Produtor de vinho da Califórnia sabe de antemão: viagem 12–15 dias + frete por contêiner → calcula lucro com confiança. O frete fixo (sobe com inflação, mas sem os altos/baixos do granel) distingue o negócio.
- Desde 1870, o vapor permitiu serviços programados (antes, carga geral ia em tramp caçando carga). 3 fatores: agentes organizados + bancos + telégrafo. Suez (1869) mostrou a vantagem do vapor.
- Cargo liner (até os 1960): navios de várias cobertas, versáteis, com equipamento próprio. Passavam 50% do tempo em porto (prendia capital) → ficaram obsoletos.
O sistema de contêineres (1966–2005)
- Malcolm McLean (empresário rodoviário): adaptou o Ideal-X — 26/abr/1956, 58 contêineres de 35 pés (Nova Jersey→Houston), 1º embarque moderno. Manuseio caiu p/ US$ 0,16/t × US$ 5,83 da carga fracionada. 1957: 1º celular (Gateway City); abr/1966: 1º transatlântico (SS Fairland).
- ISO normalizou dimensões; começou com 8 pés (altura/largura) e 4 comprimentos; 20 e 40 pés viraram os "cavalos de carga" (75% de 40 pés em 2004).
Modelo (Fig. 13.1) = 4 peças: carga (demanda) · serviços (rotas) · companhias (centro) · frota + afretamento (base). Por 2007, operadores independentes detinham quase metade da frota.
| Indicador (1983–2006) | %a.a. |
|---|---|
| PIB mundial | 4,8% |
| Exportações de manufaturados | 6,6% |
| Contêineres movimentados (TEU) | 10,1% (~dobro do PIB) |
| Carga total por mar | 4,1% |
Difere do granel em 2 pontos: custo administrativo fixo maior (partidas pequenas) + capacidade inflexível (obrigação de sair no horário; não desarma como o granel). Preços fixos + capacidade inflexível = raiz do problema de precificação.
Pacote de serviço com 7 características; 3 prioridades (2004): pontualidade da chegada · pontualidade da entrega · redução de custos. Cada dia economizado vale 0,8% do valor dos manufaturados.
| Grupo | Característica | % |
|---|---|---|
| Leste-oeste | Longa distância, maiores navios (transpacífico, transatlântico, Europa-Extremo Oriente) | ~39% |
| Norte-sul | Ligam hemisférios (a países em desenvolvimento) | ~21% |
| Intrarregional | Curta distância, navios menores + alimentadores | ~38% |
- Transpacífico = maior volume (16 mi TEU); forte desequilíbrio (11,4 mi p/ leste × 4,9 p/ oeste). Usa navios "pós-Panamax" >4.000 TEU.
- Atlântico Norte = 1ª rota conteinerizada (anos 1960). Conferência FEFC (Europa-Extremo Oriente, +60 dias, 9 navios → consórcios).
- Serviço ao redor do mundo (Evergreen, anos 1980): atraiu poucos — ligar serviços reduzia a flexibilidade de escala. Intrarregionais: distribuem dos portos-base (Hong Kong, Singapura, Roterdã).
| Ano | Líder | % | 20 maiores |
|---|---|---|---|
| 1980 | Sea-Land | 9,6% | 60% |
| 2005 | Maersk | 16,4% | 73% |
- 2001–2005: topo disparou (Maersk comprou P&O Nedlloyd). Por 2005, ~50% da capacidade das 20 maiores estava afretada a independentes (fora do balanço).
- Alianças (anos 1990): integram operação (navios, espaços, terminais), mas cada membro mantém identidade comercial e precificação. Grand Alliance, New World Alliance, CKYH.
- Modelo Porter (Fig. 13.7): rivalidade + barreiras + substitutos. Pouco lucrativas (4–10% sobre ativos): barreiras baixas, cliente poderoso, serviço é produto básico difícil de diferenciar.
