1. Visão geral — por que a demanda de navios é derivada
Até aqui o livro falou muito de economia marítima e pouco dos navios em si. Um navio é um grande investimento e, diante da enorme variedade de tipos e dimensões, o investidor enfrenta uma pergunta difícil: que navio encomendar? Este capítulo percorre os tipos de navio mercante e mostra como as características de projeto de cada um se encaixam no modelo econômico do Capítulo 4.
O ponto de partida é entender o que é a demanda. O produto procurado não é o navio, é o transporte. O cliente não quer o porta-contêineres; quer mover o contêiner. Por isso a demanda de navios é uma demanda derivada — depende da demanda de transporte, não pode ser lida diretamente nos fluxos de carga. Como a mesma carga costuma caber em vários tipos de navio, prever a demanda de um tipo específico exige responder a duas perguntas: quais são as opções do armador e que critérios econômicos decidem entre elas.
Fonte: STOPFORD, M. Economia marítima. 3. ed. Trad. Léo Tadeu Robles e Ana Cristina F. C. P. Casaca. São Paulo: Blucher, 2017. Parte 5, Cap. 14 — Os navios que realizam o transporte.
Edital: Anexo 2-A, item 7.5.1 (Economia Marítima e Amazônia Azul → A frota mercante e a oferta de transporte → Os navios que realizam o transporte) · Anexo 2-B, Parte 5, Cap. 14 (Stopford).
A escolha do tipo de navio resume-se a três rubricas, e o capítulo inteiro gira em torno delas:
| Rubrica | O que decide |
|---|---|
| Tipo de carga | As propriedades físicas e comerciais da carga limitam os navios possíveis. Poucas cargas (GNL, lixo nuclear) exigem um tipo único; a maioria aceita várias opções. |
| Tipo de operação de transporte | Afretamento de longo prazo (carga e portos conhecidos), mercado aberto (só ideia geral) ou linhas regulares (rota conhecida, mas que muda na vida do navio). |
| Filosofia comercial | Preferir flexibilidade (servir vários mercados, reduzir risco) ou especialização (um navio ótimo para uma carga, mais eficiente mas menos flexível). |
A consequência prática é direta: não dá para prever a demanda de um tipo de navio só estudando os movimentos de carga, porque a decisão final mistura os três fatores e a própria moda de mercado.
1.1 A frota classificada por tipo de navio
Para organizar a discussão, a Figura 14.1 classifica os 74.398 navios marítimos mundiais em quatro níveis. Primeiro, três grandes grupos: os navios de carga (grupo 1, o foco do capítulo), as estruturas de petróleo e gás offshore (grupo 2) e os navios não cargueiros (grupo 3). Os navios de carga dividem-se em quatro setores por atividade econômica: carga geral, granel sólido, petróleo e produtos químicos, e gás liquefeito. No terceiro nível, esses setores se abrem em dezenove tipos de navio, definidos pelo projeto físico do casco. Como economistas, o livro acrescenta um quarto nível: a segmentação por dimensão, imposta por restrições de terminais e de vias navegáveis como o Canal do Panamá.
A Tabela 14.1 mostra como esses dezenove segmentos cresceram entre 1990 e 2006 e revela uma frota em constante mudança. No conjunto, a frota mundial cresceu em média 2,7% ao ano, mas com taxas muito diferentes por segmento: os porta-contêineres avançaram 9,4% ao ano, enquanto a frota de carga geral tradicional recuou 5,3%; somadas, as linhas regulares cresceram 4,2%. Os graneleiros cresceram 3,4% (os maiores subiram, os pequenos e os mineraleiros caíram) e os navios-tanques, 2,6% (Aframax na ponta de cima, VLCC mais devagar). Entre os especializados, a frota de GNL foi a que mais se expandiu e a frigorífica encolheu.
2. As sete questões que definem um projeto de navio (§14.2)
Cada navio é um conjunto de elementos combinados para um objetivo. Como os parâmetros raramente são claros, o projeto não é ciência exata. Benford resume o espírito da coisa:
Quer utilizemos computadores, calculadoras de mão ou as costas dos envelopes, aplica-se uma regra: a decisão vai ser tomada por alguém que não se restringirá à melhor projeção numérica. Existe arte como também existe ciência nisto — e, em geral, quanto mais importante a decisão, maior a sua dependência da arte. (Benford)
Antes de olhar os navios um a um, o capítulo propõe sete perguntas que o analista deve fazer ao definir o navio de que o investidor precisa.
2.1 Como o navio será operado?
A primeira pergunta é a razão de o investidor querer o navio. Investidores costumam preferir simplicidade e robustez à perfeição técnica: projetos engenhosos rendem boas palestras, mas têm histórico fraco no mundo comercial. Três exemplos mostram ângulos diferentes:
| Exemplo | Situação | Efeito no projeto |
|---|---|---|
| 1 — Mineraleiro dedicado | Siderúrgica com contrato de minério Brasil→China de longo prazo. | Carga, volume e rota conhecidos: o navio pode ser totalmente otimizado, buscando economias de escala e tecnologia que reduza custo operacional. |
| 2 — Graneleiro no mercado aberto | Operador compra navio para o mercado de afretamentos por viagem. | Só ideia geral de cargas e portos: prioriza projeto-padrão atraente aos afretadores e bom valor de revenda. |
| 3 — Granel especializado | Companhia entra num nicho (veículos, produtos florestais). | Conhece as exigências da carga: leva a um tipo bem diferente (transportador de veículos) ou a uma versão sofisticada de um navio-padrão (FPC). |
A sofisticação tem preço e risco. Quanto mais o navio é otimizado para uma carga ou rota, menos flexível ele fica.
