🧭 MMPH · Cap.6 — Interpretação de Imagem, Cartas e Boletim

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lobo & Soares, Meteorologia e Oceanografia · V.03-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
☀️
O Serviço Meteorológico Marinho (DHN) oferece três fontes ao navegante: imagem de satélite, carta sinótica de pressão à superfície e boletim Meteoromarinha.

Horários e fuso

  • Produtos da DHN usados diariamente às 0000 e 1200 HMG; imagens de satélite do CPTEC/INPE de 3 em 3 horas.
  • Toda a meteorologia marinha trabalha na Hora Média de Greenwich (HMG), fuso zero → observações do planeta coincidem no mesmo instante.

Duas meteorologias na Metárea V

Linha divisóriaParalelo que limita ao norte a influência das frentes vindas do sul, na região do sul da Bahia / norte do Espírito Santo.
Essa latitude é fixada a cada dia pela posição do centro de alta da célula de Hadley (anticiclone permanente do Atlântico Sul), cujo bloqueio gera frente fria estacionária na Metárea V.
Fig. VI-1
Fig. VI-1 — Serviço Meteorológico Marinho (DHN) — produtos meteorológicos disponíveis aos navegantes no site da DHN, usados às 0000 e 1200 HMG.
Fig. VI-2
Fig. VI-2 — Imagem de satélite do CPTEC/INPE — divulgada de 3 em 3 horas (HMG); cobre o oceano e a costa.
SatéliteAltitudeCaracterística
Geoestacionário36 mil kmimagem circular de uma face da Terra; nova a cada 3 h
Órbita polar~800 kmórbita no meridiano; passa 1× dia e 1× noite; faixa de 15°, de sul para norte

Visível × Infravermelho (IR)

VisívelRegistra a refletividade (luz solar refletida = branco); só existe de dia. Não distingue tipos de nuvem — tudo em branco.
IRA mais usada. Baseia-se na temperatura da coluna de ar → distingue os tipos de nuvem. A atmosfera é transparente ao IR; gotículas e cristais são detectados.

Tons da imagem IR

TomNuvem / situação
Branco intensoCumulonimbus (Cb) — muito fria e espessa
Branco / cinza-claroCumulus (Cu)
Cinza-claroCirrus (Ci)
Cinza-escuroStratus (St) — quanto menos claro, mais baixo
Cor bem escuraausência de nebulosidade (céu limpo)
Quanto mais branca a imagem, mais fria e espessa a nuvem (sinal de Cb); menos clara → menor espessura (Stratus). Cirrus aparecem bem mais brancos que os baixos Stratus.

Sistema frontal na imagem

FrenteFaixa de nebulosidade
Friafaixa estreita, de branco intenso
Quentefaixa larga, branco esmaecido e cinza-claro
Oclusafaixa branca com acentuada concavidade

A nebulosidade da frente fria marca o eixo do cavado e separa ventos frios (depois da frente) dos quentes (antes dela).

Atlântico Sul revela

  • ZCAS — banda de nebulosidade da Amazônia ao Atlântico Sul;
  • Alta da Bolívia — circulação anticiclônica em altos níveis, sobretudo no verão do HS;
  • vórtices ciclônicos em baixos níveis (cavado/frente fria);
  • tempo intensificado quando a ZCAS coincide com a passagem de frente fria.
Fig. VI-4
Fig. VI-4 — Imagem de satélite meteorológico — satélite geoestacionário a 36 mil km de altitude fornece imagem circular de uma face da Terra; nebulosidade em branco, céu limpo em escuro.
Fig. VI-5
Fig. VI-5 — Imagem de satélite IR — frente fria a SE do Pacífico (faixa branca de Cb), cavado com escoamento de ar frio (área escura) e ascensão do ar quente (área clara); dia 044/1984, 12:00 HMG.
Fig. VI-9
Fig. VI-9 — Imagem de satélite IR realçada (24/out/2017) — frente fria na área Charlie/Delta (Cabo Frio), nebulosidade na ZCIT, sistema frontal no Atlântico Sul e centro de baixa (B) do cavado.
Fig. VI-10
Fig. VI-10 — Imagem de satélite infravermelho (24/out/2017) — dois sistemas frontais no Atlântico Sul, centro de baixa (B) na extremidade da frente oclusa, ZCIT e sistema frontal na costa da África.

