🧭 MMPH · Cap. 2 — Serviço Móvel Marítimo e operação radiotelefônica

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Manual do Curso Especial de Radioperador Geral (DPC/EROG) · VI.02-CM · Área VI do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Geração de bordoNavio mercante tem, em geral, pelo menos dois geradores acionados por motores de combustão auxiliar (MCAs), mais um terceiro gerador — de eixo, turbogerador ou outro MCA. Cada um deles é capaz de suportar sozinho a carga elétrica do navio em regime normal de viagem.
Os retificadores são pelo menos dois, e fazem a mesma conversão: recebem os 220 V CA do sistema de emergência, abaixam a tensão para 24 V e retificam para corrente contínua. O que muda é a quem cada um serve.
RetificadorQuem ele alimenta, segundo a fonte
Um deles, com suas bateriasAtende ao GMDSS, de modo similar aos "nobreaks" de computadores pessoais: mantém os equipamentos operando até o gerador de emergência entrar em operação — o que leva até 45 segundos após o apagão. Incorpora automação e chaves que transferem o fornecimento em 24 V CC ou das baterias (durante o apagão), ou do quadro elétrico do gerador de emergência, através do retificador
O outro (muitas vezes mais de um)Faz o mesmo para os equipamentos que a Convenção SOLAS exige que permaneçam sempre em operação, até nos segundos que antecedem a operação do gerador de emergência: iluminação de bateria nas escadas e outros pontos, alarmes em geral, central telefônica, automação das máquinas, iluminação da agulha magnética e apito
O que os dois compartilhamA alimentação em 220 V CA do Quadro Elétrico de Emergência (QEE) e a carga das respectivas baterias.
A energia das baterias é o que a SOLAS chama de Sistema de Energia Transitório. A tendência mais moderna é ter vários desses sistemas, independentes e com finalidades dedicadas.
A norma com endereço exato. A SOLAS, na Regra 13 do capítulo IV, parte C, exige uma fonte de 24 V CC independente e dedicada para os componentes de uma estação GMDSS de bordo.
#Legenda da planta típica (Fig. 1.26) — 12 itens
1Q.E.E. — Quadro Elétrico de Emergência (entrada em corrente alternada, 220 V CA)
2Baterias do GMDSS — seis de 12 V em série-paralelo, resultando nos 24 V CC
3Retificador / carregador
4Quadros de medidores e chaves seletoras
5Painel de distribuição (painel com os consumidores 3+4+5+6)
6Fusíveis
7–12Os consumidores: VHF – DSC · HF – DSC · INMARSAT Fleet 77 · INMARSAT – C · carregadores dos VHF portáteis · receptor NAVTEX
A capacidade da bateria se expressa em ampere-hora (Ah) — a energia que ela fornece num período de descarga padrão, normalmente de 10 a 20 horas.
A conta do exemploUma bateria de 140 Ah em boas condições pode fornecer 14 A por 10 horas, 7 A por 20 horas, ou 28 A por 5 horas.
A divisão-mestra: primárias = não recarregáveis · secundárias (acumuladores) = recarregáveis. As primárias são substituídas sempre que a carga não mais supre as condições mínimas de trabalho, e servem onde o tamanho reduzido e a possibilidade de longos períodos de armazenamento são as condições primordiais.
TipoRecarregávelComo a fonte descreve
Primária — zinco-carbonoNãoFonte primária de 1,5 V; durante décadas foi a única no mercado
Primária — alcalinaNãoEvolução da zinco-carbono, com eletrólito alcalino; é o tipo mais comum à venda
Primária — lítioNão (substituída a cada 3–4 anos)Ânodo de lítio metálico; tensão de 3 V, cerca do dobro da zinco-carbono/alcalina; em relógios e câmeras digitais e, a bordo, na EPIRB, no SART e no AIS-SART. Custo maior, vida mais longa
Secundária — chumbo-ácidoSimEletrodos de chumbo, eletrólito de ácido sulfúrico e água destilada; veículos, baleeiras e geradores de emergência; muito empregada em barcos de pesca, rebocadores de porto e iates
Secundária — alcalina (Ferro-Níquel ou Cádmio-Níquel)SimEletrólito de solução básica de soda ou potassa; mais resistente às intempéries e de maior vida útil, porém mais cara e de aquisição mais difícil
Secundária — íon-lítioSimEquipamentos eletrônicos portáteis, como os transceptores VHF portáteis; não exige carga total nem descarga total a cada ciclo
A ressalva que a própria fonte faz. As secundárias alcalinas (Ferro-Níquel ou Cádmio-Níquel) são as mais adequadas ao emprego em embarcações — mas são mais caras e de maior dificuldade de aquisição: só empresas especializadas as vendem. A bordo de mercantes, normalmente se usa um dos dois tipos de acumuladores: chumbo-ácido ou alcalina.
