O que sãoVentos predominantes das regiões tropicais, de direção constante o ano todo (varia só a velocidade). Enquadram-se na circulação de grande escala.
Origem
Faixa equatorial mais quente = baixa pressão › latitudes médias frias = alta pressão › ar escoa médias→equador (célula de Hadley)
O escoamento sofre o desvio de Coriolis: para a direita no HN e para a esquerda no HS.
| Hemisfério | Alísios sopram de |
|---|---|
| HN | de NE |
| HS | de SE |
| faixa equatorial | quase paralelos, de leste (E) |
ZCITZona de Convergência Intertropical = convergência à superfície onde os alísios de NE (HN) e de SE (HS) se encontram, na faixa equatorial.
Posição oscila com o equador térmico, variando de 15° N (verão no HN) a 5° N (verão no HS).
- Quase todo o ano a ZCIT fica no HN (segue as células de Hadley); oscilação maior no verão do HN (maior continentalidade).
- No Atlântico Sul (verão do HS) o deslocamento é pequeno.
- Exceção — oceano Índico: a ZCIT pode ocorrer bem mais ao sul de 5° S, gerando as monções de verão e de inverno.
A costa norte e nordeste do Brasil é mais afetada pela ZCIT em março e abril (nebulosidade e precipitação mais ao sul).
Convergência/convecção variam diariamente → boletins registram como fraca, moderada ou forte.
| Sistema | Tipo | O que varia | Consequências |
|---|---|---|---|
| Tropical | Barotrópico | apenas a pressão | sem estações; período muito chuvoso × menos chuvoso |
| Extratropical | Baroclínico | pressão e temperatura | massas de ar, frentes, verão/inverno marcados |
Sem variação de temperatura, o trópico não tem estações — a intensa atividade convectiva (Cb, trovoadas, rajadas) é sua principal característica.
A força de Coriolis só passa a atuar em latitudes maiores que 7°; aí o escoamento pode fechar em circulação e evoluir para tormenta tropical.
Condições que favorecem a tormenta
Maior TSM › maior evaporação › ar mais úmido › mais calor latente disponível
Relaçãotaxa de evaporação é diretamente proporcional à TSM (temperatura da superfície do mar).
- Somam-se convergência ciclônica em baixos níveis + correntes de ar quente ascendente.
- Uma onda no escoamento dos ventos de leste, ao gerar circulação fechada, evolui para tormenta tropical.
Na costa norte do Brasil não há ciclones tropicais nem furacões — falta a TSM acima de 27 °C.
Por quêSem TSM alta, não há a elevação da UR do ar ascendente e o processo convectivo não é alimentado pela energia de liberação de calor latente.
Condições adicionais
- Aprofundamento dos cavados associados às ondas de leste;
- Ausência de cizalhamento do vento — cizalhamento forte inibe a formação de furacões.
O cizalhamento vem das ondas de Kelvin (ondas de oeste, W→E), que se propagam em sentido oposto às ondas de leste (E→W).
A Amazônia gera grandes ondas de Kelvin → forte cizalhamento no Atlântico Sul (inibe furacão). No Caribe, a pequena continentalidade não faz isso → tormentas ali se desenvolvem.
Atenção HNDerrotas na faixa de 5° a 15° N: risco de ciclone em agosto, setembro e outubro; reduzido em jul/nov; nulo no resto do ano.
EstruturaCirculação ciclônica fechada, convergência à superfície + forte movimento ascendente → anéis de Cumulonimbus (Cb). No centro, o olho: sem nebulosidade, por causa do movimento descendente do ar.
A intensificação (tormenta→furacão) deve-se à intensa liberação de calor latente na corrente ascendente. O furacão só se desenvolve e sobrevive sobre o oceano, enfraquecendo ao entrar no continente.
Distribuição da intensidade do vento
- Depende de distância ao olho + posição na trajetória.
- Máxima na região intermediária, próxima ao olho, podendo superar 150 nós.
- Distribuição assimétrica: vento mais intenso no semicírculo da direita (no HN).
Ex. Hilda (1994)64 nós a 30 milhas do olho num semicírculo e a ~40 milhas no outro; a 100 milhas, mesma intensidade (<40 nós) nos dois lados.
Acompanhamento: sequência de imagens de satélite + previsão de até 3 dias no site da NHC/NOAA (www.nhc.noaa.gov).
- Ondas propagam-se em todas as direções e seguem como marulhos ao se afastar → afetam o mar a grandes distâncias.
- Dentro do furacão, ondas podem ultrapassar 15 metros, sobretudo na direção da trajetória.
O mar é mais severo na direção da trajetória: ali a área geradora se desloca no mesmo sentido da propagação da onda, intensificando-a. À ré, ondas menos intensas.
| Hemisfério | Mar mais severo (perigoso) |
|---|---|
| HN | semicírculo da direita |
| HS | semicírculo da esquerda |
Mesmo bem afastado do furacão e fora da circulação, o navio pode sofrer mar severo por esses marulhos.
Ex. Berthagerou ondas de até 16 metros, que provocaram o alquebramento do navio S.S. Corazon.