Frota não é a "ótima" — resultado de 20–30 anos de decisões; navios obsoletos seguem navegando se retêm valor. 6 tipos (Fig. 13.8):
| Tipo | Característica |
|---|---|
| Porta-contêineres celular | Maiores e mais modernos; guias celulares só p/ contêineres |
| Multipropósito (MPP) | Contêiner + carga fracionada; cargas pesadas/projeto |
| Duas cobertas | SD14, Freedom; capacidade limitada de contêiner |
| Cargueiro de linha regular | Convencional; frota encolhendo |
| Ro-ro | Pavimentos com rampas; carga rolante |
| Transportador de barcaças | Experiência dos 1970 que não pegou (~50 navios) |
Porta-contêineres: 750 (1980) → 4.208 (2007), ~60% do porte bruto da frota de linha. Maiores tendem a ser mais rápidos (feeders 13,8 nós × +4.000 TEU a 24 nós). Segmentação por TEU: Feeder/Handy (curta) → Panamax/pós-Panamax (longo curso).
8 elementos de base do custo (características do navio, programação, utilização, custo diário, encargos portuários, distribuição/custo de contêineres, administração — 640 TEU/empregado).
Economias de escala
- Operacional: tripulação cresce pouco (Emma Maersk de 11.000 TEU projetado p/ 13 tripulantes). Capital: navio grande custa menos por espaço, mas acima de 5.000 TEU a economia diminui (custo fixo na casa da máquina; só "adiciona aço").
- Custo por TEU/ano cai de US$ 648 (1.200 TEU) p/ US$ 360 (11.000 TEU) — quase à metade. Mas acima de 2.600 TEU, ~5% por cada 1.000 TEU; podem surgir deseconomias (dragagem, alimentadores).
Preços determinados pela concorrência, mas com despesas fixas altas + obrigação de horário. 2 princípios: estabilidade dos preços + discriminação de preços. Conteinerização generalizou a tarifa "igual para todas as cargas" (FAK).
| Caso | Lógica |
|---|---|
| 1. Custo marginal | Navio parcial → único custo extra = manuseio (US$ 400); cheio → salta a US$ 2.500. Mercado livre = caixa muito volátil |
| 2. Preço fixo | Caixa estável, mas dilema do prisioneiro: cada um tem incentivo a baixar o preço e encher o navio (o "externo") |
| 3. Discriminação | Preços diferentes por mercadoria (barato p/ encher; superior p/ valor alto) — "gerenciamento de rendimentos" |
| 4. Contratos de serviço | Acordos com grandes embarcadores (Ocean Shipping Reform Act, 1999, contratos confidenciais) |
Conferências marítimas
- Sistema dos anos 1870; 1ª em agosto de 1875 (Reino Unido–Calcutá): taxas similares + limitar viagens + navegar cheio ou não.
- Desconto deferido (1877): redução de ~10% paga só após +6 meses de fidelidade exclusiva (perdia-se se usasse navio de fora). +360 conferências no início dos 1970; ainda 150 em 2002.
- Tipos: fechada (controla membros, partilha carga) × aberta (qualquer um entra, mais vulnerável ao excesso).
Alianças e regulação
- Conteinerização enfraqueceu o cartel → acordos de estabilização (TSA no Pacífico; TACA no Atlântico). Concorrência hoje é global.
- 3 liberdades da OCDE (2001): liberdade para negociar · proteger contratos · coordenar operações (sem precificação/poder de mercado).
- Out/2008: UE revogou o Regulamento 4056/86 (retirou a isenção por categoria das conferências) → sujeitas às regras gerais de concorrência.
| Porto (2005) | TEU |
|---|---|
| Singapura | 23,2 mi |
| Hong Kong | 22,4 mi |
| Xangai | 18,1 mi (+27,3%a.a.) |
~400 portos com movimento, mas os 60 principais = 98%. 36 maiores moveram 194 mi TEU (~60%). Oriente Médio cresceu mais rápido (13,4%a.a.). Gruas içam 40 t; pátios com straddle carriers/pórticos.
- Mercado tão competitivo quanto o granel, mas com 2 diferenças: capacidade inflexível (serviço regular) + negociação de preço restrita (muitos clientes). Preço livre = caixa volátil; preço fixo difícil de impor.
- Conteinerização reorganizou tudo (porta a porta, rede global). 3 famílias de rota, 6 tipos de navio, 8 elementos de custo; economias fortes no navio, fracas no manuseio.
- A "análise de produtos primários" do granel não se aplica: demanda vem do preço relativo e da existência dos bens. Smith: mecanizar a carga geral "abriu o mundo a um mercado de produção".