CG Cap. 13 — O Transporte de Carga Geral

1. Visão geral — a caixa que mudou o comércio (§13.1)

"A crescente complexidade e variedade do comércio adiciona-se às vantagens que uma frota de muitos navios sob um gerenciamento único oferece" — a frase de Alfred Marshall, que abre o capítulo, descreve o negócio de linha regular. A carga geral representa cerca de 60% do valor das mercadorias transportadas por via marítima, e quase tudo viaja em serviços de linha regular conteinerizados, que oferecem transporte rápido, frequente e confiável a uma taxa de frete previsível.

O exemplo do livro deixa claro o que isso significa na prática: um produtor de vinhos da Califórnia que venda duas mil caixas a um atacadista no Reino Unido sabe de antemão que a viagem leva de doze a quinze dias e qual é o frete por contêiner — pode calcular lucro e fluxo de caixa com confiança. Esse frete fixo (que sobe com a inflação, mas não tem os altos e baixos violentos do mercado de afretamento a granel) é o que distingue o negócio. O capítulo revisa a evolução do navio cargueiro até o contêiner, os princípios económicos de custo e de precificação, a demanda e a oferta, as rotas, os portos e os terminais.

Fonte: STOPFORD, M. Economia marítima. 3. ed. Trad. Léo Tadeu Robles e Ana Cristina F. C. P. Casaca. São Paulo: Blucher, 2017. Parte 4, Cap. 13 — O transporte de carga geral.

Edital: Anexo 2-A, item 7.4.5 (Economia Marítima e Amazônia Azul → Comércio marítimo e sistemas de transporte → O transporte de carga geral) · Anexo 2-B, item 9, Parte 4, Cap. 13 (Stopford).

2. As origens do serviço de linhas regulares (§13.2)

Os navios de linha regular [liners] são um acréscimo relativamente recente à indústria marítima. A partir da década de 1870, a melhoria do navio a vapor permitiu oferecer serviços programados; antes disso, só uns poucos armadores (como a Black Ball Line) tinham tentado horários fixos à vela, e a maior parte da carga geral viajava em navios "de linhas não regulares" [tramp], que iam de um porto a outro caçando carga. Três fatores comerciais ajudaram: agentes melhor organizados no Extremo Oriente, melhores serviços bancários e a extensão do telégrafo até o Extremo Oriente, que permitia às casas comerciais na China vender por transferência telegráfica em Londres e na Índia.

A abertura do Canal de Suez em 1869 mostrou a vantagem do vapor, e o boom de fretes de 1872-1873 disparou uma enxurrada de encomendas de vapores para a próspera rota do Extremo Oriente. Uma vez estabelecida, a rede de linhas regulares cresceu até o sistema abrangente que existe hoje.

2.1 A era do "navio de carga de linhas regulares"

Por cerca de um século, até a década de 1960, as companhias geriam frotas de navios de várias cobertas, os navios cargueiros de linha regular [cargo liners]: versáteis, com equipamento próprio de manuseio, transportavam um misto de manufaturados, semimanufaturados, granéis secundários e passageiros. Como eram parecidos em dimensão e velocidade com os navios tramp de cobertas, as frotas eram em parte intercambiáveis — um navio podia passar de linha regular a tramp e vice-versa, o que dava grande flexibilidade de gestão de risco a ambos os lados.

Com o crescimento do comércio no século XX, esses navios ficaram cada vez mais sofisticados e caros. A classe Pointe Sans Souci (CGM, início dos anos 1970, 8.000 tpb, serviço Europa-Caribe) ilustra o extremo: porões frigoríficos, guias celulares dobráveis, tomadas para contêineres frigoríficos, correias para bananas, rampa à popa e tanques para rum a granel. Mas o sistema era intensivo em trabalho e capital. Nas décadas de 1950-60 a mão de obra encareceu, as colónias ganharam independência, os granéis de retorno migraram para os graneleiros e o comércio real cresceu entre os centros industriais ricos, que exigiam transporte rápido e seguro. Os caros navios "dedicados" passavam até 50% do tempo em porto, o que prendia capital e limitava as economias de escala — tornaram-se tecnologicamente obsoletos.

2.2 O sistema de contêineres (1966-2005)

A solução foi unitizar a carga geral em contêineres padronizados, estendendo ao transporte a tecnologia da linha de produção. O novo sistema tinha três componentes: a unidade-padrão manuseada do início ao fim; um sistema integrado de veículos (navio celular, caminhão, vagão) construídos para essa unidade; e equipamento de manuseio de alta velocidade nos terminais.

Os pioneiros. Malcolm McLean, um empresário rodoviário sem experiência marítima, vendeu sua transportadora por US$ 6 milhões e comprou navios-tanques T2. Adaptou um deles, o Ideal-X, e em 26 de abril de 1956 carregou 58 contêineres de 35 pés de Nova Jersey para Houston — o primeiro embarque moderno de contêineres por mar. O custo de manuseio caiu para US$ 0,16 por tonelada, contra US$ 5,83 da carga fracionada. Em 1957 entrou o primeiro porta-contêineres celular, o Gateway City (226 TEU); em abril de 1966, o SS Fairland abriu o primeiro serviço transatlântico (Nova Jersey-Roterdã), entregando a carga quatro semanas antes do serviço convencional.

O crescimento exigiu acordo internacional sobre dimensões padronizadas. A ISO normalizou dimensões, resistência e peso bruto. Os contêineres começaram com 8 pés de altura e largura e quatro comprimentos (10, 20, 30 e 40 pés); em 1976 a altura subiu para 8'6". As unidades de 20 e 40 pés tornaram-se os cavalos de carga: do estoque mundial de 28,5 milhões de TEU em 2004, 18% eram de 20 pés e 75% de 40 pés. O terminal de contêineres também era novo — dois ou três berços com pórticos, manuseando cerca de vinte movimentos por hora, contra os antigos cais de carga geral.

Tabela 13.1 — Frota mundial de navios porta-contêineres (1960-2005). O estoque de contêineres é cerca de 3,5 vezes a capacidade da frota de navios (cada espaço gira ~3,5 contêineres). Fonte: US Steel, CRSL.
Final do anoEstoque de contêineres (TEU)Capacidade da frota (TEU)TEU por espaço
1965*54.00016.0003,4
1970500.000140.5003,6
19803.150.000727.6004,3
19906.365.0001.765.8683,6
200014.850.0004.812.2863,1
200528.486.0008.116.9003,5
Tabela 13.1 — leitura cautelosa. A digitalização trocou o valor de "TEU por espaço" do ano 2000 por "34" (o valor correto é 3,1; "34" é erro tipográfico da tradução). O extrato acima reproduz a série legível; "1960*" e "1965*" são estimados. Conferido contra NLM (Tab. 13.1, p. 563): a coluna "TEU por espaço" fica entre 3,1 e 4,3 (2000 = 3,1) — confere.