Áreas de previsão — Metárea V

AbrangênciaDa costa do Brasil até o meridiano de 020° W, das latitudes de 07° N a 037° S. Normas pela OMM (órgão da ONU).
Divisão8 áreas costeiras (Alfa a Hotel, do sul para o norte) + 2 oceânicas (November — Norte; Sierra — Sul).
Alfa: Arroio Chuí → C. Sta. MartaCharlie: Sta. Marta → C. Frio (costeira)Delta: C. Frio → CaravelasHotel: São Luís → C. Orange

As 6 partes do Meteoromarinha

ParteConteúdo
IAviso de mau tempo
IIResumo descritivo (sinopse, data-hora HMG)
IIIPrevisão do tempo (próximas 24 h)
IVAnálise/prognóstico (código FM46-IV IAC FLEET)
VMensagens de navios (SHIP)
VIMensagens de estações costeiras (SYNOP)

Partes I, II e III em português, repetidas em inglês após a Parte VI. Na Parte II, velocidade da frente fria: normal 10 nós (lenta 5, rápida 15); "quase estacionária" quando há bloqueio.

Parte III — previsão

Sempre cobre 24 horas e inicia adiantada de 12 horas em relação à data-hora do boletim. Ex.: boletim de 0000 HMG → previsão das 1200 às 1200 do dia seguinte.

Parte I — avisos de mau tempo

Cada tipo só é divulgado quando o parâmetro iguala ou supera seu valor crítico.
AvisoCritério (≥)
Vento forteforça 7 Beaufort (28 nós ou mais)
Mar grossoondas de 3 metros ou mais (águas profundas)
Ressacaarrebentação de 2,5 metros (ondas longas, rumo à costa)
Nevoeirovisibilidade abaixo de 1 km

Na ausência de mau tempo o boletim divulga NIL ou NÃO HÁ. Avisos têm validade e numeração anual.

Fig. VI-11
Fig. VI-11 — NAVAREAS e METÁREAS (a e b) — divisão das áreas oceânicas de responsabilidade de divulgação de segurança da navegação; destaque para a METÁREA V (Brasil) e cobertura INMARSAT.

Escalas padronizadas (DHN)

  • Beaufort: intensidade do vento, de 0 (calmaria) a 12 (furacão).
  • Estado do mar: código 0 a 9 (0 calmo → 5 grosso, 2,5–4 m → 9 fenomenal, acima de 14 m).
  • Visibilidade: 4 categorias — muito restrita (<1 km), restrita, moderada, boa (>10 km).
O que éCarta de pressão ao nível do mar, com isóbaras espaçadas de 4 em 4 hPa. Isóbaras fechadas em valores baixos → centro de baixa (B)/ciclone; em valores altos → alta (A)/anticiclone.

Simbologia do vento e do céu

  • Seta: extremidade com traços indica a direção de onde sopra o vento; nº de traços = intensidade (em nós).
  • Pequeno círculo na outra ponta = cobertura do céu em oitavos.
  • O vento sopra quase paralelo às isóbaras.
Isóbaras estreitas → maior gradiente de pressão → ventos fortes. Isóbaras retilíneas e estreitas → vagas e propagação de marulhos nas horas seguintes.
CentrosBaixa = convergência, ascensão, nebulosidade. Alta = divergência, subsidência, céu limpo.

Frentes por cor (convenção internacional)

FrenteSímbolo
Frialinha azul
Quentelinha vermelha
Oclusaazul e vermelha do mesmo lado (a partir do centro B)
Estacionáriaazul e vermelha em lados opostos
Frente fria (azul) desloca-se das altas para as baixas latitudes: símbolo aponta para baixo no HN e para cima no HS. A quente é o inverso — por isso os desenhos aparecem invertidos nos dois hemisférios.
Fig. VI-15
Fig. VI-15 — Simbologia usada na carta sinótica — representação da ZCIT, da cobertura do céu (oitavos), do vento (seta com traços de intensidade) e das condições do tempo presente.
Fig. VI-16
Fig. VI-16 — Representação da circulação do ar — configuração das isóbaras e simbologia do vento; seta indica direção, traços a intensidade, círculo a cobertura do céu; circulação horária na baixa (HS).

Frontogênese = formação de cavado/sistema frontal; frontólise = dissipação. Na estacionária (Metárea V, área Delta), o vento frio passa a soprar de SE junto à frente.