2.2 Que carga o navio transportará? As unidades de carga
As cargas vêm em todas as formas. O conceito central é o de unidade de carga: a forma física na qual a mercadoria se apresenta para o transporte. Uma mesma mercadoria pode viajar de várias formas — o caulim em sacos, paletizado, conteinerizado, solto no porão ou como lama num navio-tanque. O Destaque 14.1 resume as doze unidades mais comuns, divididas em naturais (a carga na forma natural, sem pré-empacotamento) e artificiais (pré-acondicionadas para manuseio mecânico).
| Unidade de carga | Natureza | Exemplos |
|---|---|---|
| Carga geral | Natural | Pequenos pacotes soltos: caixas, sacos, caixotes, tambores, alguns carros, máquinas. |
| Granel sólido | Natural | Partida homogênea com a capacidade do navio ou de um porão: minério de ferro, carvão, grão. |
| Granel líquido | Natural | Líquidos de alguns milhares a 300 mil t; variam em densidade, corrosividade e periculosidade. |
| Granel unitizado | Natural | Grandes unidades manuseadas uma a uma: toros, madeira serrada, produtos siderúrgicos, fardos de lã. |
| Carga pesada e irregular | Natural | Até cerca de 2.500 t: carga de projeto, módulos industriais, seções de navio, locomotivas. |
| Carga rolante | Natural | Carros, tratores, caminhões embarcados em grande quantidade. |
| Contêiner ISO | Artificial | Caixa normalizada (8 pés de largura, 8 pés 6 pol de altura; 20 e 40 pés); o de 20 pés leva 7-15 t. |
| Contêiner intermédio para granéis | Artificial | Grandes sacos flexíveis (~1 t) para sólidos em pó, flocos ou grânulos. |
| Pré-lingadas / precintadas | Artificial | Cintas que aceleram a carga de sacos, fardos e produtos florestais; ficam no lugar no trânsito. |
| Carga paletizada | Artificial | Carga sobre palete, presa por cintas ou plástico retrátil; estiva a ~4 m³/t; ex.: caixas de fruta. |
| Plataformas | Artificial | ~15×8 pés, com colunas de canto para empilhar; manuseadas por empilhadeira ou grua. |
| Barcaças | Artificial | LASH (~400 t) e Seabee (~600 t); flutuam até o navio. Hoje obsoletas. |
O contêiner ISO é a unidade artificial mais importante: dá ao armador uma carga homogênea que permite mecanizar a carga e a descarga. As barcaças e os paletes, em contraste, nunca se firmaram como base do sistema — os paletes só vingaram em rotas específicas, como a do tráfego frigorífico.
2.3 Como a carga deve ser estivada?
O segundo passo é adaptar os espaços de carga às unidades que o navio levará — escolha difícil, porque otimizar a estiva costuma piorar outros aspectos do projeto. Buxton descreve o conflito:
Os navios mercantes são armazéns móveis cujas formas muito diferentes evoluíram das tentativas de equilibrar a necessidade de capacidade de armazenagem com a necessidade de mobilidade. Uma caixa retangular daria espaço ideal para contêineres, mas seria difícil de propulsionar; um casco facilmente propulsionado oferece pouco espaço útil. (Buxton)
A medida-chave é o fator de estiva: o volume de porão, em metros cúbicos, ocupado por uma tonelada de carga. Ele varia enormemente — o minério de ferro, denso, estiva a cerca de 0,4 m³/t, enquanto as aparas de madeira chegam a 2,5 m³/t (até seis vezes mais espaço), com o grão grosso por volta de 1,3 m³/t. Um navio projetado para grão carregado de minério fica meio vazio; um projetado para minério não enche de polpa de madeira. Por isso o fator de estiva define o porão.
| Carga | m³/tonelada | Índice de densidade |
|---|---|---|
| Minério de ferro | 0,40 | 31 |
| Bauxita | 0,80 | 62 |
| Fosfato (rocha) | 1,00 | 77 |
| Grão (grosso) | 1,30 | 100 |
| Carvão | 1,40 | 108 |
| Polpa de madeira (fardos) | 1,70 | 131 |
| Papel (bobinas) / aparas de madeira | 2,50 | 192 |
| Toros | 2,80 | 215 |
| Contêineres de 20 pés | 1,6–3,0 | 123–230 |
| Petróleo bruto leve | 1,07 | 82 |
| Gasolina | 1,23 | 95 |
Quando uma mercadoria com fator de estiva muito fora da média é embarcada em grande quantidade, compensa construir um navio especializado: mineraleiros para carga densa, transportadores de aparas de madeira e de carros para carga de baixa densidade. As dimensões do porão também contam — contêineres, madeira empacotada e unidades-padrão pedem porões corridos e quadrados, com acesso vertical.
