A siglaGMDSS = Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança. Substituiu o esquema antigo, baseado em escuta rádio contínua e operação navio a navio.
As duas datas que abrem e fecham a transição: as emendas de 1988 à SOLAS entraram em vigor em 1º de fevereiro de 1992, e o GMDSS foi totalmente implantado em 1º de fevereiro de 1999.
Linha do tempo enxuta1959 IMO criada · 1972 estudo das comunicações por satélite com apoio do CCIR (hoje ITU-R) · 1973 a IMO revisa a política de socorro para incorporar satélite e alertas automáticos · 1979 estabelecida a Organização INMARSAT, adotada a Convenção SAR 1979 e decidido, na 11ª Assembleia, criar o novo sistema · WARC Mob-83 e 87 adotam frequências, procedimentos e requisitos de operadores · 1988 Conferência GMDSS adota as emendas à SOLAS.
Por que o sistema antigo não servia. Definido no Capítulo IV da SOLAS/1974, seu alcance era o das comunicações em MF — entre 50 e 300 a 400 milhas náuticas. Navio fora do alcance MF de uma estação costeira não seria escutado por ela.
| Subsistema manual antigo | Frequência | A quem se aplicava |
|---|---|---|
| Telegráfico Morse | 500 kHz | Todos os navios de passageiros e cargueiros de AB ≥ 1600 — exigia oficial rádio qualificado em Morse |
| Radiotelefônico | 2182 kHz e 156,8 MHz | Navios de passageiros e cargueiros de AB ≥ 300 |
O que destravou tudo: satélite + chamada seletiva digital (DSC) permitiram transmitir e receber automaticamente um alerta a longa distância, sem depender do oficial Morse.
| Prazo | Exigência |
|---|---|
| Navios construídos após 1º/2/1992 | Transponder radar e equipamentos VHF em radiotelefonia para embarcações de sobrevivência |
| Até 1º/8/1993 | Todos os navios: receptor NAVTEX e EPIRB satélite |
| Navios construídos antes de 1º/2/1992 — até 1º/2/1995 | Transponder radar e equipamentos VHF em radiotelefonia para embarcações de sobrevivência |
| Navios construídos após 1º/2/1995 | Cumprimento integral dos requisitos do GMDSS |
| Até 1º/2/1995 | Todos os navios: pelo menos um radar com operação na faixa de 9 GHz |
| Até 1º/2/1999 | Todos os navios: cumprimento integral dos requisitos do GMDSS |
Emendas que acrescentaram requisitos1995 — painel de alerta e alarme na posição de manobra dos navios de passageiros, com comunicação com aeronaves SAR em 121,5 MHz e 123,1 MHz. 1998 — atualização automática da posição na transmissão do alerta e registro das identidades GMDSS pelos governos. 2004 — teste anual obrigatório das EPIRB satélite.
Antes do cronograma formal, as emendas de 1988 já recomendavam NAVTEX, EPIRB satélite e SES; alguns países europeus dispensaram o oficial rádio nos navios com NAVTEX. A EPIRB em VHF aeronáutico havia sido introduzida em 1983, e o GMDSS recomendou aceitar as novas EPIRB satélite como equivalentes.
Depois de 19992002 — cai a obrigatoriedade do receptor de escuta em radiotelefonia e da escuta permanente em 2182 kHz; SART na proporção de um transponder radar para cada quatro balsas em navios Ro-Ro; novo Capítulo XI introduz o SSAS. 2000 — AIS (faixa VHF) no Capítulo V. 2006 — LRIT. 2007 — AIS-SART como alternativa ao SART; "transponder radar" vira dispositivos de localização para busca e salvamento; uso a partir de janeiro de 2010.
O canal 16 não morreu. A data de término proposta em 1998 (1º de fevereiro de 2005) não foi adotada; em 2004 concluiu-se que a escuta deve continuar, para dar canal aos navios não SOLAS e canal passadiço a passadiço aos navios SOLAS.
