O que éLeitura contínua das condições do tempo e do estado do mar para ajustar a derrota e proteger embarcação, carga e tripulação.
Só cerca de 25% da coleta de dados meteorológicos é feita sobre os oceanos, embora cubram três quartos do planeta → imagens de satélite são indispensáveis (complementam/substituem observação in situ).
Divisão de papéis (as duas fases)
| Fase | Informação usada | Prazo |
|---|---|---|
| Planejamento | climatologia (Cartas Piloto) | médio e longo prazo |
| Acompanhamento | previsão do tempo (interpretação/correção contínua) | curto e curtíssimo prazo |
A internet ampliou atualizar as previsões de curto/curtíssimo prazo durante a travessia.
Preocupação nº1Variabilidade sazonal e anual dos icebergs, sobretudo no fim do inverno e início da primavera do respectivo hemisfério.
TitanicAfundou em 14/4/1912, por volta de 41° N e 050° W, ao colidir à noite com um iceberg.
Números (só fazem sentido como média)
- ~4.000 icebergs/ano se desprendem da costa oeste da Groenlândia e leste do Canadá e derivam para o sul na corrente do Labrador.
- Desses, ~400 atingem 48° N e ~35 chegam a 43° N.
- Variabilidade extrema: em 1929 ~1.350 derivaram até 48° N; em 1940 só dois. Já se acharam icebergs ao largo dos Açores e ao sul das Bermudas.
Rota longa usa navegação ortodrômica (círculo máximo): entre portos de latitudes médias, o círculo máximo penetra em latitudes mais altas → soma-se gelo, ventos e ondas adversos. Manter comunicação constante com os serviços meteorológicos marinhos.
Prioridade inicialMenor distância e despesas fixas do tempo de viagem (combustível, custos operacionais).
Condições adversas desprezadas ou mal interpretadas = avarias na embarcação e na carga → custos. Salvaguardar a vida no mar exige optar com antecedência pela derrota mais adequada.
Quem planejaO próprio navegante (apoio de instituições governamentais — Cartas Piloto, gelo marinho, meteorologia marinha) OU, mediante pagamento, firmas especializadas.
FonteQuadro de eventos por mês fornecido pela WMO: assinala o período de pico e o período de provável ocorrência de cada fenômeno.
| Fenômeno | Região típica |
|---|---|
| Monções (NE e SW) | Sul do mar da China, mar Arábico, baía de Bengala, costa W da Índia, costa leste da África |
| Ciclones tropicais | Baía de Bengala, mar Arábico, SW do Índico, W e E da Austrália |
| Tufões | SW do Pacífico Norte |
| Furacões | SE do Pacífico Norte e SW do Atlântico Norte |
| Mistral | Mediterrâneo (golfo do Leão) |
| Ondas anormais | Costa SE do sul da África |
Monções × ZCIT
ZCIT desloca no Índico norte › inverno: ventos de NE › verão: ventos de SW
Deslocamento da ZCIT é acentuado só no Índico; no Atlântico e no Pacífico a ZCIT fica praticamente sobre o Equador o ano todo.
| Hemisfério | Trajetória normal |
|---|---|
| HN | W → NW → N → NE |
| HS | W → SW → S → SE |
Tratar como tendência, não certeza — as trajetórias sofrem irregularidades.
No Atlântico Norte a normal segue W/NW/N/NE, mas há desvios acentuados → acompanhar permanentemente a direção para não ser surpreendido por mudança de semicírculo navegável/perigoso, que exige pronta alteração da manobra evasiva.
Pacífico Norte e a latitude de 10° N
| Formação | Comportamento |
|---|---|
| Abaixo de 10° N (ilhas Carolinas) | seguem para oeste, atingem E das Filipinas e guinam ao N (Coreia, sul do Japão) |
| Acima de 10° N (ilhas Marshall) | orientam-se ao norte antes das Filipinas, passam a leste do Japão (afetam menos) |
OndeCosta SE da África (Índico), na isóbata de 100 braças — extremidade externa da plataforma continental.
