O que cai
FocoSistemas de natureza extratropical: massas de ar, frentes e ciclones extratropicais. Entram também ciclones tropicais, anticiclones e tempestades severas.
FunçãoSão os sistemas que, no dia a dia, mudam o tempo de uma região.
Massas de ar (porções homogêneas) › Frentes (encontro de duas massas) › Ciclones (baixas fechadas) › Anticiclones (altas fechadas) › Tempestades / tornados
Edital 2-A, Área V: item 15 (massas de ar e frentes), 19.2 (ciclones e anticiclones; tropicais e extratropicais), 20 (sistemas de tempo: tempestades severas, tornados, sistemas frontais).
Conceito
DefiniçãoGrande porção horizontal de ar com temperatura e umidade homogêneas.
Região-fonteLugar onde a massa se forma e adquire suas propriedades (atmosfera aquecida de baixo p/ cima + umidade da evaporação).
- Região-fonte ideal: (1) área extensa e uniforme (sem topografia irregular nem mistura água/terra); (2) estagnação da circulação (ar fica tempo suficiente).
- Depois de formada, a massa migra: modifica o tempo da área que atravessa e tem suas características alteradas pela superfície.
Classificação (2 letras)
1ª letra (maiúscula)Latitude → temperatura: Antártica/Ártica (A), Equatorial (E), Polar (P), Tropical (T).
2ª letra (minúscula)Superfície → umidade: marítima (m) e continental (c). Marítima é mais úmida.
| Código | Significado |
|---|---|
| Ac | Antártica/Ártica continental |
| Ec | Equatorial continental |
| Pc | Polar continental |
| Tc | Tropical continental |
| Em | Equatorial marítima |
| Pm | Polar marítima |
| Tm | Tropical marítima |
No Brasil: massa Ec domina quase todo o território no verão e se retrai no inverno (só noroeste). No canal vapor d'água: escuro = ar seco, claro = ar úmido.
Zona frontal e frente
Zona frontalFaixa de transição entre duas massas de propriedades diferentes; superfície tridimensional (cúpula entre ar polar e tropical).
FrenteInterseção da superfície frontal com o solo — é o que se desenha nas cartas.
Frontogênese = formaçãoFrontólise = dissipação
- Na zona frontal: mínimo de pressão, variações abruptas de temperatura/umidade, ventos fortes que mudam de direção, nebulosidade e precipitação (ascensão do ar no limite).
- Dimensões: largura 5–50 km · comprimento 500–5.000 km · altura 3–10 km.
Ocorrem onde há intensos gradientes horizontais de temperatura/umidade → região equatorial (gradientes fracos) é pouco propícia. Tipos: quente, fria, estacionária, oclusa.
Frente quente (1:200)
- Ar quente avança sobre superfície antes fria; ar frio recua. Inclinação suave 1:200. Velocidade 25–35 km/h.
- Carta: linha vermelha com semicírculos vermelhos apontando para o ar frio.
- Ar quente ascende, expande, resfria, condensa. Sequência de nuvens: Ci → Cs → As → Ns → St (Ci a 1.000 km+; St/Ns ~300 km, começa a chuva).
Precipitação da frente quente cai na dianteira (antes de a frente chegar).
| Fenômeno | Antes | Durante | Depois |
|---|---|---|---|
| Temperatura | Aumenta vagaroso | Aumenta | Fica quente |
| Pressão | Decresce | Mantém-se | Pequeno aumento e decréscimo |
| Ventos | Quadrante sul | Variáveis c/ rajadas | Quadrante norte |
| Precip. | Chuva | Chuva | Cessa |
| Nuvens | Ci,Cs,As,Ns,St | St | Céu claro c/ Sc |
Frente fria (1:100)
- Ar frio avança sobre ar quente. Inclinação 1:100 (mais acentuada). Velocidade 35–50 km/h (mais rápida).
- Maior inclinação + maior velocidade → sistema mais severo (gradientes e ventos mais intensos).
- Carta: linha azul com triângulos azuis apontando para o ar mais quente. Nuvens: Ac, Cs, Ci (Ci pode indicar chegada da fria).