"Baterias sem manutenção"Eletrólito líquido, mas sem necessidade de completar água destilada, graças a placas sem antimônio e a um separador de líquido e gás na tampa selada da cuba. Bornes protegidos contra corrosão assim que os cabos são conectados, sem limpeza nem reaperto periódicos. Ficam carregadas muito mais tempo quando não utilizadas — mas suas capacidades são limitadas e não cobrem todas as aplicações possíveis.
ConstituiçãoDefinição da fonte
BateriaConjunto de elementos (pares de placas) interligados em série e envolvidos por um recipiente maior
Invólucro ou cubaRecipiente construído com material isolante que contém os eletrodos e o eletrólito
EletrólitoSubstância que possibilita o processo de eletrólise e age quimicamente sobre os eletrodos nela submersos, fazendo com que se estabeleça uma diferença de potencial entre os terminais
ElementosCondutores (placas) elétricos que, em contato com o eletrólito, mantêm entre si uma ddp
O princípio: uma reação química denominada eletrólise ocorre internamente com os elementos e o eletrólito e libera elétrons, resultando uma diferença de potencial entre os terminais.
Avaliar uma bateria de chumbo-ácido: ler diariamente a densidade ou a tensão nominal, com e sem carga com todos os transmissores desligados com o transmissor principal ligado → comparar as duas leituras.
Os três números da tensão. Bancada em série totalmente carregada: no mínimo 24 V desligada · sob carga, a tensão não deve cair mais que um ou dois volts · queda substancial — por exemplo, abaixo de 20 V — indica bateria em péssima condição, a ser substituída. Antes de condenar a bateria, porém, checar os terminais: "Um terminal folgado pode ser a causa de a tensão cair a um nível muito baixo".
Fonte de reserva recarregávelO sistema de carregamento precisa recarregá-las totalmente em até 10 horas.
RotinaO que a fonte manda fazer
DiariamenteTestar as baterias que alimentam qualquer parte da instalação de rádio e, se necessário, conduzi-las à condição de plenamente carregadas
MensalmenteVerificar a segurança e a condição de todas as baterias que alimentam a instalação de rádio, além das conexões e do compartimento onde ficam
O que é o SMMPermite a comunicação por rádio entre uma pessoa em terra e outra a bordo de uma embarcação, em qualquer parte do mundo, e vice-versa. Atende armadores, companhias marítimas, transportadores de carga, proprietários de embarcações de lazer e empresas de pesca.
As Estações Costeiras que o viabilizam no Brasil são subordinadas à EMBRATEL e, interligadas entre si, formam a Rede Nacional de Estações Costeiras — a RENEC.
Peça da RENECO que a fonte fixa
Estação PrincipalNo Rio de Janeiro, com alcance mundial em radiotelefonia
Estações telecomandadasAo longo do litoral e dos rios; comportam-se como repetidoras da Estação Principal (Manaus, Belém, Fortaleza, Natal, Fernando de Noronha, Salvador, Vitória, Santos, Paranaguá, Florianópolis, Porto Alegre, entre outras). Ao todo, a rede é constituída por dezenas de estações
Tipo de serviçoO que a fonte inclui
Especiais e gratuitos
(salvaguarda da vida humana no mar e segurança da navegação)
Transmissão de avisos-rádio náuticos · transmissão de avisos-rádio SAR · transmissão de METEOMARINHA a pedido · recepção de mensagens de socorro, urgência e segurança
ComerciaisServiços taxados e cobrados — ligações telefônicas e outras formas de comunicação
Quem está em terra: liga para o Centro de Operações (telefone 0800 701 2141) → informa nome da embarcação, prefixo, localização provável e o nome da pessoa a contatar → a ligação é completada assim que o contato com a embarcação é estabelecido. Quem está navegando: contata o mesmo Centro de Operações por um dos canais de chamada de HF e/ou VHF das estações costeiras, informando o telefone de terra desejado → é atendido de imediato.
