🧭 MMPH · Cap.10 — Os Princípios do Comércio Marítimo

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Stopford, Economia Marítima 3ed · VII.09-CG · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Cap.9 mostrou onde a carga se move; este pergunta por que. Comércio marítimo: 0,55 bt (1950) → 7,2 bt (2005), média 4,8%/ano — o maior rearranjo desde a Revolução Industrial. Transporte marítimo é demanda derivada: a explicação está na economia mundial.

Escada lógica: quem comercializa por que (teoria do comércio) como muda (ciclos) papel do transporte.

Crescimento começou em 1944, Bretton Woods (estabilidade econômica). 3 avanços: ① mundo abriu-se ao comércio livre (fim dos impérios; URSS 1989; China 1990) · ② comunicações melhoraram · ③ transporte ficou mais barato.
  • 1986–2005: comércio marítimo cresceu 3,6%/ano (~igual ao PIB). Mas varia muito: rocha fosfática −2,1%, GNL +6,8%, conteinerizada +9,8%/ano.
  • O economista marítimo vê diferente: foco em quantidade física (não valor), composição detalhada e regiões geográficas (não Estados).
  • Protecionismo (tarifas/cotas) ↔ comércio livre (defendido pela WTO). Hume atacou o mercantilismo em 1752; Corn Laws abolidas em 1847.
Fig. 10-1
Fig. 10-1 — O comercio maritimo e o sistema de transportes. Diagrama de fluxo: a esquerda as materias-primas embarcadas por via maritima para as empresas de processamento; no centro o montador; a direita atacadista, varejista e consumidor. Cada seta indica uma operacao de transporte — a queda do custo de transporte abriu novas oportunidades de producao com multiplas viagens. Fonte: Martin Stopford (2007).
Quem~100 países; os 40 maiores = 89% do comércio. Topo (2004): noroeste europeu 1,91 bt, EUA 1,31 bt, Oriente Médio 1,23 bt, China 0,998 bt.
Balança (Fig. 10.2)Esquerda da diagonal (importam mais): ricos/povoados, pobres em recursos (Europa, EUA, Japão, China). Eixo horizontal (exportam mais): ricos em recursos, baixa demanda (Oriente Médio, Austrália).
VariávelPoder explicativo
PIB/PNB (riqueza)R² = 71% — o principal motor
Área terrestreQuase nula (só via recursos)
PopulaçãoCorrelação 0,2 — sem valor
Fig. 10-3
Fig. 10-3 — Importacoes maritimas e PIB (2004). Grafico de dispersao das importacoes das 40 nacoes contra o PIB (US$ bilhoes), com a reta de regressao e o detalhe 'Regression of imports on GDP': y = 0,1105x + 60,199, R2 = 0,7118 (forte correlacao, 71%; as importacoes comecam quando o PIB atinge ~US$ 60 bi e crescem ~110.500 t por +US$ 1 bi de PIB). Eixo Y '000 toneladas 0-1.200, X 0-12.100. Fonte: Boletim Mensal das Nacoes Unidas e Banco Mundial. [Rotulos do original em ingles.]

Transporte marítimo é, sobretudo, um fenômeno econômico. China tem 10× a população do Japão, mas em 2004 importou 25% menos carga.

Fig. 10-2
Fig. 10-2 — Importacoes e exportacoes por via maritima (2004). Grafico de dispersao das 40 nacoes: importacoes no eixo vertical, exportacoes no horizontal (em '000 toneladas); a linha tracejada diagonal marca o comercio equilibrado. A esquerda da diagonal, paises populosos e ricos pobres em recursos (Europa Ocidental, EUA, Japao, China, Coreia do Sul); ao longo do eixo horizontal, areas ricas em recursos com baixa demanda (Oriente Medio, Australia, costa leste da America do Sul). Fonte: Boletim Mensal de Estatistica das Nacoes Unidas.
Comércio ocorre porque alguém lucra com ele — em geral pela diferença de custos (produto estrangeiro mais barato que o local, mesmo após frete + tarifas). TR = f(pi, pj, Tij, Fij): comércio entre i e j depende dos preços, tarifas e frete.
#Razão
1Divergências nos custos de produção (um país fabrica mais barato)
2Diferenças nos recursos naturais (não realocáveis; espinha dorsal do granel)
3Desequilíbrios temporários (escassez/excedente local nos ciclos)

Primários = modelo simples (disponibilidade) → granel. Manufaturados = complexo (cruzam o mundo várias vezes) → carga geral. Especializadas = entre os dois.

