🧭 MMPH · Cap.12 — O Transporte de Cargas Especializadas

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Stopford, Economia Marítima 3ed · VII.09-CG · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Cap.11 = granel em concorrência perfeita (navios iguais, cargas homogêneas). Aqui o oposto: cargas exigentes abrem espaço para diferenciar o serviço com navios especializados. 5 grupos: químicos · gases liquefeitos · frigorificada · cargas unitárias · passageiros.

~10 mil navios = 25% da frota de longo curso; entre os mais caros de construir. Porter: ser ao mesmo tempo de baixo custo E diferenciado é difícil.

Fig. 12-1
Fig. 12-1 — Modelo concorrencial do transporte maritimo especializado. Custo medio do transporte (US$/t, eixo vertical) x toneladas de carga embarcadas (eixo horizontal), comparando um navio transportador de produtos florestais (FPC) de 47.000 tpb (linha cheia) e um graneleiro convencional de 47.000 tpb (linha tracejada): 1) com 10 mil t carregadas o custo unitario do FPC e 6,5% mais alto pelo maior custo de capital; 2) com 24 mil t o graneleiro convencional fica subcarregado pela baixa capacidade cubica, custo unitario minimo de US$18,90/t; 3) com 27.500 t o FPC esta completamente carregado e o custo cai para US$17,20/t — 9% abaixo do graneleiro. Fonte: Martin Stopford.
Fig. 12-2
Fig. 12-2 — Modelo do transporte maritimo especializado. Curvas de custo (US$/t x volume de carga) do navio convencional (tracejada) e do navio especializado (cheia), com as duas frentes em que a companhia especializada opera: (a) vantagem de custo unitario frente ao operador convencional ou (b) frete superior, cobrando um premio sobre a taxa de frete por oferecer servico diferenciado. Fonte: Martin Stopford.

3 maneiras de customizar o navio

#Customização
1Melhorar o manuseio (tanque químico sem contaminação; acesso ro-ro)
2Melhorar a estiva (minimizar frete morto e avarias)
3Integrar à operação terrestre do cliente (elo da cadeia)
Ponto de partida = o mercado, não o navio. Se a companhia não lucra, o negócio falha. Cargas especializadas têm concorrentes (frigorífico × contêiner × avião) — a economia decide quem leva.

Exemplo dos produtos florestais (FPC)

FPC: porões em caixa + escotilhas que abrangem toda a boca → carrega 20% a mais e >450 t/h (× 250 do graneleiro), mas custa 25–50% mais capital. Lição: navio dedicado não garante transporte muito mais barato — vale mais por oferecer serviço melhor pelo mesmo custo.

TipoCaracterística
Orgânicos (petroquímicos)Contêm carbono (de petróleo/gás/carvão): olefinas (etileno) + aromáticos (BTX); base de plásticos/fibras
InorgânicosSem carbono (ácidos, soda cáustica); muito densos + corrosivos → tanques de aço inox/borracha
Traço marcante: partidas pequenas e segregadas (média 1.475 t; +metade abaixo de 500 t), em tanques limpos entre cargas. Regulados pelo Código de Cargas Perigosas da IMO.

Como nasceu

  • Surgiu nos EUA (costa do Golfo, anos 1920–30, perto dos campos de petróleo).
  • Salto: Jacob Stolt-Nielsen (1955)bombas de poço profundo (1 por tanque) permitiram transportar tantas cargas quantos tanques o navio tivesse → o parcel tanker (navio de várias cargas líquidas). Stolt e Odfjell são hoje as maiores.
Fig. 12-3
Fig. 12-3 — Modelo do sistema de transporte por mar dos navios-tanques de produtos quimicos (2006). Diagrama de cinco colunas: (1) definicao da frota; (2) frota de navios de quimicos (especializados que transportam varios quimicos ao mesmo tempo — 1.015 navios/15,2 m.tpb; quimicos a granel — 179/2,3 m.tpb; quimicos e derivados do petroleo — 682/19,9 m.tpb); (3) companhias de transporte maritimo (consorcios de navios-tanques especializados como Stolt/Odfjell, operadores de linhas nao regulares, proprietarios independentes); (4) sistema de transporte (Mercado COA x Mercado Aberto); (5) embarcadores e produtos primarios (Estireno, MTBE, EDC, MEK, IIPA, Causticos, Lubrificantes, BMC, Benzeno etc.). Fonte: Martin Stopford.
No mar, gases precisam ser liquefeitos (reduz o volume em 99,8%). 3 grupos: gases de petróleo (propano/butano/etano), amônia (fertilizantes), olefinas (etileno→plásticos). Metano não vai em navio de GLP (exige temperatura mais baixa = GNL).
GásPonto de ebulição
Butano−0,5 °C
Amônia−33,4 °C
Propano−42,3 °C
Etileno−103,9 °C
Metano (ref.)−161,5 °C

3 sistemas de liquefação (sistema ↔ dimensão)

SistemaDimensão
PressurizadoPequenos (até ~1959; tanques esféricos salientes)
SemirrefrigeradoMédios (1º em 1959)
Totalmente refrigeradoMaiores (pressão ambiente)

Japão = maior mercado de GLP (+14 mt em 2000). VLGC (>60 mil m³): só 106 navios mas 56% da capacidade, todos totalmente refrigerados.

