1. Características dos gelos no mar
Navegar em altas latitudes é, antes de tudo, navegar entre gelos. Nos períodos glaciais os limites de gelo avançam para as latitudes médias e a espessura depositada sobre os continentes cresce tanto que o nível dos oceanos cai; há cerca de 18.000 anos o mar chegou a ficar uns 100 metros abaixo do nível atual, estabilizando-se há uns 6.000 anos num nível parecido com o de hoje. O que resta hoje é a variabilidade anual causada pela sazonalidade: por isso as linhas de limite dos gelos nas altas latitudes mudam com as estações, e as Cartas Piloto, que registram esses limites, são instrumentos de grande utilidade para o navegante polar.
Fonte: LOBO, Paulo Roberto Valgas. Meteorologia e Oceanografia — Usuário Navegante. Vol. I. 4. ed. rev. atual. ampl. Petrópolis: Vozes, 2019. Cap. XII — Navegação em altas latitudes e no gelo (características dos gelos no mar; gelo marinho; icebergs glaciais, growlers, bergy bits e icebergs tabulares; planejamento da navegação no gelo, condições desfavoráveis e congelamento da superestrutura; indícios da presença de gelo e de mar livre; uso do radar; manobra no gelo; quebra-gelos; variações regionais do gelo marinho).
Edital: Anexo 2-A, Área V (Meteorologia e Oceanografia): oceanografia e segurança da navegação — navegação em altas latitudes; gelos no mar (gelo marinho, banquisas/pack ice, fast ice, ice shelf); icebergs (glaciais e tabulares), growlers e bergy bits; reflexão da radiação solar pelo gelo (80%) e pela neve (>90%); planejamento da navegação no gelo, condições desfavoráveis e congelamento da superestrutura; indícios da presença de gelo (ice blink, refração) e de mar livre; uso do radar em altas latitudes; manobra no gelo e quebra-gelos · Anexo 2-B, Área V, item 3 (Lobo/Soares — escopo definido pelo 2-A).
O gelo influencia fortemente a temperatura ambiente porque reflete boa parte da radiação solar que recebe, em vez de absorvê-la. Esse fato esfria as camadas baixas do ar e faz avançar o processo de congelamento. A reflexão é ainda maior quando há cobertura de neve.
Reflexão da radiação solar incidente: o gelo reflete cerca de 80%; a neve reflete mais de 90%. Quanto mais radiação refletida, mais frio fica o ar junto à superfície e mais o congelamento progride.
1.1 Influência dos gelos sobre a navegação
Os aspectos importantes dos gelos no mar afetam a navegação de várias formas. O livro elenca oito:
- restringem os movimentos e manobras dos navios e, no inverno, podem mesmo impedir a navegação;
- são um perigo para a estrutura do navio, sobretudo nos pontos vulneráveis como o hélice e o leme;
- dificultam o acesso a portos;
- condicionam quais as derrotas seguras ou possíveis, conforme a linha limite de influência dos gelos flutuantes (cuja sazonalidade aparece nas Cartas Piloto);
- dificultam a navegação costeira, pela variação do contorno da costa e dos acidentes geográficos, e impedem cartografia náutica precisa;
- dificultam a navegação astronômica por valores anormais da refração;
- dificultam a navegação eletrônica por propagação irregular;
- dificultam o uso do radar, com falhas de interpretação das imagens, ecos falsos ou atenuados e perfil de costa modificado.
1.2 Gelo marinho
O gelo marinho nasce do congelamento da própria água do mar. Sua densidade é função inversa do ar contido (mais ar, menos denso) e função direta da salinidade (mais sais, mais denso). Nos gelos flutuantes a densidade fixa a relação entre a massa submersa e a emersa: dependendo do tipo de gelo, a relação submersa/emersa fica entre 8 e 9, ou seja, a parte submersa é cerca de nove vezes maior que a parte visível.
É preciso distinguir as origens do gelo. Os gelos continentais são permanentes e chegam a passar de 2000 metros de espessura. Os gelos glaciais são permanentes acumulados em lugares cuja orografia facilita o deslocamento a níveis baixos; quando o glacial chega ao mar, avança descansando no fundo até que a profundidade permita flutuar. A flutuabilidade, as marés e os temporais desprendem dele partes de grandes dimensões — os icebergs —, que flutuam livremente, são arrastados por ventos e correntes e alcançam as rotas dos navios.