2.4 Como a carga deve ser manuseada?
Colocar a carga para dentro e para fora é um dos aspectos mais importantes do projeto, e depende de se saber de antemão as dimensões das unidades. Cinco recursos de projeto cobrem a maioria dos casos:
| Dispositivo | Função |
|---|---|
| Equipamento de manuseio | Guindastes, paus de carga e gruas de pórtico aceleram a carga de sólidos; nos tanques importam a capacidade de bomba, a resistência à corrosão e a segregação. |
| Projeto de escotilhas | Braçolas que combinam com as embalagens-padrão; as escotilhas largas dão acesso vertical a todo o porão. |
| Guias celulares | Montadas nos porões dos porta-contêineres para arriar os contêineres no lugar sem peá-los um a um. |
| Rampas de acesso | À proa, à popa ou no costado, permitem carga por empilhadeira ou carga rolante sobre as próprias rodas. |
| Segregações de tanques | Tanques autônomos com bombas submersas e revestimentos especiais (silicato de zinco, aço inox) para várias partidas de líquidos diferentes. |
2.5 Quão grande deve ser o navio?
A dimensão ótima é um consenso entre três fatores: as economias de escala, o tamanho das partidas de carga disponíveis e o calado admitido nos portos com o equipamento de manuseio. As economias de escala são fortes — um navio de 15.170 tpb custa cerca de 2,7 vezes mais por tonelada que um de 120.000 tpb numa viagem de mil milhas, e 3,1 vezes numa viagem de 22 mil milhas. Como a diferença entre as duas distâncias é pequena, conclui-se que a escala depende pouco da distância: o motivo de os navios menores rodarem em rotas curtas é outro.
Na prática, dois limites freiam os navios grandes. O primeiro é a maior entrega que o embarcador aceita de cada vez — estoques de 10-15 mil t não comportam uma entrega de 50 mil. O segundo é o calado admitido no porto: quanto mais fundo o navio, menos portos ele alcança, como mostra a Tabela 14.4. Um graneleiro pequeno de 16.000 tpb, com calado de 7-9 m, entra em cerca de três quartos dos portos do mundo.
| Calado (metros) | Porte médio (tpb) | % dos portos acessíveis |
|---|---|---|
| 7,6–9,1 | 16.150 | 73 |
| 9,2–10,7 | 23.600 | 55 |
| 10,8–11,6 | 38.700 | 43 |
| 11,7–13,4 | 61.000 | 27 |
| 13,5–15,2 | 89.200 | 22 |
| 15,3–18,5 | 123.000 | 19 |
2.6 Quão rápido o navio deve navegar?
Dimensão e velocidade são até certo ponto intercambiáveis: dá para aumentar a capacidade de transporte crescendo o navio ou acelerando-o. Mas o navio rápido é mais caro de construir, pede casco mais longo (estiva menos eficiente) e queima muito mais combustível. Em troca, faz entregas mais frequentes e reduz o tempo de trânsito — decisivo para cargas de valor elevado. Os televisores valem cerca de US$ 44 mil por tonelada: numa viagem de dois meses, 10 t de televisores incorrem em ~US$ 7 mil de juros a 10% ao ano, e encurtar um mês economiza US$ 3.500. Por isso o transporte aéreo compete por essa carga.
Na ponta oposta, o minério de ferro (~US$ 35/t) e o carvão (~US$ 47/t) têm valor baixo e custo de inventário desprezível: viajam em partidas enormes e a uma velocidade econômica, porque o custo relevante é o do navio, não o da carga. O navio porta-contêineres médio de 6.000-12.000 TEU navega a 25,2 nós queimando 211,3 t por dia — mais que o dobro de um VLCC a 15 nós.
| Mercadoria | US$ por tonelada (f.o.b.) |
|---|---|
| Pedra, areia, cascalho | 9 |
| Minério de ferro | 35 |
| Carvão | 47 |
| Grão | 200 |
| Televisores | 43.076 |
| Média das importações mundiais | 1.341 |
2.7 Quão flexível deve ser o navio?
A última pergunta é a flexibilidade: o navio deve servir vários mercados? A Figura 14.2 mede isso pelo índice LCM — a mobilidade lateral de carga, isto é, quantos tipos diferentes de unidade de carga o navio pode levar. Quanto maior o número, mais flexível o navio.
| Navio | LCM | Significado |
|---|---|---|
| Porta-contêineres · transportador de carros · graneleiro · navio-tanque | 1 | Limitados a uma única unidade de carga. |
| Navio combinado | 2 | Troca entre granel sólido e petróleo bruto. |
| Graneleiro de escotilha larga | 4 | Contêineres, paletes, pré-lingada e granel sólido. |
| Navio ro-ro | 6 | Quase tudo, exceto granel e barcaças. |
| Multipropósito (MPP) de linhas regulares | 7 | O mais flexível: tudo, exceto granel líquido e barcaças. |
Apesar do apelo, poucos investidores seguem a estratégia da flexibilidade. A frota moderna é dominada por navios de propósito único (tanques, graneleiros, porta-contêineres, todos com LCM = 1), enquanto os flexíveis (cargueiros de linhas regulares, ro-ro, transportadores de barcaças, combinados) crescem devagar ou se retiram. A lição: na indústria atual, os ganhos da especialização superam os da flexibilidade, e a simplicidade é um princípio orientador de projeto bem-sucedido.
3. Os navios para os tráfegos de carga geral (§14.3)
É o segmento que mais mudou em cinquenta anos. A substituição dos cargueiros flexíveis de linhas regulares pelos porta-contêineres, iniciada na década de 1960, foi tão radical quanto a passagem da vela para o aço — e levou décadas, com navios da era anterior ainda em serviço meio século depois do primeiro contêiner, em 1956. Em 2006, os porta-contêineres dominavam quase todos os serviços, restando ro-ro, MPP e poucos transportadores de barcaças e navios de cobertas na fronteira do mercado.