Os equipamentos exigidos a bordo são determinados, em princípio, pela área marítima em que o navio opera. Em todas as áreas, exige-se disponibilidade contínua para alertas.
| Área | Cobertura definida na fonte | Alcance aproximado |
|---|---|---|
| A1 | Dentro da cobertura radiotelefônica de, no mínimo, uma estação costeira em VHF, com alerta permanente por DSC disponível, como definido pela administração nacional | Cerca de 20 a 50 milhas náuticas da estação costeira |
| A2 | Excluindo A1: dentro da cobertura radiotelefônica de, no mínimo, uma estação em MF, com alerta permanente por DSC disponível | Cerca de 50 a 250 milhas náuticas da estação costeira |
| A3 | Excluindo A1 e A2: dentro da cobertura de um satélite geoestacionário INMARSAT, com alerta permanente disponível | Aproximadamente entre 70° N e 70° S |
| A4 | Área que fica fora das áreas A1, A2 e A3 | — |
As definições são excludentes por escrito. A2 já nasce "excluindo a área A1"; A3, "excluindo as áreas A1 e A2"; A4 é o resto. Trocar o par VHF/A1 por MF/A2, ou colar as milhas de A2 em A1, é a troca mais barata que a banca faz.
RegraDe acordo com a SOLAS, todo navio, quando no mar, deve ser capaz de cumprir estas nove funções.
| # | Função de comunicações |
|---|---|
| 1 | Transmissão de alerta de socorro navio-terra por pelo menos dois métodos, separados e independentes, cada um usando serviços de radiocomunicações diferentes |
| 2 | Recepção de alerta de socorro terra-navio |
| 3 | Transmissão e recepção de alerta de socorro navio-navio |
| 4 | Transmissão e recepção de comunicações coordenadas de busca e salvamento |
| 5 | Transmissão e recepção de comunicações na cena de ação |
| 6 | Transmissão e recepção de sinais para localização |
| 7 | Transmissão e recepção de informações de segurança marítima |
| 8 | Transmissão e recepção de radiocomunicações gerais de e para sistemas ou redes baseados em terra |
| 9 | Transmissão e recepção de comunicações passadiço-passadiço |
O 1 é o único que traz número: dois métodos separados e independentes, com serviços diferentes — e ele reaparece na regra de manutenção (§ 3.3): o navio não deixa o porto sem essa capacidade.
O conceito básico do sistema: alertar rapidamente as autoridades SAR em terra e as embarcações próximas, com mínimo atraso; prover comunicações de urgência e segurança; e divulgar MSI — navegação, avisos meteorológicos e previsões.
| Letra | Função | O que a fonte fixa |
|---|---|---|
| a) | Alerta | Informação rápida e bem-sucedida de um incidente a quem pode prover ou coordenar assistência (RCC ou navio nas imediações). Deve indicar identificação e posição e, quando praticável, a natureza do incidente. Projeta-se nas três direções — navio/terra, navio/navio e terra/navio —, e o alerta inicial vai primeiro na direção navio/terra |
| b) | Comunicações coordenadas SAR | Coordenação de navios e aeronaves após o alerta, incluindo entre RCC e OSC; mensagens em ambas as direções, por radiotelefonia e radiotelegrafia de impressão direta |
| c) | Comunicações na cena de ação | Nas faixas VHF e MF designadas, entre o navio em perigo e as unidades no local |
| d) | Localização | Determinação precisa da posição do navio, embarcações de sobrevivência ou sobreviventes, por SART de 9 GHz ou AIS-SART |
| e) | Divulgação de MSI | NBDP com correção de erro FEC em 518 kHz (Serviço Internacional NAVTEX); fora dele, por EGC via INMARSAT — o SafetyNET; também em NBDP em frequências de HF |
| f) | Radiocomunicações gerais | Gerenciamento e operação do navio com impacto potencial na segurança: ordens ao comandante, reboque, reparos, substituição de cartas — inclusive em canais de correspondência pública |
| g) | Passadiço a passadiço | Segurança internavios, conduzida preferencialmente de onde o navio é manobrado, normalmente em canais de VHF, em radiotelefonia |
Os números da alínea c) e d). Aeronaves SAR na cena de ação usam normalmente 3023, 4125 e 5680 kHz, além de 2182 kHz e/ou 156,8 MHz (canal 16). O AIS-SART tem posição indicada por código de 9 dígitos iniciado sempre por 970, obtida pelo GPS do equipamento; a frequência de 121,5 MHz nas EPIRB satélite orienta as unidades SAR aéreas.
