CG Cap. 10 — Os Princípios do Comércio Marítimo

1. Visão geral — o que faz o comércio acontecer

Se o Capítulo 9 mostrou onde a carga se move, este capítulo pergunta por que ela se move. O comércio marítimo cresceu de 0,55 bilhão de toneladas em 1950 para 7,2 bilhões de toneladas em 2005, a uma média de 4,8% ao ano — o maior rearranjo econômico desde a Revolução Industrial. O objetivo do capítulo é entender o que dirige essa mudança, porque quem planeja serviços de linha, especializa-se em transporte industrial, constrói navios ou financia frotas precisa antecipar o que move o comércio. Como o transporte marítimo é uma demanda derivada, a explicação está escondida na economia mundial.

Epígrafe do capítulo. "Um reino que tem grandes importações e exportações deve ter uma indústria mais abundante [...]. É, portanto, mais poderoso, bem como mais rico e mais feliz." (David Hume, Ensaio do Comércio, 1752.)

O capítulo segue uma escada lógica: primeiro descreve quem comercializa (os países e o que explica seus volumes), depois por que comercializam (a teoria do comércio: vantagem absoluta, comparativa, Heckscher-Ohlin), em seguida como o comércio muda (oferta-demanda, ciclos, o ciclo de desenvolvimento) e por fim o papel do próprio transporte (elasticidade-preço e economias de escala).

Fonte: STOPFORD, M. Economia marítima. 3. ed. Trad. Léo Tadeu Robles e Ana Cristina F. C. P. Casaca. São Paulo: Blucher, 2017. Parte 4, Cap. 10 — Os princípios do comércio marítimo.

Edital: Anexo 2-A, item 7.4.2 (Economia Marítima e Amazônia Azul → Comércio marítimo e sistemas de transporte → Os princípios do comércio marítimo) · Anexo 2-B, item 9, Parte 4, Cap. 10 (Stopford).

2. Os elementos fundamentais do comércio marítimo (§10.1)

2.1 Bretton Woods e os três avanços

O crescimento do comércio começou em 1944, na conferência de Bretton Woods, que deu estabilidade econômica para empresas e investidores operarem livremente pelo mundo. Três avanços sustentaram esse crescimento: o mundo abriu-se ao comércio livre (desmantelamento dos impérios europeus nos anos 1950, fim da União Soviética em 1989, abertura da China em meados dos anos 1990); as comunicações melhoraram (telex, telefone, fax, e-mail, internet, cabos de banda larga); e o transporte ficou mais barato, abrindo aos cantos remotos do mundo o acesso aos mercados. A queda do custo de transporte deu origem ao sistema da Figura 10.1: à esquerda as matérias-primas, no centro as montadoras e à direita atacadistas e varejistas, com o navio ligando todos.

Fig. 10-1
Fig. 10-1 (p. 447)

Entre 1986 e 2005, o comércio marítimo cresceu em média 3,6% ao ano, ligeiramente acima do PIB mundial (pouco menos de 3,6%). Mas a média esconde diferenças enormes por mercadoria: a rocha fosfática encolheu (−2,1% a.a.), o carvão de coque cresceu pouco (1,6%), enquanto o GNL disparou (6,8%) e a carga conteinerizada explodiu a 9,8% ao ano.

Tabela 10.1 — O comércio marítimo mundial por mercadoria, em milhões de toneladas (1986 → 2005). Fonte: Clarkson Research Services.
Mercadoria19862005% por ano
Minério de ferro3116313,8%
Carvão de coque1411911,6%
Carvão térmico1344917,1%
Grão1872732,0%
Bauxita e alumina42692,7%
Rocha fosfática4530−2,1%
Minérios secundários5557811,8%
Petróleo bruto1.0301.8483,1%
Derivados do petróleo4016722,7%
GLP22372,7%
GNL381326,8%
Carga conteinerizada*1731.0159,8%
Outra carga5559953,1%
Comércio por via marítima3.6347.1633,6%
PIB mundial (1960 = 100)2795433,6%

2.2 O olhar do economista marítimo

O economista marítimo enxerga o comércio de modo diferente do economista internacional, em três pontos. Primeiro, preocupa-se com a quantidade física de carga, não com o valor: minério de ferro brasileiro a US$ 45/t gera muita carga e pouco valor, enquanto manufaturados a US$ 20 mil/t geram muito valor e pouca carga. Segundo, interessa-se pela composição detalhada dos produtos primários, não pelas grandes categorias. Terceiro, concentra-se nas regiões geográficas (Costa Leste ou Oeste dos EUA, por exemplo), não na política dos Estados.

2.3 Protecionismo e o argumento do comércio livre

Antes de explicar o que causa o comércio, há um fato: um país que ache que o comércio não lhe convém pode fechar as fronteiras. Uma política que limita o comércio por tarifas ou cotas chama-se protecionismo ou, na forma extrema, isolacionismo. O isolacionismo de União Soviética e China moldou o comércio mundial no século passado, e a abertura dessas áreas impulsionou o crescimento. O protecionismo costuma ser movido por grupos de interesse ameaçados pela concorrência estrangeira.

