🧭 MMPH · Cap.1 — Elementos Meteorológicos

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lobo & Soares, Meteorologia e Oceanografia · V.03-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Elementos básicosRadiação solar, temperatura do ar e do mar, pressão, umidade e visibilidade.
O fio condutor de todo fenômeno meteorológico é a energia em constante transformação.
  • Formas: energia interna, cinética e potencial.
  • Transporte como calor sensível e calor latente.

Radiação solar temperaturas pressão umidade nuvens precipitação visibilidade

A radiação solar abre o estudo por ser a fonte de energia que desencadeia todos os processos.

A intensidade da radiação na superfície depende do ângulo de incidência: máxima na vertical (90°) e decresce à medida que o ângulo diminui (a energia se espalha por área maior).

O que define o ângulo (3 fatores)

  • Latitude — curvatura da Terra inclina mais os raios nas altas latitudes;
  • Hora — varia no dia pela rotação;
  • Data — varia no ano pela translação (sazonalidade).

Altas latitudes têm invernos rigorosos: raios muito inclinados + albedo alto de neve/gelo reflete a energia.

LuminosidadeSolstícios e equinócios: 21/mar, 21/jun, 21/set, 21/dez.
EventoInsolação máxima emDia × noite
Solstício (22/jun)23°27′Ndias > noites no hem. de verão
Solstício (22/dez)23°27′Sdias > noites no hem. de verão
Equinócios (21/mar e 23/set)Equadoriguais (12 h) em todas as latitudes
AlbedoRelação entre energia refletida e recebida. Alto em claras (neve), baixo em escuras (asfalto).
  • Atmosfera é transparente às ondas curtas do Sol;
  • A parcela absorvida pela superfície é a única fonte de aquecimento e só ocorre de dia;
  • O planeta resfria nas 24 horas emitindo ondas longas (infravermelho).
O saldo entre ondas longas emitidas e ondas curtas recebidas governa o balanço térmico.
Parcela (de 100 unidades)Un.
Dispersada/refletida ao espaço31
Absorvida pela atmosfera23
Absorvida pela superfície46
Saldo na superfície+31
Saldo na atmosfera−31
Transferência superfície→atmosfera (sensível 7 + latente 24)31
Fig. I-1
Fig. I-1 — Ângulo de incidência dos raios solares
Superfície tem excesso; atmosfera, déficit. O excesso sobe por calor sensível e calor latente.
Escala globalTrópicos = saldo positivo; altas latitudes = saldo negativo → energia transportada dos trópicos aos polos.

Condução (contato) convecção (vertical) advecção (horizontal)

Fig. I-2
Fig. I-2 — Variação anual da insolação
Fig. I-4
Fig. I-4 — Efeito da curvatura da Terra sobre a insolação
Fig. I-9
Fig. I-9 — Processo de resfriamento da Terra
Fig. I-12
Fig. I-12 — Balanço global de radiação
Fig. I-13
Fig. I-13 — Espectro eletromagnético
DispersãoMais efetiva na faixa do azul — por isso o céu é azul.
O espectro eletromagnético identifica-se por comprimento de onda, frequência e nível de energia.

Ultravioleta (ondas mais curtas que o violeta) visível infravermelho (ondas mais longas que o vermelho)

TemperaturaIndicador da quantidade de calor no meio; medida em °C (escala Celsius).

Com a altitude

A temperatura diminui com a altitude em toda a troposfera: a pressão cai, o ar se expande e, por isso, esfria (lei dos gases). É a base da formação das nuvens.