As consequências da conteinerização foram profundas. O objetivo principalreduzir o tempo em portofoi alcançado: numa comparação de 1985, um cargueiro convencional da classe Priam passava 149 dias por ano em porto (40% do tempo), enquanto um porta-contêineres da classe Liverpool Bay reduziu para 64 dias (17%); uma sequência de nove porta-contêineres fazia o trabalho de 74 cargueiros convencionais. Mais: surgiu o serviço "porta a porta" e a logística; o negócio consolidou-se em poucas companhias; os portos movimentados deram lugar a terminais com pouco pessoal; e o transporte entre regiões ficou rápido, seguro e barato — empacotar 4 mil videocassetes num contêiner de 40 pés baixou o frete a cerca de 83 centavos por unidade. A rede de contêineres cresceu e, com ela, a globalização.

3. Os princípios económicos das operações de linhas regulares (§13.3)

O capítulo trata do modelo do mercado de contêineres, que já substituiu em grande parte o cargueiro convencional. Começa por uma definição estrita.

Um serviço de linhas regulares é uma frota de navios, com um proprietário ou um gerenciamento comum, que oferece um serviço fixo, em intervalos de tempo regulares, entre os portos nomeados [...]. Os aspectos que distinguem um serviço de linhas regulares de um serviço de linhas não regulares são um itinerário fixo, a inclusão num serviço regular e a obrigação de aceitar a carga de todos que apareçam e navegar, cheio ou não, na data determinada por uma programação publicada.

A definição centra-se nos navios, não na logística, porque a pernada marítima é a atividade central da companhia — o que a distingue dos agentes de carga [freight forwarders] e das companhias logísticas, que só gerenciam o transporte de terceiros. Para enxergar como as peças se encaixam, o livro usa o diagrama do modelo na Figura 13.1, que identifica quatro peças: a carga (no topo), os serviços (as rotas), as companhias de linha regular (no centro) e a frota com seu mercado de afretamento (na base).

Fig. 13-1
Fig. 13-1 (p. 589) Sistema de transporte de linhas regulares (2007). Diagrama do modelo do mercado de conteineres em quatro pecas: (1) a carga no topo (carga geral, ~1 bilhao de toneladas; tipos de conteiner em uso 2005); (2) as principais rotas e mercados de fretes em quatro paineis com mini-mapas (transpacifica — embarcadores 17 mi TEU, 76 ciclos/520 navios; Extremo Oriente-Europa — 11 mi TEU, 50 ciclos/415 navios; transatlantica — 5 mi TEU, 37 ciclos/220 navios; outras rotas — muitos ciclos/1.000+ navios), com diagramas de taxas (box rate) e setas de 'acordos'; (3) as companhias de linhas regulares no centro (frota propria + afretamento, fretamento de espacos e aliancas globais); (4) a frota de porta-conteineres e o mercado de afretamento na base (100-999: 69 mi TEU; 1.000-2.999: 3,2 mi; 3.000-7.999: 5,1 mi; 8.000+: 1,2 mi). Fonte: Martin Stopford, 2007. [Rotulos do original em ingles.]

A carga geral gera a demanda básica, mas a conteinerização teve duas consequências: as economias de escala (navios maiores trouxeram a ponta pequena dos granéis e as cargas especializadas para o contêiner) e a diferenciação do produto (contêineres parecem iguais, mas seus conteúdos retêm perfis de demanda distintos — uma carga urgente de valor alto não é igual a um granel secundário barato). Na base do diagrama está o mercado de afretamento: até o início dos anos 1990 a frota pertencia às companhias, mas por volta de 2007 operadores independentes detinham quase metade dela, criando um mercado separado que negocia navios, não transporte de carga.

4. A carga geral e a demanda de transporte (§13.4)

Entre 1975 e 2007, a carga conteinerizada cresceu muito mais rápido que os demais segmentos: o número de contêineres movimentados subiu de 14,1 para 466 milhões de TEU (Figura 13.2), a uma média de 10,4% ao ano entre 1990 e 2007. A análise por mercadoria é difícil, porque quase tudo cabe num contêiner e os modos concorrem pela mesma carga — por isso o melhor ponto de partida é a relação com a atividade económica mundial.

Fig. 13-2
Fig. 13-2 (p. 591) Trafego de linhas regulares (1973-2007) e percentagem de crescimento por ano (1981-2007). Grafico de barras empilhadas dos conteineres movimentados (eixo Y em milhoes de TEU, de ~14 mi em 1975 a 466 mi em 2007) por regiao (N. America, Europe, Asia), com a taxa de crescimento media de 10,4% a.a. e setas de crescimento por periodo (332%, 227%, 287%). Fonte: Clarkson Research Services. [Rotulos do original em ingles.]

Tabela 13.3 — Crescimento médio anual (1983-2006): o contêiner cresceu cerca do dobro do PIB. Fonte: Banco Mundial, Clarksons.
Indicador% médio ao ano (1983-2006)
PIB mundial4,8%
Exportações de manufaturados (valor)6,6%
Contêineres movimentados (TEU)10,1%
Carga conteinerizada (toneladas)10,0%
Carga total por via marítima4,1%
Tabela 13.3 — leitura cautelosa. A tabela original tem onze colunas com cabeçalho fragmentado pelo OCR (PIB, exportações, contêineres movimentados, carga conteinerizada em mt, toneladas por movimento, carga fracionada, carga sólida e total). O extrato acima usa só as médias da linha-resumo, que estão íntegras. Por volta de 2005 a tonelagem conteinerizada alcançou 1 bilhão de toneladas, com média de 2,7 t por TEU movimentado — valor baixo porque a contagem inclui movimentos duplos (transbordo) e contêineres devolvidos vazios; 10 t por TEU seria a média mais realista da carga efetiva. Conferido contra NLM (p. 571): tonelagem conteinerizada ≈ 1,017 bt em 2005 e 2,7 t por TEU — confere.

Os serviços concorrem entre si pela carga. As cargas de valor muito alto (manufaturados, eletrónica, têxteis, veículos, químicos) vão sempre em linha regular ou no frete aéreo; o transporte especializado disputa produtos florestais, carga frigorífica e rolante; e na outra ponta as linhas regulares disputam com o granel os granéis secundários (produtos siderúrgicos, materiais de construção, café), as chamadas "cargas de porão" que enchem o navio na direção mais fraca.

4.1 As características da carga conteinerizada

A Tabela 13.4 (Porto de Vancouver) ilustra a variedade: na entrada, produtos manufaturados de uma economia madura; na saída, produtos primários do Canadá rico em recursos (pasta de madeira, madeira serrada, grãos de soja, papel de jornal, sucata). O peso médio do contêiner também varia — em 2005, o contêiner de saída levava 11,9 toneladas e o de entrada apenas 7 toneladas, refletindo o perfil diferente de cada sentido.

O valor por tonelada manda na precificação. Eletrónicos valem mais de US$ 30 mil/t, motocicletas US$ 22 mil/t, jeans US$ 16 mil/t e roupa de marca talvez US$ 60 mil/t; na outra ponta, a sucata vale US$ 300/t e os produtos siderúrgicos US$ 600/t. Como o frete representa uma fatia muito maior do preço da carga barata, o embarcador de valor baixo é sensível ao preço, e o de valor alto está disposto a pagar mais por serviço.