RCC × OSCRCC — unidade responsável por promover organização eficiente dos serviços SAR e coordenar as operações dentro de uma área de busca e salvamento estabelecida. OSC — a pessoa designada para coordenar as operações dentro de uma área específica.
O alerta é normalmente iniciado manualmente, e todos os alertas são certificados manualmente; a EPIRB, quando o navio naufraga, pode ser automaticamente ativada. Para não alertar toda uma extensa área, usa-se a "chamada em área", e os navios que recebem a retransmissão são requisitados a comunicar-se com o RCC participante.
Nas comunicações terrestres, a DSC forma a base para o alerta de socorro e as comunicações de segurança; a comunicação subsequente é conduzida por radiotelefonia, radioteleimpressão, ou ambas.
| Serviço | Faixa | Frequências e uso |
|---|---|---|
| a) Longa distância | HF | Faixas de 4, 6, 8, 12 e 16 MHz. Nas áreas cobertas pelo INMARSAT é alternativa ao satélite; fora delas, é o único meio de comunicação a longa distância |
| b) Média distância | MF | 2187,5 kHz — alertas e chamadas de segurança por DSC · 2182 kHz — tráfego de socorro e segurança em radiotelefonia (inclusive SAR coordenada e cena de ação) · 2174,5 kHz — tráfego por radioteleimpressão |
| c) Curta distância | VHF | 156,525 MHz (canal 70) — alertas e chamadas de segurança por DSC · 156,800 MHz (canal 16) — tráfego de socorro e segurança por radiotelefonia |
O trio de MF é o ponto de troca. 2187,5 = DSC · 2182 = voz · 2174,5 = teleimpressão. E, em VHF, 70 é o canal do DSC, 16 o da voz — nunca o contrário.
Onde estão escritasAs frequências usadas nos sistemas de comunicações do GMDSS constam do Regulamento de Radiocomunicações da ITU.
| Sistema | Segmento espacial | Faixa | Função no GMDSS |
|---|---|---|---|
| INMARSAT | Satélites geoestacionários | 1,5 e 1,6 GHz (banda L) | Provê às SES alerta de socorro e comunicações ponto a ponto (correio eletrônico, fac-símile, dados, radiotelefonia); o SafetyNET é o meio principal de MSI fora da cobertura NAVTEX |
| COSPAS-SARSAT | Satélites em órbita polar + satélites geoestacionários | 406 MHz | Usa EPIRBs satélite para prover um dos principais recursos de alerta e de determinação da identificação e da posição do navio em perigo ou seus sobreviventes |
A troca clássica de banda. INMARSAT = 1,5/1,6 GHz, banda L, geoestacionário · COSPAS-SARSAT = 406 MHz, órbita polar (mais os geoestacionários). Um faz comunicação; o outro faz localização.
Os três métodosNo GMDSS o navio não precisa ter a bordo pessoal qualificado para manutenção. Escolhe-se entre: 1) duplicidade de equipamentos · 2) manutenção em terra · 3) manutenção a bordo.
A1 e A2 — basta um dos três métodos · A3 e A4 — combinação de pelo menos dois dos três.
| Área | Equipamentos de duplicidade exigidos |
|---|---|
| A3 e A4 (regra geral) | VHF/DSC e SES INMARSAT, ou estação radiotelefônica em MF/HF com DSC e NBDP |
| A3 | Escolha entre um transceptor de MF/HF DSC ou uma SES INMARSAT |
| A4 (operação regular) | Duplicidade obrigatória com uma estação completa de MF/HF DSC |
Independentemente da área, o navio não deve deixar o porto sem ser capaz de transmitir "alerta de socorro" por, pelo menos, dois sistemas de radiocomunicações distintos e independentes.