PublicaçãoEditada porConteúdo, segundo a fonte
Manual para uso do SMM e do SMM por satéliteITUDispõe sobre o uso e a aplicação do serviço de telecomunicações para as estações do SMM e do SMM por satélite
Lista de Estações Costeiras e das estações que efetuam serviços especiaisITU (bianual)Identificação, frequências e características de trabalho das Estações Costeiras e Terrenas Costeiras, mais rádio/radar beacons, assistência médica, avisos aos navegantes, boletins de tempo, sinais horários, estações DGNSS e procedimentos básicos de uso
Lista de Estações de Navio e designação de Identidades do SMMITU (anual)Navios em ordem alfabética e identidade do serviço móvel marítimo em ordem numérica; livro impresso (prefácio + tabelas de referência) mais CD-ROM com os dados
Lista de Auxílios RádioDiretoria de Hidrografia e Navegação (Marinha do Brasil)Frequência e características de trabalho das Estações Costeiras do Brasil e procedimentos básicos de uso
A pegadinha do suplemento. Os suplementos das duas listas da ITU não são impressos: as alterações ficam disponíveis gratuitamente na internet. E só uma das quatro publicações não é da ITU — a Lista de Auxílios Rádio, da DHN.
LetraTipoComo a fonte define
a)Comunicações de socorro, urgência e segurançaOs três sinais, cada um repetido três vezes e transmitido antes da respectiva chamada
b)Correspondência públicaOs membros da ITU reconhecem ao público o direito de comunicar-se pelo Serviço Internacional de Correspondência Pública; serviços, taxas e garantias são os mesmos, em cada categoria, para todos os usuários, sem prioridade nem preferência alguma
c)Serviço de operações portuáriasEntre estações costeiras e de navio, ou entre estações de navio, num porto ou proximidades; mensagens exclusivamente de manutenção, movimentação e segurança dos navios e, em urgência, salvaguarda das pessoas. Exclui correspondência pública
d)Serviço de movimento de naviosServiço de segurança distinto do de operações portuárias, entre costeiras e navios ou entre navios, com mensagens sobre o movimento de navios. Exclui correspondência pública
e)Comunicações entre naviosNavio-navio, via VHF, para a segurança da movimentação de navios
f)Estação de comunicações a bordoEstação móvel de baixa potência, para comunicações internas a bordo, ou entre um navio e suas embarcações e botes salva-vidas — em exercícios ou salvamento —, ou dentro de um grupo de navios empurrados ou rebocados, e para instruções de amarração e atracação
SinalRepetiçõesPronúncia, segundo a fonteSignifica
MAYDAY — socorroTrês vezesComo o francês "m'aider"Perigo grave ou iminente, auxílio imediato
PAN PAN — urgênciaTrês vezes, cada palavraCada palavra como o francês "panne"Mensagem muito urgente sobre a segurança de um navio, aeronave, veículo ou pessoa
SECURITÉ — segurançaTrês vezesClaramente em francêsAviso importante aos navegantes ou meteorológico
Os dois serviços que se parecem. Operações portuárias = manutenção, movimentação e segurança, num porto ou proximidades · movimento de navios = o movimento, e é distinto do portuário. Os dois excluem correspondência pública.
Definição-raiz de estação: um ou mais transmissores ou receptores, ou uma combinação deles, com os equipamentos acessórios necessários para assegurar um serviço de radiocomunicação num dado local. Classifica-se pelo serviço de que participa, permanente ou temporariamente.
