🧭 MMPH · Cap.13 — Climatologia e Cartas Piloto

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lobo & Soares, Meteorologia e Oceanografia · V.03-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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ClimatologiaEstudo do tempo e do mar pelo passado: dados de uma mesma área, no mesmo mês, ao longo de muitos anos. Varia muito de mês a mês → efeito da sazonalidade. Instrumento do navegante = Carta Piloto.
Oceanos, como a atmosfera, ajudam no equilíbrio térmico do planeta. A rotação da Terra desvia as trajetórias N-S / S-N: é a força de Coriolis.
CoriolisDesvia para a direita no HN e para a esquerda no HS.
No mesmo paralelo, dois lugares podem ter climas bem diferentes por causa das correntes. Ex.: paralelo de 60° N — costa do Canadá/Groenlândia (fria, corrente do Labrador) × Escandinávia/NW da Inglaterra (quente, correntes do Atlântico Norte e da Noruega).

Padrão da circulação (Fig. XIII-1)

  • Circulação fechada (circular) em cada hemisfério e em cada oceano.
  • Contracorrente equatorial flui para leste (E) e separa as duas circulações fechadas.
  • Correntes norte e sul equatoriais fluem para oeste (W).
  • No HS, altas latitudes: corrente circumpolar antártica flui para leste (E).
Fig. XIII-1
Fig. XIII-1 — Circulação geral dos oceanos — a circulação oceânica é fechada nos hemisférios norte e sul, no Atlântico, no Índico e no Pacífico. A contracorrente equatorial flui para leste (E) e separa as circulações fechadas; as correntes norte e sul equatoriais fluem para oeste (W). No HS, em altas latitudes, a corrente circumpolar antártica flui para leste (E). Por Coriolis, as correntes quentes desviam para leste e as frias para oeste em ambos os hemisférios.
A classificação vem do sentido em que a corrente flui.
Corrente QUENTE (temperada)Corrente FRIA
Rumopara as altas latitudespara o equador
Efeitoleva energia às regiões frias → aqueceabsorve energia das regiões quentes → esfria
Coriolisdesvia para leste (E)desvia para oeste (W)
O desvio quente→E / fria→W vale nos dois hemisférios — o mesmo se repete nos ventos alísios.
Monções (Índico N)Correntes do mar Arábico e do mar do sul da China comandadas pelas monções: SW no verão, NE no inverno.

Correntes por oceano (Tabela XIII-1 · Q=quente, F=fria)

FaixaAtlânticoPacíficoÍndico
NorteGolfo (Q), Atl. Norte (Q), Portugal/Canárias (F), N. Equatorial (Q)Kuroshio (Q), Pac. Norte (Q), Califórnia (F), N. Equatorial (Q)Somália (Q), Monções (Q), N. Equatorial (Q)
EquadorContracorrente Equatorial (Q)Contracorrente Equatorial (Q)Contracorrente Equatorial (Q)
SulS. Equatorial (Q), Brasil (Q), Antártica (F), Benguela (F)S. Equatorial (Q), Oriental da Austrália (Q), Antártica (F), Peru/Humboldt (F)S. Equatorial (Q), Moçambique/Agulhas (Q), Antártica (F), Ocid. da Austrália (F)

Nas rotas longas, ao passar de um quadrante a outro do oceano a corrente muda de direção → aproveitar as favoráveis, evitar as contrárias.

DefiniçãoApresentam, em forma gráfica, a frequência de dados de meteorologia e oceanografia coletados ao longo de muitos anos. Cada carta traz impressa a explicação de como ler cada informação.
A Carta Piloto não se usa isolada — só em conjunto com os demais auxílios à navegação.
Frequência, não média: base de observação superior a 30 anos; a informação vem em percentual (frequência) de ocorrência, e não como valor médio. Mostra a probabilidade de, naquele mês, ocorrer tal vento/corrente.
Não dispensa o presentePara o acompanhamento diário, seguir os boletins do METEOROMARINHA (Serviço Meteorológico Marinho) e ajustar a derrota.

