🧭 MMPH · Cap.17 — Previsões e Pesquisas no Mercado Marítimo

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Stopford, Economia Marítima 3ed · VII.09-CG · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Para o investidor marítimo, prever não é opcional — é como ganha a vida. Quanto mais cedo antecipa o futuro, maiores os lucros.

Fig. 17-1
Fig. 17-1 — Comparacao das previsoes dos navios concluidos no mercado de construcao naval mundial. Quatro previsoes da demanda de navios novos (1: jun/1978; 2: jun/1980; 3: abr/1982 caso-base; 4: jun/1984 caso-base) sobrepostas a linha dos navios efetivamente concluidos; mostra como as curvas de previsao mal tocam o resultado real e divergem fortemente entre si. Fonte: Martin Stopford (2007).
Histórico ruim: "as previsões estão sempre erradas". Drucker: quanto mais longe se tenta prever, mais fracas ficam. As taxas de frete futuras dependem de quantos navios serão encomendados (comportamental) — não previsível nos extremos do ciclo.
Paradoxo das previsões: o analista só é chamado quando o futuro é imprevisível → deve esperar errar. O objetivo não é prever com exatidão, mas reduzir a incerteza (analogia do guarda de trânsito que patrulha a cada 10 min).

Previsão não é sobre o futuro — é sobre obter e analisar a informação certa sobre o presente. Caso Onassis (1956): avaliou mal a reabertura do Suez; "você interpretou bem, eu interpretei mal". O mercado recompensa quem decidiu certo ("lei da selva econômica").

3 princípiosExige
RelevânciaO aspecto do futuro que interessa ao decisor
LógicaRazão convincente para o previsto acontecer
PesquisaInformação específica reduz a incerteza

Modelo econômico baseia-se na "conjunção constante" (Hume): o futuro segue padrões do passado. Modelar = especificar relação + quantificar parâmetro + testar se é significativa e estável.

4 tipos de variávelCaráter
TangíveisFísicas, predeterminadas (distância, velocidade) — previsíveis
TecnológicasEnergia por unidade; mudam no tempo — analisáveis
ComportamentaisDependem das pessoas; a previsão se autodestrói — não previsíveis
CuringasDesvios súbitos (furacões, revoluções) — imprevisíveis

3 etapas: definir a decisão · determinar quem é qualificado · estabelecer que é previsível.

DecisorO que precisa prever
Companhias de navegaçãoTaxas de frete + preços de novas/2ª mão
Construtores navaisDemanda de navios, preços, câmbio, concorrência
Banqueiros"Quão ruins as coisas podem ficar?"
Autoridades portuáriasTráfego p/ dimensionar terminais

Armadores de 1 dono fazem suas próprias previsões (sentimento capta o sutil/volátil); mas quem está perto demais perde a perspectiva. Quem partilha responsabilidade (bancos, conselhos) delega a técnicas reconhecidas.

4 horizontes temporais

HorizonteEscalaQuem usa
MomentâneaDias/horasAfretadores, corretores
Curto prazoMesesOrçamento (o mais popular; ideal p/ modelagem)
Médio prazo5–10 anosBanqueiros, estaleiros (cobre 1 ciclo)
Longo prazo~25 anosThink tanks (vida do navio)
Fig. 17-2
Fig. 17-2 — Diferencas entre a previsao do mercado maritimo e a pesquisa de mercado. Fluxograma comparativo dos objetivos, metodologia e natureza da analise: a previsao de mercado e estatistica e geral; a pesquisa de mercado e comportamental e ligada a uma decisao definida. Fonte: compilada por Martin Stopford.

3 abordagens

AbordagemO que é
Relatório de mercadoEstudo descritivo; cliente forma a própria visão
Modelo de previsõesModela matematicamente; permite análise de sensibilidade
Análise de cenáriosTrabalha "para trás" das questões críticas; pensamento lateral
Previsão de mercado × pesquisa de mercado: previsão = análise estatística (grandes grupos) = mapa de estradas; pesquisa = ligada a uma decisão, variáveis comportamentais = plano de rota de uma viagem específica.