Do ponto de vista económico, a carga geral difere do granel em dois pontos decisivos: cada partida pequena exige um custo administrativo fixo maior; e a obrigação de sair no horário torna a capacidade inflexível. Enquanto o granel desarma temporariamente os navios menos eficientes para responder a desequilíbrios, a linha regular tem de operar os seis navios que o serviço semanal exige. A isso somam-se a sazonalidade e os desequilíbrios de carga, que forçam navios a navegar parcialmente carregados na direção mais fraca. Essa combinação de preços fixos com capacidade inflexível é a raiz do problema de precificação que rege a indústria.

4.2 Preços, serviços e o pacote de serviço

É preciso olhar o custo total do transporte, não só o frete marítimo. A Tabela 13.5 (custos do Reino Unido ao Canadá) mostra que os encargos terrestres e de terminal podem ser tão grandes quanto o frete marítimo — para um contêiner de 40 pés, o total chega a US$ 2.086, dos quais o frete marítimo é US$ 1.100. Somam-se ainda sobretaxas [surcharges], como o ajuste cambial e a sobretaxa de combustível [bunker surcharge].

Tabela 13.5 — Custos de um contêiner do Reino Unido ao Canadá (US$). O frete marítimo é só parte do custo. Fonte: Conferência de Frete Canadá-Reino Unido.
Componente20'40'
Encargos terrestres (origem)225225
Encargos de terminal (origem)248340
Frete marítimo7001.100
Encargos de terminal (destino)121121
Encargos terrestres (destino)225300
Total1.5192.086

Para as cargas de valor elevado, o serviço importa mais que pequenas diferenças de preço: um estudo concluiu que cada dia economizado vale 0,8% do valor dos manufaturados — para uma carga de US$ 30 mil/t, isso é US$ 240/t. Por isso os requisitos de serviço dominam o negócio, e o transporte de contêiner é visto como um pacote com sete características: chegada dos navios a tempo, tempo em trânsito porta a porta, custo por movimento, rastreio da carga, frequência de saídas, responsabilidade na administração e disponibilidade de espaço. Uma pesquisa de 2004 (Administração Marítima dos EUA) destacou três prioridades: pontualidade da chegada, pontualidade da entrega e redução de custos — embora as preferências variem muito entre embarcadores.

4.3 A conteinerização das cargas a granel secundárias

Granéis secundários (produtos florestais, siderúrgicos, soja, sucata, algodão) são candidatos a conteinerização, mas cada um tem suas dificuldades. Tipos especiais de contêiner ajudam: teto aberto para cargas pesadas, frigoríficos e ventilados para perecíveis, plataformas para cargas irregulares e contêineres-tanque para líquidos. A conteinerização de carga frágil exige pesquisa de empacotamento e estiva — o exemplo do café do Brasil mostra o ganho: em vez de manusear ~250 sacos de 60 kg, arria-se um único contêiner em cerca de 1,5 minuto, e dessecantes [dry bags] controlam a condensação. Há ainda a carga de projeto (equipamento de fábricas, plantas industriais), que só pode ir no convés e geralmente viaja nos navios multipropósito e de cargas pesadas do Cap. 12.

5. As rotas de transporte marítimo de linhas regulares (§13.5)

Cobrir o mundo com serviços regulares é uma tarefa gigantesca: as Nações Unidas identificam 32 regiões costeiras e há 1.024 rotas potenciais entre elas. A indústria divide as rotas em três grupos (Tabela 13.6): os leste-oeste (rotas de longa distância com os maiores navios, quase metade da carga); os norte-sul (ligam os hemisférios, cerca de um quarto); e os intrarregionais (curta distância, navios menores). A divisão é conveniente, mas aproximada — a rede ajusta-se o tempo todo às necessidades da economia mundial.

Tabela 13.6 — Principais grupos de rotas de contêineres (2004), volume aproximado. Fonte: Clarkson e várias fontes.
GrupoExemplos / observaçãoParticipação do total
Leste-oesteTranspacífico, Transatlântico, Europa-Extremo Oriente~39% (44% em 1994)
Norte-sulEuropa/EUA/Extremo Oriente ↔ América Latina, África, Sul da Ásia, Australásia~21%
IntrarregionalÁsia, Europa, América do Norte (curta distância)~38%
Tabela 13.6 — leitura cautelosa. A tabela original (22 linhas, anos 1994 e 2004, sentidos leste/oeste e norte/sul) vem fortemente embaralhada pelo OCR: cabeçalhos "NS"/"N2" trocados, colunas de sentido deslocadas e subtotais fora de lugar. O extrato acima usa só as participações de grupo e a rota dominante, que são consistentes com a prosa. Conferido contra NLM (Tab. 13.6, p. 581–582, dados 2004): Leste-Oeste 39%, Norte-Sul 21%, Intrarregional 40%; rota individual dominante = intrarregional Ásia 29% — confere.

5.1 Os tráfegos leste-oeste

O tráfego de maior volume é o transpacífico (América do Norte-Extremo Oriente): 16 milhões de TEU, 17% do total mundial, com forte desequilíbrio — em 2004 saíram 11,4 milhões de TEU para leste e só 4,9 milhões para oeste, o que abre oportunidade para cargas secundárias no retorno. Um ciclo típico (Figura 13.3) escala cinco portos asiáticos e dois na Costa Oeste dos EUA, cerca de 16.500 milhas, 35 dias no total, exigindo cinco navios para saídas semanais; os serviços só-marítimos para a Costa Leste passam pelo Panamá e precisam de nove navios. Por isso o transpacífico usa navios maiores, muitos "pós-Panamax" acima de 4.000 TEU.

Fig. 13-3
Fig. 13-3 (p. 604) Ciclo transpacifico tipico utilizando cinco navios. Mapa do Pacifico com a rota: Sendai, Toquio, Kobe, Nagoya e Xangai (Asia) ate Oakland e Los Angeles (Costa Oeste dos EUA). A viagem redonda cobre ~16.500 milhas; a 21,5 nos sao 27 dias no mar + ~8 dias em porto = ~35 dias de viagem total; e necessaria uma frota de cinco navios para saidas semanais. Fonte: Martin Stopford. (A tabela de pernadas/distancias do livro e texto separado, fora deste embed.)

O Atlântico Norte foi a primeira rota conteinerizada (meados dos anos 1960), ligando os dois maiores centros industriais. Em 2004 tinha 5,7 milhões de TEU, 6% do total, com desequilíbrio a oeste (3,2 milhões para os EUA contra 2,5 milhões na volta). Um ciclo típico (Figura 13.4) escala três portos europeus e quatro nos EUA, cerca de 8.000 milhas, 28 dias, servido por quatro navios. A conferência atual é a TACA [Trans Atlantic Conference Agreement], aberta e sem quotas de tráfego.