Fig. VI-12
Fig. VI-12 — Carta sinótica — carta de pressão ao nível do mar com isóbaras de 4 em 4 hPa, centros de baixa (B) e alta (A), frentes coloridas e simbologia do vento/cobertura do céu.
Fig. VI-14
Fig. VI-14 — Carta de pressão ao nível do mar (24/out/2017) — Sea Level Pressure Chart do Serviço Meteorológico Marinho da DHN; referência 2400008/007/2017.
Fig. VI-13
Fig. VI-13 — Carta sinótica — simbologia de frente fria estacionária nas áreas E e F; extensas áreas geradoras de vagas; evolução da frente fria no sul do Atlântico Sul.
Fig. VI-17
Fig. VI-17 — Representação gráfica de frentes (a e b) — frente fria (azul) e quente (vermelha) com símbolos apontando em sentidos invertidos no HN e no HS; frente fria das altas para as baixas latitudes, frente quente o contrário.
PlanejamentoEsperar frentes frias em intervalos de 5 a 7 dias (sobretudo no inverno); a frente leva cerca de 48 horas do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro.

Passagem de uma frente fria

  • Mudança brusca do vento — principal indício; no HS, do quadrante norte (quentes) para o quadrante sul (frios);
  • queda da temperatura (chegada do ar frio);
  • queda de pressão na aproximação e elevação após a passagem;
  • mudança na umidade; nebulosidade e precipitação.

Classificar a frente (vento no lado frio + pressão)

Observação no lado do ar frioFrente
Vento na direção do deslocamento da frenteFria
Vento paralelo à frenteQuase estacionária
Vento com componente oposta ao deslocamentoQuente
Pressão para de cair / passa a subirFria
Pressão para de subir / passa a cairQuente
Ventos fortes com precipitação torrencial → frente fria de deslocamento rápido (acima de 20 nós). A circulação em torno da baixa dá à frente oclusa aspecto de vírgula.

O que cada parâmetro indica

  • TSM mais fria → favorece nevoeiro; TSM mais quente → instabiliza o ar, forma Cumulus;
  • aproado ao vento no HS: baixa à esquerda (bombordo), alta à direita (boreste); no HN, o contrário;
  • Cirrus de uma mesma direção podem ser pré-frontais (tempo severo próximo).
Como o vento sopra quase paralelo às isóbaras, direção e intensidade se deduzem da carta — observação valiosa na área marítima, carente de dados.

As três condições (todas necessárias)

CondiçãoO que éNa carta
Intensidadevento forte (transfere energia)isóbaras estreitas
Pistaextensão retilínea da área geradoraisóbaras retilíneas e longas
Persistênciatempo mantendo direção e intensidadeconfirmada nas cartas anteriores
Isóbaras retilíneas por extensa área são importantes, mas não suficientes: é preciso confirmar a persistência (cartas anteriores) e haver intensidade de vento.

Área geradora e deslocamento

  • Isóbaras quase retas → ampliação lateral em setores de 30°; curvas → 45°.
  • Dentro da área: vagas. Ao ultrapassar o limite (vento muda de direção): marulhos, que mantêm a direção e se propagam por centenas de milhas.
Deslocamento da pista × ondasEfeito
Mesma direçãoformação se intensifica
Direção opostase enfraquece
Perpendicularse amortece
Fig. VI-18
Fig. VI-18 — Área geradora de onda — isóbaras retas dão setor de ampliação lateral de 30°; isóbaras curvas dão 45°; mudanças bruscas das isóbaras marcam os limites da área geradora.
Fig. VI-19
Fig. VI-19 — Pistas associadas às frentes (HN) — configurações típicas de pistas de frentes fria e quente; a tempestade desloca-se de NW/W (trajetória SE/E).
Fig. VI-20
Fig. VI-20 — Pistas associadas às frentes (HS) — configurações típicas de pistas de frentes fria e quente; a tempestade desloca-se de SW/W (trajetória NE/E).
Fig. VI-21
Fig. VI-21 — Deslocamento na mesma direção — quando a área geradora (pista) se desloca na mesma direção das ondas, o processo de formação é intensificado.
Fig. VI-22
Fig. VI-22 — Deslocamento em direções opostas — quando a pista se desloca em direção oposta às ondas, o processo de formação fica enfraquecido.
Fig. VI-23
Fig. VI-23 — Deslocamento em direções perpendiculares — quando a pista se desloca perpendicularmente às ondas, o processo se amortece.
MarulhosA área geradora dá a direção das vagas (mesma do vento e do eixo da pista) = direção da futura propagação dos marulhos. Identificá-la alerta o navegante a alterar o rumo.
Ressaca: isóbaras com longos trechos quase retilíneos perpendiculares à costa, com ondas de grande comprimento. Atenção à corrente de ressaca (retorno).