EstaçãoDefinição da fonte
TerrenaSituada na superfície da Terra ou na parte principal da atmosfera terrestre, para comunicar-se com uma ou várias estações espaciais, ou com estações da mesma natureza, por satélites refletores ou outros objetos espaciais
CosteiraEstação terrestre do serviço móvel marítimo
Terrena Costeira (CES)Estação terrena do serviço fixo por satélite ou, em alguns casos, do SMM por satélite, instalada em terra para o SMM por satélite
de NavioEstação móvel do serviço móvel marítimo, instalada a bordo de um navio — que não uma embarcação de salvamentonão permanentemente fundeado
Terrena de Navio (SES)Estação terrena móvel do SMM por satélite, instalada a bordo de um navio
de AeronaveEstação móvel do serviço móvel aeronáutico, a bordo de uma aeronave
de PraticagemEstação costeira do serviço de praticagem
PortuáriaEstação costeira do serviço de operações portuárias
RCCEstação do centro de coordenação de salvamento, responsável por organizar eficientemente os serviços de salvamento e coordenar a condução das operações de salvamento numa área de socorro
Praticagem e Portuária são as duas "costeiras" do rolo que as separa é só o serviço: praticagem numa, operações portuárias na outra. E o par CES (em terra) × SES (a bordo) é a troca mais barata da seção.
Os três meios das ondas terrestresRefletidas ou não, transmitem mensagens em voz (radiotelefonia), em chamada seletiva digital (DSC) e em radioteleimpressão (Telex).
Nas comunicações terrestres, o DSC forma a base para o alerta de socorro e as comunicações de segurança; as comunicações de segurança e os alertas de socorro que se seguem a uma chamada DSC devem ser conduzidos por radiotelefonia, radioteleimpressão, ou ambos.
ServiçoMeioCanal/frequência e uso, segundo a fonte
Curta distânciaVHFCanal 70 (156.525 MHz) — alertas de socorro e chamadas de urgência/segurança via DSC. Canal 16 (156.800 MHz) — tráfego de socorro, urgência e segurança por radiotelefonia, inclusive coordenação SAR e cena de ação
Média distânciaMF2187,5 kHz — alertas de socorro e chamadas de urgência/segurança via DSC · 2182 kHz — tráfego de socorro e segurança por radiotelefonia, inclusive coordenação SAR e cena de ação · 2174,5 kHz — tráfego de socorro e segurança por radioteleimpressão
Longa distânciaHFFaixas de 4, 6, 8, 12 e 16 MHz, nas duas direções (navio-terra e terra-navio); alternativa às comunicações por satélite nas áreas cobertas pelo INMARSAT, e único meio de longa distância fora delas
O trio de MF e o par de VHF são o ponto de troca. 2187,5 = DSC · 2182 = voz · 2174,5 = teleimpressão · canal 70 = DSC · canal 16 = voz — nunca o contrário.
Onde estão escritasAs frequências dos sistemas de comunicações do GMDSS constam do Regulamento de Radiocomunicações (RR) da ITU.
O VHF é o equipamento de radiocomunicação básico, e compõe qualquer Estação de Navio: é mandatório em embarcações de pequeno e médio porte de águas interiores e costa, e também integra Estações Terrenas de Navio de embarcações de longo curso. Sua versatilidade vem da forma compacta e da facilidade operacional, já que as frequências de chamada e trabalho vêm pré-sintonizadas em canais.
CaracterísticaValor, segundo a fonte
Faixa de frequência156 a 174 MHz — ondas muito curtas, cerca de 2 metros, propagação em linha reta, sem reflexão
Potência máxima (normas internacionais)25 W
Potência próximo ao portoReduzida para 1 W
Transceptores portáteisEntre 1 e 6 W
Canal de socorro e chamada16obrigatório em qualquer equipamento, junto com os canais de trabalho ou tráfego (qualquer outro que não seja o 16)
Alcance e instalaçãoO alcance depende da altura da antena, que precisa compensar a curvatura da Terra. A bordo, o controle dos canais exigidos para a segurança da navegação deve ser facilmente alcançável do passadiço e da posição de governo e, onde necessário, deve haver facilidades para as radiocomunicações das asas do passadiço — podendo-se usar, para isso, equipamento portátil de VHF.
A tabela com os canais do serviço móvel marítimo está no anexo 3 do manual. E, conectado a uma Estação Costeira, o VHF possibilita comunicação com qualquer lugar do mundo, apesar da limitação de seu alcance direto.