O que há no corpo da carta

  • Ventos (direção, intensidade, % de ocorrência); correntes (direção e intensidade).
  • Isotermas de TSM e de temperatura do ar; isogônicas; rotas recomendadas; áreas de previsão e de boletins.
  • Para os portos brasileiros: nevoeiro, visibilidade, pressão à superfície, vento forte, ventos predominantes e temperatura do ar.
PublicaçãoAtlas de Cartas Piloto — Oceano Atlântico de Trinidad ao Rio da Prata, da DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação).
CoberturaAtlântico Sul do litoral do Brasil até o meridiano de 20° W, do paralelo de 10° N ao de 35° S — toda a costa brasileira.
Composto de 12 cartas, uma para cada mês; no verso de cada uma, informações dos principais portos e ilhas oceânicas.

Hábito recomendável: consultar a carta do mês em curso e compará-la com a dos meses anteriores e posteriores, para ver quais parâmetros mudam na região de interesse.

Rosa dos ventosAzul, no centro de cada quadrado de 5° × 5° (5° de latitude por 5° de longitude). Cada seta aponta a direção de onde sopra o vento, por octante (N, NE, E, SE, S, SW, W, NW).

Três leituras da mesma rosa

GrandezaOnde se lê
Frequência da direçãotamanho da seta (ou nº sobre ela), comparado à Escala Percentual de Ventos
Intensidadenº de traços (penas) na extremidade → força na escala Beaufort
Calmaria% no número do círculo central
Vento predominante = o de seta de maior tamanho (ou número mais alto). Ex. Carta Brasileira 1993: predominante de Leste (54%), calmaria 1%.

Código de cores fixo (DHN)