Com a latitude

  • Diminui das baixas latitudes (Equador) para as altas (polos) — radiação desigual + albedo da neve;
  • Mantém um gradiente horizontal de temperatura que favorece a circulação de massas de ar frias/quentes e as frentes.
Fig. I-15
Fig. I-15 — Variação da temperatura do ar com a altitude
Fig. I-16
Fig. I-16 — Gradiente horizontal de temperatura
  • Quase não varia entre dia e noite (energia usada na evaporação); muda de forma lenta e gradual no ano.
  • Exceção: regiões de ressurgência; variações bruscas ao cruzar grandes correntes de temperaturas distintas.
TSM vs. arEfeito
TSM mais fria que o arresfria o ar → nevoeiros / névoa
TSM mais quenteintensifica convecção e temporais
TSM acima de 27 °Cpode sustentar tormentas e furacões
Comparar temperatura do ar × TSM é fundamental no diagnóstico e prognóstico do tempo.
Ar seco (T)O que o termômetro comum indica.
Ar úmido (TU)Bulbo úmido pelo psicrômetro: evaporação da água do tecido resfria o ar → indicação sempre menor que a seca (TU < T).
Quanto mais seco o ar, maior a evaporação, maior o resfriamento e maior a diferença entre os dois termômetros.
TPOTemperatura do ponto de orvalho: o ar satura só por resfriamento (sem acréscimo de umidade); nela a UR = 100%.
GrandezaCaso ACaso B
Termômetro seco (T)26,0 °C23,4 °C
Termômetro úmido (TU)20,0 °C20,9 °C
Depressão do bulbo úmido6,0 °C2,5 °C
Ponto de orvalho (TPO)17,1 °C19,7 °C
Umidade relativa (UR)58%80%

Isotermas e gradiente

G = Δt / Δn variação de T por distância perpendicular à isoterma

Isotermas mais estreitas (gradiente mais forte) → maior gradiente de pressãovento mais intenso.
DefiniçãoPeso da coluna de ar sobre área unitária → a pressão decresce com a altitude. Unidade: hPa (= antigo milibar / mb).
Cai de 1013 hPa ao nível do mar para ~200 hPa na tropopausa. A expansão do ar ascendente é a causa do resfriamento até a TPO e da formação de nuvens.

Densidade e movimento

ArDensidadePressão
Frio (comprime)mais denso/pesadomaior
Quente (expande)menos densomenor
  • Movimento vertical ascendente → rarefação → redução da pressão à superfície;
  • Movimento vertical descendente → compressão → aumento da pressão;
  • Substituição horizontal por ar mais frioalta (+); por ar mais quentebaixa (−).
Fig. I-23
Fig. I-23 — Variação vertical da pressão atmosférica

Isóbaras e comportamento

IsóbarasLinhas de igual pressão. Espaçamento mais estreitovento mais intenso.
CentroTermos
Baixa (ciclone)aprofundar (pressão cai) · encher (pressão sobe)
Altaintensificação · enfraquecimento
Fig. I-24a
Fig. I-24a — Movimento vertical ascendente (rarefação, redução de pressão)
Fig. I-24b
Fig. I-24b — Movimento vertical descendente (compressão, aumento de pressão)
Fig. I-25
Fig. I-25 — Gradiente horizontal de pressão
O vapor d'água armazena e transporta a maior parte da energia dos fenômenos, como calor latente. Furacões se alimentam de umidade sobre o oceano e se dissipam no continente.
  • Umidade absoluta máxima é diretamente proporcional à temperatura (ar quente contém mais vapor);
  • Ar saturado = máximo de vapor para sua temperatura; se esfria, o excesso condensa em gotículas.

UR = Uabs. / Uabs. máx. em % varia de forma inversa à temperatura

Umidade constante: se T aumenta, UR diminui; se T diminui, UR aumenta. Ao chegar a UR = 100% atinge-se a TPO.

Umidade absoluta real (g/m³) só muda por evaporação (+) ou condensação (−), independentemente da temperatura.

EvaporaçãoLíquido→vapor absorve calor latente → resfria o ar. Na condensação o calor é liberado → aquece o ar (cria instabilidade e favorece convecção).
Calor sensívelCalor latente
gelo 0,5 cal/g·°C · água 1 cal/g·°Cfusão do gelo 80 cal/g · evaporação da água 600 cal/g
Durante a mudança de estado a temperatura permanece constante — todo o calor vira latente, não sensível.
TSM controlaTaxa de evaporação diretamente proporcional à TSM; acima de 27 °C intensifica. Trópicos: TSM 26 °C a 30 °C.

