O que é
Corrente marítimaMovimento contínuo das águas do mar com direção e velocidade determinadas.
Três causasdiferença de densidade · marés · ventos.
A corrente de densidade é a espinha dorsal da circulação geral dos oceanos — as massas de água se deslocam em busca do equilíbrio térmico do planeta.
Origem da densidade
- Diferença de densidade vem sobretudo da temperatura e, em menor grau, da salinidade.
- Frio polar → água das altas latitudes fica muito densa → desencadeia as correntes frias profundas que afundam e seguem ao equador.
- Água quente e superficial escoa às altas latitudes para preencher o espaço liberado.
| Camada | Tipo | Densidade |
|---|---|---|
| Superfície / camadas superiores | correntes quentes | menos densas |
| Águas profundas | correntes frias | mais densas |
CoriolisDesvia a trajetória para a direita no HN e para a esquerda no HS.
A publicação Cartas-Piloto dá velocidade e direção mensal da corrente na área de interesse.
Bifurcação da Sul Equatorial
Corrente Sul Equatorial chega ao N/NE do Brasil › parte segue ao sul = corrente do Brasil › parte segue ao norte = corrente das Guianas
Corrente do Brasil e das Guianas são ambas superficiais e quentes, deslocam-se próximas à costa e são muito observadas pelos navegantes.
No Sul/Sudeste surge água fria e profunda da corrente das Malvinas, que chega até a região de Cabo Frio.
Ressurgência
DefiniçãoAfloramento de águas frias e profundas, ricas em sais nutrientes, que sobem para preencher o espaço deixado pela água superficial.
Ocorre em geral perto de Cabo Frio → grande atividade pesqueira; também influencia o clima e o tempo da região.
SeparaçãoAs circulações do Atlântico, Pacífico e Índico, nos dois hemisférios, são separadas pela contracorrente equatorial e influenciadas por Coriolis.
Circulação fechada e independente em cada hemisfério, com sentidos contrários: horária no HN e anti-horária no HS.
| Elemento | Comportamento |
|---|---|
| Coriolis | desvia à direita no HN, à esquerda no HS |
| Contracorrente equatorial | superficial e quente; circula para LESTE (E), na mesma direção da rotação da Terra; aparece nos três oceanos |
| Ao norte da contracorrente | corrente Norte Equatorial |
| Ao sul da contracorrente | corrente Sul Equatorial |
No Índico, as correntes correspondem à monção de inverno (NE) (Fig. X-3).
Coriolis só atua quando a corrente muda de latitude.
| Tipo | Deslocamento | Coriolis? |
|---|---|---|
| Meridional | muda de latitude | Sim — sofre desvio |
| Zonal | mesma latitude | Não — sem desvio |
Regra do desvio (vale nos dois hemisférios)
- Correntes que se afastam do equador são quentes → desviam para LESTE (E).
- Correntes que se aproximam do equador são frias → desviam para OESTE (W).
O sentido E/W depende de a corrente aproximar-se ou afastar-se do equador, não do hemisfério.
Ao navegante importam as correntes que tocam o Brasil e o Atlântico Sul; as demais compõem o quadro global.
| Bacia | Correntes notáveis |
|---|---|
| Atlântico | Circumpolar Antártica, Malvinas, Benguela, Sul Equatorial, do Brasil, contracorrente Equatorial, Guianas, Norte Equatorial, do Golfo, do Labrador, do Atlântico Norte, das Canárias |
| Pacífico | Circumpolar Antártica, de Humboldt (Peru), Sul Equatorial, Kuroshio, Oyashio, do Alasca, da Califórnia |
| Índico Norte | Inverno (monção NE): contracorrente + Norte Equatorial · Verão (monção SW): corrente de monção e da Somália |
| Índico Sul | Circumpolar Antártica, de Leeuwin, Sul Equatorial, de Moçambique, das Agulhas |
As frias derivadas da circumpolar Antártica — Benguela, Enlace, Humboldt (Peru) e Malvinas — são as que mais importam ao Atlântico e ao Pacífico Sul.
Aspectos climatológicos da circulação geral são detalhados no Cap. XIII.
Corrente de derivaPequeno arrasto que o atrito do vento sobre a superfície do mar produz, quando a região é favorável.