Quando o VHF não bastaAs embarcações que trafegam fora do raio de ação de um VHF precisam também de um transceptor MF/HF, mais conhecido pela sigla SSB — que representa o tipo de modulação que o equipamento executa.
Ele usa média e alta frequência, que geram ondas de comprimento adequado à propagação refletida: propaga-se muito mais pelas ondas celestes e, consequentemente, depende muito mais das condições de propagação do que da potência.
VHFMF/HF (SSB)
PropagaçãoLinha reta, sem reflexãoRefletida, por ondas celestes
Qualidade e confiabilidadeReferênciaNão apresenta a mesma qualidade e confiabilidade do VHF, embora venha sendo aprimorado — inclusive com pré-sintonização de frequências em canais, em alguns equipamentos
Procedimento para fazer/receber ligaçãoÉ o mesmo nos dois, bordo-terra ou terra-bordo — embora os canais de chamada, de escuta e de trabalho sejam diferentes
Dependência da Estação CosteiraNecessária para alcance mundialCom o SSB é possível transmitir e receber diretamente para outra estação, sem depender de Estações Costeiras — alcançando-se alcance mundial
O DSC, nos rádios em VHF/MF/HF, é um subsistema que permite receber as chamadas endereçadas a ela sem que alguém precise ficar permanentemente atento ao equipamento: as chamadas destinadas à embarcação são recebidas, indicadas por sinal sonoro e visual. Serve tanto para rotina quanto para alertas de socorro e mensagens de urgência e de segurança.
FaixaCanal/frequência básico do DSC
VHFCanal 70 (156.525 MHz)
MF2187,5 kHz
HF4207,5 · 6312,0 · 8414,5 · 12577,0 · 16804,5 kHz
O MMSI é a condição para usar DSC. Toda embarcação com equipamento DSC precisa de um número de chamada de nove algarismos — a Identidade do Serviço Móvel Marítimo, o MMSI — atribuído, no Brasil, pela ANATEL. As chamadas DSC podem ir a navios individuais, a grupos de navios, ou a áreas geográficas delimitadas, indicando o canal e o método de resposta.
A regra número um, literal: "As Comunicações entre Embarcação–Terra, Terra–Embarcação e Embarcação–Embarcação são preferencialmente para serem utilizadas em função da Salvaguarda da Vida Humana e da Segurança da Navegação." O objetivo da legislação é o uso disciplinado dos meios de bordo: sempre mais gente ouvindo e pronta para ajudar do que ocupando as frequências com algo desnecessário.
QuemPapel, segundo a fonte
ITUAgência da ONU, com sede na Suíça, que emite o Regulamento de Radiocomunicações — disciplina as comunicações e distribui e coordena frequências no mundo todo
Ministério das ComunicaçõesNo Brasil, emite as normas nacionais que complementam o Regulamento
ANATELÓrgão supervisor e fiscalizador
EMBRATEL e RENECÓrgãos executivos, que prestam vários serviços, inclusive o SMM
Toda embarcação com estação de rádio a bordo — basta ter um VHF — precisa de Licença de Estação de Navio. Com ela vêm o indicativo de chamada da estação licenciada e o MMSI; o indicativo é a característica de identificação usada no início, durante e no término da transmissão.
Ponto da licençaO que a fonte fixa
Quem deve ter estação radiotelefônicaEm princípio, toda embarcação de barra afora — VHF e, se possível, SSB; recomenda-se a mesma estação para todas as embarcações, principalmente as de transporte de passageiros, mesmo em águas interiores
Ato de autorizaçãoLicença para Funcionamento de Estação — formaliza a autorização das estações costeiras, de bordo e portuárias; ato pelo qual a Agência reconhece ao autorizado o direito de funcionamento
Prazo de validadeNo máximo 10 anos, prorrogável de forma onerosa
Como se licencia no BrasilPreenchendo o Formulário de Serviço Móvel Marítimo, fornecido pela ANATEL, assinado e entregue ou enviado pelo Correio; a licença é emitida pela unidade regional correspondente ao endereço da sede ou domicílio da entidade
Infrações e as três penalidades — rol fechado. São infrações o descumprimento das disposições do Código Brasileiro de Telecomunicações, das normas da ANATEL e do Comando da Marinha, e dos regulamentos e convenções internacionais vigentes ratificados pelo Governo Brasileiro. Penalidades: multa · suspensão de até 30 dias · cassação da licença.
