima) ≈ gravidade (p/ baixo), sentidos opostos → camada não se desloca na vertical. Movimentos verticais são bem mais fracos que os horizontais, mas o ar ascendente se associa a tempestades.
3.3 Força de Coriolis (FC)
NaturezaForça fictícia: efeito da rotação da Terra (referencial não inercial). Analogia: plataforma giratória — bola parece desviar do alvo.
Propriedades da FC:
- Corpo em repouso não sofre FC; sem rotação da Terra não haveria FC.
- Só muda a direção, nunca a velocidade.
- Desvia p/ a direita no H. Norte e p/ a esquerda no H. Sul.
- Proporcional à velocidade do vento; aumenta com a latitude — nula no equador, máxima nos polos.
A FC NÃO faz a água girar no ralo — só é perceptível após horas de movimento (brisas, ciclones, anticiclones). Numa carta real os ventos ficam paralelos às isóbaras (não a 90°) porque a FC entra após a FGP.
CLPCamada-limite planetária: faixa de ~1 000 m que sofre efeitos imediatos da superfície. ACIMA dela, FGP + FC combinam-se e produzem 2 ventos: geostrófico e gradiente.
4.1 Vento geostrófico
FGP acelera o ar p/ a baixa › FC começa a desviar › velocidade cresce, desvio aumenta › FC iguala FGP › resultante = 0
Vento geostrófico: surge quando FGP = FC (equilíbrio). Escoa em linha reta, paralelo às isóbaras, velocidade constante. No H. Sul deixa as baixas à direita (altas à esquerda).
- É aproximação do vento real: melhor longe do equador e acima da CLP.
- Perto do equador Coriolis é fraca, o balanço se rompe, geostrófico se afasta do real.
- Intensidade segue a FGP: FGP maior → vento mais intenso (analogia: rio corre mais rápido no leito apertado).
4.2 Vento gradiente
QuandoIsóbaras curvas (células circulares): ciclones/baixas (pressão mínima no centro) e anticiclones/altas (pressão máxima no centro).
Vento gradiente = balanço de 3 forças: FGP + FC + força centrífuga (aparente).
Centrípeta × centrífugaCentrípeta aponta p/ o centro (impede escapar pela tangente). Centrífuga (FCe) é aparente, mesma intensidade, sentido oposto (p/ fora), da inércia da parcela.
| Centro (sentido de giro, acima da CLP) | H. Norte | H. Sul |
|---|---|---|
| Baixa (ciclone) | anti-horário | horário |
| Alta (anticiclone) | horário | anti-horário |
BaixaFCe atua contra a FGP (p/ fora) → sentido ciclônico.
AltaFCe atua a favor da FGP → sentido anticiclônico.
5.1 Força de atrito
Nas cartas de superfície os ventos NÃO são paralelos às isóbaras: cruzam-nas das altas p/ as baixas com ângulo < 90° — em média ~30°. Causa: atrito vento × superfície.
Atrito reduz a velocidade › reduz a FC › balanço FGP-FC se rompe › vento cruza as isóbaras rumo à baixa pressão
- Acima de 1 000 m: vento paralelo às isóbaras (FGP = FC).
- Em altitude o atrito é nulo.
| Situação (superfície) | H. Sul | H. Norte |
|---|---|---|
| Baixa (ar converge, p/ dentro) | horário | anti-horário |
| Alta (ar diverge, p/ fora) | anti-horário | horário |
H. Sul: vento entra e gira horário nas baixas, sai anti-horário nas altas. H. Norte: entra anti-horário nas baixas, sai horário nas altas.
Em superfície o vento converge (entra) na baixa e diverge (sai) da alta. Esse comportamento horizontal liga-se a um movimento vertical.
BaixaAr converge no centro e sobe lentamente; a ~6 000 m começa a divergir em altos níveis. Se a divergência em altura supera a convergência em superfície, a pressão no centro decresce.
AltaProcesso inverso: ar diverge do centro em superfície; em níveis altos o ar converge e desce (subside) p/ repor.
Efeito no tempo: ar ascendente favorece nuvens e chuva; ar subsidente traz céu limpo. Baixas → tempo instável; altas → tempo bom.
Aparente contradição com o equilíbrio hidrostático (§3): este é apenas uma teoria simplificadora; os movimentos verticais existem e originam os sistemas atmosféricos.