3.1 Os navios porta-contêineres
Em princípio, um porta-contêineres é uma caixa de teto aberto em que os contêineres são empilhados. Tem escotilhas à largura dos porões e guias celulares para arriar os contêineres e mantê-los seguros sem peação. As escotilhas levam tampas reforçadas que servem de base para empilhar mais contêineres no convés, presos por fechos rotativos e cabos de aço.
A Figura 14.3 detalha um porta-contêineres de 8.200 TEU. Seu projeto gira em torno das dimensões do contêiner ISO, sobretudo o de alta cubagem de 8 pés e 6 polegadas, dispostos em baias (cerca de trinta a vante do casario e dez a ré). Abaixo do convés, o número de camadas no porão varia com a curvatura do casco; no convés, depende da visibilidade (aqui, cinco a sete camadas). A ISO fixa peso máximo de 24 t para o contêiner de 20 pés e 30 t para o de 40 pés, mas a média prática é de 10-15 t. Por isso, embora a capacidade nominal seja de 8.189 contêineres, a capacidade homogênea para 14 t por TEU é de 6.130.
Quando a frota passou de 4 mil navios em 2007, os projetos deixaram de ser classificados por "gerações" e passaram a categorias de dimensão, cada uma com função própria. A Tabela 14.7 resume a frota.
| Segmento | TEU | Velocidade média (nós) | % com equipamento de carga |
|---|---|---|---|
| Feeder | 0–499 | 14,0 | 29% |
| Feedermax | 500–999 | 16,8 | 48% |
| Handy | 1.000–1.999 | 19,0 | 53% |
| Sub-Panamax | 2.000–2.999 | 21,2 | 43% |
| Panamax | 3.000–3.999 | 22,5 | 9% |
| Pós-Panamax | 4.000–5.999 | 24,5 | 0% |
| VLBC | 6.000–12.000 | 25,2 | 0% |
Dois padrões saltam da tabela. A velocidade cresce com a dimensão (de 14 nós no Feeder a 24,5 no pós-Panamax), porque os navios maiores rodam o longo curso, onde a rapidez vale muito; acima de 3.000 TEU o ritmo desacelera. E o equipamento de carga faz o caminho inverso: comum nos menores (que escalam portos mal aparelhados), some nos pós-Panamax, que dependem do equipamento de terra. Os contêineres frigoríficos aumentam muito a versatilidade do porta-contêineres, deixando-o competir com os navios frigoríficos nos tráfegos de carne, laticínios e frutas.
3.2 Outros navios de carga geral
Embora os porta-contêineres dominem, em 2006 havia 4.717 outros navios de carga geral. A Tabela 14.8 cobre seis tipos. O segmento é difícil de analisar porque mistura dois componentes: um grupo de cargueiros tradicionais obsoletos, que serão substituídos por porta-contêineres, e um segundo grupo (ro-ro, MPP, carga pesada) que carrega o que não cabe num contêiner-padrão e tende a crescer.
| Tipo | Número | Idade média (anos) | Velocidade média (nós) |
|---|---|---|---|
| Navios ro-ro | 1.109 | 20 | 17,1 |
| Navios MPP | 2.533 | 16 | 14,2 |
| Navio de cargas pesadas | 40 | 21 | — |
| Navios de linhas regulares | 401 | 29 | 16,1 |
| Navios de linhas não regulares | 624 | 16 | 12,9 |
| Transportadores de barcaças | 10 | 24 | 15,8 |
| Total geral | 4.717 | 21 | 15,0 |
3.3 Navios ro-ro
O ro-ro de carga oferece uma alternativa flexível à conteinerização, com pavimentos corridos e acesso rolante por rampas em vez de escotilhas. Leva de mini-granéis e paletes a unidades pesadas de 90 toneladas, com a grande vantagem de girar rápido no porto sem equipamento especial (LCM = 6). Mas nunca venceu no longo curso: a frota de 1.109 navios tinha idade média de vinte anos em 2006 e quase nada encomendado. A estiva é menos eficiente que a do porta-contêineres, a peação exige muita mão de obra e — pior — falta a integração simples com os outros modais que é o trunfo do contêiner. Mesmo na África Ocidental, onde as condições favorecem, o ro-ro fica em cerca de 10% da tonelagem.
3.4 Navios multipropósito (MPP)
Onde há demanda contínua por tonelagem flexível, usam-se os navios MPP (também ditos lo-lo). Têm 8 a 22 mil tpb, três a cinco porões com coberta e são projetados para levar uma carga completa de contêineres, além de carga geral e pesada — fundo de porão e coberta dimensionados para contêineres e gruas que içam 35-40 t. Em 2006 eram 2.533 navios (média 9.142 tpb, idade 16 anos), com frota crescendo 2,6% ao ano, sinal de demanda positiva à medida que o negócio de contêineres amadureceu. Têm LCM tipicamente igual a 5: levam pré-lingada, paletizada, plataformas, contêineres, carga pesada e veículos.
A Figura 14.4 mostra um MPP menor (12.000 tpb, 684 TEU) voltado para carga pesada e de projeto. Duas gruas içam até 80 t, com um grande convés corrido e cobertas amovíveis. Tem dois porões longos, transporta 372 TEU no convés e 312 nos porões, e a face dupla das gruas libera mais de 100 m de área de convés/escotilha para carga de projeto. A vantagem é levar um misto de contêineres e carga geral no porão e, ao mesmo tempo, carga de projeto pesada no convés — alta flexibilidade, filosofia de negócio bem diferente do porta-contêineres dedicado.