Fig. 12-4
Fig. 12-4 — Modelo do sistema de transporte de GLP por via maritima. Diagrama de fluxo em quatro colunas: Frota (acima de 60.000 m3 — 106 navios; 20-60.000 m3 — 89; 5-20.000 m3 — 206; abaixo de 5.000 m3 — 592) -> Trafegos (longa distancia, sobretudo GP para o Japao; distancia media, amonia etc.; curta distancia, olefinas) -> Operacao de transporte (consorcios de navios-tanques de GLP no Mercado COA US$/m3, e proprietarios independentes que operam no Mercado Aberto $/m3 ou no mercado de afretamento por tempo) -> Carga (gases de petroleo: propano, butano; olefinas: etileno, butadieno). Fonte: Martin Stopford.
Gás natural (metano) = 3ª maior fonte de energia transportada por mar (atrás de petróleo e carvão); queima limpo. Mas liquefazer é caro e inflexível (US$ 25–100/t × US$ 7–10 do petróleo). Em 2006 GNL era só 7,4% da demanda mundial de gás (× 63% do petróleo).

3 condições p/ comércio de gás: fonte abundante e competitiva · rede de gasodutos · capital p/ liquefação. ⅔ das reservas: Oriente Médio (41%) + Rússia (27%).

Fig. 12-5
Fig. 12-5 — Consumo energetico mundial por produto primario. Serie temporal (bilhoes de toneladas equivalentes de petroleo por ano) das curvas Petroleo, Carvao, Gas e Outros, com anotacoes: 'o petroleo substitui o carvao na decada de 1960', 'os servicos publicos largaram o petroleo quando seu preco aumentou', 'a China faz disparar a demanda de carvao' e 'o mercado de gas em crescimento'. Entre 1990 e 2005 a demanda de gas natural cresceu 2,2% ao ano, mais rapido que o carvao (1,8%) e o petroleo (1,3%). Fonte: BP Annual Review of the World Oil Industry.
  • 1ª carga em 1959 (Methane Pioneer, convertido); 1ª liquefação em grande escala em Arzew (Argélia, 1964). Crise de 1973 adiou; só nos 1990 voltou a confiança (tráfego quadruplicou).
  • Trem de GNL: comprime a −163 °C → gás a 1/630 do volume. Navio típico ~160 mil m³, 19 nós, ~115 mil t. Capital intensivo e inflexível. Malásia/Indonésia maiores exportadores; Japão maior importador.
Fig. 12-6
Fig. 12-6 — A frota de GNL (1972-2007). Grafico de barras (frota; desarmamento temporario) sobreposto a linha da carteira de encomendas, eixo Y numero de navios (1o de janeiro): a frota cresceu rapidamente nos anos 1970, estagnou nos anos 1980 — por volta de 1983 cerca de um terco da frota de 71 navios estava em desarmamento temporario — e voltou a crescer nos anos 1990, disparando nos anos 2000. Fonte: Clarkson Research Gas Tanker Register.
Comércio criado pela tecnologia3 motivos: regiões que produzem mais barato (NZ carne) · troca sazonal entre hemisférios · diferenças climáticas (banana tropical). Começou pela carne no séc. XIX.
RegimeCarga
Congelada (até −26 °C)Carne, peixe
RefrigeradaLaticínios (acima do congelamento)
Temperatura controladaFruta que amadurece no mar (banana 13 °C)

3 grupos: fruta caidiça (~⅓), carne/laticínios (⅓), peixe. Concorrência do contêiner: Sea-Land introduziu o frigorífico em 1956; em 1999 a capacidade dos contêineres ultrapassou a frigorífica convencional → declínio da frota dedicada.

Ro-ro de longo curso

Pavimentos múltiplos + rampas. Tecnologia dos LST da Marinha dos EUA (anos 1940); 1ºs longo curso fim dos 1960 (Atlantic Container Line, 1967). Massa crítica dos contêineres limitou a nicho.

Fig. 12-7
Fig. 12-7 — Trafego de GNL (1984-2006). Grafico de area empilhada por regiao importadora (Japao, Europa, Estados Unidos, Asia), eixo Y bilhoes de m3: o trafego mundial de GNL quadruplicou de cerca de 48 para 211 bilhoes de m3 entre 1984 e 2006, com a Asia ganhando peso no fim do periodo. Fonte: BP Annual Review of the World Oil Industry / Cedex.