O congelamento da água do mar segue um roteiro. À medida que a água se esfria, fica mais densa e perde volume até o ponto de congelamento, quando ganha aspecto oleoso e cremoso e surgem placas e agulhas de gelo puro; com o tempo formam-se pedaços de aspecto circular (os pancakes) e a ondulação do mar diminui. O processo começa junto à costa, onde a água é mais fria do que em alto-mar — porque o vento continental chega ao litoral mais frio que a água — e depois se estende mar adentro, podendo prolongar-se por muitas milhas em forma de península ou língua.
Além da temperatura, o congelamento depende da salinidade: água mais salgada exige temperatura mais baixa. As ondas e as correntes misturam as águas superficiais, exigindo que uma camada mais espessa e homogênea atinja a temperatura de congelamento; se a massa d'água é homogênea, o congelamento pode iniciar-se na superfície, numa camada intermediária ou sobre o fundo. O gelo também se forma a partir da neve que cai sobre o mar e não se derrete.
A salinidade do gelo marinho varia com a temperatura do ar (ar mais frio → gelo mais salgado) e com a idade: o gelo perde sal ao envelhecer, por perda de salmoura e depósito de neve. Gelo de um ano já serve para produzir água potável e, com dois anos, sua salinidade é praticamente nula.
| Fase | Termo | Descrição |
|---|---|---|
| Pequenas partes que se agrupam | ice cakes | Peças iniciais que se juntam. |
| Peças maiores soldadas | pancake ice | Pedaços de aspecto circular que se soldam. |
| Superfície contínua | floe | Pode alcançar dimensões consideráveis; espessura de até 10 cm no 1.º dia até 2 m no fim do inverno. |
| Fragmentação no verão | brash ice | Radiação solar, fusão da neve, vento e ondas fragmentam a superfície gelada. |
Soldado à costa, o gelo marinho forma o gelo firme (fast ice), em geral de 2 a 20 milhas de largura. Outro tipo de banco, de grandes dimensões, é o pack ice (ou ice field), feito de partes de tamanhos e formas variados, com espaços de água livre — as polynyas — e canais (leads) parcialmente navegáveis. O Ártico é um gigantesco pack ice cujos gelos derivam lentamente com as correntes; na Antártica o pack ice forma um anel relativamente estreito que rodeia o continente. Seus limites externos variam com a estação, e o navegante deve comparar as 12 Cartas Piloto mensais para perceber como o acesso muda do inverno para o verão.
Em lugares abrigados, como enseadas e baías, o fast ice evolui em espessura na parte que sobressai d'água, o ice shelf, que pode passar de 2 metros e chegar a 50 metros, mantendo-se preso à terra por anos; em sua constituição entram gelo glacial e neve. É a zona que produz os icebergs tabulares, que se desprendem da face voltada para o mar (o ice front).
2. Icebergs, growlers e bergy bits
Os icebergs glaciais têm formas irregulares e variadas, com altura da parte emersa normalmente entre 10 e 40 metros e comprimento que pode alcançar 1000 metros — já se observaram alturas superiores a 130 metros. A cor branca às vezes ganha tonalidades verdes ou azuis suaves.
A altura fora d'água depende da quantidade de ar contida no gelo, da idade e da forma. Ao desprender-se do gelo glacial, o iceberg mostra um oitavo da altura total acima da água; com o tempo, a parte emersa se reduz até a décima parte. É essa enorme massa submersa que faz o iceberg ser arrastado pelas correntes frias e profundas.