Há trezentos anos, o argumento "mercantilista" contra o comércio livre dominava, e David Hume o atacou em 1752. No século XIX, na Grã-Bretanha, a luta girou em torno de permitir grão importado mais barato: os fabricantes urbanos eram a favor, os proprietários de terra contra. O comércio livre venceu, e em 1847 as Leis do Milho (Corn Laws) foram abolidas, ajudando a Grã-Bretanha a se industrializar. Hoje os princípios do comércio livre são defendidos pela Organização Mundial do Comércio (World Trade Organization, WTO), mas o protecionismo continua atual — visível nas décadas de negociação do GATT.

3. Os países que comercializam (§10.2)

Existem cerca de cem países que comercializam por via marítima — algo como 170 se incluíssemos até a menor ilha do Pacífico. A Tabela 10.2 lista os 40 mais importantes, que somam 89% do comércio mundial. Para cada um traz importações, exportações, comércio total e três indicadores econômicos — área terrestre, população e PIB — mais três razões de intensidade comercial. No topo está o noroeste europeu (1,91 bt), seguido de Estados Unidos (1,31 bt), Oriente Médio (1,23 bt) e China (0,998 bt); no fim, Chipre (6,7 mt) e Brunei (1,9 mt).

Fig. 10-2
Fig. 10-2 (p. 455)

Tabela 10.2 — leitura cautelosa. A digitalização do livro embaralhou várias colunas e algumas linhas da Tabela 10.2 (valores deslocados nas primeiras nações). Os totais e os países de topo abaixo foram reconstruídos pela prosa do autor (noroeste europeu 1,91 bt; EUA 1,31 bt; Oriente Médio 1,23 bt; China 0,998 bt) e conferidos contra NLM (p. 435–436, ano-base 2004): noroeste europeu 1.913 mt, EUA 1.306 mt, Oriente Médio 1.231 mt, Japão 1.008 mt (4º) e China 998 mt — conferem. Os números das nações menores não foram reproduzidos aqui por incerteza de extração.

3.1 A balança de importações e exportações

A Figura 10.2 cruza importações (eixo vertical) e exportações (eixo horizontal) das 40 nações. Um país de comércio equilibrado cairia sobre a linha tracejada diagonal; poucos caem. Forma-se um grupo à esquerda da diagonalnoroeste europeu, EUA, Japão, China, Coreia do Sul — que são regiões povoadas e ricas, pobres em recursos (importam mais do que exportam). Outro grupo fica ao longo do eixo horizontalOriente Médio, Austrália, costa leste da América do Sul —, regiões ricas em recursos com baixa demanda interna (exportam mais do que importam). O motor é o desequilíbrio entre oferta e demanda de recursos entre as regiões.

3.2 Riqueza (PIB): o forte explicador

A explicação óbvia para o volume de comércio é o tamanho da economia. A Figura 10.3 mostra que, quanto maior o PIB, maiores as importações: os EUA têm PIB de US$ 11,66 trilhões e importam 956 mt; o Chipre tem PIB de US$ 15 bilhões e importa 5,1 mt. Ajustando uma regressão linear das importações sobre o PNB, o autor encontra que 71% da variação nas importações é explicada pelo PNB (coeficiente de determinação R²).

Fig. 10-3
Fig. 10-3 (p. 455)

O modelo de regressão indica que, em 2004, as importações marítimas começam quando o PNB atinge US$ 60 bilhões e, por cada aumento de US$ 1 bilhão no PNB, crescem 110.500 toneladas (R² = 0,71).

três razões para os países ricos importarem mais: economias maiores precisam de mais matérias-primas e manufaturados; economias maduras esgotam seus recursos locais (os EUA começaram ricos em petróleo, mas hoje importam mais da metade); e PNB elevado dá capacidade de comprar importações e de produzir excedentes para exportar.

3.3 Área e população: explicadores fracos

E a área terrestre? Intuitivamente, um país grande teria mais recursos — mas Singapura, com 62 mil hectares, comercia tanto quanto a Espanha, com 50 milhões de hectares. Estatisticamente, praticamente não há correlação entre área e volume de comércio. A Figura 10.4 mostra países pequenos com importações altas (noroeste europeu, Japão, Coreia, Espanha) no eixo vertical, e países grandes com importações baixas (Oriente Médio, Austrália, Indonésia) no horizontal. O comércio se liga ao crescimento econômico, não à dimensão física: um país pode ser enorme, mas, se estiver vazio, importa pouco.

Fig. 10-4
Fig. 10-4 (p. 456)

E a população? A China tem 1,3 bilhão de habitantes, dez vezes os 128 milhões do Japão, mas em 2004 importou 25% menos carga. O coeficiente de correlação entre população e comércio é de apenas 0,2quase nada. Isso confirma que o transporte marítimo é, sobretudo, um fenômeno econômico.