Manutenção em terra — o armador ou o navio deve ter contrato firmado com empresa de manutenção de equipamentos eletrônicos marítimos. Manutenção a bordo — a pessoa qualificada deve estar presente no navio, com todos os instrumentos de teste e sobressalentes disponíveis durante a navegação.
Convenção SAR1979, com emendas de 1988 e 2004. Os países aderentes devem estabelecer, individualmente ou em cooperação, seis elementos básicos.
| # | Elemento básico do serviço de busca e salvamento |
|---|---|
| 1 | Embasamento legal |
| 2 | Designação da autoridade responsável |
| 3 | Organização dos recursos disponíveis |
| 4 | Facilidades de comunicações |
| 5 | Funções operacionais e de coordenação |
| 6 | Processos para melhoria do serviço, incluindo planejamento, cooperação nacional e internacional e treinamento |
O IAMSAR foi desenvolvido em conjunto por IMO e ICAO: Vol. I = organização e gerenciamento · Vol. II = coordenação da missão · Vol. III = facilidades móveis. Pela SOLAS, o navio é obrigado a ter a bordo o Volume III.
| # | Livro de Registro de Radiocomunicações — o que se registra, com a hora |
|---|---|
| 1 | Resumo das radiocomunicações de socorro, urgência e segurança |
| 2 | Incidentes significativos relacionados ao serviço de radiocomunicações |
| 3 | A posição do navio pelo menos uma vez por dia, quando apropriado |
| 4 | Resumo das condições dos equipamentos, inclusive de suas fontes de energia |
Responsabilidade do operador designado como principal responsável pelas radiocomunicações durante incidentes de socorro. Os registros ficam no local das radiocomunicações de socorro, disponíveis ao Comandante, a funcionários autorizados pela Administração e a qualquer oficial autorizado no exercício de fiscalização.
O que identificaNúmero de nove dígitos que identifica unicamente estações de navio, estações terrenas de navio, estações costeiras e chamadas em grupo de navios. Deve ser inserido nos recursos do GMDSS do navio SOLAS (EPIRB e DSC) — e os não-SOLAS com recursos GMDSS também devem inseri-lo.
Os três primeiros dígitos indicam a área geográfica do país responsável — o MID. O MID do Brasil é 710.
| Formato | Estrutura de dígitos | Exemplo (Brasil) |
|---|---|---|
| Navio | M1 I2 D3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 | 710325000 |
| Estação costeira | 0 0 M3 I4 D5 X6 X7 X8 X9 | 007100003 |
| Grupo de navios | 0 M2 I3 D4 X5 X6 X7 X8 X9 | 071050325 |
A contagem de zeros é o gabarito: navio = nenhum zero à frente · grupo = um zero · estação costeira = dois zeros. O MID desliza para a direita na mesma medida.
Navio SOLAS, para o GMDSSNavio de carga de AB ≥ 300 em viagens internacionais ou em mar aberto; e todo navio de passageiros transportando mais de doze passageiros, em viagens internacionais ou em mar aberto.
Os MMSI constam das publicações da ITU: Lista de Estações de Navio e Lista de Estações Costeiras e das estações que efetuam serviços especiais.
OrigemIdeia nascida na IMO em 1966; em 1976 uma conferência adota, por unanimidade, a Convenção e o Acordo de Operação da Organização Internacional de Satélites Marítimos. Em 1994 o nome muda para Organização Internacional de Satélites Móveis, mantida a sigla. Intergovernamental em 1979, quase totalmente privatizada em 1999, reestruturação concluída em 2001 — a residual, hoje IMSO, com 87 países.