2.1 Growlers e bergy bits
Com o tempo, a erosão, a fusão e a desagregação quebram o iceberg em pedaços menores. Esses pedaços recebem dois nomes, conforme o quanto afloram:
| Pedaço | Aflora | Risco |
|---|---|---|
| Bergy bit | até 5 metros | Pedaço maior; ainda visível. |
| Growler | menos de 1 metro | Detecção visual e radar muito difícil; massa submersa 7 a 9 vezes a que aflora. |
Na última etapa, a dissipação do iceberg se acelera: ele perde a estabilidade e muda de posição de equilíbrio, enquanto a produção de growlers cresce muito. Como esses pequenos pedaços quase não aparecem no radar e podem ser encobertos pelas ondas, os riscos à navegação aumentam — um growler pode causar séria avaria no leme e no hélice. Já o bergy bit, por aflorar até cinco metros, é mais facilmente percebido.
2.2 Icebergs tabulares
O iceberg tabular recebe esse nome por sua forma quase retangular e superfície plana. A expressão aplica-se só aos icebergs desprendidos da frente marítima do ice shelf antártico e do ice island no Hemisfério Norte; todos mostram estratificação do gelo em camadas horizontais, fruto do congelamento da neve depositada em anos sucessivos.
A cor, inicialmente branca pela grande quantidade de ar, passa aos poucos a tons azuis pouco intensos. As dimensões podem ser extraordinárias: são frequentes os de 6 a 10 milhas de comprimento e numerosos os de 1 milha, havendo registros de dezenas de milhas. A altura da parte que aflora fica entre 5 e 35 metros e a parte submersa é de 4 a 5 vezes a que aflora.
Não confundir: o growler aflora menos de 1 m; o bergy bit aflora até 5 m — ambos são pedaços de iceberg glacial. O iceberg tabular é outra categoria: bloco antártico inteiro, retangular e plano, com 5 a 35 m emersos. Submersão relativa: iceberg glacial ~8 a 9× a emersa; iceberg tabular ~4 a 5× a emersa.
3. Navegação no gelo — planejamento
O planejamento da navegação no gelo parte do reconhecimento das condições adversas das altas latitudes. Os navios que ali operam estão sujeitos a:
- no inverno, temperatura do ar à superfície mais baixa do que a temperatura da superfície do mar (TSM);
- ventos fortes (gales) no inverno e nevoeiro no verão;
- no verão, temperatura da água mais baixa do que a do ar;
- baixa umidade relativa no inverno;
- gelo flutuante na época do degelo polar;
- nevoeiro nas proximidades da separação gelo/água;
- congelamento da superestrutura.
3.1 Congelamento da superestrutura
O congelamento da superestrutura é o maior perigo, porque acumula peso alto e ameaça a estabilidade do navio. Há grande e perigosa possibilidade de forte congelamento quando ocorrem, ao mesmo tempo, temperatura do ar igual ou inferior a 2 °C e vento soprando a mais de 17 nós.
| Vento (escala Beaufort) | Congelamento |
|---|---|
| Força 5 | Fraco |
| Força 7 | Moderado |
| Força 8 ou mais | Forte — pode afetar a estabilidade em mar severo |
A defesa contra esse acúmulo é a faina de limpeza do gelo da superestrutura, para reduzir o peso alto.
O capítulo lembra ainda que o navegante deve atentar para o congelamento dos borrifos sobre as chapas do navio, que pode surpreender principalmente à noite, e que a derrota ortodrômica leva a latitudes mais altas — exigindo cuidado mesmo em época sem iceberg, quando o vento está bem frio.
4. Indícios de gelo e de mar livre
Em mar aberto, alguns sinais antecipam a aproximação do gelo. O primeiro e mais frequente é o reflexo luminoso, o ice blink: uma reflexão luminosa da parte inferior das nuvens sobre o gelo, geralmente vista antes de se perceber o próprio gelo. Sua luminosidade aumenta depois de uma precipitação de neve e, em dias claros, pode parecer uma bruma seca, clara ou amarelada.
Outros indícios da presença de gelo: a presença de pequenos fragmentos de gelo indica concentração de gelo próxima; o mar se acalma quando o navio se aproxima de um campo de gelo por sotavento; e o nevoeiro de advecção costuma indicar gelo por perto, pois foi o gelo que resfriou o ar. Em dias claros, a refração anormal pode fazer o campo de gelo ser visto a distância maior que a normal, mas com características muito amplificadas — uma distorção a vigiar.
