ClimatologiaEstudo do tempo e do mar pelo passado: dados de uma mesma área, no mesmo mês, ao longo de muitos anos. Varia muito de mês a mês → efeito da sazonalidade. Instrumento do navegante = Carta Piloto.
Oceanos, como a atmosfera, ajudam no equilíbrio térmico do planeta. A rotação da Terra desvia as trajetórias N-S / S-N: é a força de Coriolis.
CoriolisDesvia para a direita no HN e para a esquerda no HS.
No mesmo paralelo, dois lugares podem ter climas bem diferentes por causa das correntes. Ex.: paralelo de 60° N — costa do Canadá/Groenlândia (fria, corrente do Labrador) × Escandinávia/NW da Inglaterra (quente, correntes do Atlântico Norte e da Noruega).
Padrão da circulação (Fig. XIII-1)
- Circulação fechada (circular) em cada hemisfério e em cada oceano.
- Contracorrente equatorial flui para leste (E) e separa as duas circulações fechadas.
- Correntes norte e sul equatoriais fluem para oeste (W).
- No HS, altas latitudes: corrente circumpolar antártica flui para leste (E).
A classificação vem do sentido em que a corrente flui.
| Corrente QUENTE (temperada) | Corrente FRIA | |
|---|---|---|
| Rumo | para as altas latitudes | para o equador |
| Efeito | leva energia às regiões frias → aquece | absorve energia das regiões quentes → esfria |
| Coriolis | desvia para leste (E) | desvia para oeste (W) |
O desvio quente→E / fria→W vale nos dois hemisférios — o mesmo se repete nos ventos alísios.
Monções (Índico N)Correntes do mar Arábico e do mar do sul da China comandadas pelas monções: SW no verão, NE no inverno.
Correntes por oceano (Tabela XIII-1 · Q=quente, F=fria)
| Faixa | Atlântico | Pacífico | Índico |
|---|---|---|---|
| Norte | Golfo (Q), Atl. Norte (Q), Portugal/Canárias (F), N. Equatorial (Q) | Kuroshio (Q), Pac. Norte (Q), Califórnia (F), N. Equatorial (Q) | Somália (Q), Monções (Q), N. Equatorial (Q) |
| Equador | Contracorrente Equatorial (Q) | Contracorrente Equatorial (Q) | Contracorrente Equatorial (Q) |
| Sul | S. Equatorial (Q), Brasil (Q), Antártica (F), Benguela (F) | S. Equatorial (Q), Oriental da Austrália (Q), Antártica (F), Peru/Humboldt (F) | S. Equatorial (Q), Moçambique/Agulhas (Q), Antártica (F), Ocid. da Austrália (F) |
Nas rotas longas, ao passar de um quadrante a outro do oceano a corrente muda de direção → aproveitar as favoráveis, evitar as contrárias.
DefiniçãoApresentam, em forma gráfica, a frequência de dados de meteorologia e oceanografia coletados ao longo de muitos anos. Cada carta traz impressa a explicação de como ler cada informação.
A Carta Piloto não se usa isolada — só em conjunto com os demais auxílios à navegação.
Frequência, não média: base de observação superior a 30 anos; a informação vem em percentual (frequência) de ocorrência, e não como valor médio. Mostra a probabilidade de, naquele mês, ocorrer tal vento/corrente.
Não dispensa o presentePara o acompanhamento diário, seguir os boletins do METEOROMARINHA (Serviço Meteorológico Marinho) e ajustar a derrota.
O que há no corpo da carta
- Ventos (direção, intensidade, % de ocorrência); correntes (direção e intensidade).
- Isotermas de TSM e de temperatura do ar; isogônicas; rotas recomendadas; áreas de previsão e de boletins.
- Para os portos brasileiros: nevoeiro, visibilidade, pressão à superfície, vento forte, ventos predominantes e temperatura do ar.
PublicaçãoAtlas de Cartas Piloto — Oceano Atlântico de Trinidad ao Rio da Prata, da DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação).
CoberturaAtlântico Sul do litoral do Brasil até o meridiano de 20° W, do paralelo de 10° N ao de 35° S — toda a costa brasileira.
Composto de 12 cartas, uma para cada mês; no verso de cada uma, informações dos principais portos e ilhas oceânicas.