ParâmetroRepresentação
Ventorosa dos ventos azul no quadrado 5°×5°
TSMisotermas em linha cheia encarnada, em °C
Temp. do arisotermas em linha tracejada encarnada, em °C
Correntessetas verdes (direção) + números (velocidade média)
Áreas de previsãoletras entre linhas cinza: A (Sul) a H (Norte), mais S e N nas áreas oceânicas até 20° W
Isogônicasroxo: cheias (1990) e tracejadas (variação anual)
Visibilidade (porto)números azuis: % < 2,5 milhas náuticas
Nevoeiro (porto)números vermelhos: % de nevoeiro
Pressãolinhas cheias azuis (pressão média ao nível do mar)
Fig. XIII-2
Fig. XIII-2 — Carta Piloto Brasileira — as linhas pretas indicam rotas recomendadas e as linhas verdes indicam a corrente do Brasil.
Fig. XIII-3
Fig. XIII-3 — Rosa dos ventos da Carta Piloto — a direção dos ventos predominantes numa área é registrada graficamente por rosa dos ventos: a frequência pelo tamanho da flecha, a intensidade pelo número de traços na extremidade (escala Beaufort) e a frequência de calmaria pela numeração do círculo central.
FonteFora da costa brasileira: Cartas Piloto internacionais da norte-americana DMA (Defense Mapping Agency). São 5 coletâneas de 12 cartas mensais cada, por região oceânica.
PublicaçãoRegião
NVPUB 105Atlântico Sul
NVPUB 106Atlântico Norte (Seção I), NE do Atl. Norte (Seção II), Caribe e Golfo do México (Seção III)
NVPUB 107Pacífico Sul
NVPUB 108Pacífico Norte
NVPUB 109Índico
Parâmetros usuais: frequência da altura da onda, ventania (gales), ciclones, temperaturas, correntes, ventos, pressão, visibilidade, variação magnética, rotas ortodrômicas e TSM. Cartas de altas latitudes trazem linhas-limite de iceberg e de pack ice; as tropicais detalham furacões.
ParâmetroRepresentação
Altura das ondaslinhas vermelhas: % de ondas ≥ 12 pés (exceto NVPUB 106 Seção III → 8 pés)
Ventania (gales)números vermelhos no centro do quadrado de 5°: % de ventos força 8 ou mais
Ciclones extratropicaislinhas cheias vermelhas grossas (principal) e tracejadas (secundária)
Temperatura do arlinhas finas vermelhas a cada 2 °C
Ciclones tropicais / furacõeslinhas cheias verdes; só nos meses de grande frequência
Correntes oceânicassetas verdes + nº (nós); tracejadas = fluxo provável (dados esparsos)
Ventosrosa azul no centro do quadrado de 5°; acima de 29%, a % é escrita sobre a seta
Pressão à superfícieisóbaras azuis a cada 2,5 hPa (quadro inserido)
Visibilidadetracejadas azuis: % < 2 milhas (quadro inserido)
Rotas de círculo máximolinhas cheias pretas: menor distância (ortodrômicas)
TSMlinhas verdes a cada 4 °C (quadro inserido)
Ondas: o padrão é ≥ 12 pés em todas, menos a NVPUB 106 Seção III (8 pés) — pegadinha clássica.
Cada coletânea destaca onde e quando os fenômenos ocorrem. Ponto que se repete: comparar as 12 cartas mês a mês para achar o pico na região da derrota.
Região (NVPUB)Gales / ondasIceberg / pack ice / ciclones
Atl. Sul (105)gales ao S de 30° S, pico em junho no "Silvio dos Quarenta" (40° S), 20–30%; ondas ≥ 12 pés ao S de 25° S, pico jul–seticeberg ao S de 40° S, forte set–out e nov–dez; pack ice avança em setembro
Atl. Norte S-I (106)gales no centro de baixa ao S da Groenlândia, pico dez–fev (até 30%)iceberg o ano todo, avanço máx. em maio (SE de Terra Nova); pack ice avança em março; extratropicais no inverno
NE Atl. Norte S-IIgales (até 30% no inverno); ondas ≥ 12 pés set–abr (30–40%)iceberg o ano todo (leste da Groenlândia, Islândia, Barents); pack ice avança em fevereiro
Caribe / Golfo S-IIIondas a 8 pés; pico central jan–mar e julciclones tropicais jun a nov, entre 8° e 20° N, rumo W curvando a NE perto de 25° N
Pac. Sul (107)gales ao S de 40° S (Drake), 10–30%; ondas ≥ 12 pés ao S de 20° S, pico jul–outiceberg out–dez, máx. em novembro; tropicais a NW (jan–mar)
Pac. Norte (108)gales ao N de 30° N (Golfo do Alasca), pico out–dezgelo de Hokkaido (43° N) a Bering; extratropicais ao N de 40° N; tropicais ao largo das Carolinas
Índico (109)gales no mar Arábico (monções SW, pico julho) e no "Silvio dos Quarenta" HS; ondas ≥ 12 pés ao S de 20° S (20–40%)extratropicais a SE da Austrália; tropicais no Índico N (mai–nov) e S (Maurício; "Willy-Willies" da NW da Austrália)
Fig. XIII-7
Fig. XIII-7 — Carta Piloto do Pacífico Sul (agosto) — a linha vermelha tracejada próxima do norte da Nova Zelândia indica limite extremo de iceberg; as flechas verdes mostram a grande variabilidade da direção das correntes entre Nova Zelândia e Austrália.
Fig. XIII-8
Fig. XIII-8 — Carta Piloto do Pacífico Norte (dezembro) — as linhas pretas mostram rotas recomendadas que cruzam a corrente de Kuroshio, indicada por flechas verdes.
Fig. XIII-4
Fig. XIII-4 — Carta Piloto do Atlântico Sul (setembro) — as linhas vermelhas pontilhadas indicam limites extremos de iceberg trazidos pela corrente das Malvinas, indicada pelas flechas verdes.
Fig. XIII-5
Fig. XIII-5 — Carta Piloto do Atlântico Norte (abril) — as linhas vermelhas tracejadas indicam limite extremo de iceberg trazidos pela corrente do Labrador, indicada por flechas verdes; no mar de Sargaço (30°N) as flechas verdes mostram a variabilidade da direção das correntes.
Fig. XIII-6
Fig. XIII-6 — Carta Piloto do Atlântico Norte (julho) — Mar do Caribe e Golfo do México (Seção III): as linhas vermelhas indicam estado do mar com frequência de 40% de ondas acima de 8 pés; as flechas verdes ao sul da Flórida indicam a corrente do Golfo com 3,5 nós.
Fig. XIII-9
Fig. XIII-9 — Carta Piloto do Oceano Índico (agosto) — as linhas vermelhas encarnadas registram frequência de 30% de estado do mar severo (onda acima de 12 pés) no mar Arábico e região central do Índico; a SW de Madagascar, as linhas verdes indicam a corrente das Agulhas.
Distintas das Cartas Piloto: características gráficas próprias e existem só para dois meses — janeiro e julho (picos de verão e inverno). Servem para destacar a sazonalidade, sobretudo em altas latitudes.