Fig. 10-5
Fig. 10-5 (p. 457)

O que explica o volume de comércio de um país — síntese dos três testes (§10.2).
VariávelPoder explicativoVeredito
PIB / PNB (riqueza)R² = 71%Forte — o principal motor
Área terrestreQuase nulaFraco — só via recursos naturais
PopulaçãoCorrelação 0,2Sem valor explicativo

4. Por que razão os países comercializam (§10.3)

A conclusão do panorama é que a atividade econômica (PIB) cria demanda por importações e oferta de exportaçõesnão a quantidade de pessoas nem a área. Mas os volumes também são questão de oferta e demanda: os EUA, grande produtor de petróleo, ainda o importam porque a demanda superou a oferta; a China importou 60 mt de aço em 2003 porque a demanda local ultrapassou a produção.

O ponto de partida teórico é simples: o comércio ocorre porque alguém lucra com ele. O que torna o comércio lucrativo é, em geral, a diferença de custos — se um produto estrangeiro pode ser vendido mais barato que o local depois de pagar frete e tarifas, e ainda dar lucro, alguém vai fazê-lo.

TRij=f(pi,  pj,  Tij,  Fij)(10.1) TR_{ij} = f(p_i,\; p_j,\; T_{ij},\; F_{ij}) \tag{10.1} O comércio (TR) entre as regiões i e j depende do preço no país i (pi), do preço no país j (pj), das tarifas entre as áreas (Tij) e do custo do frete (Fij).
Equação 10.1 reconstruída. A digitalização entregou esta fórmula truncada (TR'f'P'F'). A forma acima foi reconstruída pela definição em prosa do autor (comércio entre i e j em função de pi, pj, tarifas Tij e frete Fij) e confirmada por cross-check na fonte (NLM).

Resta explicar por que os produtos estrangeiros custam menos. Há três circunstâncias que sobressaem, cada uma tratada em uma seção adiante:

Três razões fundamentais a favor do comércio (§10.3).
#RazãoEm que consiste
1Divergências nos custos de produçãoUm país fabrica mais barato que outro; se a diferença de preço supera frete + tarifas, o comércio é lucrativo. (Por que custos diferem → §10.4.)
2Diferenças nos recursos naturaisOs recursos não estão espalhados uniformemente; os tráfegos de produtos primários são definidos pela distribuição dos recursos, não realocáveis. (→ §10.5.)
3Desequilíbrios temporáriosEscassez ou excedente local temporário cria diferencial de preço — comum em químicos, derivados e aço durante os ciclos econômicos. (→ §10.6.)

Os produtos primários seguem um modelo simples, centrado na disponibilidade, e formam a espinha dorsal dos tráfegos de granel (Cap. 11). Os manufaturados seguem um modelo mais complexo, podem cruzar o mundo várias vezes entre fabricantes e montadoras e viajam como carga geral (Cap. 13); as cargas especializadas (Cap. 12) ficam entre os dois.

5. Diferenças nos custos de produção (§10.4)

O interesse pela teoria do comércio nasceu na Revolução Industrial britânica, quando muito dinheiro mudava de mãos com a abertura do comércio livre. Nos séculos XVII e XVIII, o argumento dominante era mercantilistaencorajar exportações, desencorajar importações para acumular ouro —, termo cunhado por Adam Smith. A teoria servia aos proprietários de terra, que queriam barrar o milho norte-americano. Com a força da Revolução Industrial, comerciantes e produtores ganharam poder e passaram a apoiar quem defendesse o comércio livre.

5.1 A teoria da vantagem absoluta (Adam Smith)

A primeira grande teoria é a vantagem absoluta, de Adam Smith (A Riqueza das Nações). Smith argumentava que os países ficam melhor se se especializarem, trocando excedentes pelo que precisam, porque a especialização os torna mais produtivos. É possível fazer vinho na Escócia, mas o custo seria proibitivo e a qualidade baixa; importar o vinho e especializar-se no que os escoceses fazem melhor beneficia a todos, porque os recursos limitados do mundo são usados com mais eficiência.

"Se um país estrangeiro estiver em condições de nos fornecer uma mercadoria a preço mais baixo do que o da mercadoria fabricada por nós mesmos, é melhor comprá-la com uma parcela da produção da nossa própria atividade." (Adam Smith.)

A Tabela 10.3 ilustra com dois países, Grande e Saltitante, cada um com 60 trabalhadores, produzindo alimentos e roupas. Saltitante produz alimentos melhor (3 trabalhadores/t vs. 4 de Grande); Grande produz roupas melhor (2 trabalhadores/fardo vs. 6 de Saltitante). Sem comércio, cada um produz para si e ambos terminam com (12 t de alimentos, 6 fardos de roupas). Com comércio e especialização, Saltitante faz só alimentos (20 t, consome 12, exporta 8) e Grande faz quase só roupas (22 fardos, consome 11, exporta 11) — ambos ficam com (12, 11), quase o dobro de roupas.

