🧭 MMPH · Cap.10 — Correntes Oceânicas e Costeiras

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lobo & Soares, Meteorologia e Oceanografia · V.03-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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O que é

Corrente marítimaMovimento contínuo das águas do mar com direção e velocidade determinadas.
Três causasdiferença de densidade · marés · ventos.
A corrente de densidade é a espinha dorsal da circulação geral dos oceanos — as massas de água se deslocam em busca do equilíbrio térmico do planeta.

Origem da densidade

  • Diferença de densidade vem sobretudo da temperatura e, em menor grau, da salinidade.
  • Frio polar → água das altas latitudes fica muito densa → desencadeia as correntes frias profundas que afundam e seguem ao equador.
  • Água quente e superficial escoa às altas latitudes para preencher o espaço liberado.
CamadaTipoDensidade
Superfície / camadas superiorescorrentes quentesmenos densas
Águas profundascorrentes friasmais densas
CoriolisDesvia a trajetória para a direita no HN e para a esquerda no HS.

A publicação Cartas-Pilotovelocidade e direção mensal da corrente na área de interesse.

Fig. X-4
Fig. X-4 — Correntes oceânicas do Atlântico — circumpolar Antártica, Malvinas, Benguela, Sul Equatorial, do Brasil, contracorrente Equatorial, Norte Equatorial, do Golfo, do Labrador, do Atlântico Norte, das Canárias, entre outras.

Bifurcação da Sul Equatorial

Corrente Sul Equatorial chega ao N/NE do Brasil parte segue ao sul = corrente do Brasil parte segue ao norte = corrente das Guianas

Corrente do Brasil e das Guianas são ambas superficiais e quentes, deslocam-se próximas à costa e são muito observadas pelos navegantes.
No Sul/Sudeste surge água fria e profunda da corrente das Malvinas, que chega até a região de Cabo Frio.

Ressurgência

DefiniçãoAfloramento de águas frias e profundas, ricas em sais nutrientes, que sobem para preencher o espaço deixado pela água superficial.
Ocorre em geral perto de Cabo Friogrande atividade pesqueira; também influencia o clima e o tempo da região.
SeparaçãoAs circulações do Atlântico, Pacífico e Índico, nos dois hemisférios, são separadas pela contracorrente equatorial e influenciadas por Coriolis.
Circulação fechada e independente em cada hemisfério, com sentidos contrários: horária no HN e anti-horária no HS.
ElementoComportamento
Coriolisdesvia à direita no HN, à esquerda no HS
Contracorrente equatorialsuperficial e quente; circula para LESTE (E), na mesma direção da rotação da Terra; aparece nos três oceanos
Ao norte da contracorrentecorrente Norte Equatorial
Ao sul da contracorrentecorrente Sul Equatorial

No Índico, as correntes correspondem à monção de inverno (NE) (Fig. X-3).

Coriolis só atua quando a corrente muda de latitude.
TipoDeslocamentoCoriolis?
Meridionalmuda de latitudeSim — sofre desvio
Zonalmesma latitudeNão — sem desvio

Regra do desvio (vale nos dois hemisférios)

  • Correntes que se afastam do equador são quentes → desviam para LESTE (E).
  • Correntes que se aproximam do equador são frias → desviam para OESTE (W).
O sentido E/W depende de a corrente aproximar-se ou afastar-se do equador, não do hemisfério.
Ao navegante importam as correntes que tocam o Brasil e o Atlântico Sul; as demais compõem o quadro global.
BaciaCorrentes notáveis
AtlânticoCircumpolar Antártica, Malvinas, Benguela, Sul Equatorial, do Brasil, contracorrente Equatorial, Guianas, Norte Equatorial, do Golfo, do Labrador, do Atlântico Norte, das Canárias
PacíficoCircumpolar Antártica, de Humboldt (Peru), Sul Equatorial, Kuroshio, Oyashio, do Alasca, da Califórnia
Índico NorteInverno (monção NE): contracorrente + Norte Equatorial · Verão (monção SW): corrente de monção e da Somália
Índico SulCircumpolar Antártica, de Leeuwin, Sul Equatorial, de Moçambique, das Agulhas
Fig. X-1
Fig. X-1 — Circulação oceânica geral — as circulações dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em ambos os hemisférios, são separadas pela contracorrente equatorial e influenciadas pela força de Coriolis (desvio à direita no HN e à esquerda no HS).
Fig. X-2
Fig. X-2 — Coriolis — correntes que se afastam do equador desviam a trajetória para E (leste); correntes que se aproximam do equador desviam para W (oeste).
Fig. X-3
Fig. X-3 — Circulação geral oceânica — a circulação é fechada nos hemisférios Norte e Sul nos três oceanos; no Índico as correntes correspondem à monção de inverno (NE).
As frias derivadas da circumpolar AntárticaBenguela, Enlace, Humboldt (Peru) e Malvinas — são as que mais importam ao Atlântico e ao Pacífico Sul.