Precipitação da frente fria é mais intensa porém menos duradoura que a da quente. Vento muda de norte para sul (HS): quadrante norte antes → sul depois. Retaguarda: alta pressão, ar frio/seco, dias ensolarados.
| Fenômeno | Antes | Durante | Depois |
|---|---|---|---|
| Temperatura | Aumenta | Decresce subitamente | Continua a decrescer |
| Pressão | Decresce | Mínimo | Aumenta |
| Ventos | Quadrante norte | Variáveis c/ rajadas | Quadrante sul |
| Precip. | Chuva | Chuva mais forte | Chove e limpa |
| Nuvens | Ci,Cs | Cu,Cb | Cu,St ou sem |
Frente estacionária
Def.Sem movimento aparente entre dois instantes: não avança nem o frio nem o quente. Pode durar vários dias.
CartaTriângulos azuis de um lado (ar quente) + semicírculos vermelhos do outro (ar frio).
Frente oclusa
- Frente fria se sobrepõe à frente quente (ar da retaguarda da fria toma o lugar da dianteira da quente).
- Oclusão fria: ar atrás da fria é mais frio que o ultrapassado. Oclusão quente: menos frio.
Frente oclusa = cor roxa na carta sinótica.
O que é um ciclone
Def.Centro de circulação fechada com pressão mais baixa no centro.
GiroHorário no HS, anti-horário no HN.
Ciclogênese = formação/intensificaçãoCiclólise = dissipação
Papel climático: transportam ar quente/úmido p/ latitudes altas e ar frio/seco p/ latitudes baixas (equilíbrio térmico). Famílias: extratropicais, tropicais, subtropicais.
Ciclones extratropicais (latitudes médias)
OndeLatitudes > 30° nos dois hemisférios.
Dois mecanismos (juntos)(1) gradientes horizontais de temperatura em superfície (teoria da frente polar); (2) ondas em médios/altos níveis.
Teoria da frente polar — ciclo de vida (HS)
Frente estacionária (segmento da frente polar) › Onda frontal (ondulação/ciclone incipiente) › Ciclone configurado (12–24 h; isóbaras fechadas, setor quente entre as frentes) › Oclusão (fria alcança a quente; maior intensidade) › Dissipação (poucos dias a >1 semana)
Frente polarLimite global semicontínuo entre ar frio polar e ar quente subtropical — zona propícia à gênese.
EnergiaAscensão do ar quente → energia potencial → cinética; condensação → calor latente; divergência em altos níveis induz convergência em superfície.
Ondas em médios/altos níveis
- Escoamento como um rio: isóbaras próximas = convergência; afastadas = divergência.
- A leste (jusante) de um cavado o ar diverge em altos níveis → ar sobe em superfície → convergência em superfície → contribui p/ ciclogênese.
- Ciclone se forma quando coincidem gradientes de temperatura (frentes em superfície) + ondas em 500 hPa (setor de ascensão a leste do cavado).
HS invertido: cavados/cristas têm configuração oposta à do HN. O que parece crista pode ser cavado. Regra: cavado = sempre a região de MENOR pressão da vizinhança.
Atlântico Sul: 3 regiões de grande frequência de ciclogêneses — costa sul/sudeste do Brasil, costa do Uruguai/extremo sul do Brasil, e costa sudeste da Argentina.
Definição
O que éBaixa pressão em superfície, núcleo quente, ventos intensos, circulação organizada (horária HS, anti-horária HN).
Onde nasceÁguas oceânicas tropicais/subtropicais com TSM > 27 °C.
| Denominação | Vento |
|---|---|
| Depressão tropical | até 61 km/h |
| Tempestade tropical | 62–118 km/h |
| Furacão/tufão/ciclone | > 119 km/h |
Nome por local: furacão = Atlântico e Pacífico Leste · tufão = Pacífico Oeste · ciclone = oceano Índico.
Anatomia do furacão (Ø ~500 km)
- Olho: centro calmo, pouca nuvem, ventos ≤ 24 km/h; forma-se quando vento sustentado > 119 km/h (momento angular + força centrífuga).
- Parede do olho: cerca o olho a 16–32 km do centro; ventos mais intensos.
- Bandas de precipitação: chuva afastada do olho; podem gerar ventos fortes e tornados.
Efeito patinador: conservação do momento angular acelera o giro perto do centro; a força centrífuga (para fora) equilibra o ar que converge → forma a parede do olho. No HN: ventos/bandas anti-horário (ciclônico); cirrus em altitude horário (anticiclônico).
Condições de formação
- Águas quentes > 27 °C (HN: jun–nov; HS Austrália/Moçambique: nov–abr).
- Força de Coriolis: só em latitudes > 5°.