O sistema abrange três componentes: o segmento espacial (INMARSAT), as CES — estações terrenas costeiras, providas pelos signatários — e as SES, estações terrenas de navio. O centro vital é o NCC, no Reino Unido, que opera 24 horas por dia; os PSA comissionam SES a pedido do armador.
Segmento espacialQuatro satélites geoestacionários a cerca de 36.000 km acima do equador, cobrindo quatro regiões oceânicas: AOR-E (Atlântico Leste), AOR-W (Atlântico Oeste), IOR (Índico) e POR (Pacífico), com satélites reservas prontos para entrar em operação.
| CES — antena e frequências | Valor da fonte |
|---|---|
| Diâmetro da antena parabólica | Cerca de 11 a 14 m |
| Transmissão ao satélite | 6 GHz |
| Recepção | 4 GHz |
| Banda L — transmissão da rede de controle de sinais | 1,6 GHz |
| Banda L — recepção da rede de controle de sinais | 1,5 GHz |
Os dois pares que se invertem. Na parabólica, 6 sobe e 4 desce; na banda L, 1,6 sobe e 1,5 desce. Em ambos, a transmissão usa o número maior.
NCSUma CES em cada região oceânica é designada NCS para cada serviço de comunicações (telefonia, telex etc.): designa os canais em demanda para as CES e SES da região e monitora os sinais transmitidos por elas.
Quais servem ao GMDSSAs exigências para as SES no GMDSS podem ser supridas por INMARSAT B, INMARSAT C e INMARSAT Fleet F77.
| SES | Números da fonte | O que faz |
|---|---|---|
| INMARSAT B | Antena de 0,85 a 1,2 m; lançado em 1993; retirado de operação em 31 de dezembro de 2014; dados de 9,6 a 64 kbps | Primeiro serviço marítimo digital, substituiu o analógico INMARSAT A. Duas partes: ADE (acima do convés — antena estabilizada, amplificador de potência e de baixo ruído em banda L, duplicador, cobertura de proteção) e BDE (abaixo do convés). Provê voz, telex, fax e dados |
| INMARSAT C | 600 bits/segundo | Terminais leves, comunicação nas duas direções, sem capacidade de radiotelefonia; antena onidirecional e baixa potência; opera mesmo com o navio bastante adernado; serve de reserva e como equipamento em embarcações de sobrevivência. Traz gerador de alerta de socorro embutido. As novas mini C têm menor consumo mantendo todos os serviços |
| Fleet 77 | Dados de até 128 kbps; ADE de 0,85 a 1,32 m; quatro níveis de prioridade | Serviço marítimo mais avançado: voz, fac-símile de alta velocidade e dados. Prioridades socorro, urgência, segurança e rotina, nas duas direções — contra dois níveis nos primeiros serviços INMARSAT |
Fleet 77 desliga os dados. Os serviços de dados são prioridade de rotina e são desligados se uma chamada de voz ou de prioridade mais alta for iniciada.
| Classe SES INMARSAT C | Capacidade |
|---|---|
| Classe 1 | Troca de mensagens navio-terra e terra-navio e transmissão de "alerta de socorro"; sem capacidade de receber mensagens pelo EGC |
| Classe 2 | Dois modos selecionáveis pelo operador: como a Classe 1 e também EGC quando não engajada em tráfego INMARSAT C; ou pronta para recebimento exclusivo de EGC |
| Classe 3 | Dois receptores independentes: um para o tráfego INMARSAT C, outro para mensagens EGC |
O receptor EGC é componente exclusivo do equipamento, para recepção contínua de MSI do SafetyNET e de mensagens comerciais do FleetNET; é exigido no GMDSS para navios que naveguem fora da cobertura do NAVTEX internacional. E somente as SES INMARSAT C podem receber as radiodifusões SafetyNET de MSI.