Vantagem absoluta (Adam Smith)

Países ficam melhor se se especializarem, trocando excedentes — a especialização os torna mais produtivos e usa os recursos do mundo com mais eficiência. "Se um país estrangeiro fornece mais barato, é melhor comprar."

Vantagem comparativa (Ricardo, 1817)

O comércio é benéfico mesmo quando um país é mais eficiente em tudo: cada um se especializa no produto em que é comparativamente mais eficiente → produção conjunta aumenta.

O comércio livre tem perdedores: proprietários de terra ingleses (Corn Laws), indústria pesada europeia nos 1970–80 — efeitos colaterais que alimentam o protecionismo.

Fig. 10-4
Fig. 10-4 — Importacoes por via maritima e a area terrestre (2004). Grafico de dispersao das importacoes contra a area terrestre (milhoes de hectares), com a reta de regressao e o detalhe 'Regression of imports on area': y = 0,1491x + 120,4, R2 = 0,0482 (praticamente sem correlacao entre area e comercio). Paises pequenos com importacoes altas (Europa Ocidental, Japao, Coreia, Espanha) no alto-esquerda; paises grandes com importacoes baixas (Oriente Medio, Australia, Indonesia) a direita. Eixo Y 0-1.200, X 0-1.000. Fonte: Boletim Mensal das Nacoes Unidas. [Rotulos do original em ingles.]

Teorias modernas (Porter)

Vantagem comparativa também vem do conhecimento: um cluster de empresas especializadas desenvolve vantagem e a explora globalmente (processo cumulativo, difícil de entrar). Variante por diferenciação de produto (gostos diferentes entre países).

Heckscher-Ohlin (anos 1920)

Países têm dotações diferentes de fatores (terra, trabalho); substituir um fator por outro derruba a produtividade → diferenças de custo. Cada país exporta o que é intensivo no fator de que é bem dotado.

3 condições (Winters): ① rendimentos constantes à escala (ambos os fatores) mas decrescentes p/ um fator isolado · ② produtos diferem nas necessidades de insumos · ③ dotações relativas diferentes.

Fig. 10-5
Fig. 10-5 — Comercio maritimo e a populacao (2004). Grafico de dispersao das importacoes contra a populacao (milhoes), com a reta de regressao e o detalhe y = 0,5931x + 97,784, R2 = 0,2074 — correlacao muito fraca, quase nenhum valor explicativo (a China tem ~10x a populacao do Japao mas importou menos carga em 2004). Eixo Y 0-1.200, X 0-1.300. Fonte: Banco Mundial e Boletim Mensal das Nacoes Unidas. [Rotulos do original em ingles.]

Modelo oferta-demanda · elasticidades

Bem (elasticidade-renda)Comportamento
Inferior (< 0)Renda sobe → demanda cai (pão trocado por carne)
1ª necessidade (0 a 1)Demanda sobe mais devagar que a renda
Luxo (> 1)Demanda sobe mais rápido que a renda
Equação de Slutsky: elasticidade-preço = efeito de substituição (troca por outra mercadoria) + efeito de renda (variação real da renda). Petróleo: 1973 dominou o efeito de renda (sem alternativa → recessão); 1979 dominou a substituição (trocou-se por carvão/gás → comércio caiu).

Demanda derivada · RTS

Demanda de matéria-prima é derivada dos produtos finais. Taxa de substituição técnica (RTS) = limite de troca entre insumos com a tecnologia atual: 1973 RTS pequeno (usinas só a petróleo); 1979 RTS grande (equipadas p/ carvão/gás).

Armadilhas: construção de estoques (aço japonês parou em 120 mt × 180 mt planejados) e substituição (sucata no lugar do minério).

3 níveis de ciclo: sazonais · curto prazo (ciclo do comércio internacional) · ondas longas (mudanças estruturais).

Fig. 10-6
Fig. 10-6 — Ciclos trimestrais na demanda mundial de petroleo. Grafico de serie temporal (2002-2007) da demanda trimestral em milhoes de barris/dia (0-eixo 74-88): flutuacoes sazonais de 2-4 milhoes de bpd que geralmente atingem o pico no primeiro trimestre, quando se constroem estoques para o inverno do hemisferio norte; a curva de tendencia (preta) sobe ao longo do periodo. O momento dos picos varia de ano para ano. Fonte: AIE Monthly Oil Market Report. [Rotulos do original em ingles.]