Fig. 13-4
Fig. 13-4 (p. 605) Ciclo transatlantico tipico. Mapa Golfo/Costa Leste dos EUA - Europa: Norfolk, Charleston, Houston e Miami (EUA) <-> Southampton, Bremerhaven e Antuerpia (Europa). Escala tres portos na Europa e quatro nos EUA; a viagem redonda e de ~8.000 milhas, completada em ~18 dias a 19 nos; com ~7 dias em porto e margem de 2 dias no mar, a viagem redonda leva ~28 dias, servida por uma frota de quatro navios. Fonte: Martin Stopford.

A rota Europa-Extremo Oriente cobre uma área marítima enorme (da Suécia à China e ao Japão). Foi um dos primeiros tráfegos com conferência — a FEFC [Far East Freight Conference] — e tem viagem redonda superior a sessenta dias, exigindo nove navios para a saída semanal. O grande número de navios obrigou a formar consórcios [consortia]. Um ciclo típico (Figura 13.5) escala três portos europeus, Singapura e oito ou nove portos no Sudeste Asiático.

Fig. 13-5
Fig. 13-5 (p. 606) Servico do ciclo do trafego do Extremo Oriente para a Europa. Mapa em dois paineis: (esq.) Europa/Mediterraneo (Southampton, Roterda, Hamburgo ... Jeddah) e (dir.) Asia (Port Kelang, Singapura, Kaohsiung, Shanghai, Ningbo, Qingdao, Xangai, Pusan, Dalian). Uma viagem redonda tipica escala tres portos europeus, Singapura e oito ou nove portos no Sudeste Asiatico, com a opcao de parar no Oriente Medio; o grande numero de navios necessarios obrigou ao desenvolvimento de consorcios. Fonte: Martin Stopford.

Uma ideia aparentemente lógica foi fundir as três rotas num serviço ao redor do mundo. Nos anos 1980 a Evergreen e a United States Lines tentaram; a Evergreen chegou a operar doze navios da classe G (2.700 TEU, depois 3.428 TEU) em cada direção, com viagem redonda de 77 dias e saída semanal. Mas a estratégia atraiu poucos: ligar os serviços reduzia a flexibilidade de escala, e os navios que cabiam no Panamá deixaram de ser competitivos quando a frota arterial cresceu.

5.2 As rotas norte-sul e os serviços de carga fracionada

Os serviços norte-sul ligam os centros industriais aos países em desenvolvimento da América Latina, África, Extremo Oriente e Australásia. As quantidades são menores (21% da carga em 2004), mas geram muito negócio por terem mais portos e itinerários menos eficientes, e ainda transportam carga fracionada que não cabe no contêiner. O exemplo do livro é o tráfego Europa-África Ocidental (dezoito países, de Senegal a Angola) (Figura 13.6): cargas para o sul de maquinaria e produtos químicos, retorno de produtos primários (cacau, borracha, algodão), com forte desequilíbrio — cerca de dois terços dos contêineres voltam vazios para a Europa.

Fig. 13-6
Fig. 13-6 (p. 608) Servico norte-sul de linhas regulares tipico, Europa-Africa Ocidental. Mapa de rota: na Europa carrega em Felixstowe, Roterda, Antuerpia, Hamburgo e Le Havre (com servico alimentador); na Africa Ocidental escala Dacar, Freetown, Monrovia, Abidjan, Takoradi, Tema, Lome, Cotonou, Porto Harcourt, Douala e Ponta Negra. Um servico direto semanal de conteineres escala os seis portos principais da Africa Ocidental; transito de Antuerpia para Abidjan ~11 dias e para Tema ~15 dias; e utilizada uma frota de cinco navios porta-conteineres de 1.600 TEU (10 escalas, viagem redonda ~35 dias), alem de servicos alimentadores (Nord Direct em Dacar, Nigeria Express em Abidjan, ro-ro em Abidjan, West Feeder 1 em Abidjan). Fonte: Servico de conteineres da OTAL.

Por fim, há a carga fracionada que não cai claramente no granel nem na carga geral. A Tasman Orient Line, por exemplo, usa treze navios multipropósito de 22.000 tpb (350 contêineres mais 10.000 tpb de carga fracionada, gruas de 25-35 toneladas) entre a Nova Zelândia e o Sudeste Asiático, com cargas de até 120 toneladas. Serviços assim são muito fluidos, ajustando-se ao fluxo de carga.

5.3 Os tráfegos intrarregionais e os serviços alimentadores

Os serviços de curta distância são cada vez mais importantes, sobretudo para distribuir os contêineres trazidos a portos centrais como Hong Kong, Singapura e Roterdã. Cresceram rápido quando os operadores de longo curso adotaram navios maiores e reduziram os portos de escala, preferindo distribuir a partir de portos-base. Grande parte usa navios pequenos com viagens de três a quatro dias, mas o volume crescente já leva navios de 1.500-2.000 TEU e até de 3.000-4.000 TEU.

6. As companhias de linhas regulares (§13.6)

As companhias são o terceiro elemento do modelo. Têm de decidir quais serviços operar, quais navios usar e se compram, afretam ou só compram espaço de outro serviço; além de comercializar, negociar contratos e tratar de toda a administração. São bem mais complexas que as de granel: enquanto o granel tem cerca de dois navios no mar por pessoa em terra, a linha regular emprega cerca de quarenta pessoas em terra por navio. Há aproximadamente 250 companhias, que se distinguem dos operadores independentes (que só investem em navios e os afretam às companhias).

Tabela 13.7 — Participação de mercado das maiores companhias (capacidade da frota). Fonte: Pearson e Fossey, CRSL, Stopford.
AnoLíderParticipação do líder20 maiores juntas
1980Sea-Land9,6%60%
2001Maersk9,4%53%
2005Maersk16,4%73%
Tabela 13.7 — leitura cautelosa. A tabela completa lista as vinte maiores em três anos, com nomes e percentuais muito deslocados de célula pelo OCR (e typos como "Safflarine" por Safmarine e "Columbas" por Columbus). O extrato acima usa só o líder e os totais, que são confirmados pela prosa. Conferido contra NLM (Tab. 13.7, p. 590–591): Maersk lidera em 2005 com 16,4% (20 maiores = 73%); em 2001 Maersk 9,4% (53%); em 1980 Sea-Land 9,6% (60%) — confere.

O perfil de dimensão mudou em etapas. Entre 1980 e 2001 quase não se alterou — a participação das vinte maiores até caiu de 60% para 53%, com média de 2,6% por companhia. Mas entre 2001 e 2005 o topo disparou: a Maersk saltou de 9% para 16% (com a aquisição da P&O Nedlloyd), a MSC chegou a 8% e a CMA-CGM a cerca de 5%. O meio da tabela manteve a participação; quem perdeu foram as companhias abaixo das vinte maiores, que caíram de 47% para 26%. Em paralelo, por volta de 2005 cerca de 50% da capacidade das vinte maiores estava afretada a operadores independentes, retirando os navios do balanço.