Certificado do operador. O GMDSS não exige operadores rádio dedicados, mas exige pessoal qualificado para as comunicações de socorro e segurança. Os certificados estão especificados no Regulamento de Radiocomunicações, e os padrões mínimos de competência constam da Convenção internacional STCW.
Para operarCertificado mínimo
Na área A-1Pelo menos Radioperador Restrito
Em todas as áreas marítimas do GMDSSRadioperador Geral
Qualquer estação radiotelefônica de bordo só pode ser operada por portador de Certificado de Radioperador. E os três documentos exigidos a bordo são: Licença de Estação de Navio · Certificado de Radioperador Geral/Restrito · cópia do recibo da FISTEL.
A linguagem deve ser clara, formal e sucinta — falada pausadamente, de forma concatenada, resumida e de fácil entendimento, sem gírias ou palavras impróprias. Como o sistema é normalmente simples (simplex), é preciso aguardar o interlocutor terminar para responder, sob pena de interferência na frequência de trabalho. As comunicações a bordo devem ser monitoradas, registradas e disciplinadas, com um Livro de Registro das Comunicações e responsabilidade de utilização estabelecida.
#Guia para uso do VHF no mar — padrões de caráter internacional, válidos em qualquer lugar do mundo
1De preferência, escrever o que vai ser transmitido antes de transmitir
2Ouvir antes de começar a transmissão, para ter certeza de que o canal não está em uso
3Evitar repetir palavras ou frases, a não ser que a estação receptora solicite
4Usar potência reduzida sempre que possível
5Comunicar-se no canal indicado pela estação costeira; ao mudar de canal, o navio precisa dar o reconhecimento antes da mudança
6Parar imediatamente quando a estação costeira mandar cessar a transmissão
7O canal 13 é designado pelo RR para comunicações de segurança da navegação e passadiço-passadiço
8Mensagens de socorro têm prioridade sobre as demais
9Pelo RR, o canal 16 é para mensagens de socorro, urgência e comunicações muito rápidas de segurança, além de chamadas e estabelecimento de comunicações a serem conduzidas em outro canal
10Se a comunicação num canal não for satisfatória, solicitar mudança e esperar confirmação antes de mudar
11Usar a fraseologia do vocabulário marítimo padrão (SMCP)
12Em grande dificuldade de comunicação, usar o Código Internacional de Sinais
Os dois canais do guia não são o mesmo canal. 16 = socorro, urgência, segurança muito rápida e chamada · 13 = segurança da navegação e passadiço-passadiço. Os dois são designados pelo RR.
SituaçãoForma, verbatim da fonte
Chamar costeira ou outro navioIndicativo/nome da estação chamada (repetido duas vezes se a comunicação não estiver boa) → "THIS IS" → indicativo/nome do próprio navio, também duas vezes → o canal em uso:
"Port City, this is Seastar, Seastar, on channel 14"
Sem saber o nome do navioEndereçar a todos e especificar a posição de quem se quer contatar:
"All ships, this is Pastoria, Pastoria. Ship approaching number four buoy, I am passing Belinda Bank Light"
Reconhecimento correto necessárioRepetir a mensagem junto com o reconhecimento: "Your berth will be clear at 0830 hours" → "Received, understood. Berth clear at 0830 hours"
A mensagem contém instruçõesRepetir a instrução ao dar o reconhecimento: "Advice you pass astern of me" → "I will pass astern of you"
Mensagem mal recebida / fim das comunicaçõesPedir repetição com "Say again" · fim das comunicações indicado com a palavra "out"
Mensagem de rotina, na ordem: chamada para costeira no canal 16 em VHF (em MF/HF, consultar a Lista de Estações Costeiras para saber a frequência que a costeira está guarnecendo) → indicativo, nome ou denominação da estação de destino, repetido no máximo três vezes"this is" (ou "DE", em dificuldade de linguagem, ou "aqui") → indicativo da estação que transmite → "over" ou "câmbio" e aguardar a resposta.
