Reflexão da radiação solar (albedo)
| Superfície | Reflete |
|---|---|
| Gelo | ~80% |
| Neve | >90% |
Quanto mais radiação refletida, mais frio o ar junto à superfície e mais o congelamento progride.
Como o gelo afeta a navegação (8 aspectos)
- Restringem manobras e, no inverno, podem impedir a navegação;
- Perigo à estrutura, sobretudo hélice e leme;
- Dificultam acesso a portos e condicionam derrotas seguras (linha-limite dos gelos flutuantes);
- Dificultam navegação costeira e impedem cartografia precisa;
- Dificultam navegação astronômica (refração anormal), eletrônica (propagação irregular) e o radar (ecos falsos/atenuados).
| Densidade do gelo | Relação |
|---|---|
| com o ar contido | função inversa (mais ar → menos denso) |
| com a salinidade | função direta (mais sais → mais denso) |
Origens do gelo
Salinidade × idade
- Ar mais frio → gelo mais salgado; água mais salgada exige T mais baixa p/ congelar.
- O gelo perde sal ao envelhecer: com 1 ano já produz água potável; com 2 anos salinidade praticamente nula.
Congelamento › água esfria e fica densa › aspecto oleoso/cremoso, placas e agulhas › pedaços circulares (pancakes) › ondulação diminui
Começa junto à costa (água mais fria que em alto-mar) e estende-se mar adentro em língua/península.
Do agrupamento à fragmentação
| Termo | Fase |
|---|---|
| ice cakes | pequenas partes iniciais que se agrupam |
| pancake ice | peças circulares maiores que se soldam |
| floe | superfície contínua; espessura de 10 cm no 1.º dia até 2 m no fim do inverno |
| brash ice | fragmentação no verão (radiação, fusão, vento, ondas) |
Bancos de gelo
Iceberg glacial
Pedaços de iceberg — quanto afloram
| Pedaço | Aflora | Risco |
|---|---|---|
| bergy bit | até 5 m | maior; ainda visível |
| growler | <1 m | detecção visual e radar muito difícil; submersa 7 a 9× a que aflora |
Iceberg tabular
Condições adversas das altas latitudes
- Inverno: T do ar à superfície menor que a TSM; ventos fortes (gales); baixa umidade relativa;
- Verão: T da água menor que a do ar; nevoeiro (sobretudo na separação gelo/água);
- Gelo flutuante na época do degelo; congelamento da superestrutura.
Congelamento da superestrutura — o maior perigo
| Vento (Beaufort) | Congelamento |
|---|---|
| Força 5 | fraco |
| Força 7 | moderado |
| Força 8 ou mais | forte — pode afetar a estabilidade em mar severo |
Atenção ao congelamento dos borrifos sobre as chapas (surpreende à noite); a derrota ortodrômica leva a latitudes mais altas → cuidado mesmo sem iceberg, com vento bem frio.
Indícios de presença de GELO
- Pequenos fragmentos de gelo → concentração próxima;
- O mar se acalma ao aproximar-se de campo de gelo por sotavento;
- Nevoeiro de advecção indica gelo por perto (foi o gelo que resfriou o ar);
- Refração anormal: campo de gelo visto a distância maior que a normal, muito amplificado.
Indícios de MAR LIVRE (lidos no céu)
| Sinal no céu | Indica |
|---|---|
| Manchas escuras em nuvens baixas | água livre abaixo (menos evidente em dia claro) |
| Manchas escuras no nevoeiro | o mesmo, só a curta distância |
| Faixa escura em nuvem alta | áreas de água livre que podem levar a áreas maiores |
Uso do radar
| Situação | No radar |
|---|---|
| Gelo próximo à costa | aparece como terra; reduzir o ganho p/ diferenciar |
| Icebergs | detectáveis de 5 a 15 milhas (salvo nevoeiro/chuva) |
| Pequenos pedaços | pouca altura; ondas encobrem; gelo erodido dá alvo fraco |
Navios não reforçados até 12 nós são imobilizados por fraca concentração de gelo; os ágeis e reforçados avançam sem escolta pelas rotas recomendadas.
Conselhos ao entrar no gelo
- Não penetrar em zona de gelo se houver outra rota livre, ainda que mais longa;
- Não subestimar a dureza do gelo;
- Entrar com pouca força p/ receber o impacto inicial; dentro, aumentar a velocidade o suficiente p/ manter curso e controle;
- Ao dar atrás, fazê-lo sempre com o leme a meio (o hélice é a parte mais vulnerável);
- Evitar passar perto de icebergs no meio de formações: ambos sofrem o vento, mas só os icebergs são arrastados pela corrente profunda.
Três regras fundamentais da manobra no gelo
Quebra-gelos & Patrulha do Gelo
- Nº de quebra-gelos é limitado → escritórios de operações precisam conhecer posição e rumo dos navios. Em comboio, o comando é do comandante do quebra-gelo.
- Guarda Costeira Canadense: do Golfo de São Lourenço ao Mar de Lincoln.
- Patrulha Internacional do Gelo (Guarda Costeira dos E.U.A.): do fim de março até o gelo deixar de ameaçar o NW do Atlântico; informa por St John (VON) e Halifax (CHF).
Produção de icebergs por hemisfério
| Hemisfério | Produtor | Iceberg |
|---|---|---|
| Norte | costa oeste da Groenlândia | glaciais (irregulares) |
| Sul | ice shelf do anel antártico | tabulares (retangulares) |
As banquisas expandem-se no inverno (faixa pontilhada até a linha tracejada) e recuam no verão. Comparar Cartas Piloto de inverno e verão antecipa a mudança de acesso.
Conceitos para fixar
- Sazonalidade é mais significativa nas altas latitudes → comparar Cartas Piloto mensais;
- Congelamento das superestruturas em mar severo ameaça a estabilidade; borrifos congelam à noite;
- Pequenos gelos (bergy bits e growlers) causam sérias avarias no leme e no hélice;
- Indícios de campo de gelo próximo: nevoeiro, mar calmo, reflexo luminoso na base das nuvens.