3.5 Navios de cargas pesadas
Concentram-se em grandes itens irregulares: unidades industriais, equipamento offshore, carga de projeto, gruas de contêiner. Há três formas de lidar com a unidade pesada: içá-la verticalmente com gruas de alta capacidade; rolá-la por uma rampa reforçada; ou embarcá-la por flutuação, submergindo o próprio navio para que a unidade (uma draga, por exemplo) flutue para dentro e seja depois retirada do mesmo modo. MPP e ro-ro levam até 100 t, mas há demanda por navios pequenos capazes de cargas muito maiores, até 500 t.
3.6 Navios cargueiros de linhas regulares, de cobertas e transportadores de barcaças
A frota de carga geral tradicional tinha 401 navios em 2006, idade média de 29 anos. São os últimos remanescentes dos multicobertas dos serviços de linhas regulares (como a classe Priam dos anos 1960), com tanques para líquidos, capacidade frigorífica e pequenos porões para granel. Não estão sendo substituídos. Os navios de cobertas de linhas não regulares (mais de 624 em 2006) são versões simplificadas: graneleiros pequenos de 10-22 mil tpb com uma coberta, que misturam carga geral e granel, operando sobretudo no Terceiro Mundo. Os transportadores de barcaças foram um projeto radical dos anos 1960 — "porões flutuantes" de 400 a mil t agrupados num navio (sistema LASH com grua, sistema Bacat por flutuação). Nunca se firmaram: em 2006 havia só dez, nem todos operando.
3.7 Navios frigoríficos
Os navios frigoríficos (reefers) nasceram no fim do século XIX para levar carga da Nova Zelândia e da Austrália ao Reino Unido. A carga é congelada ou refrigerada (mantida só acima do ponto de congelamento), em porões insulados com manuseio horizontal por portas de costado e vertical por escotilhas. Os navios modernos são adaptados a paletes, com capacidade frigorífica conteinerizada — um navio de 14.800 tpb de 2006 tinha 460 mil pés cúbicos frigoríficos, 880 TEU e 144 tomadas frigoríficas, a 20,5 nós. Como frutas amadurecem em trânsito, o sistema mantém temperatura controlada exata. A frota, porém, é velha (1.800 navios, idade média 23,9 anos), e a carga migra cada vez mais para os contêineres frigoríficos.
4. Os navios para os tráfegos de granel sólido (§14.4)
No granel sólido o foco é o transporte de baixo custo. A frota graneleira tem cerca de 6 mil navios e 369 m.tpb, dividida em quatro classes por dimensão, cada uma servindo um setor diferente, com prêmio sobre economia e flexibilidade.
| Classe | Faixa (tpb) | Tráfego típico |
|---|---|---|
| Handy | 10.000–39.999 | Cavalos de carga flexíveis; granéis secundários e partidas pequenas dos principais. |
| Handymax | 40.000–59.999 | Geração maior dos Handy, geralmente com equipamento de carga. |
| Panamax | 60.000–99.999 | Carvão, grão, bauxita; cabem no Canal do Panamá (antes do alargamento). |
| Capesize | ≥ 100.000 | Muito dependentes de minério de ferro e carvão; grandes demais para o Panamá. |
| Classe (tpb) | Nº navios | % equipado |
|---|---|---|
| Handy (10.000–39.999) | 2.838 | 73–93% |
| Handymax (40.000–59.999) | 1.467 | 80–94% |
| Panamax (60.000–99.999) | 1.413 | 2–7% |
| Capesize (100.000+) | 715 | 0–2% |
| Total | 6.430 | 60% |
4.1 O navio graneleiro
O graneleiro convencional é de convés único com duplo-fundo, acesso vertical por escotilhas no convés principal e velocidade de 13-16 nós (média ~14,5). Desde os anos 1960 a tendência foi crescer: em 1969 só 5% do minério ia em navios acima de 80.000 tpb; no início dos anos 1990 já passava de 80%. As principais características de projeto são a capacidade cúbica, o acesso aos porões e o equipamento de carga. Como o grão pode escorregar e fazer o navio virar, usam-se porões autoespalhadores, com tanques de asa superiores inclinados para a carga assentar por gravidade.
As aberturas de escotilha ficam em 45% a 60% da boca e 65-75% do comprimento — estreitas demais para acesso vertical total, mas alargá-las exige aço extra (o convés contribui para a resistência do casco) e encarece muito. Os menores costumam ter equipamento de carga (operam em portos mal aparelhados); os maiores, acima de 50.000 tpb, dependem de terminais especializados. Alguns graneleiros autodescarregadores chegam a 6 mil toneladas por hora com correias internas.
A Figura 14.5 mostra um Panamax de 77.000 tpb de casco duplo, com sete porões (cada um ~13 mil m³ ou ~11 mil t), anteparas corrugadas e escotilhas largas (~60% da boca). A boca de 32,3 m é o máximo que passava no Canal do Panamá. Tem motor lento de dois tempos com 12.670 cv a 89 rpm, 14,5 nós e consumo de 35 t/dia — modesto, normal para a classe.