Navio/terraQualquer SES inicia mensagem de "solicitação" com prioridade de socorro, reconhecida automaticamente pela CES, com designação instantânea de canal; se todos estiverem ocupados, um é pré-adquirido e alocado. Processamento inteiramente automático, sem intervenção humana — mas o pessoal da CES é notificado por alarmes áudio e visual desarmados apenas manualmente. O botão de socorro transmite a mensagem prioritária com conexão automática, direta e assegurada, eliminando a necessidade de discar o número do RCC.
| Terra/navio — modo | Alcance |
|---|---|
| a) Chamadas para todos os navios | Todos os navios da região oceânica interessada; pouco eficiente pelas largas zonas dos geoestacionários, mas justificável em circunstâncias excepcionais |
| b) Chamadas em área geográfica | Navios numa área definida; cada região é subdividida em NAVAREAS, cada uma com código de acesso de dois dígitos |
| c) Chamadas em grupo para navios selecionados | Por CES em modo operador-assistido, para grupo predeterminado — por exemplo, unidades SAR |
Os sete serviços do INMARSAT1 Telefonia · 2 Telegrafia de impressão direta · 3 Comunicações de dados · 4 Correio eletrônico · 5 Transmissão de fac-símile · 6 Televisão de baixa varredura · 7 Coleta automática de informações dos navios.
Não são cobradas as transmissões de: tráfego de socorro navio-terra e terra-navio; avisos urgentes de perigo de navegação e meteorológicos navio-terra; e assistência médica para pessoas em perigo grave ou iminente.
| IMN — nove dígitos | Estrutura | Detalhe |
|---|---|---|
| INMARSAT B, C e M | E1 M2 I3 D4 X5 X6 X7 X8 X9 | E1 = dígito do equipamento: B = 3 · C = 4 · M = 6. M2 I3 D4 = MID, dígito do país. X5–X9 = identificação do navio |
| Fleet 77 | T1 T2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 | Dígito duplo T: 60 = dados em 56, 64 ou 128 kbps · 76 = voz, fax e dados em 9,6 kbps. X3–X9 = dígitos aleatórios, definidos pelo consórcio e distribuídos em pacotes aos PSA |
Os exemplos brasileiros denunciam o dígito inicial: INMARSAT C a bordo de navio brasileiro — 471012000 (o 4 é o C, o 710 é o Brasil); Fleet 77 para voz — 768951012 (o 76 é voz/fax/dados a 9,6 kbps). Trocar 60 por 76 muda o serviço, não o país.
OrigemMemorando de Entendimento de 1979 entre agências da antiga União Soviética, Estados Unidos, Canadá e França; declarado operacional em 1985; em 1988 os quatro Estados disponibilizaram o segmento espacial e assinaram o acordo do Programa Internacional COSPAS-SARSAT, aberto a todos os Estados.
O sistema é designado para localizar balizas de socorro que transmitem em 406 MHz, servindo organizações SAR no mar, no ar ou em terra. Todo navio sujeito à SOLAS/1974 deve conduzir obrigatoriamente uma EPIRB satélite de flutuação livre em 406 MHz.
| Tipo | Significado | Campo de uso |
|---|---|---|
| ELT | Transmissor localizador de emergência | Aéreo |
| EPIRB | Baliza radioindicadora de posição em emergência | Marítimo |
| PLB | Baliza localizadora de pessoas | Terrestre |
A cadeia, na ordemBaliza → satélite retransmite → LUT (terminal local do usuário) determina a posição → MCC (centro de controle da missão) → RCC nacional, outro MCC ou autoridade SAR apropriada.
| LEOSAR | GEOSAR | |
|---|---|---|
| Órbita | Polar de baixa altitude | Geoestacionária |
| Quantos o consórcio mantém | Quatro (dois COSPAS, dois SARSAT) | Cinco — GOES (EUA), INSAT (Índia) e MSG (EUMETSAT) |
| Altitude | COSPAS ~1000 km · SARSAT ~850 km | — |
| Como localiza | Efeito Doppler — movimento relativo entre satélite e baliza | Não calcula a posição por si; só quando ela vem codificada na mensagem (GPS-EPIRB) |
| Cobertura | Faixa de ~6000 km de largura; atravessa o céu em ~15 minutos; órbita completa em ~100 minutos a 7 km/s | Global exceto nas regiões polares; alerta quase imediato com a identidade da baliza |
| Fraqueza | Espera pela passagem do satélite | Mais suscetível a obstruções, por não haver movimento relativo contínuo |
Os números do tempo, com os quatro LEOSAR. Tempo médio para um satélite avistar a baliza: 45 minutos — podendo estender-se por outros 45 até a retransmissão a um LUT. Em meia rotação da Terra (12 horas), qualquer local é coberto.