A resposta da estação chamadaAinda no canal/frequência de chamada: "Aqui" X, prossiga Y, "câmbio". Ou, sem ter identificado quem chamou: "Aqui" X, prossiga quem chamou. Em comunicações entre embarcações, a estação que chamou indica, nesse momento, o canal/frequência a seguir para o tráfego de mensagens.
Por que se muda de canal, sempre. Após a chamada para uma mensagem de rotina, muda-se imediatamente para outro canal e/ou frequência, determinado pela estação costeira — a fim de manter os canais de chamada livres para priorizar o tráfego de socorro, urgência e segurança. Para isso funcionar, todas as estações costeiras precisam ficar na escuta nesses canais, conforme a Lista de Estações Costeiras — não só para atender chamada dirigida a elas, mas principalmente para o pronto atendimento a socorro, urgência e segurança.
Denominação possívelExemplo, segundo a fonte
Indicativo internacional de chamadaPPYZ, PP1234 (embarcação); DE23, PYJ4 (estação costeira)
Identidade do SMM (MMSI)710123000, 386456000 (navios); 007100006 (estação costeira)
Nome da estaçãoNavio Zeus, Rebocador Taurus; Iate Clube de Ubatuba – Olinda rádio
Qualquer outra informação que identifique a estaçãoVeleiro ao meu boreste; embarcação fundeada próxima a Ponta Negra
A mensagem de socorro tem prioridade um (1)todas as outras cedem lugar a ela. Indica que a embarcação está sob ameaça de perigo grave e iminente, com risco para a tripulação, e solicita auxílio imediato; na chamada usa-se a palavra "mayday", pronunciada "meidei".
Dever de quem apenas ouve. Toda estação que ouvir uma mensagem de socorro deve parar imediatamente qualquer transmissão que possa perturbá-la e ficar escutando na frequência de chamada e socorro.
#Chamada de Socorro — os três passos
1Falar três vezes a palavra "MAYDAY"
2Falar o termo "THIS IS"; e
3Falar três vezes o indicativo de chamada, MMSI, ou outra identificação da estação em perigo
#Mensagem de Socorro — logo após a chamada, cinco campos
1Repetir mais uma vez a palavra MAYDAY;
2Repetir a identificação da embarcação em perigo;
3Fornecer a posição da embarcação em perigo;
4Falar o tipo de perigo e qual é o socorro necessário; e
5Outras informações que facilitem o socorro
Exemplo verbatim — chamada e mensagemMAYDAY MAYDAY MAYDAY
This is
DELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO (3X)
MAYDAY
DELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO
Position latitude two zero degrees zero six minutes south, longitude zero four zero degrees five zero minutes west
Sinking
Request immediate assistance
Over.
Quando um navio dá o recibo. Navio fora do alcance rádio de uma Estação Costeira que receba alerta de socorro de outro navio que esteja, sem dúvida, nas suas proximidades, e não observe o recibo da Estação Costeira, deve transmitir o recibo ao navio em perigo e informar ao RCC pelo meio mais eficiente.
#Recibo de Mensagem de Socorro — seis camposExemplo verbatim
1Falar a palavra MAYDAY;MAYDAY
DELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO
This is
OSCAR YANKEE BRAVO ALFA
RECEIVED MAYDAY.
2O indicativo de chamada da estação que pediu socorro;
3Falar o termo "THIS IS";
4O seu indicativo de chamada;
5Falar a palavra RECEIVED; e
6Repetir a palavra MAYDAY
#O que a estação de navio informa depois de acusar o recebimento — por ordem do comandante ou responsável, logo que possível, nesta ordem
1Seu nome;
2Sua posição;
3A velocidade com que se dirige para a estação móvel em perigo e o tempo aproximado para alcançá-la; e
4Se a posição do navio em perigo parecer duvidosa, a marcação verdadeira do navio em perigo, quando disponível, precedida da abreviação QTE ("Sua marcação VERDADEIRA com relação a mim é … graus às … horas."; "QTE? = Qual é minha marcação VERDADEIRA com relação a você?")