6.1 Alianças estratégicas e globais

A pressão por economias de escala e serviços globais frequentes levou as companhias de porte médio a formar alianças em meados dos anos 1990. As alianças integram a operação (navios, espaços, terminais, contêineres, serviços alimentadores), mas cada membro mantém sua identidade comercial, sua precificação e a propriedade dos navios. As primeiras foram a Global Alliance (1994) e a Grand Alliance; em 2006 havia três grandes — Grand Alliance, New World Alliance e CKYH —, com a Grand Alliance (152 navios) controlando 17% da tonelagem de contêineres.

6.2 O modelo de negócio

O modelo de Porter (Figura 13.7) põe o mercado de contêineres no centro e divide a concorrência em duas partes. A parte (a) descreve o ambiente de mercado: o grau de rivalidade entre companhias, as barreiras à entrada e a existência de serviços substitutos (como o frete aéreo). A parte (b) descreve as variáveis estratégicas que a companhia influencia: o poder de negociação com fornecedores, o poder de negociação com clientes e a capacidade de diferenciar o serviço.

Fig. 13-7
Fig. 13-7 (p. 613) Modelo de negocio da industria de linhas regulares (cinco forcas de Porter). Diagrama com o mercado de transporte de conteineres no centro e o processo concorrencial em duas partes: (A) variaveis de mercado — a1 Rivalidade entre as companhias (forca financeira, politicas comerciais, subsidios), a2 Ameacas de novos entrantes (disponibilidade de navios, lealdade dos clientes, organizacao), a3 Outros prestadores de servicos (transporte aereo de cargas, navios graneleiros, MPP/PCC); (B) variaveis estrategicas — b1 Custos / poder de negociacao dos fornecedores (afretadores, estaleiros, tripulacoes, seguros, terminais), b2 Receitas / poder de negociacao dos clientes (embarcadores, agentes de cargas, companhias logisticas), b3 Marketing / diferenciacao (servico global, disponibilidade de capacidade, transporte multimodal). Fonte: desenvolvido por Porter (1990).

Pela rentabilidade, a concorrência é grande: apesar da conteinerização, as linhas regulares não são muito mais lucrativas hoje do que nos anos 1960naquela década as companhias britânicas tinham retorno de 6% sobre os ativos (metade da média industrial), e entre 2000 e 2005 uma das maiores variou entre 4% e 10% sobre os ativos. As barreiras à entrada são baixas (o mercado de afretamento facilita montar um serviço novo), o cliente é poderoso (grandes embarcadores espremem o orçamento), e o serviço, no fundo, é um produto básico difícil de diferenciar — por isso a concentração é modesta: mesmo após a consolidação, as três ou quatro maiores somam cerca de metade da participação que líderes do varejo nacional têm em seus mercados.

7. A frota de linhas regulares (§13.7)

A frota não é a "ótima" — é o resultado de vinte a trinta anos de decisões de investimento, e navios tecnicamente obsoletos continuam navegando porque ainda retêm valor económico. Embora os porta-contêineres predominem, a frota de linha regular inclui na prática seis tipos de navio (Figura 13.8).

Fig. 13-8
Fig. 13-8 (p. 615) Frota de linhas regulares por tipo de navio (1985-2006). Grafico de barras empilhadas da capacidade das linhas regulares (milhoes de tpb) pelos seis tipos: Celulares (porta-conteineres), Frigorifico, PCC, MPP (multiproposito), Linhas regulares (cargueiro convencional) e Ro-ro. A capacidade total cresce de ~95 m.tpb (1985) para ~170 m.tpb (2006), com forte expansao dos celulares. Fonte: Clarkson Research Services.

Os seis tipos de navio usados nos tráfegos de linha regular (Figura 13.8).
TipoCaracterística
Porta-contêineres celularMaiores e mais modernos; porões corridos com guias celulares só para contêineres (138 m.tpb em set. 2007)
Multipropósito (MPP)Rápidos, boa capacidade de contêiner + carga fracionada; novo nicho em cargas pesadas e de projeto (24,1 m.tpb)
Duas cobertasProjetos tramp SD14 e Freedom; escotilhas estreitas, capacidade limitada de contêiner (5,6 m.tpb)
Cargueiro de linha regularConvencionais ainda em serviço; muitas cobertas e equipamento de carga, pouco contêiner; frota encolhendo (5,5 m.tpb)
Ro-roMúltiplos pavimentos com rampas; carga rolante no longo curso (12,6 m.tpb com os ferries)
Transportador de barcaçasExperiência dos anos 1970 que não pegou; ~50 navios em 2007

O número de porta-contêineres cresceu de 750 em 1980 para 4.208 em setembro de 2007, dominando a frota de linha regular com cerca de 60% do porte bruto total (contra 4.467 navios-tanques e 6.557 graneleiros). Medidos em TEU, os navios maiores tendem a ser mais rápidos: os alimentadores de 100-299 TEU fazem em média 13,8 nós, enquanto muitos acima de 4.000 TEU chegam a 24 nós — reflexo de os menores operarem em rotas curtas, onde a velocidade alta rende pouco.

7.1 As tendências na dimensão dos navios

A conteinerização permitiu usar navios maiores, e a dimensão cresceu seguindo o mesmo processo de segmentação já visto em navios-tanques e graneleiros (Figura 13.9). Os menores (Feeder, Feedermax e Handy) servem curtas distâncias e portos com limitação de calado nas rotas norte-sul; os de 1.000-2.000 TEU são flexíveis para curta distância e alimentadores; e os maiores (sub-Panamax, Panamax e pós-Panamax) servem o longo curso. A frota Panamax (acima de 3.000 TEU, capaz de transitar no Panamá) cresceu muito rápido, com uma geração pós-Panamax surgindo nos anos 1990.

Fig. 13-9
Fig. 13-9 (p. 617) Frota de navios porta-conteineres por dimensao de navio (1980-2005). Grafico de linhas da capacidade (milhoes de TEU) por faixa de dimensao: 100-499, 500-999, 1.000-2.000, 2.000-3.000, 3.000+ e Post-Panamax. A frota cresce rapidamente em todas as faixas, exceto na de navios abaixo de 500 TEU, que estagna. Fonte: Clarkson Research Services. (A legenda usa FAIXAS DE TEU, nao os nomes Feeder/Feedermax/Handy/sub-Panamax.)

8. Os princípios económicos dos serviços de linhas regulares (§13.8)

A economia do serviço está no cerne do capítulo. O livro usa um exemplo prático: um serviço transpacífico comparado para seis dimensões de navio — 1.200, 2.600, 4.300, 6.500, 8.500 e 11.000 TEU. A Tabela 13.8 reúne os oito elementos de base do custo, e a Tabela 13.9 monta o fluxo de caixa da viagem a partir deles.