Tabela 10.3 (parte 1) — Vantagem absoluta: produção dos países Grande e Saltitante, antes e depois do comércio.
SituaçãoGrande (alim. / roupas)Saltitante (alim. / roupas)
Força de trabalho por unidade4 / 23 / 6
Sem comércio12 / 612 / 6
Com comércio (especializado)4 / 2220 / 0
Exportações11 (roupas)8 (alimentos)

5.2 A teoria da vantagem comparativa (Ricardo)

A vantagem absoluta deixa uma pergunta: e se um país for melhor em ambos os produtos? Em 1817, David Ricardo (Princípios de Economia Política e Tributação) demonstrou que o comércio é benéfico mesmo quando um país é mais eficiente em tudo. Refazendo o exemplo com Saltitante melhor em alimentos e roupas: cada país deve se especializar no produto em que é comparativamente mais eficiente. Grande gasta nos alimentos o dobro do trabalho que gasta nas roupas (4 contra 2), enquanto Saltitante gasta nos alimentos o triplo do que gasta nas roupas (3 contra 1) — logo Grande é relativamente melhor em alimentos. Especializando-se assim, a produção conjunta aumenta em 3 fardos de roupas.

Tabela 10.3 (parte 2) — Vantagem comparativa: Saltitante é melhor em tudo, mas a especialização relativa ainda gera ganho.
SituaçãoGrande (alim. / roupas)Saltitante (alim. / roupas)
Força de trabalho por unidade4 / 23 / 1
Sem comércio12 / 612 / 24
Com comércio (especializado)15 / 09 / 33
Produção extra: 3 fardos de roupas a mais para o conjunto.

A essência: o comércio livre permite que cada país se especialize nos produtos mais competitivos, criando mais riqueza porque os fatores de produção são usados com mais eficiência. A entrada de novos concorrentes não tira os antigos do mercado. Mas o comércio livre tem perdedores: os proprietários de terra ingleses estavam certos em temer a abolição das Leis do Milho, que baixou os preços e empobreceu o campo, forçando a migração para as cidades. Algo semelhante ocorreu com a indústria pesada europeia frente ao Extremo Oriente nos anos 1970-80 — e esses efeitos colaterais alimentam o protecionismo.

5.3 Teorias modernas da vantagem produtiva (Porter)

A vantagem comparativa foi estendida para múltiplas mercadorias e países. Hoje o crescimento do comércio de manufaturados é movido pela exploração das diferenças de custo de mão de obra entre regiões — mas não só. O modelo de Michael Porter atribui a vantagem comparativa também ao conhecimento: um cluster (aglomerado) de empresas especializadas em determinado item desenvolve uma vantagem nesse produto e pode explorá-la globalmente, mesmo sem diferenças salariais. O processo é dinâmico e cumulativo — uma vez estabelecida uma área produtiva, é difícil para outros entrar (a Grã-Bretanha dominou os têxteis no século XIX até ser alcançada).

Uma variante é movida pela diferenciação de produtos, não pela tecnologia: surge das diferenças de gostos entre países. Se os norte-americanos preferem carros grandes e os europeus carros pequenos, a minoria de cada lado importa do outro — especialmente com frete barato. Por isso, em quase todos os países, o consumidor escolhe hoje entre 20 ou 30 marcas de automóvel a preços competitivos.

6. O comércio devido às diferenças de recursos naturais (§10.5)

6.1 A teoria de Heckscher-Ohlin

A vantagem comparativa supõe que os recursos se transferem livremente entre produtos sem perda de produtividade — o que é irrealista. Nos anos 1920, os suecos Eli Heckscher e Bertil Ohlin mostraram que, como os países têm dotações diferentes de fatores (terra, trabalho), substituir um fator por outro derruba a produtividade. A América, com suas pradarias, expande o grão facilmente; se o Reino Unido tentar jogar mais mão de obra na agricultura, os rendimentos caem. Essas diferenças de dotação geram diferenças de custo entre países.

Winters resume as três condições mínimas para o comércio ser benéfico:

As três condições de Heckscher-Ohlin (resumo de Winters) para o comércio surgir.
#Condição
1As funções de produção têm rendimentos constantes à escala se ambos os fatores crescem juntos, mas rendimentos decrescentes para um fator isolado.
2Os produtos diferem nas necessidades de insumos (alimento precisa de mais terra; têxtil precisa de mais trabalho).
3Os países têm dotações relativas diferentes de cada fator.