Navios para veículos (PCC/PCTC)

  • Carros leves, avariam fácil, ocupam muito (~12 m³/t). Wallenius (1956); Oppama Maru (1965) = 1º exclusivo p/ carros (1.200, rampa à popa).
  • Transporte industrial clássico (montadora faz 1 carro/40s); navio "ajusta" com armazenagem no porto. Japão/Coreia → EUA/Europa. 8 operadores = ~90% da capacidade (NYK, Mitsui OSK, K-Line, Wallenius).

Graneleiros de escotilha larga · pesadas

  • Escotilha larga (abrange quase toda a boca): florestais; Bessegen (1962). Ganho: 400 t/h × 250 do convencional.
  • Carga pesada = unidade grande demais p/ contêiner (>40×8×8,5 pés ou 26 t): reatores, estruturas offshore. 3 tipos: rebocador+barcaça · semissubmersível · gruas pesadas (até 1.800 t). + multipropósito.

Até os 1950 o navio era a única forma de atravessar o mar (levava 3× mais passageiros que o avião no Atlântico). As aéreas viraram o jogo → P&O e Cunard migraram p/ cruzeiros; na curta distância floresceram os ferries.

Ferries

Pessoas, bens e veículos em distâncias curtas; quase todos ro-ro (porta de popa vira rampa). Receita de bordo central (lojas, restaurantes; cabines nas longas).

Cruzeiros

Ponta mais sofisticada; único segmento que lida direto com o consumidor (concorrentes = operadores turísticos). Desde 1980 cresce 8,2%/ano; +15 mi passageiros (N. América ~60%).
  • Concentração sem paralelo: top 3 (Carnival, Royal Caribbean, Star) = 77%; Carnival sozinha 46%. Carnival = 2ª maior companhia pública de navegação (atrás da Maersk).
  • Navios mercantes mais caros (~US$ 280 mil/cama; 3 mil camas ≈ US$ 0,8 bi). Receita de bordo até 25% do total. 12–15 conveses.
Fig. 12-9
Fig. 12-9 — Opcoes do transporte de passageiros. Diagrama de dois eixos — nivel de acomodacao do passageiro (assento/Seating, camarote/Cabins, hotel/Hotel) x carga acompanhada (bagagem/Baggage, veiculos leves/Light vehicles, caminhoes/Lorries) — posicionando sete tipos de navio de passageiros: na linha Hotel, Baltic Ferry (ferry do Mar do Norte) e Cruise Liner (navio de cruzeiro); na linha Cabins, Aegean Ferry (ferry entre ilhas, Egeu) e Inter-island Ferry; na linha Seating, N. Sea Ferry, Fast Ferry (ferry rapido) e Harbour Ferry (ferry portuario). Fonte: Martin Stopford. [Rotulos do original em ingles.]
Fig. 12-8
Fig. 12-8 — Frota de navios frigorificos e capacidade de conteineres frigorificos (1980-2007). Area (capacidade dos navios frigorificos) + linha com marcadores (capacidade dos conteineres frigorificos), eixo Y milhoes de pes cubicos: a capacidade frigorifica conteinerizada ultrapassou a convencional por volta de 1999-2001 e disparou, enquanto a frota frigorifica dedicada se estabilizou e recuou desde meados dos anos 1990. Nota do grafico: os numeros de conteineres mostram so os espacos disponiveis, nao o numero realmente ocupado com conteineres frigorificos. Fonte: Clarkson Research Reefer e Container Registers.
Fig. 12-10
Fig. 12-10 — Mercado de cruzeiros da America do Norte. Barras (escuras = cruzeiros locais/domesticos; claras = cruzeiros internacionais) + linha da frota de cruzeiros (eixo direito, '000 ab) + pizza da divisao em 2006 (America do Norte 60%, Europa 22%, Outros 18%): o numero de passageiros de cruzeiro (eixo esquerdo, '000) cresceu cerca de 8,2% ao ano de 1980 ate ~12 milhoes em 2006, e a capacidade da frota cresceu ~8,7% ao ano. Fonte: CLIA (Cruise Lines International Association).
  • Frota de +10 mil navios especializados. 3 padrões de tráfego: competitivo (suprimento mais barato), deficitário (falta temporária), diferenciado (variedade ao consumidor).
  • Quase todos enfrentam concorrência de outros modos — exceção: o GNL. Foco = diferenciar o serviço, reduzir custo por unidade.
  • Poucas fronteiras bem delimitadas: navios migram entre serviços conforme a economia muda — contraste com o granel irregular do Cap.11.