Os indícios de mar livre são o oposto, lidos no céu:
| Sinal no céu | O que indica |
|---|---|
| Manchas escuras (quase negras) em nuvens baixas | Água livre abaixo; menos evidente em dia muito claro. |
| Manchas escuras no nevoeiro | O mesmo, mas só visíveis a curta distância. |
| Faixa escura em nuvem alta | Áreas de água livre que podem levar a áreas maiores nas proximidades. |
4.1 Uso do radar e navegação independente
O radar ajuda muito quando a visibilidade é limitada, desde que a imagem seja bem interpretada. O gelo não é bom alvo a mais de 3 milhas; os melhores resultados vêm a menos de 3 milhas. Como água aberta e banquisas produzem traços parecidos na tela, o operador pode se confundir, embora num campo de gelo a borda de uma banquisa e os limites de uma zona de água aberta fiquem bem delineados.
| Situação | Comportamento no radar |
|---|---|
| Gelo próximo à costa | Aparece como parte de terra; reduzir o ganho do receptor para diferenciar. |
| Geleiras | Bem visíveis; difícil distinguir gelo superposto e comboios de navios. |
| Icebergs | Detectáveis num raio de 5 a 15 milhas (salvo nevoeiro, chuva ou condições adversas). |
| Pequenos pedaços de gelo | Pouca altura emerge; ondas podem encobri-los; gelo erodido fica liso e dá alvo fraco. |
Em altas latitudes não é recomendável plotar a posição por um único ponto de terra, seja pelo radar ou pela giro. É melhor medir no radar a distância de dois ou mais pontos com separação azimutal adequada e plotar esses círculos com as distâncias como raio — sempre identificando bem as informações e reduzindo o ganho para reduzir o eco do gelo.
Quanto à navegação independente, a experiência mostra que navios não reforçados e com velocidade até 12 nós são imobilizados mesmo por fraca concentração de gelo, ao passo que os mais ágeis e reforçados avançam por gelo novo e podem navegar sem escolta pelas rotas recomendadas. Os navios que operam no gelo devem ter máquinas que respondam prontamente às manobras, equipamentos de comunicação e navegação (em especial o radar) em perfeito estado, lastro suficiente — mas não excessivo, para não perder manobrabilidade —, aspiração e descarga das bombas removíveis para limpeza do gelo, e bons holofotes para a navegação noturna.
5. Manobra no gelo
A rota recomendada pelo agente de operações no gelo vem das últimas informações disponíveis, e o comandante deve ajustá-la conforme as orientações recebidas. Ao entrar no gelo, valem alguns conselhos firmes:
- não penetrar em zona de gelo se houver outra rota livre, ainda que mais longa;
- não subestimar a dureza do gelo;
- entrar com pouca força para receber o impacto inicial e, uma vez dentro, aumentar a velocidade o suficiente para manter o curso e o controle;
- evitar passar perto de formações de gelo;
- não navegar entre gelos na escuridão sem bons holofotes; se a má visibilidade impedir o avanço, deixar o hélice girando em baixa rotação para não ser danificado;
- ter o máximo cuidado ao dar atrás, pois o hélice é a parte mais vulnerável — fazê-lo sempre com o leme a meio;
- evitar passar perto de icebergs no meio de formações de gelo, porque ambos sofrem o vento, mas só os icebergs são arrastados pela corrente profunda;
- navios sem escolta presos no gelo costumam precisar de quebra-gelo, embora os lastrados possam às vezes libertar-se sozinhos bombeando e transferindo lastro de um bordo ou extremidade para outro.
O primeiro requisito para navegar sem transtornos no gelo é a conservabilidade de manobra: uma vez preso, o navio segue o fluxo do gelo. Por isso a regra é evitar ficar preso e seguir o fluxo, e a forma mais segura e rápida de alcançar um porto ou o alto-mar é contornar uma zona de gelo difícil cujos limites se conheçam. É uma navegação que exige muita paciência, com ou sem auxílio de quebra-gelos.
Três regras fundamentais da manobra no gelo:
- manter-se em movimento;
- manobrar seguindo o movimento do gelo, e não contra ele;
- manter baixa velocidade, para não causar danos estruturais ao navio.