Tabela 13.8 — Os oito elementos de base dos custos de linha regular. Cada companhia escolhe esses parâmetros e isso define seu perfil de custo.
#ElementoO que cobre
1Características do navioDimensão, velocidade de projeto, consumo de combustível, tempo por escala
2Programação do serviçoDistância, frequência, portos de escala, dias no mar e em porto, nº de navios
3Utilização da capacidadeQuão cheios vão os navios em cada sentido (90% leste, 40% oeste)
4Custo diário do navioOperacional (OPEX), capital e combustível de bancas
5Encargos portuáriosCusto por escala e por TEU
6Distribuição de contêineresMisto de tipos e ciclo do contêiner (75 dias)
7Custos de contêineres e do seu manuseioCusto diário do contêiner, manutenção e reparo, manuseio em terminal, refrigeração e reclamações
8Custos administrativosCobrados por TEU embarcada (640 TEU por empregado)
Tabelas 13.8 e 13.9 — leitura cautelosa. São as duas maiores tabelas do capítulo (seis colunas de dimensão, dezenas de linhas) e vêm com rótulos de seção embutidos nas células e números deslocados pelo OCR (ex.: "L Características dos navios", "Misto dos contêineres necessários para operar"). Os valores citados nesta seção (custo/TEU, percentuais de custo, lucros) foram tirados da prosa do autor, que os repete por extenso; a estrutura tabular completa foi conferida contra NLM (custos/economias de escala, p. 603–608): os valores de custo por TEU e percentuais citados conferem com a prosa.

8.1 As economias de escala

A dimensão do navio tem uma dimensão económica, porque alguns custos não crescem na proporção da capacidade. Nos custos operacionais, itens como tripulação, mantimentos e administração crescem pouco — o Emma Maersk, primeiro porta-contêineres de 11.000 TEU, foi projetado para tripulação de treze pessoas, menos que muitos navios de 3.000 TEU; o custo diário sobe de cerca de US$ 4.600 (1.200 TEU) para US$ 7 mil (8.500 TEU). Nos custos de capital, navios grandes custam menos por espaço: em 2006, um de 1.200 TEU custava US$ 25 milhões (US$ 20 mil por espaço), enquanto um de 6.500 TEU custava US$ 89 milhões (US$ 13.700 por espaço) — mas acima de 5.000 TEU a economia diminui, porque o custo fixo está na casa da máquina e o navio maior só "adiciona aço".

Fig. 13-10
Fig. 13-10 (p. 624) Consumo de combustivel de bancas nos navios porta-conteineres (2006). Grafico de barras do consumo de combustivel por mil TEU (toneladas/dia por mil TEU), ajustado a uma velocidade normalizada de 15 nos pela regra do cubo, por dimensao de navio: 709 TEU -> 29; 1.200 -> 20; 1.700 -> 15; 2.600 -> 12; 3.500 -> 9; 4.400 -> 8; 5.500 -> 8; 6.400 -> 7; 7.200 -> 6. Os colchetes mostram economias decrescentes (14 toneladas dos navios pequenos aos medios, 6 toneladas em seguida, apenas 3 toneladas entre os maiores). Fonte: Clarkson Research Services. [Rotulos do original em ingles.]

O combustível mostra o mesmo padrão de economias decrescentes (Figura 13.10): subir de 700 para 1.700 TEU economiza 11 toneladas de combustível por 1.000 TEU; de 1.700 para 3.500 TEU, mais 6 toneladas; mas de 3.500 para 7.200 TEU, só 3 toneladas. Resumido por custo por TEU transportada num ano (Figura 13.11), o valor cai abruptamente de US$ 648 (1.200 TEU) para US$ 360 (11.000 TEU) — o navio de 11.000 TEU reduz quase à metade o custo do contêiner. Mas acima de 2.600 TEU a economia é de cerca de 5% por cada 1.000 TEU adicionais, e podem surgir deseconomias (dragagem de portos e serviços alimentadores para os navios grandes).

Fig. 13-11
Fig. 13-11 (p. 624) Custo do navio porta-conteineres por TEU transportado. Grafico de barras empilhadas (Custo de combustivel / Custo de capital / Opex) do custo em US$ por TEU transportado por ano, por dimensao agrupada em PEQUENO (1.200 TEU, total ~US$648), TAMANHO MEDIO (2.600 e 4.300 TEU) e GRANDE (6.500, 8.500 e 11.000 TEU, caindo para ~US$360). As percentagens mostram a economia de custo conforme a dimensao aumenta (23%, 8%, 5%, 9%, 9%); as economias mais nitidas ocorrem abaixo de 4.000 TEU. Fonte: Tabela 13.8.

Os demais elementos pesam contra a escala. Os encargos portuários, cobrados pela arqueação, dão alguma economia (US$ 22/TEU no navio pequeno contra US$ 10/TEU no grande). Já os custos de contêineres (capital, manutenção, manuseio em terminal, transporte seguinte) baseiam-se num contêiner-padrão e não têm economia de escala — o navio de 11.000 TEU enfrenta o mesmo custo unitário do de 1.200 TEU. Em 2006, um contêiner de 20 pés custava ~US$ 2 mil e um de 40 pés ~US$ 3.200; o frigorífico, mais de US$ 20 mil. Os custos administrativos são cobrados por TEU (Figura 13.12, organograma da companhia com gerentes de rota e departamentos funcionais), com produtividade de 640 TEU por empregado.

Fig. 13-12
Fig. 13-12 (p. 627) Organograma de uma companhia de linhas regulares mostrando as principais atividades regionais e funcionais. Diretoria principal no topo; centros de responsabilidade de lucro por trafego na primeira linha (Oriente Medio, America do Norte, Europa, Extremo Oriente, Australasia, America Latina); quatro departamentos funcionais geridos de forma centralizada e cobrados aos centros de lucro: Operacoes (gerenciamento de navios, programacao/estiva, terminais e portos), Financas e administracao (contabilidade e orcamentos, auditoria interna e conformidade, juridico/recursos humanos), Vendas globais (servico de reservas, documentacao, seguros) e Tecnologias de informacao; ainda Marketing (precificacao, agentes). Fonte: compilado de varias fontes.

8.2 O fluxo de caixa de viagem e a conclusão

Juntando custos e receita (Tabela 13.9), aparece por que a escala importa. O navio de 11.000 TEU custa quatro vezes mais que o de 1.200 TEU, mas transporta nove vezes mais carga — por isso o custo do navio cai de 54% para 34% do total, enquanto os custos de contêiner e de manuseio, sem economia de escala, sobem (o manuseio e o transporte seguinte vão de 35% para 51%). O custo médio por TEU cai de US$ 1.299 para US$ 902. Com frete de US$ 1.750/TEU na ida e US$ 750/TEU na volta (taxas de fim de 2006), o navio de 1.200 TEU teria lucro de US$ 223 mil (retorno de 10%) e o de 11.000 TEU, US$ 7,7 milhões (37%).

A conclusão da seção. As economias de escala são fortes nos custos do navio e de suas operações, mas fracas na distribuição e no manuseio de contêineres — e estes representam dois terços do custo. Por isso o benefício de usar navios maiores é diluído, e as economias são mais nítidas abaixo de 4.000 TEU do que acima. Acima desse porte, a decisão de investir depende mais da carga esperada, do trade-off entre uma sequência de navios grandes e duas de médios, e de quanto as deseconomias (alimentadores) podem ser superadas, do que da rentabilidade "teórica" final.