Hábito recomendável: consultar a carta do mês em curso e compará-la com a dos meses anteriores e posteriores, para ver quais parâmetros mudam na região de interesse.
Rosa dos ventosAzul, no centro de cada quadrado de 5° × 5° (5° de latitude por 5° de longitude). Cada seta aponta a direção de onde sopra o vento, por octante (N, NE, E, SE, S, SW, W, NW).
Três leituras da mesma rosa
| Grandeza | Onde se lê |
|---|---|
| Frequência da direção | tamanho da seta (ou nº sobre ela), comparado à Escala Percentual de Ventos |
| Intensidade | nº de traços (penas) na extremidade → força na escala Beaufort |
| Calmaria | % no número do círculo central |
Vento predominante = o de seta de maior tamanho (ou número mais alto). Ex. Carta Brasileira 1993: predominante de Leste (54%), calmaria 1%.
Código de cores fixo (DHN)
| Parâmetro | Representação |
|---|---|
| Vento | rosa dos ventos azul no quadrado 5°×5° |
| TSM | isotermas em linha cheia encarnada, em °C |
| Temp. do ar | isotermas em linha tracejada encarnada, em °C |
| Correntes | setas verdes (direção) + números (velocidade média) |
| Áreas de previsão | letras entre linhas cinza: A (Sul) a H (Norte), mais S e N nas áreas oceânicas até 20° W |
| Isogônicas | roxo: cheias (1990) e tracejadas (variação anual) |
| Visibilidade (porto) | números azuis: % < 2,5 milhas náuticas |
| Nevoeiro (porto) | números vermelhos: % de nevoeiro |
| Pressão | linhas cheias azuis (pressão média ao nível do mar) |
FonteFora da costa brasileira: Cartas Piloto internacionais da norte-americana DMA (Defense Mapping Agency). São 5 coletâneas de 12 cartas mensais cada, por região oceânica.
| Publicação | Região |
|---|---|
| NVPUB 105 | Atlântico Sul |
| NVPUB 106 | Atlântico Norte (Seção I), NE do Atl. Norte (Seção II), Caribe e Golfo do México (Seção III) |
| NVPUB 107 | Pacífico Sul |
| NVPUB 108 | Pacífico Norte |
| NVPUB 109 | Índico |
Parâmetros usuais: frequência da altura da onda, ventania (gales), ciclones, temperaturas, correntes, ventos, pressão, visibilidade, variação magnética, rotas ortodrômicas e TSM. Cartas de altas latitudes trazem linhas-limite de iceberg e de pack ice; as tropicais detalham furacões.
| Parâmetro | Representação |
|---|---|
| Altura das ondas | linhas vermelhas: % de ondas ≥ 12 pés (exceto NVPUB 106 Seção III → 8 pés) |
| Ventania (gales) | números vermelhos no centro do quadrado de 5°: % de ventos força 8 ou mais |
| Ciclones extratropicais | linhas cheias vermelhas grossas (principal) e tracejadas (secundária) |
| Temperatura do ar | linhas finas vermelhas a cada 2 °C |
| Ciclones tropicais / furacões | linhas cheias verdes; só nos meses de grande frequência |
| Correntes oceânicas | setas verdes + nº (nós); tracejadas = fluxo provável (dados esparsos) |
| Ventos | rosa azul no centro do quadrado de 5°; acima de 29%, a % é escrita sobre a seta |
| Pressão à superfície | isóbaras azuis a cada 2,5 hPa (quadro inserido) |
| Visibilidade | tracejadas azuis: % < 2 milhas (quadro inserido) |
| Rotas de círculo máximo | linhas cheias pretas: menor distância (ortodrômicas) |
| TSM | linhas verdes a cada 4 °C (quadro inserido) |
Ondas: o padrão é ≥ 12 pés em todas, menos a NVPUB 106 Seção III (8 pés) — pegadinha clássica.