Vagas propagam de SW → NE (fortes ventos de SW) › contra a corrente das Agulhas (flui p/ SW) › vagas de comprimentos diferentes se superpõem › onda anormal de até 18 metros, curta duração mas devastadora
Procedimento (Richard Bay ↔ Great Fish Point)
- Navegando para SW, com vento fresco de NE e barômetro caindo: se a previsão indicar mudança do vento para SW nas próximas 12 horas (de fresco a forte) → mudar o rumo para dentro da isóbata de 100 braças e permanecer sobre a plataforma até o mar melhorar.
- Obrigado a manter distância da costa: ficar fora do núcleo da corrente das Agulhas, nunca a menos de 20 milhas da margem externa da plataforma.
GanhoFeito em viagem, reduz tempo de travessia, avarias do mau tempo e consumo de combustível.
| Serviço | País | Área |
|---|---|---|
| AMVER | EUA (Guarda Costeira) | apoio/socorro/salvamento em todos os oceanos |
| JASREP | Japão | Pacífico ocidental (mar do Japão, mar da China) |
| SISTRAM | Brasil | equivalente nacional |
Ainda assim, o acompanhamento principal é o que o próprio navegante faz, usando os Serviços Meteorológicos Marinhos + interpretação de cartas sinóticas e imagens de satélite.
Contratar firmaInformar os dados da viagem de preferência 24 a 48 horas antes da partida (nome/sinal de chamada, velocidade de cruzeiro, ETD/ETA, portos, carga, calado/trim, GM, borda livre, derrota planejada).
1588: a Invencível Armada Espanhola foi destruída por condições meteorológicas adversas e perdeu a hegemonia dos mares.
| Publicação | Traz |
|---|---|
| Ocean Passages for the World | principais rotas dos mares — pontos de junção, aterragem, aproximação, estreitos; orienta rota ainda não experimentada |
| Carta Piloto (melhor ferramenta) | rotas recomendadas, círculo máximo, portos, distância, junções + linhas-limite de icebergs nos meses de degelo |
Alerta da Carta Piloto: a derrota em círculo máximo ligando portos de latitudes médias pode atingir altas latitudes.
Reprogramar por região mais calma (ex.: evitar ondas acima de 12 pés e ventos acima de força 8 Beaufort): mesmo com distância maior que a ortodrômica, pode dar economia de combustível e tempo.
Atlântico Sul — costa do Brasil
- Corrente bifurca na latitude de Recife: N/NW (corrente das Guianas) e S/SW (corrente do Brasil). Para se safar da corrente contra perto de Recife: abrir 10 a 15 milhas.
- Ressaca em Aracaju/Maceió no inverno do HS (principalmente agosto). Entre Santos e cabo de Santa Marta (áreas Bravo/Charlie): mau tempo e mar severo de julho a outubro.
Atlântico Norte / Mediterrâneo
- Mistral: sopra de NW de novembro a março, do vale do Ródano perto de Marselha; afeta o mar no golfo do Leão.
- Canal da Mancha: prático a partir da ilha de Ouessant (perto de Brest).
Índico / Pacífico Oeste
- Costa da Somália: forte corrente (5 a 6 nós) para NE rumo ao mar Arábico, no verão do HN.
- Mar Arábico: ciclones críticos em maio/junho e outubro/novembro; monções em julho/agosto.
Pacífico Sul — costa do Chile
- Estreito de Magalhães: corrente de maré na 1ª angostura 5 a 8 nós, na 2ª 3 a 6 nós; vento canalizado até 50 nós perto da extremidade W (Pacífico).
- Navios até 180 metros preferem os canais patagônicos (evitam mar severo). Afastar-se ~50 milhas da costa para evitar o mar mais severo. Mau tempo leva ~1 dia e meio da ilha Juan Fernández até Valparaíso.
- No planejamento = climatologia (Cartas Piloto); na execução = previsão do tempo.
- Interpretar o clima do mês = associar circulação geral (alísios de E, ventos de W) à temperatura dos continentes e à TSM dos oceanos.
- Altas latitudes: a visibilidade preocupa mais no verão (nevoeiros) e o mar severo mais no inverno.
- Região tropical: o mar é bem mais severo no verão e outono do respectivo hemisfério.
- Oscilação sazonal da ZCIT é mais acentuada no verão do respectivo hemisfério, e a temporada de tormentas tropicais acompanha o deslocamento da ZCIT.