A ambiguidade do Doppler. A localização provê duas posições: a verdadeira e sua imagem espelhada em relação ao acompanhamento terrestre do satélite. Resolve-se por cálculos que levam em conta a rotação da Terra; com estabilidade de frequência suficiente, como a das balizas de 406 MHz, a solução verdadeira sai numa única passagem. Melhorias futuras preveem satélites em órbita terrestre média — GPS (EUA), GLONASS (Rússia) e GALILEO (Europa).
| Modo de cobertura LEOSAR | Como funciona |
|---|---|
| Tempo real | O satélite mede a mudança Doppler e recolhe os dados digitais da baliza, e a informação rotulada no tempo é transferida a qualquer LUT no campo de visão — cada LUT cobrindo raio de ~3000 km. Os dados também ficam armazenados na memória do satélite |
| Cobertura global | O sistema em 406 MHz armazena os dados a bordo dos LEOSAR para futura transmissão e recepção pelas LEOLUT: a EPIRB pode ser localizada por todas as LUT em operação, obtendo-se cobertura mundial |
Opera em duas frequências: 121,5 e 406 MHz — a de 121,5 MHz serve para orientar as unidades SAR equipadas para recebê-la, inclusive aeronaves que a sobrevoem (homing). Não confundir: quem localiza pelo satélite é a de 406.
| # | Característica técnica |
|---|---|
| 1 | Podem ser ativadas manual ou automaticamente |
| 2 | Transmitem pulsos em RF com duração aproximada de 0,5 seg. a cada 50 seg. |
| 3 | Potência de transmissão: 5 Watt |
| 4 | À prova d'água até cerca de 10 m de profundidade |
| 5 | Vida da bateria: cerca de 48 horas (em função da classe); cerca de 100 horas a +20 °C |
| 6 | Suportam vento até 100 nós |
| 7 | Luz estroboscópica branca que emite 52 lampejos/minuto |
Duas profundidades diferentes, e a banca as troca. À prova d'água até 10 m · dispositivo hidrostático de liberação automática até 4 m. Uma é resistência; a outra é acionamento.
O baixo ciclo de emissão (0,5 s a cada 50 s) é o que permite ao sistema processar simultaneamente 90 balizas no campo de visão do satélite, com baixo consumo de energia. A mensagem codificada informa o país de origem e a identificação do navio ou aeronave; com o protocolo de localização marítima (GPS), a posição sai como se fosse pelos próprios equipamentos de navegação do navio.
| Classificação | Categoria / Classe | Definição |
|---|---|---|
| Modo de ativação | Categoria I | Ativada automaticamente em contato com a água, podendo ser ativada manualmente, no suporte ou fora dele |
| Categoria II | Ativada manualmente quando retirada do suporte; em alguns modelos, também automaticamente em contato com a água | |
| Temperatura de operação | Classe I | Climas frios extremos — mínimo de 48 horas a -40 °C |
| Classe II | Climas mais temperados — mínimo de 48 horas a -20 °C |
Categoria é ativação; Classe é temperatura. Ambas usam algarismos romanos I e II — é aí que se erra. E o fiel da EPIRB é para os sobreviventes a prenderem a balsa, embarcação de sobrevivência ou pessoa na água: não deve ser usado para prendê-la ao navio, pois assim ela não será automaticamente liberada. A bordo, a EPIRB de flutuação livre fica nos conveses abertos próximos ao passadiço.