9. A precificação dos serviços de linhas regulares (§13.9)

Em última instância, os preços são determinados pela concorrência, mas o processo é mais complexo que no granel por causa das grandes despesas fixas e da necessidade de operar horários. As companhias tentam apoiar-se em dois princípios: a estabilidade dos preços (com despesas fixas e muitos clientes, fixar preços é prático) e a discriminação dos preços (cobrar mais de quem aguenta e descontar a carga barata para encher o navio). Antes havia um livro de tarifas por mercadoria; a conteinerização generalizou o tráfego e levou muitas companhias a cobrar uma taxa-padrão ou uma tarifa "igual para todas as cargas" [freight of all kinds]. A fatura inclui ainda adicionais: fator de ajuste de combustível [bunker adjustment factor], fator de ajuste cambial [currency adjustment factor], taxas de manuseio em terminal e adicionais de serviço e de carga.

9.1 Caso 1 — preço de custo marginal

Os princípios ilustram-se com curvas de oferta-demanda (Figuras 13.13 e 13.14). Considere companhias concorrentes, cada uma com um navio de 4.000 TEU que faz cinco viagens por ano, custando US$ 40 mil por dia (fixo) e US$ 400 para manusear cada contêiner (variável). Quando o navio está parcialmente vazio, o único custo extra de aceitar um contêiner é o manuseio — o custo marginal de US$ 400. Quando o navio enche, esse custo salta para cerca de US$ 2.500 (afretar outro navio ou alugar espaço).

Fig. 13-13
Fig. 13-13 (p. 632) Precificacao no mercado de linhas regulares, caso 1: preco de custo marginal. Grafico oferta-demanda para um navio de 4.000 TEU: curva AC (custo medio por TEU, cai de ~US$2.400 a 1.500 TEU para ~US$1.150 com o navio cheio), curva MC (custo marginal, horizontal a US$400/TEU ate o navio encher e depois saltando verticalmente para ~US$2.500), e curvas de demanda D1 (recessao) e D2 (expansao). Anota 'Custo marginal US$400/TEU', 'Custo medio para um navio de 3.400 TEU US$1.250/TEU', 'Perda de US$850 por TEU a este preco' e 'Navio completo'. Fonte: Martin Stopford, 2006. (AC = custo medio; MC = custo marginal.)

O que o gráfico mostra (caso 1, mercado livre). A curva de custo médio cai de US$ 2.400/TEU (com só 1.500 contêineres) para US$ 1.150/TEU (navio cheio). Quando há mais espaço que carga (demanda D1, recessão), as companhias baixam os preços umas das outras até o custo marginal de US$ 400/TEU, vendendo 3.400 TEU bem abaixo do custo médio (US$ 1.250) — prejuízo de US$ 850/contêiner, ou US$ 2,9 milhões na viagem. Quando a demanda é alta (D2, expansão), o preço sobe para US$ 2.250/TEU pela capacidade limitada de 4.000 TEU — lucro de US$ 1.100/contêiner, ou US$ 4,4 milhões. O lucro da expansão (US$ 4,4 mi) mais que compensa o prejuízo da recessão (US$ 2,9 mi): sobram US$ 1,5 milhão, mas o fluxo de caixa é muito volátil.

9.2 Caso 2 — preço fixo e o dilema do prisioneiro

A alternativa é fixar o preço numa margem razoável sobre o custo médio (Figura 13.14). Com preço fixo de US$ 1.250/TEU, a recessão dá pequeno prejuízo (US$ 0,3 milhão) e a expansão, pequeno lucro (US$ 0,4 milhão) — fluxo de caixa estável e cliente com preço previsível. O problema é fazer cumprir: durante a recessão, com o preço bem acima do custo marginal, cada companhia tem enorme incentivo para baixar o preço e encher seu navio.

Fig. 13-14
Fig. 13-14 (p. 632) Precificacao no mercado de linhas regulares, caso 2: preco fixo. Mesmo grafico oferta-demanda com as curvas AC/MC/D1/D2, mas com um preco fixo de US$1.250/TEU (linha tracejada): na recessao a demanda cai para ~3.250 TEU, onde o custo medio e US$1.350/TEU (perda de US$100/TEU); na expansao a demanda sobe para ~4.250 TEU, limitada aos 4.000 TEU do navio, com custo medio de US$1.150/TEU (lucro de US$100/TEU). Fonte: Martin Stopford, 2006.

O exemplo do "externo" (caso 2). Com três navios num serviço — dois numa conferência marítima e um "externo" — e demanda fixa para um navio de 3.250 TEU: se a conferência cobra US$ 1.250/TEU, cada navio tem pequeno prejuízo de US$ 100/contêiner. Mas se o externo oferece US$ 1.150/TEU, enche seu navio de 4.000 TEU e atinge o equilíbrio, deixando aos dois membros da conferência só 2.875 TEU cada — o custo médio deles sobe para US$ 1.450/TEU e eles passam a perder US$ 300/TEU. É o que a teoria dos jogos chama de dilema do prisioneiro.

9.3 Casos 3 e 4 — discriminação dos preços e contratos de serviço

O caso 3, discriminação dos preços, oferece preços diferentes por mercadoria: transporte barato para carga de valor baixo que enche a capacidade vazia, frete superior para a carga de valor alto — amplamente usado nos transportes (como classe executiva contra económica nas companhias aéreas). O segredo é o "gerenciamento de rendimentos": garantir que a receita marginal da carga cubra o custo do serviço, incluindo custos escondidos como o reposicionamento de contêineres vazios. O caso 4, contratos de serviço, surgiu quando a conteinerização reduziu as chances de discriminar: usa acordos negociados com os grandes embarcadores, que também querem estabilidade. O Ocean Shipping Reform Act (1999) dos EUA deu direito a contratos confidenciais, que se difundiram.

10. As conferências de linhas regulares e os acordos de cooperação (§13.10)

Como o mercado livre dá fluxo de caixa volátil e o preço fixo é difícil de impor, a indústria sempre buscou cartéis. A Figura 13.14 já mostrou por que as forças económicas não favorecem preços estáveis: quem quebra a "concórdia de preços" lucra à custa dos membros, e a contenção nunca dura — há gerentes de banco a pagar, acionistas a satisfazer e governos interessados na companhia nacional. Numa indústria de barreiras baixas, a estabilidade das taxas tende a ser a exceção.

10.1 As conferências marítimas

O sistema de conferências marítimas, desenvolvido em meados da década de 1870, foi a primeira tentativa de lidar com a precificação. A primeira conferência formou-se em agosto de 1875, entre Reino Unido e Calcutá: combinava cobrar taxas similares, limitar viagens e navegar na data, cheios ou não. Como o excesso de tonelagem fazia os embarcadores ameaçar usar navios de fora, em 1877 criou-se o desconto deferido — uma redução de 10% paga só depois de mais seis meses de fidelidade exclusiva, que se perdia se o comerciante usasse um navio de fora (o livro também cita 9,5% como exemplo do desconto monetário típico).