Longo prazo — os nove setores (ISIC)

PIB é o motor de longo prazo: ~104.300 t por US$ 1 bi extra de PIB. Setores de bens físicos (agricultura, mineração, indústria, construção) movem carga; serviços, atacado/varejo, transporte: quase nada.

Conforme o país amadurece, a atividade migra de indústria p/ serviços → o crescimento do comércio abranda. Coreia: agricultura de 1970 caiu p/ 3%; importações dispararam a 11%/ano. Lei de Engel (Maizels): renda baixa = alimentos/têxteis dominam; depois cedem a metais/químicos.

Estágios de Rostow (5)

EstágioComércio marítimo
1. TradicionalQuase nenhum
2. Pré-condiçõesPequeno, mas em rápido crescimento
3. ArranqueMuda o comércio; novos requisitos de importação
4. MaturidadeImportações de matéria-prima expandem; manufaturados dominam exportações
5. Consumo em massaPopulação migra p/ serviços

Ciclo de desenvolvimento do comércio (Fig. 10.8)

Forma depende dos recursos: economia rica em recursos (curva B) posterga importações até esgotar os domésticos (EUA, petróleo após 1970); pobre em recursos (curva A) importa cedo. As curvas reais (Europa, Japão, China) são surpreendentemente parecidas. Não é lei — cada país tem o seu.

Fig. 10-7
Fig. 10-7 — Mudancas estruturais no PIB da Coreia do Sul (1970-2006). Grafico de serie da participacao de cada setor no PIB ('% output % GDP expenditure', 0-40%) ao longo do ciclo de desenvolvimento: a agricultura cai de ~27% para ~3%, a industria transformadora sobe e estabiliza em ~25% (pico em meados dos anos 1980), as outras atividades/servicos continuam a aumentar sua participacao de mercado, a construcao em torno de 5-11%. Fonte: Base de dados estatistica das Nacoes Unidas. [Rotulos do original em ingles.]
Curto prazo: demanda inelástica (carga no cais, só o navio). Longo prazo: volumes elásticos ao preço — frete menor estimula substituir produto local por estrangeiro mais barato (televisor da Malásia × País de Gales). O tráfego de linha tende a ser elástico ao preço.

Economias de escala (Tab. 10.5)

tpbUS$/tpb·ano
30.000 (Handy)185
72.000 (Panamax)109
170.000 (Capesize)66
#Conclusão sobre economias de escala
1Navios maiores sempre mais econômicos (cet. par.)
2Economias muito menores nas rotas curtas que nas longas
3Curta distância: projeto deve focar o manuseio da carga
4Dimensão depende de haver carga suficiente p/ encher os maiores

Economias diminuem conforme o navio cresce: 30→46 mil tpb economiza US$ 4,09/tpb; Panamax→Capesize (+100 mil tpb) só US$ 3,94/tpb. Pressão p/ crescer é maior nas dimensões pequenas.

  • Explicador dominante do volume = atividade econômica (PNB); área/recursos pouco (~¼); população sem valor. Comércio caminha com o crescimento econômico, modificado pelos recursos naturais.
  • Teoria: vantagem absoluta (Smith) → especialização melhora a vida; comparativa (Ricardo) → beneficia mesmo o menos eficiente; Heckscher-Ohlin → distribuição dos fatores; modelo oferta-demanda + Slutsky = ferramenta de previsão.
  • O comércio de um país muda no tempo (9 setores; estágios de Rostow); estágios iniciais = granel (infraestrutura), maturidade = linhas regulares (componentes/acabados).
Fig. 10-8
Fig. 10-8 — Ciclo de desenvolvimento do comercio maritimo. Diagrama esquematico com os cinco estagios de Rostow no eixo X (Estagio 1 sociedade tradicional, 2 pronta para o arranque, 3 fase de arranque, 4 maturidade, 5 consumo em massa) e o eixo Y de 'economia subdesenvolvida' a 'crescimento de valor agregado'. Curva A (cheia, 'crescimento intensivo em recursos', pontos de inflexao 1a->2a): economia pobre em recursos importa cedo; curva B (tracejada, ponto 1b): economia rica em recursos posterga o surto de importacoes de materias-primas ate esgotar os recursos domesticos. Para o setor de navegacao, a questao-chave e o momento dos dois pontos de inflexao. Fonte: Martin Stopford (2007). [Rotulos do original em ingles.]