O exemplo das duas ilhas ilustra: a ilha A é populosa, com pouca terra e carvão de minas profundas; a ilha B tem a mesma população, mas carvão a céu aberto e terra melhor. Abrindo o comércio, a ilha A — pobre em recursos — encontra sua vantagem na transformação, importa carvão e alimentos e exporta manufaturados; a ilha B abre mais minas e exporta carvão. Cada uma exporta aquilo cuja produção é intensiva no fator de que é bem dotada. Os países à esquerda da diagonal da Figura 10.2 são como a ilha A; os à direita, como a ilha B.

6.2 O modelo de oferta-demanda do comércio de produtos

As matérias-primas são grande parte da carga marítima, e prever seu comércio é tarefa central da indústria a granel. A ferramenta usual é o modelo de oferta-demanda: o Japão, sem minério de ferro local, deve importá-lo da Austrália ou do Brasil; o preço equilibra oferta e demanda. A função de demanda relaciona o consumo do produto à renda per capita e aos preços.

q=f(p,  p,  y)(10.2) q = f(p',\; p,\; y) \tag{10.2} em que q é o consumo per capita do produto, p′ é o preço do produto, p é o preço dos outros produtos e y é a renda per capita.
Equação 10.2 reconstruída. A digitalização deixou só o número (10.2) sem a fórmula legível. A forma q = f(p′, p, y) foi reconstruída pela definição em prosa (consumo per capita em função do preço do produto, dos preços dos outros produtos e da renda per capita) e confirmada por cross-check na fonte (NLM): no original a função aparece como qit = φ(p₁it, p₂it, yit), equivalente à forma acima.

Para explicar como a demanda reage, usam-se dois conceitos. A elasticidade-renda é a variação percentual da demanda dividida pela variação percentual da renda. Ela classifica as mercadorias em três grupos:

Classificação dos bens pela elasticidade-renda (§10.5).
Tipo de bemElasticidade-rendaComportamento
Bens inferioresNegativa (< 0)Quando a renda sobe, a demanda cai (ex.: pão e batata trocados por carne).
Bens de primeira necessidadeEntre 0 e 1A demanda sobe com a renda, mas mais devagar que a renda.
Produtos de luxoMaior que 1A demanda sobe mais rápido que a renda.

A elasticidade-preço mede a variação percentual do consumo para uma variação de 1% no preço. Ela se decompõe em dois efeitos pela equação de Slutsky: o efeito de substituição (troca de uma mercadoria por outra no orçamento) e o efeito de renda (variação do consumo pela mudança real na renda disponível).

e_y = \frac{d(\log q)}{d(\log y)} \tag{10.3} \qquad e_p = \frac{d(\log q)}{d(\log p)} \tag{10.4} dqdp=(dqdp)uqdqdm(10.5) \frac{dq}{dp} = \left(\frac{dq}{dp}\right)_{u} - q\,\frac{dq}{dm} \tag{10.5} A Eq. 10.5 é a equação de Slutsky: o primeiro termo à direita é o efeito de substituição (troca por outras mercadorias, a renda real mantida constante) e o segundo, o efeito de renda, que entra subtraído — o aumento de preço reduz a renda real disponível.
Equações 10.3, 10.4 e 10.5 reconstruídas. A digitalização entregou estas três expressões ilegíveis (símbolos truncados como (logq) dOogj') e dp dp^u dp). As formas acima foram confirmadas por cross-check na fonte (NLM): elasticidade-renda como derivada logarítmica da demanda sobre a renda (10.3), elasticidade-preço sobre o preço (10.4) e a decomposição de Slutsky (10.5), em que o efeito de renda é subtraído.

O exemplo das crises do petróleo mostra os dois efeitos. Em 1973, quando o preço disparou, o efeito de renda dominou: o petróleo era necessidade sem alternativa, os consumidores gastaram mais com ele e menos com o resto, disparando a recessão. Em 1979, no novo choque, o efeito de substituição dominou: já era possível trocar petróleo por carvão e gás, as usinas migraram e o comércio de petróleo bruto caiu abruptamente.

6.3 A demanda derivada de um produto primário

A demanda de matérias-primas por uma indústria é derivada da demanda dos produtos que ela vende ao consumidor final. As indústrias pesadas (aço, motores) minimizam custos, e a base é a função custo.

C=P1X1+P2X2+b(10.6) C = P_1 X_1 + P_2 X_2 + b \tag{10.6} em que C é o custo de produção, P é o preço de cada produto primário, X são as quantidades de insumos e b é o custo de capital (assumido fixo).

A pergunta-chave do industrial — usar menos de um insumo e mais de outro — é respondida pela taxa de substituição técnica (rate of technical substitution, RTS), o limite até onde os insumos podem ser trocados com a tecnologia existente. Em 1973, as usinas usavam petróleo e não estavam equipadas para outros combustíveis, então o RTS era pequeno; em 1979, já tinham investido para queimar carvão ou gás, o RTS ficou grande e o consumo de petróleo caiu.