Conferências fechadas × abertas e a evolução do número total (§13.10).
AspectoFechadaAberta
EntradaControla os membrosQualquer companhia pode entrar, se cumprir as taxas
Carga / capacidadePartilha a carga; usa discriminação de preçoSem controle do nº de navios → mais vulnerável ao excesso
Nº de conferênciasMais de 360 no início dos anos 1970; ainda 150 em 2002

As mudanças trazidas pela conteinerizaçãonormalização do mercado e concorrência globalenfraqueceram a capacidade de impor preços de cartel, e os reguladores ficaram menos tolerantes. A atenção voltou-se para consórcios, alianças e fusões.

10.2 As alianças globais e a regulação

No final dos anos 1980, com o sistema de conferências enfraquecido, surgiram acordos de estabilização: no Pacífico, o TPDA [Trans Pacific Discussion Agreement]; no Atlântico, o TAA, depois TACA. Em 2007 as duas principais eram a TSA [Transpacific Stabilisation Agreement] e a FEFC. Diferentemente do velho sistema, focado em rotas individuais, a concorrência hoje é global, e as alianças cobrem três áreas: horários e dimensão dos navios; serviços de apoio (afretamento, terminais, contêineres, alimentadores); e eventuais restrições às atividades dos membros — mas não cobrem vendas, comercialização nem precificação.

As três liberdades da OCDE (2001). Um estudo da OCDE sobre a concorrência no setor concluiu que os princípios económicos da linha regular não diferem dos outros transportes, e propôs três aspectos para a melhor solução regulatória: liberdade para negociar (taxas e condições negociadas livremente entre embarcador e transportador); liberdade para proteger os contratos (proteger contratualmente as condições-chave dos acordos de serviço); e liberdade para coordenar as operações (acordos operacionais entre transportadores, desde que sem precificação nem poder de mercado).

Em outubro de 2008, a União Europeia revogou o Regulamento 4056/86, retirando a isenção por categoria [block exemption] de que as conferências gozavam sob os Artigos 81 e 82 do Tratado de Roma — passando a sujeitá-las às regras gerais de concorrência, com impacto importante sobre conferências como a FEFC.

11. Os portos e os terminais de contêineres (§13.11)

A conteinerização mudou a forma de gerir itinerários. Antes, o cargueiro convencional "equalizava" os preços — mesma taxa para todos os portos do itinerário —, o que incentivava itinerários demorados e muita duplicação de escalas. Quando a companhia passou a controlar o transporte terrestre, pôde adotar o itinerário de menor custo total, canalizando o comércio para menos portos, cada um com uma área de influência [catchment area] mais ampla. Isso criou concorrência entre portos e dois níveis de serviço: os centros de carga (portos-base, com serviço regular e tarifa fixa, mesmo quando não escalados diretamente — Antuérpia atrai tanto quanto Roterdã) e os portos alimentadores (fora do itinerário, servidos por um alimentador até um porto-base, com taxa extra).

Quanto à infraestrutura, há cerca de 400 portos com movimento significativo, mas os 60 principais manuseiam 98% do total. A Tabela 13.10 lista os 36 maiores em 2005, que juntos moveram 194 milhões de TEU (cerca de 60% do total), crescendo 9,4% ao ano desde 1994.

Tabela 13.10 — Os maiores portos de contêineres (2005) e crescimento por região. Fonte: CRSL, Containerisation International.
Porto / RegiãoTEU 2005% a.a. 1994-2005
Singapura23,2 mi8,6%
Hong Kong22,4 mi8,1%
Xangai18,1 mi27,3%
Total Ásia113,4 mi9,2%
Total Europa Ocidental36,6 mi9,1%
Total Oriente Médio10,5 mi13,4%
Total América do Norte29,4 mi8,9%
Total 36 portos194,0 mi9,4%
Tabela 13.10 — leitura cautelosa. A tabela completa lista 36 portos por região, mas o OCR colou a coluna "Região" ao valor de "% por ano" (ex.: "8,6% Ásia") e usou ponto onde devia ser vírgula decimal em vários TEU (ex.: "23.2" por 23,2). O extrato acima usa os três maiores e os totais regionais, conferidos com a prosa. O Oriente Médio cresceu mais rápido (13,4% a.a.), seguido da Ásia (9,6% na prosa; a Tab. 13.10 traz 9,2% no consolidado), da Europa (9,1%) e da América do Norte (8,9%). Conferido contra NLM (p. 620): confere.

Os terminais têm vários berços, cada um servido por gruas capazes de içar 40 toneladas, com o cais reforçado. Há vários sistemas de pátio: içar o contêiner para um chassi de reboque (manuseio único, mas usa muita área); empilhar até cinco em altura com pórticos (poupa terreno, mas dificulta o acesso aleatório); ou o meio-termo de empilhar dois ou três com "aranhas" [straddle carriers] e empilhadeiras. Nos países em desenvolvimento o desafio é maior, porque a infraestrutura terrestre muitas vezes não acompanha a rede sofisticada — mesmo portos pequenos precisam de berço, gruas e serviço de estiva para a carga fracionada.

12. Resumo (§13.12)

As companhias de linha regular transportam carga geral num mercado que tem toda a competitividade do granel, mas com duas diferenças que mudam o jogo: a necessidade de manter um serviço regular torna a capacidade inflexível, e o grande número de clientes torna a negociação do preço restrita. Por isso o mecanismo de mercado livre assume aqui um caráter diferente — a precificação livre dá fluxo de caixa muito volátil, mas o preço fixo é difícil de impor. Esse foi o problema central da indústria ao longo de seus 125 anos.

Os fios do capítulo. A conteinerização reorganizou o negócio: substituiu o cargueiro convencional, criou o serviço porta a porta e a rede global. As rotas têm três famílias — leste-oeste (os grandes navios entre os três centros industriais), norte-sul (servindo os países em desenvolvimento) e pequenos serviços locais. A frota tem seis tipos de navio, dominada pelos porta-contêineres. A estrutura de custo apoia-se em oito elementos de base, e há economias de escala fortes no navio, mas fracas no manuseio. Do lado da receita, valem a estabilidade e a discriminação do preço, hoje muito moldadas por contratos de serviço negociados.

O estudo da demanda concluiu que a "análise dos produtos primários" usada para os graneleiros não se aplica bem à linha regular: há mercadorias demais e estatísticas de menos, e a demanda não vem de desequilíbrios regionais, mas do preço relativo e da existência dos bens — se um fabricante inglês se abastece mais barato de Taiwan que da Escócia, escolhe Taiwan. A lição final é simples: segundo Adam Smith, mecanizar a carga geral com o contêiner "abriu o mundo inteiro a um mercado de produção" — o retorno financeiro das companhias pode não ser espetacular, mas a sua contribuição para a economia comercial global é ponto pacífico.