4.2 Graneleiro de escotilha larga (conbulker), aparas, mineraleiros, automóveis e cimento
Em 2006 havia 480 graneleiros de escotilha larga (conbulker), de 10 a 69 mil tpb. As escotilhas se abrem por toda a boca, dando acesso direto ao porão para unidades grandes; um navio de alta especificação pode custar até 50% mais que o convencional, pelo aço de reforço e o equipamento. São úteis para produtos florestais (que estivam a 2,3-2,8 m³/t) e para levar contêineres na ida e granel na volta. Os transportadores de aparas de madeira (129 navios em 2006) têm cubagem interna enorme (~2,5 m³/t contra 1,3 do graneleiro comum). Os mineraleiros (51 em 2006) têm porões para a carga densa do minério (~0,5 m³/t). Os transportadores de automóveis (594 em 2006), de crescimento rápido, têm pavimentos múltiplos (quatro a treze), alta razão cúbica/porte (um carro por ~3 tpb), ~20 nós e rampas — o Madame Butterfly leva 6.200 carros. Os cimenteiros usam equipamento pneumático, porões fechados e controle de umidade, descarregando a 1.200 t/h.
5. Os navios para o transporte de cargas líquidas a granel (§14.5)
O granel líquido pede navios-tanques. Os principais tipos transportam petróleo bruto, derivados, produtos químicos, GLP e GNL.
5.1 Navios-tanques de petróleo bruto
É a maior frota de granel especializado: mais de 6 mil navios, cerca de 37% da frota mercante em tpb. As dimensões vão de 1.000 a 400.000 tpb, até 380 m de comprimento, 68 m de boca e 24,5 m de imersão. A frota divide-se em seis segmentos — Pequenos, Handy, Panamax, Aframax, Suezmax e VLCC — e cada um é um mercado separado. Os Handy abaixo de 50.000 tpb levam sobretudo derivados; os maiores, petróleo bruto.
| Segmento | Faixa (mil tpb) |
|---|---|
| Pequenos | 1–9 |
| Handy | 10–59 |
| Panamax | 60–79 |
| Aframax | 80–119 |
| Suezmax | 120–199 |
| VLCC | ≥ 200 |
Há dois projetos: de casco simples e de casco duplo. Até os anos 1990 o casco simples predominava, com anteparas longitudinais dividindo o casco em tanques laterais e centrais, e dois conjuntos laterais usados como tanques de lastro segregado. Hoje o casco simples é obsoleto por exigência regulatória, como medida contra a poluição:
O Regulamento 13F da IMO requer que os navios-tanques encomendados após 6 de julho de 1993 tenham cascos duplos. Em dezembro de 2003, a Resolução MEPC.111(50) determinou eliminar progressivamente todos os navios-tanques de casco simples restantes até 2010, autorizando as administrações locais a permitir a continuação numa base bilateral.
O manuseio é central: carga e descarga rápidas pedem bombas potentes, normalmente na casa das bombas, entre os tanques e a casa das máquinas. Os tanques ligam-se por encanamentos a coletores nos dois bordos, ligados em terra por mangueiras ou braços Chicksan. A sequência de carga importa — uma ordem errada pode literalmente partir o navio em dois.
| Segmento (tpb) | Nº navios | tpb total (mi) | Porte médio (tpb) |
|---|---|---|---|
| Pequenos (1–9.999) | 2.036 | 10,3 | 2.783–6.867 |
| Handy (10.000–59.999) | 2.370 | 74,3 | 15.051–45.895 |
| Panamax (60.000–79.999) | 325 | 22,6 | 69.466 |
| Aframax (80.000–119.999) | 721 | 72,9 | 101.100 |
| Suezmax (120.000–199.999) | 361 | 54,4 | 150.673 |
| VLCC (200.000+) | 488 | 142,7 | 292.412 |
| Total/Média | 6.301 | 377 | 59.834 |
A Figura 14.6 traz um Suezmax de 157.800 tpb (2006), de casco duplo, com capacidade de 175.000 m³, mas casco otimizado para um navio menor (145.900 tpb) que leva uma partida de um milhão de barris de bruto leve (API 30). Tem doze tanques de carga e três bombas de turbina, cada uma servindo uma segregação, manuseando três qualidades ao mesmo tempo. O casco usa 53% de aço de alta resistência, projetado para vida à fadiga de quarenta anos, e tem classe de gelo IA (casco reforçado, equipamento operando a −30 °C) — mais comum nos navios de derivados do Báltico.
5.2 Navios-tanques de derivados do petróleo
Categoria à parte, mas sem fronteira estatística nítida com o bruto e os químicos. São semelhantes ao tanque de bruto, porém menores, e dividem-se entre os de produtos claros (gasolina, nafta) e os de produtos escuros (óleos negros, óleo combustível). Levam bomba submergida de poço profundo para separar os tipos de carga por viagem e têm os tanques revestidos para evitar contaminação e corrosão.
5.3 Navios-tanques de produtos químicos
Vistos no Capítulo 12, os químicos dividem-se em três categorias de navio (especializado de várias cargas, granel químico, químico/derivados). Seis traços marcam o tráfego: muitos produtos diferentes (óleos vegetais, melaços, soda cáustica, BTX, estireno); valores altos (acima de US$ 1.000/t) e sensíveis à contaminação; partidas pequenas (300 a 6 mil t, alguns industriais até 40 mil); fretes altos no longo curso (~US$ 150/t); cargas corrosivas; e a sujeição aos regulamentos da IMO. O enquadramento normativo é rígido:
O transporte de químicos a granel é coberto pela Convenção SOLAS, Capítulo VII (Transporte de Cargas Perigosas), e pela Convenção MARPOL, Anexo II (Controle da Poluição por Substâncias Líquidas Nocivas a Granel). Os navios construídos após 1º de julho de 1986 devem obedecer ao Código Internacional para a Construção e Equipamento de Navios que Transportam Substâncias Químicas Perigosas a Granel (IBC Code).