- Instabilidade em toda a troposfera (correntes frias/ressurgência = desfavoráveis).
- Pouco cisalhamento vertical do vento.
"Combustível" = calor latente da evaporação oceânica → furacão se autoalimenta, mas é limitado pelo calor latente: corta ao atingir continente ou águas frias → dissipa. Oceanos mais quentes → furacões mais intensos.
Escala Saffir-Simpson (5 categorias)
| Cat. | V (m/s) | V (km/h) | P mín (hPa) |
|---|---|---|---|
| 1 | 33–42 | 119–153 | > 980 |
| 2 | 43–49 | 154–177 | 979–965 |
| 3 | 50–58 | 178–209 | 964–945 |
| 4 | 59–69 | 210–249 | 944–920 |
| 5 | ≥ 70 | ≥ 250 | < 920 |
RegraBaseada na média de 1 min do vento máximo sustentado. Categoria maior → menor pressão central, mais ressacas, prejuízos crescentes.
Nomes: ideia de Clement Wragge (fim do séc. XIX); OMM criou convenções por bacia nos anos 1960 (só femininos → masculinos nos anos 1970). março/2004: Catarina = 1º furacão registrado no Atlântico Sul.
O que éSistemas híbridos: características de tropicais e extratropicais no ciclo de vida. Latitudes 20°–40° nos dois hemisférios.
EstruturaNúcleo quente em baixos níveis (como tropicais) + núcleo frio em altos níveis (como extratropicais).
- Podem nascer subtropicais ou surgir da transição de extratropicais (e evoluir para tropicais; inversa também ocorre).
- Em satélite, lembram os extratropicais.
Atlântico Sul: formação entre a costa sul e sudeste do Brasil; estação preferencial = verão. Ex.: subtropical Anita (mar/2010).
Conceito
Def.Centro de circulação fechada com pressão mais alta no centro.
Giro (anticiclônico)Anti-horário no HS, horário no HN — o ar sai do centro e a força de Coriolis deflete (esquerda no HS).
Classificação
- Migratórios: eventuais, vida curta 2–3 dias; formam-se a oeste dos cavados (convergência em altitude → ar subside → pressão sobe).
- Semipermanentes: persistem quase o ano todo. No HS: 3 no verão (Atlântico Sul, Índico, Pacífico Sul) + um sobre a Austrália no inverno.
Semipermanentes nascem das altas subtropicais (~30°): ar tropical quente ascende, diverge em altitude e subside por volta de 30° (ventos fracos/calmarias).
ASAS (Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul): maior no inverno (perto da costa → inibe precipitação no Sudeste); no verão, afastado, transporta umidade do Atlântico ao continente e favorece chuva.
Tempestade
Def.Uma única cumulonimbus (Cb) de grande extensão vertical, ou um aglomerado dessas nuvens.
SeveraProduz muita chuva, raios, trovões, ventos fortes, granizo e às vezes tornados. Supercélula = única Cb que pode passar de 20 km na atmosfera.
Cumulus (aquecimento → ascendentes formam a Cb) › Maduro (surgem descendentes + precipitação) › Dissipação (descendentes dominam, cortam o "combustível")
Critério de tempestade severa (EUA): ventos > 93 km/h, ou granizo > 1,9 cm, ou gera tornado.
Tornados
- Diâmetro < 1 km, duração de poucos minutos, ventos 105–450 km/h; grande destruição.
- Começa como tuba (nuvem em funil pendendo de Cb); só vira tornado ao tocar a superfície.
- Sobre corpos d'água = trombas-d'água.
Rotação horizontal (cisalhamento vertical, ~30 min antes) › Inclinação do eixo (ascendentes) › Mesociclone (tubo vertical em rotação) › Funil → tornado (toca o solo)
Formação em supercélula, geralmente no fim da tarde (atmosfera mais instável). Apenas 20% dos mesociclones geram tornados.
Onde~1.000/ano nos EUA (pico 16–21 h). Brasil: RS, SC, PR, SP — em SC, 77 casos entre 1976 e 2000.
Escala Fujita-Pearson
- Fujita, 1971: descreve os danos pela intensidade do vento; aceita pelo serviço meteorológico dos EUA em 1973.
- Allen Pearson acrescentou distância e amplitude do caminho → escala Fujita-Pearson.
- Danos de leves (antenas, folhas) a incríveis (casas arrancadas). F6–F12 (ventos > 143 m/s) = danos inconcebíveis.