Aspectos climatológicos da circulação geral são detalhados no Cap. XIII.

Fig. X-5
Fig. X-5 — Correntes oceânicas do Pacífico — circumpolar Antártica, de Humboldt (Peru), Sul Equatorial, Oriental da Austrália, Norte Equatorial, Kuroshio, Oyashio, do Pacífico Norte, do Alasca, da Califórnia.
Fig. X-6
Fig. X-6 — Correntes do oceano Índico Norte (inverno) — durante as monções de NE, de novembro a março: contracorrente Equatorial e corrente Norte Equatorial.
Fig. X-7
Fig. X-7 — Correntes do oceano Índico Norte (verão) — durante as monções de SW, de maio a setembro: corrente de monção (contracorrente Equatorial) e corrente da Somália.
Fig. X-8
Fig. X-8 — Correntes do oceano Índico Sul — circumpolar Antártica, de Enlace, de Leeuwin, Ocidental da Austrália, Sul Equatorial, de Moçambique e das Agulhas.
Fig. X-9
Fig. X-9 — Correntes do Mediterrâneo — configuração do mar Mediterrâneo e ilustração das correntes (mar Balear, Egeu, Jônico, Adriático, Tirreno; cabos Bon e Matapan; ilhas de Chipre, Creta e Córsega; golfo de Leon).
Fig. X-10
Fig. X-10 — Correntes do Mar do Caribe — Antilhas, mar do Caribe e golfo do México: correntes das Antilhas, das Bahamas, do Caribe, do México e da Flórida, com contracorrentes de Cuba e da América Central.
Fig. X-11
Fig. X-11 — Mar de Sargaços — limites aproximados e correntes que o rodeiam: corrente do Golfo, do Atlântico Norte, dos Açores, Subtropical Norte e das Antilhas.
Fig. X-13
Fig. X-13 — Correntes da Antártica — corrente circumpolar da Antártica e suas derivações: corrente de Benguela, de Enlace, de Humboldt (Peru) e das Malvinas.
Corrente de derivaPequeno arrasto que o atrito do vento sobre a superfície do mar produz, quando a região é favorável.

Quatro condições

proximidade da costaconfiguração do fundodireção do litoral vs. vento predominantepersistência do vento na mesma direção
A corrente de deriva NÃO segue a direção do vento: pela espiral de Ekman fica defasada 90° — à esquerda no HS e à direita no HN.

Efeito comum na costa do Brasil, sobretudo nas regiões Leste e Nordeste.

Espiral de EkmanMostra, na vertical, os vetores da corrente de deriva nos vários níveis de profundidade.
CamadaDefasagem do vento
Corrente superficial em águas profundas~45°
Corrente superficial em águas rasas~30°
Transporte de Ekman (toda a coluna d'água)90°
Na prática, a soma de Coriolis + atrito desloca toda a massa d'água a 90° do vento — à direita no HN, à esquerda no HS.

Superficial ~45° (profundas) / ~30° (rasas) Toda a coluna = 90°

O navegante vigia três correntes costeiras: as induzidas pelo vento, as de retorno (ressaca) e as de maré.
Ensacar × afastarA posição da costa vs. direção do vento define se a embarcação é ensacada (levada à costa) ou afastada — por efeito da corrente, não do vento.
Corrente de gradienteFluxo eleva o nível → afundamento; refluxo abaixa o nível → ressurgência.
Hem.DerivaCosta à... → efeito
HN90° à direitacosta à direita do vento → fluxo, nível sobe, afundamento · costa à esquerda → refluxo, nível baixa, ressurgência
HS90° à esquerdacosta à esquerda do vento → fluxo, nível sobe, afundamento · costa à direita → refluxo, nível baixa, ressurgência
Fig. X-14
Fig. X-14 — Correntes costeiras induzidas pelo vento (HN) — no Hemisfério Norte a corrente de deriva é defasada 90° para a direita do vento; com a costa à direita, fluxo eleva o nível do mar; com a costa à esquerda, refluxo abaixa o nível e provoca ressurgência.
Fig. X-15
Fig. X-15 — Correntes costeiras induzidas pelo vento (HS) — no Hemisfério Sul a corrente de deriva é defasada 90° para a esquerda do vento; com a costa à esquerda, fluxo eleva o nível do mar; com a costa à direita, refluxo abaixa o nível e provoca ressurgência.
Fig. X-16
Fig. X-16 — Espiral de Ekman — disposição vertical dos vetores (direção e tamanho) da corrente de deriva nos vários níveis de profundidade; coriolis e atrito resultam em deslocamento de toda a massa d'água defasado 90° do vento (a: HN, à direita; b: HS, à esquerda).
Fig. X-17
Fig. X-17 — Transporte de Ekman — na prática, deslocamento de toda a massa d'água com ângulo de 90° em relação ao vento; a corrente superficial desvia ~45° em águas profundas e ~30° em águas rasas (a,b: HN à direita; c,d: HS à esquerda).
1ª providência: saber de que lado fica a costa e de que direção sopra o vento — daí, se o navio é desviado ao mar aberto (tranquilo) ou à costa (preocupante).
OrigemAcúmulo de massa d'água que as frentes de onda empilham sobre o litoral.
Viram corrente de ressaca quando há: ondas de grande comprimento + isóbaras favoráveis + costa em enseada ou altos-fundos.
Distinguir: a onda de ressaca depende da configuração das isóbaras; a corrente de retorno depende do acúmulo de água junto ao litoral.