RTS=dX2dX1(10.7) RTS = -\,\frac{dX_2}{dX_1} \tag{10.7} a taxa de substituição técnica mede o quanto se pode reduzir o insumo X₁ aumentando o insumo X₂ sem alterar a produção, dada a tecnologia.
Equação 10.7 (RTS) reconstruída. A forma simbólica veio truncada na digitalização (RTS = -(10.7) dX^). A forma RTS = −dX₂/dX₁ acima foi confirmada por cross-check na fonte (NLM); o conceito — limite de substituição entre insumos dada a tecnologia — está preservado.

O autor adverte sobre duas armadilhas do analista: a construção de estoques (quando a economia japonesa amadureceu nos anos 1980, a demanda de aço parou — a produção nunca passou de 120 mt, contra os 180 mt planejados; o mesmo risco rondou a China em 2003-2008) e a substituição (sucata de aço no lugar do minério; pequenas siderúrgicas de sucata concorrendo com altos-fornos).

7. Os ciclos comerciais dos produtos primários (§10.6)

O comércio está sujeito a três níveis de ciclos: os sazonais (em momentos certos do ano), os de curto prazo (acompanham o ciclo do comércio internacional) e as ondas longas (mudanças estruturais nas economias).

7.1 Comércio sazonal e de curto prazo

Um exemplo de ciclo sazonal pela oferta é a "calmaria de verão" do mercado de graneleiros, causada pela queda das exportações de grão dos EUA em julho-agosto (entre o fim da safra anterior e o início da nova). Pela demanda, o petróleo tem comércio menor no segundo trimestre e maior no quarto, quando se constroem estoques para o inverno do hemisfério norte (Figura 10.6). Essas flutuações são mais visíveis quando o mercado está em equilíbrio. A volatilidade de curto prazo também vem de escassez temporária — falhas mecânicas, desastres (o terremoto de Kobe em 1994), planejamento ruim ou estocagem por medo de inflação.

Fig. 10-6
Fig. 10-6 (p. 470)

7.2 Influências de longo prazo e os nove setores

No longo prazo, a atividade econômica (PIB) é o motor: em média, o comércio cresce 104.300 toneladas por cada US$ 1 bilhão extra de PIB. Mas essa relação não é estática — à medida que os países crescem, suas economias e seu comércio se transformam. O PNB divide-se em nove setores (Destaque 10.1, classificação ISIC), cada um com uma intensidade marítima diferente.

Destaque 10.1 — Os nove setores do PNB (ISIC) e sua intensidade marítima. Setores de bens físicos comerciam; setores de serviços, quase não.
ISICSetor% do PNB*Intensidade marítima
1Agricultura8Elevada
2-3Mineração e serviços públicos4Elevada
4Indústria transformadora28Elevada
5Construção6Elevada
6Atacado e varejo16Nenhuma
7Transporte e comunicações7Nenhuma
8-9Outros (serviços)31Muito baixa

* Estrutura ilustrativa de uma economia. Os setores de bens físicos (agricultura, mineração, indústria, construção) movem carga; serviços, atacado/varejo e transporte praticamente não.

Como a atividade migra de setores intensivos em comércio para serviços, deve-se esperar uma mudança no padrão de crescimento do comércio conforme o país se desenvolve. A Figura 10.7 mostra a Coreia do Sul: em 1970 era agrícola e a indústria transformadora respondia por pouco; nas décadas seguintes a agricultura caiu para 3%, a indústria e os serviços cresceram, e as importações marítimas dispararam a 11% ao ano. Em meados dos anos 1980 a indústria se estabilizou em torno de 25% e os serviços continuaram subindo (37% em 2006). Além disso, muda o tipo de manufatura: pela análise de Maizels (Tabela 10.4), com renda baixa dominam alimentos e têxteis (lei de Engel), que depois cedem lugar a metais, produtos metálicos e químicos.

Fig. 10-7
Fig. 10-7 (p. 472)

Tabela 10.4 — Padrão de Maizels: participação (%) de cada indústria conforme cresce a renda industrial por cabeça (preços de 1995). Fonte: Maizels (1971).
IndústriaUS$ 100US$ 250US$ 500US$ 750US$ 1.000
Alimentos e bebidas4033262118
Metais45778
Produtos metálicos410182429
Produtos químicos02479
Têxteis261813108
Outros manufaturados2732323129

7.3 Os estágios de desenvolvimento de Rostow

A teoria dos "estágios de desenvolvimento" de Rostow classifica o crescimento econômico em cinco estágios (Destaque 10.2). A ideia é de senso comum: o país começa produzindo necessidades intensivas em recursos (infraestrutura) e, ao enriquecer, volta-se para os produtos de valor agregado.