Cartas de ondas (WAM)

  • Produto do site da DHN: previsão de ondas e marulhos de 3 em 3 horas, até 96 horas.
  • Mostra a direção de onde vêm as ondas e o vento; alísios constantes no NE (SE/E no HS, NE no HN).
  • Cores → ondas superiores a 3 m; linhas pretas contínuas → ondas menores de 2,5 m.
Fig. VI-24
Fig. VI-24 — Previsão numérica do tempo — produto do modelo numérico que sustenta as cartas de ondas e de pressão.
Fig. VI-25
Fig. VI-25 — Carta de ondas (WAM, 03/SET/2016) — direção de onde vêm as ondas e o vento; áreas com altura de onda superior a 3 m em cores; linhas pretas contínuas para ondas menores de 2,5 m.
Força de Coriolis: desvio para a esquerda no HS e para a direita no HN. Alísios de SE no HS, NE no HN; ventos de leste na ZCIT.
SistemaHNHS
Baixa (ciclone)anti-horáriohorário
Alta (anticiclone)horárioanti-horário
Eixo do cavado aponta parao Equador (leva ar frio às regiões quentes)
Eixo da crista aponta paraas altas latitudes

Ciclone tropical — manobra evasiva

SemicírculoLado da trajetóriaRecebe o vento pela
Perigosodireita no HN / esquerda no HSbochecha (boreste HN / bombordo HS)
Navegávelesquerda no HN / direita no HSalheta (boreste HN / bombordo HS)
Em resumo: num furacão, recebe-se o vento por boreste no HN e por bombordo no HS.
Tempo presenteObservação local + Parte II do Meteoromarinha. Sem boletim, o navegante prevê pela tendência, registrando de preferência de 3 em 3 horas.
A extrapolação da posição dos centros de pressão vale por período curto, nunca superior a 24 horas.

Parâmetros na aproximação das frentes

ParâmetroFrente friaFrente quente
Pressãocai até a chegada; sobe apóscai lentamente; gradual
Temperaturasobe pouco antes; cai apóssobe acentuadamente após
Vento (HS)brusca de N/NW para S/SWmudança gradual

No HS, a depressão está sempre à esquerda da direção de onde vem o marulho. Cirrus em garras (topo de grandes Cb) antecipam sistemas frontais.

Intensificação do mau tempo

Desencadeamento (espontâneo: calor sensível / forçado: ascensão) Intensificação = liberação do calor latente do vapor ar muito aquecido e úmido

Conceitos para fixar

  • Orvalho = umidade que se condensa; geada = umidade que se congela sobre a superfície.
  • Inversão térmica = temperatura maior em níveis altos e massa fria nos baixos.
  • Centro de baixa: aprofundar / encher; centro de alta: enfraquecimento / intensificação.
  • Abaixo de 1 km de visibilidade → chama-se nevoeiro.
  • Rajada = aumento rápido do vento, variação de pelo menos 10 nós sobre a média.
  • Sistema frontal dentro do cavado desloca-se a cerca de 10 nós (trajetória NE/E no HS, SE/E no HN).
O método usa as três fontes juntas: boletim (visão abrangente) + carta sinótica (posição das frentes, circulação) + imagem de satélite (intensidade convectiva). Mar muito severo requer tempo para se desenvolver — o navegante atento dificilmente é surpreendido.

Frente fria na costa sul/sudeste (HS)

MomentoDireção do ventoMar costeiro
Antesda costa para o mar (quadrante norte: NW/N/NE)tranquilo na costa, severo no oceano
Depoisdo mar para a costa (quadrante sul: SW/S/SE)severo na costa
tempo bom — sem vento e sem nebulosidade — mas com mar severo: marulhos gerados em alto-mar, com pista dirigida à costa, crescem em águas rasas até a arrebentação. Atenção à direção de propagação dos marulhos, não só ao vento local.
Vento costeiroVento do continente para o mar → mar bom; do oceano para o continente → mar que pode ser severo (possibilita a pista).

Informações climatológicas: Atlas de Cartas Piloto — comportamento esperado por época do ano, para planejamento de longo prazo.

Fig. VI-27
Fig. VI-27 — Estado do mar severo — mar que requer bastante tempo para se desenvolver; o acompanhamento de cartas e boletins permite antecipar regiões propícias à geração de ondas.