Flui paralela ao litoral converge e ganha força para vencer a arrebentação vira ao alto-mar numa faixa estreita → afasta a embarcação

Fig. X-18
Fig. X-18 — Corrente de retorno em dia de ressaca — a incidência de uma frente de onda sobre o litoral acumula massa d'água e gera corrente de retorno ao longo da costa; em enseada ou baía as correntes convergem e formam corrente de ressaca muito forte.
Fig. X-19
Fig. X-19 — Corrente de retorno em dia de ressaca — caso típico com barra de areia próxima à superfície a pouca distância do litoral: a massa d'água acumulada entre a barra e a praia busca saída para o refluxo (corrente de ressaca).
Barra de areiaÁgua presa entre a barra e a praia busca saída para o refluxo → forte corrente de ressaca.
Mais crítica quando coincide com maré de vazante de sizígia, ou quando as ondas ultrapassam o quebra-mar e invadem o canal de acesso (pior para navios que saem do porto).
DefiniçãoDeslocamento horizontal de massa d'água gerado pela oscilação periódica e regular das marés.
Ocorre em todo o oceano, mas é observada com mais facilidade na linha da costa — interessa em baías, enseadas e proximidades dos portos.
Geografia moldaDireção e velocidade variam ao longo do canal → a corrente sentida por duas embarcações na mesma enseada pode ser diferente, conforme a posição.

Características geográficas que influenciam

baía rasa ou fundaentrada estreita ou largacanal longo e sinuosopontas salientes e ilhas

Há variação de intensidade e direção ao longo do ciclo: enchente · preamar · vazante · baixa-mar.

PublicaçãoA DHN publica a Coletânea de Cartas de Correntes de Maré para portos onde o efeito das marés é mais significativo e há grande movimento.
Cada carta registra a direção pela seta e a intensidade pelo algarismo em nós (e décimos de nó).
Coletânea13 folhas: 6 para cada hora antes da preamar + 1 no instante da preamar + 6 para cada hora depois.

Como selecionar a carta

Seleciona-se pela diferença entre o instante da preamar (das Tábuas das Marés) e o momento em que se quer a informação.
Situação (Itaqui)PreamarDiferençaCarta
10 h de 30/out/199706 h 15 min (≈6 h)4 h depois da PM4 h depois da preamar
09 h de 08/out/199710 h 54 min (≈11 h)2 h antes da PM2 h antes da preamar
Fig. X-20
Fig. X-20 — Carta de correntes de maré — portos de São Luís e Itaqui; carta válida para 2 horas antes da preamar de São Luís (referência indicada na parte inferior da carta).

Cuidados de manobra

  • Cartas confeccionadas para dias de sizígia — a corrente mais forte.
  • Saber se é enchente ou vazante: entrar na enchente reduz o efeito do leme; sair na vazante dificulta a manobra.
Fig. X-21
Fig. X-21 — Carta de correntes de maré — São Luís; carta válida para 4 horas depois da preamar do porto de São Luís.
Fig. X-22
Fig. X-22 — Carta de correntes de maré — direção (seta) e intensidade (em nós) das correntes, válida para 2 horas antes da preamar do porto do Rio de Janeiro.
Fig. X-23
Fig. X-23 — Carta de correntes de maré — comportamento das correntes válido para 2 horas depois da preamar no porto do Rio de Janeiro.
Situação de manobra mais preocupante: corrente a favor, em dia de sizígia.