O navio deve lidar com quatro propriedades perigosas — inflamabilidade, toxicidade, corrosividade e reatividade — e é classificado como IMO tipo 1, 2 ou 3 conforme o projeto. Para a flexibilidade, cada tanque tem manuseio individual; navios de longo curso chegam a trinta ou quarenta tanques segregados. Os revestimentos tratam corrosão e reatividade (aço inox para corrosivos; silicato de zinco ou epóxi para as demais). Os tanques IMO tipo 1, para substâncias tóxicas e penetrantes, devem ficar a pelo menos um quinto da boca a partir dos bordos.
A Figura 14.7 ilustra um químico sofisticado: casco duplo, dezoito tanques de carga IMO tipo 2 em aço inox com reforços externos (superfícies internas lisas, fáceis de limpar) e serpentinas que mantêm a carga a 82 °C. Cada tanque tem bomba submersa própria, e cinco bombas descarregam ao mesmo tempo por cinco saídas do coletor, somando 1.500 m³/h. Classe de gelo 1A para o Báltico, com as linhas de carga do convés num túnel até o castelo de proa — exemplo de um proprietário pagando por uma funcionalidade que torna o navio mais seguro em tempo difícil.
5.4 Navios combinados
Os combinados (OBO) levam uma carga completa de granel sólido ou de petróleo bruto, podendo triangular — petróleo do Oriente Médio para a Europa, carvão polonês de volta para a Ásia — ou alternar entre os mercados conforme o frete. Na teoria é elegante; na prática, as recompensas foram pequenas. O conceito é antigo: o primeiro tanque oceânico a vapor, o Vaderland (1872), e os ore/oilers Svealand e Amerikaland (anos 1920) falharam por razões comerciais. Nos anos 1950-60 os combinados prosperaram com os novos tráfegos, chegando a uma frota de 49 m.tpb em meados dos anos 1970.
Aí a frota excedeu as cargas de retorno e perdeu a vantagem. A limpeza dos porões entre petróleo e sólido era lenta e difícil, a gestão custava 15% mais que a de um navio simples, e os afretadores de petróleo preferiam o tanque convencional. O prêmio de receita de 10-15% mal cobria o custo extra. Resultado: poucos foram encomendados, e em 2007 a frota tinha caído para 8 m.tpb. O fracasso teve menos a ver com o conceito, que era são, do que com os obstáculos econômicos do mercado competitivo.
6. Os navios-tanques transportadores de gases (§14.6)
6.1 Tecnologia básica
O transporte de gás líquido começa pela definição do sistema de confinamento, que tem três opções: tanques autossustentáveis apoiados num berço separado do casco; sistema de membrana, que molda o tanque ao casco com isolamento ensanduichado; e sistema prismático, híbrido, com tanques autossustentáveis de parede dupla fixados ao casco. Todo navio de gás se enquadra numa dessas categorias.
O gás é liquefeito em terra antes de carregar, e há três formas de mantê-lo líquido no trânsito: por pressão, por isolamento ou por reliquefação do gás que evapora, devolvido aos tanques. É uma questão de economia, e usam-se diferentes combinações de refrigeração e pressão conforme o tamanho da partida.
6.2 Navios-tanques de GLP
O termo "navio de GLP" é confuso porque esses navios levam um misto de gases de petróleo (propano, butano, isobutano) e gases químicos (amônia, etileno, propileno, butadieno, cloreto de vinila). A maioria liquefaz entre −0,5 °C e −5 °C, mas alguns muito mais frios (o etileno a −103,9 °C). Por projeto, dividem-se em quatro grupos pela dimensão da carga:
| Grupo | Como mantém o líquido | Uso típico |
|---|---|---|
| Totalmente pressurizado | Tanques cilíndricos de aço-carbono a ~18-20 bares, carga em temperatura ambiente. | Pequenos navios (100–11.000 m³); GLP e amônia anidra; pequeno curso. |
| Semirrefrigerado | Tanques a 5-7 bares com isolamento e unidade de reliquefação; carga a ~−50 °C. | Dimensão média (1.000–30.000 m³). |
| Totalmente refrigerado | Tanques prismáticos não pressurizados; carga a ~−46 °C. | Longo curso (1.000–100.000 m³). |
| Transportador de etileno | Tanques insulados (auto, prismático ou membrana); carga a −104 °C. | Pequenos (2.000–30.000 m³); muito sofisticados. |
A escolha é um balanço entre custo inicial, flexibilidade e custo operacional: a pressão é mais econômica nos navios pequenos, a refrigeração nos grandes. Em regra, os gases petroquímicos vão em navios semirrefrigerados ou pressurizados abaixo de 20.000 m³, e o GLP e a amônia em navios totalmente refrigerados de 20.000 a 80.000 m³ no longo curso.
6.3 Navios-tanques de GNL
O gás natural é, antes de tudo, uma fonte de energia: ocupa muito volume e é sensível ao preço, então o custo do transporte é decisivo. Os navios de GNL fazem parte de uma cadeia planejada, com forte investimento em liquefação e regaseificação em terra. Em 2007 havia 240 navios, com outros 140 encomendados — os maiores gaseiros, então até 153.000 m³, com uma nova geração de 270.000 m³ a caminho.
