🧭 MMPH · Cap.16 — A Regulamentação da Indústria Marítima

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Stopford, Economia Marítima 3ed · VII.09-CG · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Resistência histórica: armadores britânicos diziam que as linhas de carga de Plimsoll (1870) traziam desvantagem competitiva. Os oceanos dão chance ímpar de escapar do regulador; o objetivo deste é "fechar a rede".

Fig. 16-1
Fig. 16-1 — Sistema de regulamentacao maritima e o papel dos 166 Estados maritimos. Fluxograma: a ONU (Unclos 1982) no topo delega a IMO (Organizacao Maritima Internacional, que desenvolve as 1. convencoes de seguranca maritima e de poluicao) e a OIT (Organizacao Internacional do Trabalho, que desenvolve as 3. convencoes dos recursos humanos maritimos); ao centro, os Estados maritimos votam as resolucoes/convencoes da ONU, ratificam as convencoes da IMO e da OIT, e atuam como Estado de Bandeira (registra os navios e aplica as leis de Estado sobre eles) e como Estado Costeiro (o Controle do Estado do Porto aplica as leis sobre navios em suas aguas costeiras); a IACS (Associacao Internacional de Sociedades Classificadoras) submete documentos orientadores a IMO e as Sociedades Classificadoras definem as regras de projeto e emitem os 'Certificados de Classe' para a Frota de Navios Mercantes (74 mil navios). Fonte: Martin Stopford (2007).
Algumas regras nascem de incidentes (Titanic, Torrey Canyon, Herald of Free Enterprise, Exxon Valdez, Erika, Prestige), mas são a exceção. Ao longo de um século construiu-se um sistema que cobre todos os aspectos. Conhecer a regulamentação é ferramenta essencial do economista marítimo.
3 perguntasQuem regula? O que é regulado? Como afeta a economia?

Não há legislador supremo: o TIJ é só consultivo, 166 países com prioridades próprias. ONU dá o enquadramento (UNCLOS 1982); regras delegadas a IMO (segurança/poluição/proteção) e OMT (pessoas a bordo). Produzem convenções que só viram lei ao serem promulgadas por cada Estado.

Fig. 16-2
Fig. 16-2 — As zonas maritimas reconhecidas pela Unclos 1982. Esquema em corte (espelhado dos dois lados, a partir da Terra/linha de base): Mar territorial (3-12 milhas), Zona contigua (12 milhas), Zona economica exclusiva ZEE (200 milhas) e Alto-mar; abaixo da superficie, Plataforma continental e Leito do mar profundo, com um navio em alto-mar. Cada zona tem tratamento legal distinto quanto a passagem, jurisdicao e controle. Fonte: Martin Stopford (2007).
6 participantesPapel
Sociedades classificadorasPadrões técnicos; certificado de classe
Nações UnidasEnquadramento amplo (UNCLOS 1982)
Estado de bandeira1ª autoridade legal; aplica em qualquer lugar do mundo
Estado costeiroAplica leis nas suas águas (controle pelo Estado do porto)
IMOSegurança, ambiente, proteção
OMTRegras das pessoas a bordo
  • Nasceram do esforço das seguradoras (séc. XVIII). Lloyd's Register (1ª, da Lloyd's Coffee House; livro de 1764). Classe do casco A/E/I/O/U + equipamento 1/2/3 → expressão "condição A1".
  • No séc. XIX o papel mudou: além de classificar, passaram a fixar os padrões de construção e manutenção. ABS (American Bureau of Shipping) de 1862.
  • Hoje +50 sociedades; as 10 maiores cobrem +90% da frota. Certificado de classe = pilar: sem ele o navio não tem seguro nem valor comercial.
Fig. 16-3
Fig. 16-3 — Frota mercante mundial por bandeira (1902-2006). Grafico de serie temporal (eixo y 0-300, x de 1902 a depois de 2000) das frotas por grupo de bandeira, com pizza inset (Europa 13%, Asia 15%, Panama e Liberia 30%, Outros 42%) e curvas de Asia, Estados Unidos e do conjunto. Anotacoes: 'Panama e Liberia — estas bandeiras de registro aberto cresceram rapidamente depois de 1945, quando a atratividade de operacoes offshore das companhias de transporte maritimo se tornou amplamente conhecida'; 'A Europa Ocidental dominou o transporte maritimo ate 1978, quando a frota comecou a decrescer e os proprietarios europeus passaram a abandonar o pavilhao nacional a favor do pavilhao de paises terceiros'; 'A frota de outros paises continua a expandir-se rapidamente'. Fonte: Lloyd's Register of Shipping e CRSL.

4 fases de aplicação: revisão do plano vistorias na construção certificado de classe vistorias periódicas (anual casco/máquina, especial 5 anos, doca seca 2,5 anos).