5.1 Quebra-gelos e patrulha internacional do gelo
O número de quebra-gelos disponíveis para escolta e apoio é limitado, e nem sempre podem atender quando solicitados; por isso é essencial que os escritórios de operações no gelo conheçam a posição e o rumo dos navios. O navio que se julga capaz de navegar sozinho e não informa sua posição dificulta o envio do quebra-gelo e provoca sérias demoras.
Os quebra-gelos da Guarda Costeira Canadense, muitos com helicópteros, operam há muitos anos do Golfo de São Lourenço ao extremo norte do Mar de Lincoln, com comandantes e tripulações altamente qualificados. Em comboio com escolta, é indispensável que os navios colaborem inteiramente com o comandante do quebra-gelo, que deve ter o comando das operações.
A Patrulha Internacional do Gelo, operada pela Guarda Costeira dos E.U.A., patrulha do fim de março até que o gelo e os icebergs deixem de ameaçar a navegação no noroeste do Atlântico, em geral com ao menos um navio na costa de Newfoundland; suas informações são transmitidas pelas estações rádio de St John (VON) e de Halifax (CHF).
6. Variações regionais do gelo marinho
A produção de icebergs muda conforme o hemisfério. No Hemisfério Norte sobressai a costa oeste da Groenlândia como produtora de icebergs glaciais; no Hemisfério Sul, os ice shelf do anel continental antártico produzem icebergs tabulares.
A ocorrência de gelo no mar depende das condições climáticas regionais. Além da variabilidade sazonal, as correntes oceânicas têm efeito marcante na formação, na movimentação, na espessura, na concentração e na dissipação dos gelos. O contraste é nítido: em águas canadenses, no golfo de São Lourenço (46°–50° N), o gelo se forma ao longo de todo o inverno; já na costa norueguesa (60°–70° N), em latitude mais alta, não há gelo — efeito das correntes quentes.
As Figuras XII-10 e XII-11 mostram, para cada hemisfério, como a banquisa se expande: no verão cobre apenas a zona central (HN) ou o anel junto ao continente (HS); no inverno avança sobre a faixa pontilhada até a linha tracejada. Comparar as Cartas Piloto de inverno e de verão é o melhor modo de antecipar como o acesso às altas latitudes muda de uma estação para a outra.
7. Conceitos para fixar
O capítulo encerra com uma síntese, retomada aqui em forma de pontos de revisão sobre a navegação em altas latitudes:
- a sazonalidade é mais significativa nas altas latitudes, afetando o tempo e o mar; comparar as Cartas Piloto mensais revela como os limites de gelo e iceberg cruzam as rotas recomendadas;
- o congelamento das superestruturas, dependente da temperatura do ar em mar severo, ameaça perigosamente a estabilidade; a baixa temperatura do ar e das chapas pode congelar os borrifos e surpreender o navegante, principalmente à noite;
- a derrota ortodrômica pode penetrar em latitudes mais altas e exige atenção mesmo sem iceberg, quando o vento está bem frio;
- a ocorrência de iceberg começa na época do degelo, com o fim do inverno: em meados de fevereiro no HN e em meados de agosto no HS;
- pequenos gelos isolados, como bergy bits e growlers, podem causar sérias avarias no leme e no hélice;
- os indícios de campo de gelo nas proximidades — nevoeiro, mar calmo, reflexo luminoso na base das nuvens — devem ser observados com atenção.
Pontos de prova mais cobráveis: reflexão da radiação solar (gelo ~80% / neve >90%); parte submersa do gelo marinho ~9× a emersa; iceberg glacial 10–40 m de altura emersa e até 1000 m, de um oitavo à décima parte emersa; growler aflora <1 m e bergy bit até 5 m; iceberg tabular antártico, retangular, 5–35 m emersos e submersa 4–5×; congelamento forte com ar ≤ 2 °C e vento > 17 nós; gelo não é bom alvo de radar além de 3 milhas, iceberg detectável de 5 a 15 milhas; três regras da manobra no gelo (mover-se, seguir o gelo, baixa velocidade); dar atrás sempre com o leme a meio.