O metano liquefaz a −161,5 °C, e nessa temperatura o volume cai a 1/630 do original. Antes de carregar, o gás é liquefeito num trem em terra e bombeado à pressão atmosférica para os tanques isolados. Os navios de GNL dependem do isolamento, e a carga evapora cerca de 0,1-0,3% por dia. No passado esse gás evaporado não era reliquefeito (potência demais): era queimado nas caldeiras, o que explica a longa sobrevivência das turbinas a vapor — a evaporação chegava a 75% do consumo diário de combustível. A partir de 2006 surgiram navios com motor diesel de média velocidade e, em 2007, com unidades de reliquefação.
| Sistema | Tipo | Participação de mercado |
|---|---|---|
| Moss | Tanques esféricos autossustentáveis | 51% |
| Gaz Transport | Membrana (Invar) | 37% |
| Technigaz | Membrana (aço inox) | 11% |
A Figura 14.8 mostra um GNL de membrana: casco duplo, quatro tanques de carga separados por cóferdãs e construídos no sistema GTT Mark 3, moldados ao casco e isolados por quatro camadas. Com esse isolamento, a evaporação fica em 0,15% do volume, queimado pela máquina. O gás é descarregado por oito bombas submergidas (1.700 m³/h cada), esvaziando a carga em doze horas. A propulsão é por turbina a vapor (20 nós, 171 t/dia de óleo combustível). A grande diferença para os demais tanques é a engenharia, os materiais e a tecnologia para lidar com a carga a −161,5 °C.
7. Os navios não cargueiros (§14.7)
Cobrem uma variedade imensa, do rebocador de 200 tab ao navio de cruzeiro de 100.000 ab, o que dificulta analisar a demanda de cada tipo. Embora representem só 7% da frota em arqueação bruta, valem muito mais em valor e em número — mais de 70% deles ficam abaixo de 500 ab, mas em número somam quase metade da frota mercante mundial.
| Grupo | Descrição |
|---|---|
| Frota pesqueira | Quase metade da tonelagem não cargueira; inclui navios-fábrica. Cresceu 15% ao ano nos anos 1960, depois estagnou com o excesso de pesca. |
| Suprimento e manutenção offshore | Barcos para manuseio de âncoras e apoio à prospecção: 4.394 navios em jul. 2007; tendência a MPP mais potentes para mares difíceis. |
| Rebocadores e dragas | Atividade no leito marinho costeiro e portuário; demanda crescente também por navios de pesquisa, sondagem e quebra-gelos. |
8. Os critérios económicos para avaliar projetos de navios (§14.8)
Avaliar as opções de projeto em termos financeiros não é fácil, e há a tentação de tratar a decisão como puro faro comercial. Ainda assim, o mundo espera que decisões de investimento desse porte sejam sustentadas por análise econômica, feita em dois níveis.
Na pesquisa de mercado, analisa-se o desempenho econômico do navio dentro de toda a atividade da companhia — que tipo de navio se afreta mais facilmente, qual valor de revenda, que dimensão e velocidade as rotas exigem. Dela sai a especificação do navio. Na análise financeira, identifica-se o projeto que atende às necessidades de forma mais eficaz, usando medidas de mérito. Buxton sugere dois métodos:
| Método | Como funciona | Quando é mais apropriado |
|---|---|---|
| Valor presente líquido (NPV) | Projeta o fluxo de caixa anual de cada opção (capital, receitas, despesas, tributos, revenda), desconta ao presente e soma. Vence a opção de maior NPV. | Navios para afretamentos por tempo de longa duração, em que a receita é mais previsível. |
| Taxa de frete exigida (RFR) | Compara o custo unitário de transporte: custo anual médio dividido pela carga anual, descontado. Vence o projeto de menor custo por tonelada. | Evita prever receitas; útil no mercado aberto e para comparar projetos alternativos. |
A vantagem do NPV é produzir um único valor que facilita a comparação; a fraqueza é distorcer-se quando a receita é difícil de prever. O método da RFR contorna isso comparando apenas custos, deixando ao investidor julgar se o navio ganha receita suficiente. Há variações próximas, como a taxa interna de retorno (a taxa que zera o NPV) e o preço permissível (o máximo pagável para obter o retorno exigido).
9. Resumo (§14.9)
O capítulo analisou os navios usados no negócio do transporte marítimo, partindo de duas observações. Primeira: como a demanda de navios é derivada da demanda de transporte, não se pode determiná-la só pela análise dos fluxos de tráfego — o armador é livre para usar qualquer navio que ofereça o serviço mais rentável, pesando tipo de carga, tipo de operação e filosofia comercial. Segunda: os tipos de navio não devem ser vistos apenas pelas características físicas; do ponto de vista do armador, navios do mesmo tipo são substitutos no mercado, e a dimensão tem papel central.
A relação entre unidades de carga e tipos de navio mostra os extremos: alguns navios (MPP de linhas regulares, ro-ro) são muito flexíveis, levando seis ou sete unidades diferentes; outros (porta-contêineres, gaseiro, tanque de bruto) são altamente especializados, com uma só. O navio flexível tende a mais dias carregados e melhor uso do porte, mas custa mais capital por unidade de capacidade e às vezes rende menos. A tendência recente foi decisivamente para os especializados de LCM baixo.
No negócio de linhas regulares, os três tipos construídos para fim específico são o porta-contêineres, o MPP e o ro-ro, e a conteinerização trouxe forte padronização. No granel sólido segue a tendência ao propósito único: o graneleiro de uso geral domina, e os mais flexíveis (cobertas, porão corrido, combinado) perdem participação — em especial o combinado. O ponto principal de tudo: a maioria das cargas cabe em vários tipos de navio, e, em última instância, o navio que leva a carga é decidido pelo desempenho comercial, não pelas características técnicas de projeto.