IACS (criada em 1968): 10 membros = ~90% da classificação; uniformiza regras + interface com a IMO. Única ONG com estatuto de observador na IMO. Dez/2005: Regras Estruturais Comuns (tanques/graneleiros).
UNCLOS 1982Culminação de 3 conferências (I/1958, II/1960, III/1973); vigor 16/nov/1994. Dá direito de registrar navios desde que haja "ligação genuína" (que o próprio Estado define).
ZonaLimiteDireitos
Mar territorial12 mn (máx.)Passagem inofensiva; leis do Art. 21
Zona contígua24 mnAlfândega, fiscais, sanitários, imigração
ZEE200 mnRecursos econômicos; jurisdição sobre poluição (Art. 56); 3ºs navegam livremente
Alto-marrestoNão pertence a ninguém; navio tem a nacionalidade da bandeira (Art. 91)
Fig. 16-4
Fig. 16-4 — Estrutura da propriedade de uma companhia de navegacao que utiliza registro aberto. Organograma com quatro componentes: 1. Beneficiario efetivo (no topo, ligado por linha tracejada); 4. Companhia de gerenciamento (a esquerda); 3. Sociedade de controle [Holding company], em paraiso fiscal (a direita, em octogono); e 2. Companhias de um so navio sob registro aberto (ao centro, varios icones de navio agrupados por chave). Fonte: Martin Stopford (2007).

Limite mais comum = 12 milhas (81 países); varia de 3 a 200.

A bandeira virou questão central: deu ao armador forma de reduzir custos, pela facilidade de mudar de jurisdição.
4 consequências do registro
Tributação, direito societário e financeiro
Cumprimento das convenções de segurança (SOLAS)
Tripulação e condições de emprego
Proteção naval e aceitabilidade política
Fig. 16-5
Fig. 16-5 — Frota das maiores nacoes proprietarias por registro nacional e estrangeiro (2005). Grafico de barras horizontais ordenado por tonelagem (eixo 'Gross tons - million', 0-200) que mostra, para cada grande nacao proprietaria, a parcela da frota sob bandeira nacional (cinza) e sob bandeira estrangeira/de conveniencia (azul): Grecia 51+104, Japao 13+105, Alemanha 9+49, China 27+30, Estados Unidos 10+36, Noruega 14+30, Hong Kong 17+24, Republica da Coreia 10+17, Reino Unido 11+15, Singapura 12+10, Federacao Russa 7+10, Dinamarca 8+8. Fonte: Martin Stopford (2007). [Rotulos do original em ingles.]
3 tipos de registroTratamento
NacionalCompanhia tratada como qualquer negócio do país
InternacionalImposto sobre tonelagem; alternativa nacional ao aberto (Singapura, NIS)
Aberto (conveniência)Honorário; tributação ~nula (Panamá, Libéria, Bahamas)
  • Começou nos anos 1920 (EUA → Panamá p/ fugir de impostos); cresceu após a 2ª Guerra (advogados → Libéria). Legitimado em 1959 pelo TIJ (caso IMCO, Art. 28a). Metade da frota mundial está sob registro aberto.
  • Registro duplo: país A (nacionalidade) + casco nu no país B (banco). Estrutura de propriedade: beneficiário + companhia de um só navio + sociedade-mãe + empresa de gerenciamento. Grécia: 67% no estrangeiro; Japão 89%; EUA 78%.

Plimsoll Act (1876) empossou o Conselho do Comércio (linha de carga). 1ª conferência internacional em 1889 (EUA, 37 Estados): de 13 áreas, só saiu a 1ª (colisões), mas fixou o padrão de desenvolver leis por consenso.

Convenções não são leis — são "modelos" acordados que cada Estado usa para legislar.
4 etapas
1. Consulta e redação (IMO/OMT elabora projeto)
2. Adoção do projeto
3. Assinatura ("aberta para assinatura")
4. Ratificação (vigor com ~⅔ dos Estados)
EstruturaIMCO em 1958 → renomeada IMO em 1982. 166 membros; assembleia (a cada 2 anos) + conselho de 32 + 5 comités + secretariado (~300 pessoas, Londres).
5 comités
MSC — Segurança Marítima
MEPC — Proteção do Ambiente Marinho
Cooperação Técnica
Legal
Facilitação

As principais convenções (Tab. 16.5)

SiglaInstrumentoVigor%frota
SOLASSalvaguarda da Vida Humana no Mar, 1974198099%
MARPOLPrevenção da Poluição por Navios, 73/78198398%
COLREGEvitar Abalroamentos, 1972197798%
STCWFormação/Certificação/Quarto, 1978198499%
LLLinhas de Carga, 1966196899%
TonnageArqueação, 1969198299%
ISMGestão da Segurança (Cap. IX SOLAS)1998
  • SOLAS: 1ª conferência IMO (1960); versão 1974 com procedimento de alteração tácita; 12+ capítulos.
  • Código ISM (1994, Cap. IX SOLAS): exige sistema de gerenciamento da segurança. Obrigatório 1/jul/1998 (tanques/graneleiros/passageiros >500 tab) e 1/jul/2002 (demais). Foca o gerenciamento, não só o físico.
  • COLREG (1972): introduziu os esquemas de separação de tráfego. Linhas de Carga (1930→1966). STCW (1978): normas mínimas de formação/certificação.

