"Deus deve ter sido proprietário de navios: pôs as matérias-primas longe de onde eram necessárias e cobriu ⅔ da terra com água." (Erling Naess)
- Raízes no tráfego de carvão do séc. XVIII (norte da Inglaterra→Londres); navio carvoeiro collier. Projetos novos = hélice, duplo-fundo p/ lastro, máquina a ré, porão a meio-navio livre p/ carga.
- John Bowes (1852): pioneiro de êxito — casco de ferro, hélice, 600 t de carvão/viagem (× 280 t de um veleiro). Independente do vento + mais capacidade → vantagens compensam o maior custo de capital.
Os 5 segmentos de navios-tanque
| Segmento | Tráfego típico |
|---|---|
| VLCC | Longo curso (Oriente Médio) |
| Suezmax | Média distância (África Ocidental→EUA) |
| Aframax | Pequeno curso (Mediterrâneo) |
| Panamax | Caribe |
| Handy | Derivados do petróleo |
Os 4 segmentos de graneleiros sólidos
Capesize › Panamax › Handymax › Handy. + 5 especializados: escotilha larga (open hatch), mineraleiros, aparas de madeira, cimenteiros, autodescarregadores. + combinados/ore-oilers (triangulam sólido e líquido; frota encolhe há 20 anos).
Segmentos descrevem a demanda, não a limitam: navios migram entre adjacentes conforme o frete (VLCC pegou tráfego Suezmax; ULCC de 440 mil tpb levou óleo combustível em 2004).
4 características de adequação ao granel
| # | Característica |
|---|---|
| 1 | Volume (suficiente p/ encher um navio) |
| 2 | Manuseio/estiva (granular uniforme facilita) |
| 3 | Valor (alto valor = partidas pequenas) |
| 4 | Regularidade do fluxo (justifica investir em manuseio) |
| Princípio | Em que consiste |
|---|---|
| 1. Manuseio eficiente | Economias de escala — navios maiores, custos unitários menores. Mas grande nem sempre é melhor (precisa de mais carga, perde flexibilidade) |
| 2. Minimizar o manuseio | Cada manuseio gasta dinheiro; ênfase no terminal especializado |
| 3. Integração dos modos | Padronizar unidades (conteinerização) + projetar o sistema como um todo. Funciona melhor com fluxos regulares e 1 empresa |
| 4. Otimização dos estoques | Just-in-time: muitas entregas pequenas — conflita com o Princípio 1. Dimensão da partida = trade-off |
Sistema típico (Fig. 11.2): 1 viagem marítima + 2 percursos terrestres + 4 áreas de armazenagem + 17 operações de manuseio. Ponto de inversão a granel: ~1.000 t (abaixo, difícil arranjar granel).
Os quatro participantes
| Participante | Papel |
|---|---|
| Proprietários da carga | Carga regular; querem o transporte mais barato (terminais + frota própria/afretada) |
| Negociantes de primários | Compram/vendem em locais diferentes; foco no custo imediato (mercado aberto) |
| Proprietários de navios | Investem nos navios; minimizam custo de capital/operacional |
| Operadores de granéis | Sem carga nem navios: assumem COA e afretam navios (negócio arriscado) |
- Maioria dos investimentos a granel é especulativa (não FCD rigoroso); fluxos regulares são modeláveis. Investidores operam carteira de tamanhos (4 graneleiros, 5 tanques).
- Líquidos: terminais em águas profundas (offshore); carga bombeada do terminal, descarga pelas bombas do navio. Sólido homogêneo: terminal de função única, pilha como pulmão (empilhamento/recuperação), até 16 mil t/h.
3 clientes: energia · químicos · agricultura. GNL leva gás natural às usinas; GLP leva butano/propano às petroquímicas; bruto vai às refinarias (saem GLP, combustíveis, lubrificantes); agrícolas (óleos vegetais = o maior).
Frota varia de tanque de bruto de 441.000 tpb a navio de betume de 2.000 tpb.
Origens (1859–1886)
- Bruto produzido pela 1ª vez em 1859 (Drake, Titusville, Pensilvânia); 1º carregamento 2 anos depois, em barris (brigue Elizabeth Watts→Londres).
- 1º navio-tanque usando o próprio casco como recipiente: Glückauf (1886), 2.307 t (eliminou o duplo-fundo p/ evitar gases). Em 3 anos, metade do petróleo do RU já ia a granel.