7 parâmetros gráficos

  • vento à superfície (setas vermelhas); correntes oceânicas (setas azuis);
  • limites de iceberg (triângulos escuros) e de pack ice (linhas quebradas);
  • ventanias e mar severo (áreas amarelas); alta e baixa pressão (High/Low);
  • ZCIT (linhas escuras pontilhadas); nevoeiros (pontilhado escuro >10 dias/mês; claro 5–10 dias/mês).

Advecção dos ventos de W (a chave)

MecanismoVentos de oeste (W) passam sobre os continentes e chegam ao mar muito mais frios no inverno e mais quentes no verão, enquanto a TSM fica quase constante.

Inverno: vento mais frio que o mar aquece-se por baixo gales e mar severo

Verão: vento mais quente que o mar esfria-se por baixo nevoeiros extensos (reduz visibilidade)

Não inverter a advecção: ar mais frio que o mar → gales (inverno); ar mais quente que o mar → nevoeiro (verão). Trocar os sinais inverte o fenômeno.

Nas baixas latitudes, os alísios de E também sentem a sazonalidade, deslocando a ZCIT. Cartas climáticas só existem para Atl., Pac. e Índico (N e S), em jul e jan (Tabela XIII-3).

Fig. XIII-10
Fig. XIII-10 — Carta climática do Oceano Atlântico (julho) — o verão no HN resulta em extenso nevoeiro marítimo a leste de Terra Nova; o inverno no HS intensifica os gales na extensa região de cor amarela.
Fig. XIII-11
Fig. XIII-11 — Carta climática do Oceano Atlântico (janeiro) — o inverno no HN propicia gales em extensa área oceânica (cor amarela); o verão no HS possibilita nevoeiro marítimo em extensa área no Atlântico Sul, mantendo gales com menos intensidade que no inverno.
Fig. XIII-12
Fig. XIII-12 — Carta climática do Oceano Índico (julho) — o verão no HN possibilita gales de SW e mar severo no mar Arábico e na costa da Índia; o inverno no HS propicia extensa região com gales ao longo do Índico sul (cor amarela).
Fig. XIII-13
Fig. XIII-13 — Carta climática do Oceano Índico (janeiro) — o inverno no HN resulta em intenso centro de alta no continente, com monções de NE no mar Arábico, Golfo de Bengala e mar da China; o verão no HS possibilita extenso nevoeiro marítimo e gales (cor amarela).
Fig. XIII-14
Fig. XIII-14 — Carta climática do Oceano Pacífico (julho) — o verão no HN possibilita extenso e intenso nevoeiro marítimo; o inverno no HS proporciona extensa região de gales (cor amarela).
Fig. XIII-15
Fig. XIII-15 — Carta climática do Oceano Pacífico (janeiro) — o inverno no HN possibilita gales em extensa área marítima ao longo de um centro de baixa pressão oceânico; o verão no HS proporciona nevoeiro marítimo a SE do Pacífico, mantendo gales em áreas oceânicas mais reduzidas.
As 4 informações do vento na Carta Piloto: direção, intensidade, frequência da direção e frequência de calmaria.
  • Ventos predominantes contabilizados nos quadrados de Marden, de 5° × 5°.
  • Iceberg no HN: começa em meados de fevereiro (início do degelo), maior deslocamento da linha-limite em maio.
  • Iceberg no HS: começa em meados de agosto, maior deslocamento em novembro.
  • Altas latitudes: diferenças de tempo/mar vêm da sazonalidade dos ventos de W; baixas latitudes: dos alísios de E + deslocamento da ZCIT.
  • Tormentas tropicais e furacões ressaltados 3 a 4 meses após o fim do aquecimento do verão: HN em ago–set–out; HS em dez–jan–fev–mar.

Síntese cobrável

Coriolis: HN direita, HS esquerdaquente → altas latitudes; fria → equadorfrequência, não média · base > 30 anosCarta Piloto não se usa isoladaAtlas BR = DHN (Trinidad→Prata, 12 cartas)internacional = DMA, NVPUB 105→109gales = Beaufort ≥ 8ondas ≥ 12 pés (8 pés só NVPUB 106 S-III)cartas climáticas só jan e jul
Rosa dos ventos no quadrado 5° × 5°: direção por octante · tamanho = frequência · traços = força Beaufort · círculo central = calmaria.