Exemplo verbatim — o que informar após o reciboDELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO
This is
OSCAR YANKEE BRAVO ALFA
Position latitude two zero degrees one six minutes south, longitude zero four zero degrees zero zero minutes west
My present speed is one zero knots,
I will be in your position in three hours
Over.
Palavra de procedimentoO que é, segundo a fonte
MAYDAY RELAYA retransmissão feita quando a estação que ouviu o pedido de socorro não tem condições de prestar socorro — "nada mais é do que a transmissão de uma mensagem de socorro por uma estação que não está em perigo"
SEELONCE MAYDAYA ordem com que a estação de controle do evento SAR impõe o silêncio no canal/frequência
SEELONCE FEENEEO aviso de que o silêncio deixa de ser necessário na frequência que estava sendo usada para o socorro
Exemplo verbatim — fim do silêncioMAYDAY
All stations (3X)
This is
DELTA CHARLIE HOTEL WHISKEY (3X)
One two three zero UTC
DELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO
SEELONCE FEENEE
Exemplo verbatim — retransmissãoMAYDAY RELAY MAYDAY RELAY MAYDAY RELAY
All stations (ou Estação Costeira) (3X)
This is
ECHO QUEBEQ SIERRA PAPA (3X)
MAYDAY
DELTA NOVEMBER NOVEMBER ECHO
Position latitude two zero degrees zero six minutes south, longitude zero four zero degrees five zero minutes west
Sinking
Request immediate assistance
Over
MensagemSinal e repetiçõesPrioridadeO que indica
SocorroMAYDAY, "meidei"um (1)Perigo grave e iminente, auxílio imediato
UrgênciaPAN PAN, pronunciadas "PANNE-PANNE", repetidas três vezes antes da mensagemdois (2)só suplantada pelo sinal de socorroMensagem muito urgente relativa à segurança de uma embarcação, de uma aeronave, ou de uma pessoa
SegurançaSECURITÉ, repetido três vezes antes da mensagemtrês (3)só suplantada pelos sinais de socorro e de urgênciaAlgo relativo à segurança da navegação ou a avisos meteorológicos importantes
O par de canais da segurança: a chamada de segurança é transmitida no canal 16, e a mensagem de segurança, no canal 13.
Exemplo verbatim — sinal e mensagem de urgênciaPAN PAN PAN PAN PAN PAN
All stations (ou Estação Costeira) (3X)
This is
FOXTROT KILO PAPA JULIETT (3X)
Position:
Latitude two zero degrees three eight minutes south
Longitude zero four zero degrees two zero minutes west
Request medical assistance
Over
O recibo de urgência não é obrigatório — e, quando dado, tem forma própria: PAN PAN → FOXTROT KILO PAPA JULIETT → This is → Motor vessel FOXTROT INDIA PAPA YANKEE → PAN PAN RECEIVED.
Auxílio médico. Em solicitação de auxílio médico, deve-se consultar a Nomenclatura das Estações que efetuam Serviços Especiais e usar sempre os sinais do Código Internacional de Sinais, precedidos da palavra INTERCO.
Exemplo verbatim — chamada de segurança (anúncio no canal 16)SECURITÉ SECURITÉ SECURITÉ
All stations (3X)
This is
MIKE HOTEL CHARLIE WHISKEY (3X)
Navigational warning
Switch to VHF channel one three
Over
Exemplo verbatim — mensagem de segurança (transmissão no canal 13)SECURITÉ SECURITÉ SECURITÉ
All stations (3X)
This is
MIKE HOTEL CHARLIE WHISKEY (3X)
Navigational warning
Green buoy adrift.
Dangerous to navigation.
Position: latitude: _ _ _ _ S longitude: _ _ _ _ W
I say again: (repita a mensagem)
Navigational warning
Green buoy adrift.
Dangerous to navigation.
Position: latitude: _ _ _ _ S longitude: _ _ _ _ W
OVER
O que cai mais: a contagem de repetições (três para os três sinais) · a ordem dos campos do MAYDAY (chamada 3+1+3 → mensagem de cinco campos) · o recibo com RECEIVED entre dois MAYDAY · as prioridades 1-2-3 · e o par canal 16 (chamada) × canal 13 (mensagem) na segurança.