Quatro condições
proximidade da costaconfiguração do fundodireção do litoral vs. vento predominantepersistência do vento na mesma direção
A corrente de deriva NÃO segue a direção do vento: pela espiral de Ekman fica defasada 90° — à esquerda no HS e à direita no HN.
Efeito comum na costa do Brasil, sobretudo nas regiões Leste e Nordeste.
Espiral de EkmanMostra, na vertical, os vetores da corrente de deriva nos vários níveis de profundidade.
| Camada | Defasagem do vento |
|---|---|
| Corrente superficial em águas profundas | ~45° |
| Corrente superficial em águas rasas | ~30° |
| Transporte de Ekman (toda a coluna d'água) | 90° |
Na prática, a soma de Coriolis + atrito desloca toda a massa d'água a 90° do vento — à direita no HN, à esquerda no HS.
Superficial ~45° (profundas) / ~30° (rasas) › Toda a coluna = 90°
O navegante vigia três correntes costeiras: as induzidas pelo vento, as de retorno (ressaca) e as de maré.
Ensacar × afastarA posição da costa vs. direção do vento define se a embarcação é ensacada (levada à costa) ou afastada — por efeito da corrente, não do vento.
Corrente de gradienteFluxo eleva o nível → afundamento; refluxo abaixa o nível → ressurgência.
| Hem. | Deriva | Costa à... → efeito |
|---|---|---|
| HN | 90° à direita | costa à direita do vento → fluxo, nível sobe, afundamento · costa à esquerda → refluxo, nível baixa, ressurgência |
| HS | 90° à esquerda | costa à esquerda do vento → fluxo, nível sobe, afundamento · costa à direita → refluxo, nível baixa, ressurgência |
1ª providência: saber de que lado fica a costa e de que direção sopra o vento — daí, se o navio é desviado ao mar aberto (tranquilo) ou à costa (preocupante).
OrigemAcúmulo de massa d'água que as frentes de onda empilham sobre o litoral.
Viram corrente de ressaca quando há: ondas de grande comprimento + isóbaras favoráveis + costa em enseada ou altos-fundos.
Distinguir: a onda de ressaca depende da configuração das isóbaras; a corrente de retorno depende do acúmulo de água junto ao litoral.
Flui paralela ao litoral › converge e ganha força para vencer a arrebentação › vira ao alto-mar numa faixa estreita → afasta a embarcação
Barra de areiaÁgua presa entre a barra e a praia busca saída para o refluxo → forte corrente de ressaca.
Mais crítica quando coincide com maré de vazante de sizígia, ou quando as ondas ultrapassam o quebra-mar e invadem o canal de acesso (pior para navios que saem do porto).
DefiniçãoDeslocamento horizontal de massa d'água gerado pela oscilação periódica e regular das marés.
Ocorre em todo o oceano, mas é observada com mais facilidade na linha da costa — interessa em baías, enseadas e proximidades dos portos.
Geografia moldaDireção e velocidade variam ao longo do canal → a corrente sentida por duas embarcações na mesma enseada pode ser diferente, conforme a posição.
Características geográficas que influenciam
baía rasa ou fundaentrada estreita ou largacanal longo e sinuosopontas salientes e ilhas
Há variação de intensidade e direção ao longo do ciclo: enchente · preamar · vazante · baixa-mar.
PublicaçãoA DHN publica a Coletânea de Cartas de Correntes de Maré para portos onde o efeito das marés é mais significativo e há grande movimento.
Cada carta registra a direção pela seta e a intensidade pelo algarismo em nós (e décimos de nó).
Coletânea13 folhas: 6 para cada hora antes da preamar + 1 no instante da preamar + 6 para cada hora depois.
Como selecionar a carta
Seleciona-se pela diferença entre o instante da preamar (das Tábuas das Marés) e o momento em que se quer a informação.
| Situação (Itaqui) | Preamar | Diferença | Carta |
|---|---|---|---|
| 10 h de 30/out/1997 | 06 h 15 min (≈6 h) | 4 h depois da PM | 4 h depois da preamar |
| 09 h de 08/out/1997 | 10 h 54 min (≈11 h) | 2 h antes da PM | 2 h antes da preamar |
Cuidados de manobra
- Cartas confeccionadas para dias de sizígia — a corrente mais forte.
- Saber se é enchente ou vazante: entrar na enchente reduz o efeito do leme; sair na vazante dificulta a manobra.
Situação de manobra mais preocupante: corrente a favor, em dia de sizígia.