Destaque 10.2 — Os cinco estágios de desenvolvimento econômico de Rostow e a intensidade do comércio marítimo.
EstágioCaracterísticaComércio marítimo
1. Sociedade tradicionalEconomia agrícola, tecnologia inalterada, teto de produção por cabeça.Quase nenhum (só ajuda humanitária e algumas culturas de rendimento).
2. Pré-condições para o arranqueExcedente acima da subsistência, educação, acumulação de capital, bancos.Pequeno, mas muito ativo e em rápido crescimento.
3. O arranqueProgresso longo e irregular; novas indústrias; produtos antes importados passam a ser produzidos.Muda o comércio externo; surgem novos requisitos de importação.
4. A maturidade~60 anos após o arranque; foco passa de carvão/aço/engenharia pesada para máquinas, químicos e elétrica.Empobrecimento de matérias-primas expande importações; manufaturados dominam exportações.
5. Consumo em massaBens de consumo durável e serviços; trabalho de escritório.População ativa migra para distribuição e serviços.

Maizels acrescenta que a proporção da população na indústria não cresce indefinidamente — há um limite, porque a demanda de serviços (médicos, escriturários) cresce tão ou mais rápido que a de manufaturados, e a maior produtividade industrial empurra trabalhadores para a distribuição. Logo, o crescimento econômico associa-se a mais serviços e a um declínio na taxa de crescimento da indústria e do comércio marítimo.

7.4 O ciclo de desenvolvimento do comércio

Aplicando os estágios ao comércio marítimo, o padrão fica claro (Figura 10.8). Nos estágios iniciais, o país importa quase tudo, exceto bens simples, e paga com culturas de rendimento (açúcar, fruta tropical, cobre, juta, madeira dura) — caso de Guiné, Togo e Camarões. Nos estágios 2-3, a demanda de matérias-primas (minério, carvão, florestais) cresce com a infraestrutura industrial, e indústrias como construção naval e automóvel viram exportadoras líderes — padrão do Japão nos anos 1950, seguido por Coreia, Polônia e China. Na maturidade, aço, construção e veículos param de crescer, a atividade vai para produtos de alto valor agregado, e a taxa de crescimento das importações a granel abranda (mas o comércio de manufaturados de linha continua a crescer).

Fig. 10-8
Fig. 10-8 (p. 475)

Figura 10.8 — sem imagem extraível. O diagrama do ciclo de desenvolvimento veio como gráfico vetorial não renderizado; o OCR embaralhou a legenda na prosa. O conteúdo descrito (curva A = economia pobre em recursos, importa cedo; curva B = economia rica em recursos, posterga importações até esgotar os domésticos; eixo com os estágios 1-5 de Rostow e o "ponto de inflexão do ciclo de desenvolvimento") foi preservado pelo texto. Imagem pendente de re-render do PDF EN.

A forma do ciclo depende dos recursos domésticos: uma economia rica em recursos (curva B) pode contar com matérias-primas locais nos estágios iniciais, postergando as importações de produtos a granel até o esgotamento — foi o caso dos EUA, cuja importação de petróleo disparou após 1970, quando a demanda superou a produção. Uma economia pobre em recursos (curva A) importa cedo. As curvas reais (Europa Ocidental, Japão, Sudeste Asiático, China, 1950-2005, ver Fig. 4.3) são surpreendentemente parecidas, apesar da diversidade. O ciclo de desenvolvimento não é lei — cada país tem o seu, definido por seus fatores de dotação e por características políticas e culturais.

8. O papel do transporte marítimo no comércio (§10.7)

8.1 Elasticidade-preço de longo prazo

No curto prazo, a demanda de transporte é inelástica: uma vez a carga no cais, o embarcador tem poucas opções fora o navio. No longo prazo, porém, os volumes são elásticos ao preço, e o frete tem papel central no padrão comercial. A localização da indústria responde aos custos relativos dos fatores, e o frete entra nessa conta. O exemplo: um televisor montado na Malásia (10 mil milhas até Londres) concorre com um montado no País de Gales (200 milhas). Se o preço c.i.f. do malaio for menor, o varejista compra o malaio e o comércio marítimo cresce.

Por isso o tráfego de linha tende a ser elástico ao preço: frete menor estimula a substituição de produtos locais por estrangeiros mais baratos. Quando os custos de transporte caíram em termos reais nos últimos 50 anos, abriram-se oportunidades de transformação de baixo custo com múltiplas viagens — um caso extremo são as peças vazadas de Detroit, enviadas à China para laminação e devolvidas a Detroit para acabamento, pura arbitragem baseada no custo da rede de transporte. O operador de linha que encomenda navios maiores para baixar custos ajuda a gerar novas cargas.

8.2 Custos unitários e economias de escala

A forma mais importante de baratear o transporte é a economias de escala, mas a relação entre tamanho do navio e custo unitário não é simples no contexto logístico. O custo por tonelada é o custo anual do navio mais o combustível, dividido pela carga transportada no ano; a carga depende do número de viagens vezes a capacidade (porte bruto); e os dias por viagem dependem da distância, da velocidade e do tempo em porto.