Condensação e adiabáticas

O nível de condensação (UR chega a 100%, temperatura = TPO) coincide com a base das nuvens baixas.
AdiabáticaArResfriamento
Secanão saturado10 °C por km
Úmidasaturado (libera calor latente)6 °C por km (mais devagar)

Ascensão do ar por: aquecimento desigual (convecção), convergência em baixos níveis, subida forçada por montanhas ou pela rampa das frentes.

Nebulosidade não implica precipitação: o céu pode ficar dias encoberto sem chover.
EstabilidadeNuvemChuva
Ar estávelestratiformes (Stratus)rara
Ar instávelcumuliformes (Cumulus)mais frequente
ObservaçãoEm oitavos de céu encoberto, de 1/8 a 8/8 (8/8 = totalmente encoberto). Núcleos de condensação aglutinam as gotículas.
Cumulonimbus (Cb)Grande desenvolvimento vertical, mas observada como nuvem baixa. Responsável por trovoadas e tempestades; topo em bigorna.
Cirrus com garras (rabo de galo) deslocando-se para a embarcação = mau tempo se aproximando (em geral um Cb).

Classificação internacional (DHN) — 10 tipos

Baixas (< 2000 m)Médias (2000–6000 m)Altas (> 6000 m)
Stratus (St)Altostratus (As)Cirrus (Ci)
Nimbostratus (Ns)Altocumulus (Ac)Cirrostratus (Cs)
Stratocumulus (Sc)Cirrocumulus (Cc)
Cumulus (Cu)
Cumulonimbus (Cb)
Fig. I-27
Fig. I-27 — Umidade relativa (dia de calmaria)

Base das baixas < 2000 m; médias 2000–6000 m; altas > 6000 m (só cristais de gelo). Identificação pelo Quadro de Nuvens DHN-5906.

Fig. I-28
Fig. I-28 — Mudanças do estado da água — calor latente
Fig. I-30
Fig. I-30 — Adiabáticas seca e úmida (atividade convectiva)
Fig. I-31
Fig. I-31 — Cumulonimbus (topo em bigorna)
Fig. I-33
Fig. I-33 — Quadro de Nuvens DHN — Cirrus / Cirrostratus (C_H 1–6)
Fig. I-36
Fig. I-36 — Quadro de Nuvens DHN — Stratocumulus / Cumulus / Cumulonimbus (C_L 1–5)

Precipitação

TiposLíquida (chuva, chuvisco/garoa) e sólida (neve, granizo, saraiva).
ContinuidadeNuvem / duração
Contínuaestratiformes · > 1 hora
Intermitenteduração < 1 hora
Em pancadascumuliformes/convectivas · curta, início/fim definidos
O chuvisco forte reduz a visibilidade a menos de 500 metros.

Nevoeiro (condensação junto à superfície)

Por convenção, visibilidade restrita a menos de 1 km = nevoeiro. Regra das temperaturas: nevoeiro exige T > TPO > TSM.
Nunca há nevoeiro quando T > TSM > TPO — o resfriamento não alcança a TPO.
TipoRadiaçãoAdvecção
Ondecontinentemar (mais frequente)
Mecanismoresfriamento do solo após o pôr do solar quente/úmido desliza sobre superfície mais fria
Horamadrugada/manhãnão tem hora certa
Dissipacom o nascer do solaquecimento ou aumento do vento

Névoa e escala de visibilidade

  • Névoa úmida: gotículas d'água, UR acima de 80%; forte = chamada nevoeiro; reduz a 1–2 km;
  • Névoa seca: poluentes sólidos, UR abaixo de 80%; reduz a 1–5 km;
  • Nevoeiro fraco sempre < 1 km; forte a < 100 m. Chuva normal não reduz abaixo de 1500 m.
PortuguêsInglêsMilhas náut.km
Muito restritaVery poor< 0,5< 1
RestritaPoor0,5 a 21 a 4
ModeradaModerate2 a 54 a 10
BoaGood> 5> 10
Névoa e nevoeiro são os que mais reduzem a visibilidade. Havendo nevoeiro, aplicar as medidas de segurança dos regulamentos.