A bordo do satéliteDois subsistemas básicos: receptor/processador de 406 MHz com unidade de memória, e transmissor de conexão de descida em 1544,5 MHz. O pacote de sinal é transmitido a 2400 bits/segundo no modo tempo real, e armazenado no mesmo formato e velocidade para o modo cobertura global.
| LUT | Constelação | O que a fonte fixa |
|---|---|---|
| LEOLUT | LEOSAR | Canal SARP (406 MHz) — dados parcialmente processados pelo satélite (identificação, hora de transmissão, frequência recebida por pulso) e, graças à memória interna, cobertura global (ainda não contínua). Canal SARR (406 MHz) — retransmite imediatamente, sem memória, só modo tempo real, exigindo que baliza e LEOLUT sejam vistos simultaneamente; todo o processamento fica no próprio LEOLUT |
| GEOLUT | GEOSAR | Recebe e processa os sinais das balizas de 406 MHz retransmitidos pelos geoestacionários. Não determina a localização por processamento Doppler — o satélite está parado em relação à baliza; a grande cobertura contínua permite alerta quase instantâneo em grandes áreas |
A lista que a fonte não termina. "Um GEOLUT consiste nos seguintes componentes: antena e subsistema de radiofrequência; subsistema de referência de tempo; e — a enumeração é interrompida pela quebra de página. O(s) componente(s) restante(s) não constam do trecho disponível: não complete de cabeça.
| Instalação no Brasil | Quantos | Onde |
|---|---|---|
| LEOLUT | três | Manaus, Recife e Brasília — Comando da Aeronáutica, nos CINDACTA |
| GEOLUT | dois | Recife e Brasília, nos CINDACTA |
| MCC | um — o BRMCC | Brasília, Comando da Aeronáutica, no CINDACTA I |
O que o MCC fazInstalado em cada país, operando com pelo menos um LUT: coletar, armazenar e classificar os dados dos LUT e de outros MCC, prover troca de dados no sistema e encaminhá-los aos RCC. Os dados são de dois tipos: a) informação de alerta — derivada das EPIRB (posição e dados de identificação); b) informação do sistema — dados tabulados para determinar posição das balizas, estado dos subsistemas e coordenação das mensagens.
| Parâmetro de desempenho | Valor | Definição na fonte |
|---|---|---|
| Probabilidade de detecção da EPIRB | 98% | O LUT detectar, na primeira aquisição pelo satélite, pelo menos uma mensagem com o código protegido correto |
| Probabilidade de localização da EPIRB | 98% | Detectar e decodificar pelo menos quatro pulsos de mensagens individuais durante uma única passagem |
| Precisão da localização (LEOSAR) | 90% dentro de 2,3 milhas náuticas (cerca de 5 km) | Diferença entre a localização calculada por Doppler e a posição real. No GEOSAR, com GPS-EPIRB, chega a cerca de 0,05 milhas náuticas (cerca de 100 m) |
| Probabilidade de resolução de ambiguidade | 95% | Selecionar a localização "real" em vez da "imagem espelhada" |
| Capacidade | 90 | EPIRB na mesma visão do satélite processadas simultaneamente |
| Tempo de notificação | De uma a duas horas | Da ativação até a recepção de mensagem válida por um RCC: 1 hora em altas latitudes a cerca de 2 horas no equador — média de 44 minutos na passagem do primeiro satélite e 43 minutos para processamento e transmissão |
Os dois 98% não são a mesma coisa: detecção = uma mensagem na primeira aquisição · localização = quatro pulsos numa única passagem. E não confundir 95% (ambiguidade) com os 98%, nem os 45 minutos da espera do satélite com os 44 e 43 minutos do tempo de notificação.
Registro da baliza. A informação é crucial para o sucesso da missão SAR e deve estar sempre disponível às autoridades. Cada baliza é unicamente identificada, com registro baseado nos seus 15 caracteres hexadecimais, podendo incluir o MMSI do navio, o indicativo de chamada ou o número de série.