A Tabela 10.5 modela navios de 30.000 a 170.000 tpb e distâncias de 4.000 a 11.000 milhas (viagem redonda), todos a 14 nós, 6 dias em porto, 350 dias afretados, combustível a US$ 200/t e retorno em lastro. O custo anual por tonelada de porte bruto cai de US$ 185/t (navio de 30.000 tpb) para US$ 66/t (graneleiro de 170.000 tpb) — o Capesize economiza cerca de 65% frente ao de 30.000 tpb.

Tabela 10.5(a) — Custo anual do navio por tonelada de porte bruto, por dimensão (pressupostos: 14 nós, 6 dias em porto, 350 dias afretados, combustível US$ 200/t).
Dimensão (tpb)Afretamento (US$ mi/ano)Bancas (US$ mi/ano)Custo total (US$/tpb/ano)
170.000 (Capesize)8,532,7366
72.000 (Panamax)5,732,135109
46.000 (Handymax)4,781,701141
30.000 (Handy)4,021,54185

A distância também conta: numa viagem de 4.000 milhas, um navio faz 30 viagens/ano; numa de 11.000 milhas, só 11. O custo total por tonelada de carga vai do mínimo de US$ 2,21 (Capesize em 4.000 milhas) ao máximo de US$ 17,04 (30.000 tpb em 11.000 milhas).

Tabela 10.5(b) — Custo total por tonelada de carga transportada (US$/t), por dimensão e distância de viagem redonda. Economias de escala importam.
Dimensão (tpb)4.000 milhas11.000 milhas
170.000 (Capesize)2,216,09
72.000 (Panamax)3,6510,03
46.000 (Handymax)4,7112,95
30.000 (Handy)6,2017,04

Mas há um limite: o Capesize numa viagem de 4.000 milhas transporta 5 milhões de toneladas/ano — pode ser carga demais para um serviço regular. Para entrega mensal, o tráfego precisaria de 60 mt/ano; nos tráfegos pequenos e médios, simplesmente não há carga para sustentar navios maiores. Também é regra que as economias de escala diminuem conforme o navio cresce: ir de 30.000 para 46.000 tpb economiza US$ 4,09/tpb numa viagem de 11.000 milhas, mas saltar de Panamax para Capesize (+100.000 tpb) economiza só US$ 3,94/tpb. Por isso a pressão para crescer é mais intensa nas dimensões pequenas.

As quatro conclusões sobre economias de escala (§10.7).
#Conclusão
1Navios maiores são sempre mais econômicos, mantidos os demais fatores constantes — há incentivo financeiro para usá-los.
2Em termos absolutos, as economias de escala nas rotas curtas são muito menores que nas longas — menos incentivo a investir em infraestrutura para navios grandes.
3Os tráfegos de curta distância gastam menos tempo no mar, então o projeto deve focar o manuseio da carga.
4As quantidades entregues crescem rápido quando a viagem encurta, então a dimensão do navio depende de haver carga suficiente para encher os maiores.

9. Resumo (§10.8)

O capítulo olhou o comércio marítimo do ponto de vista dos países que comercializam. Há cem países e regiões no jogo, mas com tamanhos muito diferentes: em 2004, o noroeste europeu liderava com 1,9 bt de importações e exportações, enquanto Brunei, o menor, somava só 2 mt. O explicador dominante do volume é a atividade econômica (PNB); área e recursos naturais contribuem pouco (juntos, cerca de um quarto da variação) e a população não tem valor explicativo. A conclusão: o comércio caminha lado a lado com o crescimento econômico, modificado pela existência de recursos naturais.

A teoria do comércio explica por que os países comercializam. A vantagem absoluta (Smith) mostra que a especialização melhora a vida de todos; a vantagem comparativa (Ricardo) mostra que o comércio beneficia mesmo o país menos eficiente em tudo, desde que seja relativamente melhor em algo. O que determina a vantagem comparativa? O teorema de Heckscher-Ohlin aponta a distribuição dos fatores de produção; tecnologia, gostos, custos de transporte e excedentes/escassezes cíclicas completam o quadro. O modelo de oferta-demanda, com o papel dos preços e da substituição (equação de Slutsky), é a ferramenta de análise e previsão do comércio de mercadorias.

O comércio de um país muda ao longo do tempo. Dividindo o PNB em nove categorias, vê-se que a indústria transformadora usa muito transporte marítimo e os serviços, quase nada. Os estágios iniciais de crescimento consomem grandes volumes de materiais físicos (infraestrutura), favorecendo o transporte a granel; na maturidade, o negócio de linhas regulares ganha potencial quase ilimitado para transportar componentes e produtos acabados. O ciclo de desenvolvimento do comércio resume essa dinâmica: cada país tem o seu, conforme seus fatores de produção e sua cultura. Por fim, os princípios da logística e das economias de escala preparam o terreno para o estudo dos tráfegos de granel, especializados e de linha nos capítulos seguintes.