Transporte planejado (1890–1970) — 3 linhas das petrolíferas
| Linha | Conteúdo |
|---|---|
| Economias de escala | Cada geração maior: 17 mil tpb (1950) → 1º VLCC (1966) → 1º ULCC (1976) |
| Planejamento de transporte | Rede logística na eficiência máxima (a poucos centavos do ótimo) |
| Subcontratação | Afretamento por tempo 15–20 anos a independentes (gregos, noruegueses, HK) |
Fim dos 1960: petrolíferas tinham 36% da frota, afretavam 52%, mercado aberto 12%. "Afretar de volta" (shikumisen) deixava independentes acumular frota com garantia de afretamento.
Mercado aberto (1975–2006) · geografia
- Anos 1970: petrolíferas decidiram que transporte não era mais "nuclear" → frota independente migrou p/ mercado aberto (de ~20% nos 1970 a +70% nos 1990).
- Oriente Médio = maior fonte: 60% das reservas, 47% das exportações (2004); mais distante → pesa muito nas t-milhas.
- Multiplicador da demanda de navios: quando as exportações do OM crescem, a participação E a distância média aumentam — duplo efeito que intensifica a demanda de navios.
Calado profundo restringe rotas: Malaca (21 m, exclui ULCC), Suez. Fechamento de Suez na Guerra dos Seis Dias (1967) coincidiu com a construção dos VLCC; reaberto e aprofundado a 16,2 m em 1975 (até 150 mil tpb carregado).
3 fatores: localização das refinarias · equilíbrio de tráfegos (composto do barril não casa com o mercado) · tráfego deficitário (escassez local importa derivado, não bruto). Ásia = ⅔ das importações.
| Produto | 2005 | %a.a. 65–05 |
|---|---|---|
| Minério de ferro | 650 mt | 3,7% |
| Carvão | 690 mt | 6,3% |
| Grão | 242 mt | 3,1% |
Minério de ferro
- Maior tráfego de primários a granel; principal matéria-prima do aço. Indústria gravitou p/ siderúrgicas na costa. Protótipo do transporte integrado: Sparrow's Point (Bethlehem Steel, anos 1920).
- Mineraleiro: 120 mil tpb (1960) → 170 mil (2007), até 300 mil. Maiores exportadores: Austrália (206 mt) + Brasil (205 mt) = ~70% (Sepetiba, Tubarão, Itaqui).
- Baixo valor (~US$ 40/t), muito denso (fator de estiva 0,3 m³/t).
Carvão
- 2 mercados: coque (aço) × térmico (energia). Térmico cresceu rápido (9%a.a. 1980–2005); coque só 2%. Térmico sumiu nos 1960 (petróleo barato), ressurgiu após 1979.
- Austrália exporta +⅓ (225 mt), depois Indonésia (106) e China (85). Navios menores que os de minério (109 mil × 148 mil tpb) — risco de combustão espontânea.
Grão
- Negócio diferente: agrícola, sazonal e irregular; depende da tonelagem de uso geral. 2005: 236 mt (½ trigo humano, ½ ração).
- EUA maior exportador (46%), depois Austrália (10%), Argentina; Extremo Oriente maior mercado (29%).
- Lei de Engel: renda sobe → dieta migra de cereais p/ produtos animais (elasticidade-renda maior); como carne exige muita ração (~6:1; porco 8,4:1, frango 3,4:1), renda crescente multiplica a demanda de cereais. Difícil meter navios grandes no grão.
- Agroalimentares (158 mt): mercadoria principal = soja (EUA 75 mt, Brasil 50 mt; China importa ⅓). Açúcar (46 mt): só 16% da colheita comercializada; Brasil maior exportador.
- Fertilizantes (77 mt): nitrogênio, fosfato, potassa, enxofre (carga difícil — corrosiva, gás venenoso). 70% vai a países em desenvolvimento → navios de 10–18 mil tpb.
- Metais/minerais (310 mt): bauxita/alumina (5,4 t bauxita → 2 t alumina → 1 t alumínio), sucata (disparou p/ China). Siderúrgicos (217 mt) = maior secundário, atravessa granel e linhas. Florestais (169 mt): graneleiros de escotilha larga (anos 1960).
- Sistema de transporte de primários a granel = uma das grandes inovações do comércio dos últimos 50 anos (sistemas integrados aumentaram partidas e seguraram custos).
- Frota: navios-tanque × graneleiros (+ especializados, multipropósito, combinados). 4 características decidem a adequação; 4 princípios guiam o sistema (alguns em conflito).
- 3 classes: líquida (bruto = navios muito grandes; derivados = menores, <60 mil tpb), sólidos principais (minério/carvão/grão, cada um com seu modelo), secundários (espaço à inovação, entre linhas e granel).