DivisãoA área circular divide-se em semicírculo perigoso e navegável, conforme estado do mar, intensidade do vento e risco de o navio ser arrastado na direção da trajetória.
| Hemisfério | Circulação | PERIGOSO | NAVEGÁVEL |
|---|---|---|---|
| HN | anti-horária | direita da trajetória | esquerda |
| HS | horária | esquerda da trajetória | direita |
Por que o vento é mais intenso no perigoso
Vento observado = vento ciclônico + vento planetário paralelo à trajetória. No perigoso as componentes se somam; no navegável, o vento principal tem componente oposta → vento resultante menor.
Agravante na vante do perigoso: vento e mar tendem a arrastar o navio para a trajetória, onde ocorre a máxima violência.
Trajetórias
SentidoInicial para W, com desvio regular: W/NW/N/NE no HN e W/SW/S/SE no HS. Influência inicial dos alísios (NE no HN, SE no HS) intensifica a circulação no perigoso.
Objetivo único: não se aproximar do centro — afastar-se da trajetória e sair da zona afetada.
| Setor / Hem. | Manobra | Se pairar sob máquinas |
|---|---|---|
| Perigoso — HN (direita) | vento pela bochecha de boreste, o mais rápido possível | mar de proa |
| Perigoso — HS (esquerda) | vento pela bochecha de bombordo, o mais rápido possível | mar de proa |
| Navegável — HN (esquerda) | vento pela alheta de boreste, na maior distância possível | mar de popa |
| Navegável — HS (direita) | vento pela alheta de bombordo, na maior distância possível | mar de popa |
Sobre a trajetória
- Adiante do centro: vento pela alheta (BE no HN, BB no HS), bem próximo à popa; anotar e manter o rumo até chegar ao navegável.
- Por trás do centro: evitar o centro no melhor rumo; lembrar que a trajetória tende a encurvar para N/NE no HN e S/SE no HS.
4 grupos de indíciospressão · vento · mudança de direção do vento (ronda) · nuvens e marulho — usados quando faltam comunicações.
Pressão
- Oscilação diurna normal: máximas às 10 h e 22 h, mínimas às 04 h e 16 h.
- Tormenta próxima → subidas/quedas anormais; quanto mais rápida a queda, mais perto do centro.
| Queda em 1 h (mm Hg) | Distância ao centro (milhas) |
|---|---|
| 0,5 a 1,5 | 250 a 150 |
| 1,5 a 2 | 150 a 100 |
| 2 a 3 | 100 a 80 |
| 3 a 4 | 80 a 50 |
A ronda do vento
Ronda = mudança contínua de direção do vento (movimento ciclônico + deslocamento da tormenta). Seu sentido revela o semicírculo.
| Hem. | Circulação | Setor perigoso (ronda) | Setor navegável (ronda) |
|---|---|---|---|
| HN | anti-horária | horária (contrário) | anti-horária (mesmo) |
| HS | horária | anti-horária (contrário) | horária (mesmo) |
Vento de direção constante: se a intensidade aumenta → na trajetória, adiante do centro; se diminui → na trajetória, atrás do centro.
Direção do centrocom o vento pela proa, o centro fica a 90° à direita no HN ou a 90° à esquerda no HS.
Nuvens e marulho
- Cirrus a grandes distâncias, adiante da tormenta; aproximando-se, viram bandas que emanam do centro, depois Cirrostratus com halos.
- Marulho: altura crescente/direção constante = adiante do centro; decrescente/constante = atrás; variação de direção e altura = num dos lados.
Escala Saffir-Simpson (por velocidade do vento)
| Cat. | Vento (nós) | Vento (km/h) | Dano |
|---|---|---|---|
| 1 | 64 – 83 | 118 a 153 | mínimo |
| 2 | 84 – 96 | 154 a 177 | moderado |
| 3 | 97 – 113 | 178 a 209 | extenso |
| 4 | 114 – 135 | 210 a 250 | extremo |
| 5 | 135 ou mais | > 250 | catastrófico |
Máquina térmica
Ciclones tropicais transformam energia calorífica em movimento. Combustível = convergência de ar muito quente e úmido em baixos níveis, possível quando a TSM supera 26,5 °C.
Furacões notáveis
- Isabel — olho a 920 hPa, categoria 5, ventos até 183 nós (339 km/h);
- Fran (05/09/1996) — cat. 3, diâmetro 1.600 km;
- Catarina (2004) — na costa Sul do Brasil, com parâmetros de furacão;
- Mangkhut (2018) — tufão cat. 5 (Filipinas/China); na Ásia ~20 tufões por ano.
Dano típico a portos: elevação do nível do mar por represamento dos marulhos → alagamentos e afogamentos. NHC/NOAA prevê até 3 dias (+ projeções 4º/5º).
Conceitos para fixar
alísios NE (HN) + SE (HS) → convergem na ZCIT → sopram de Esistemas tropicais movem-se para WZCIT segue o verão do hemisfério (maior desvio no HN)
Pico de furacões: agosto, setembro e outubro no HN; dezembro a março no HS.