Cada coletânea destaca onde e quando os fenômenos ocorrem. Ponto que se repete: comparar as 12 cartas mês a mês para achar o pico na região da derrota.
| Região (NVPUB) | Gales / ondas | Iceberg / pack ice / ciclones |
|---|---|---|
| Atl. Sul (105) | gales ao S de 30° S, pico em junho no "Silvio dos Quarenta" (40° S), 20–30%; ondas ≥ 12 pés ao S de 25° S, pico jul–set | iceberg ao S de 40° S, forte set–out e nov–dez; pack ice avança em setembro |
| Atl. Norte S-I (106) | gales no centro de baixa ao S da Groenlândia, pico dez–fev (até 30%) | iceberg o ano todo, avanço máx. em maio (SE de Terra Nova); pack ice avança em março; extratropicais no inverno |
| NE Atl. Norte S-II | gales (até 30% no inverno); ondas ≥ 12 pés set–abr (30–40%) | iceberg o ano todo (leste da Groenlândia, Islândia, Barents); pack ice avança em fevereiro |
| Caribe / Golfo S-III | ondas a 8 pés; pico central jan–mar e jul | ciclones tropicais jun a nov, entre 8° e 20° N, rumo W curvando a NE perto de 25° N |
| Pac. Sul (107) | gales ao S de 40° S (Drake), 10–30%; ondas ≥ 12 pés ao S de 20° S, pico jul–out | iceberg out–dez, máx. em novembro; tropicais a NW (jan–mar) |
| Pac. Norte (108) | gales ao N de 30° N (Golfo do Alasca), pico out–dez | gelo de Hokkaido (43° N) a Bering; extratropicais ao N de 40° N; tropicais ao largo das Carolinas |
| Índico (109) | gales no mar Arábico (monções SW, pico julho) e no "Silvio dos Quarenta" HS; ondas ≥ 12 pés ao S de 20° S (20–40%) | extratropicais a SE da Austrália; tropicais no Índico N (mai–nov) e S (Maurício; "Willy-Willies" da NW da Austrália) |
Distintas das Cartas Piloto: características gráficas próprias e existem só para dois meses — janeiro e julho (picos de verão e inverno). Servem para destacar a sazonalidade, sobretudo em altas latitudes.
7 parâmetros gráficos
- vento à superfície (setas vermelhas); correntes oceânicas (setas azuis);
- limites de iceberg (triângulos escuros) e de pack ice (linhas quebradas);
- ventanias e mar severo (áreas amarelas); alta e baixa pressão (High/Low);
- ZCIT (linhas escuras pontilhadas); nevoeiros (pontilhado escuro >10 dias/mês; claro 5–10 dias/mês).
Advecção dos ventos de W (a chave)
MecanismoVentos de oeste (W) passam sobre os continentes e chegam ao mar muito mais frios no inverno e mais quentes no verão, enquanto a TSM fica quase constante.
Inverno: vento mais frio que o mar › aquece-se por baixo › gales e mar severo
Verão: vento mais quente que o mar › esfria-se por baixo › nevoeiros extensos (reduz visibilidade)
Não inverter a advecção: ar mais frio que o mar → gales (inverno); ar mais quente que o mar → nevoeiro (verão). Trocar os sinais inverte o fenômeno.
Nas baixas latitudes, os alísios de E também sentem a sazonalidade, deslocando a ZCIT. Cartas climáticas só existem para Atl., Pac. e Índico (N e S), em jul e jan (Tabela XIII-3).
As 4 informações do vento na Carta Piloto: direção, intensidade, frequência da direção e frequência de calmaria.
- Ventos predominantes contabilizados nos quadrados de Marden, de 5° × 5°.
- Iceberg no HN: começa em meados de fevereiro (início do degelo), maior deslocamento da linha-limite em maio.
- Iceberg no HS: começa em meados de agosto, maior deslocamento em novembro.
- Altas latitudes: diferenças de tempo/mar vêm da sazonalidade dos ventos de W; baixas latitudes: dos alísios de E + deslocamento da ZCIT.
- Tormentas tropicais e furacões ressaltados 3 a 4 meses após o fim do aquecimento do verão: HN em ago–set–out; HS em dez–jan–fev–mar.
Síntese cobrável
Coriolis: HN direita, HS esquerdaquente → altas latitudes; fria → equadorfrequência, não média · base > 30 anosCarta Piloto não se usa isoladaAtlas BR = DHN (Trinidad→Prata, 12 cartas)internacional = DMA, NVPUB 105→109gales = Beaufort ≥ 8ondas ≥ 12 pés (8 pés só NVPUB 106 S-III)cartas climáticas só jan e jul
Rosa dos ventos no quadrado 5° × 5°: direção por octante · tamanho = frequência · traços = força Beaufort · círculo central = calmaria.