MARPOL (Anexos)

6 anexos: I hidrocarbonetos · II líquidos nocivos a granel · III embalagens · IV esgotos · V lixo · VI atmosfera. Antecessora: Oilpol (1952).

Anexo I pós-Exxon Valdez: Regra 13F = casco duplo nos encomendados após 6/jul/1993; Regra 13G = obstáculos por idade do casco simples. Pós-Erika (1999)/Prestige (2002): 13G revista (eliminação acelerada — cat. 1 em 2005, cat. 2/3 em 2010), CAS, Regra 13H (proíbe casco simples >5.000 tpb p/ frações pesadas, 2006). Em 2007 renumeradas: 13F→19, 13G→20, 13H→21. Anexo VI limita enxofre (teto 4,5%).
OMT (OIT)Criada em 1919; trata dos termos de emprego dos marítimos (~1,2 mi de pessoas). 32 convenções ao longo do séc. XX.
MLC — Convenção do Trabalho Marítimo, adotada em 2006 (vigor agosto de 2012). Aplica-se a navios comerciais; exclui tradicionais (dhows/juncos), de guerra e <200 tab domésticos. Combina normas vinculativas + orientações.
5 títulos
1 — Condições mínimas (idade, médico, qualificação)
2 — Condições de emprego (salários, horas, repatriamento)
3 — Alojamento, lazer, alimentação
4 — Proteção da saúde (médico, seguridade)
5 — Cumprimento e aplicação (Estado de bandeira + porto)

Inovação no Título 5: navio >500 tab leva certificado de trabalho marítimo + declaração de conformidade.

Art. 21 da UNCLOS impede que o Estado costeiro aplique leis próprias ao projeto/construção/tripulação/equipamento de navios estrangeiros, salvo regras internacionais aceitas — daí nasce o controle pelo Estado do porto (PSC).
  • Resposta às bandeiras de conveniência. Começou em 1978 (8 Estados do Mar do Norte); formalizado em 1982 pelo MOU de Paris (14 Estados europeus): garantem que navios cumpram LL/SOLAS/MARPOL/STCW/COLREG/Tonnage/OMT nº 147. Cada um inspeciona 25% dos navios que escalam.
  • +50 mil inspeções/ano; MOU de Paris ~20 mil (3,5 deficiências/inspeção); navios inseguros são detidos. Seleção por fator estatístico (bandeira, idade, tipo). MOUs regionais: Tóquio, Mediterrâneo, Caribe, etc.
OPA-90 (EUA, 1990): resposta ao Exxon Valdez (1989). Aplica-se a até 3 mn (interiores) e ZEE 200 mn. Limite de responsabilidade US$ 10 mi ou US$ 1.200/t de arqueação (o maior) — mas negligência grave = responsabilidade ilimitada. Exige casco duplo (eliminação até 2010), certificado de responsabilidade financeira, plano de contingência.
  • Cartéis de linhas regulares: conferências atacadas desde 1879; legalidade confirmada (Mogul Line, 1887). Código de Conduta das Conferências da UNCTAD (vigor 1983): fórmula 40:40:20 (40% cada parceiro bilateral, 20% terceiros). Nunca ratificado pelos EUA.
  • EUA: Merchant Shipping Act 1984 isentou conferências do antitruste, mas tornou ilegais as fechadas; Ocean Shipping Reform Act (1999) permitiu contratos confidenciais (+200% de contratos).
  • UE: Artigos 81 (proíbe cooperar p/ distorcer concorrência) e 82 (abuso de posição dominante) do Tratado de Roma (1958). Regulamento 4056/86 dava "isenção em bloco". Revogado, efeito 18/out/2008: nenhuma companhia em rotas de/para a Europa pode fixar preço/capacidade em conferências.
  • 3 regimes: sociedades classificadoras (sistema interno; certificado de classe), Estados de bandeira (nacional/aberto/internacional), Estados costeiros (PSC).
  • Metade da frota está sob bandeira estrangeira (na prática, conveniência). Leis internacionais via convenções (IMO + OMT); SOLAS 1974 ratificada por 99%.
  • 3ª regulação = Estado costeiro: OPA-90 (poluição) e controle pelo Estado do porto (MOU de Paris, +50 mil inspeções/ano). Concorrência: conferências e consórcios sob escrutínio (UE 2006).