Relatório de pesquisa = resume fatos + examina tendências + tira conclusões. Ênfase em identificar os fatores que mais influenciam o sucesso da decisão.

6 etapas (Destaque 17.1)
1. Termos de referência
2. Análise das tendências passadas
3. Planos dos concorrentes + opinião dos especialistas
4. Influências sobre o desenvolvimento futuro
5. Combinação da informação com as previsões
6. Apresentar os resultados (sumário executivo + relatório + oral)

O requisito mais comum. Aviso: produzidas com detalhe preciso, mas frequentemente imprecisas — o detalhe vem do método, não da precisão.

Modelo oferta-demanda (Fig. 17.3): demanda (economia mundial, tráfegos, procura de navios) × oferta (demolição, carteira, frota). + curingas. O timing do curinga é imprevisível; a ocorrência, não (7 perturbações no OM em 60 anos).
Fig. 17-3
Fig. 17-3 — Modelo macroeconomico do transporte maritimo. Fluxograma oferta-demanda: variaveis (V1-V8) em caixas e relacoes (R1-R8) por setas; circulo central oferta/demanda aciona precos de navios e de fretes; realimentacao por V6 Sentimento do investidor em linhas tracejadas. Fonte: Martin Stopford (2007).
5 estágios do modelo
1. Projeto do modelo (fluxograma)
2. Definir relações e coletar dados
3. Estimar equações e testar parâmetros
4. Validação (dados não usados)
5. Preparar a previsão
Fig. 17-4
Fig. 17-4 — Comparacao das projecoes dos modelos do comercio maritimo com o crescimento real do trafego. Tres paineis num so embed: (a) comercio total x PIB (R2=0,99); (b) carga solida x PIB; (c) petroleo x PIB (R2=0,943, projecao 20% alta demais). Fonte: Banco Mundial e Fearnleys Annual Review.
  • Funciona melhor em mercados bem documentados (tanques, graneleiros), pior nos especializados. Ex. SMM: tráfego ≈ f(PIB); ST = −26.289 + 30,9·PIB (R = 0,99 — o PIB "explica" 99%).
  • Regra geral: frota transporta ~7,3 t por porte bruto por ano.
Perto do equilíbrio, o frete fica tão sensível aos pressupostos que a única forma de previsão sensata é ajustar os pressupostos até prever o nível que o analista já tinha em mente. Com 2 navios e 2 cargas, é leilão pelo sentimento. Os modelos são, na melhor hipótese, educativos.

Desenvolvida por Herman Kahn (Rand, anos 1950); "cenário" vem do cinema. Começa pelo cenário de referência ("livre de surpresas") e desenvolve alternativos.

4 fases
1. Especialistas identificam as questões mais importantes
2. Lista de questões "principais" + debate
3. Ordenar por importância (1 a 10); consenso × sem consenso
4. Cenário "não alteração" + alternativas

Útil p/ definir riscos de longo prazo, mas exigente em tempo e difícil de sintetizar.

5 famíliasCaracterística
Sondagens de opiniãoPerguntar a quem está por dentro (Delphi)
Análise de tendênciaTendências/ciclos das séries (extrapolação)
Modelos matemáticosQuantificam relações com variáveis explicativas
Análise de regressãoRelação média entre variáveis
Análise de probabilidadeChance de um resultado (Monte Carlo)
Fig. 17-5
Fig. 17-5 — Componentes ciclicos num modelo de series temporais. Esquema da decomposicao de uma serie: a reta A1A2 e a tendencia (T); a curva sobreposta e o ciclo (C); uma pequena seccao mostra o ciclo sazonal (S); marca Duracao e Amplitude do ciclo, B1 (vale) e B2 (pico). Fonte: Martin Stopford (2007).
  • Séries temporais: Y = tendência + ciclo + sazonal + erro. "Armadilha do urso": extrapolar de uma fase do ciclo é enganoso. Solução = decomposição. Sazonal do grão: acima da tendência nos primeiros meses (colheita dos EUA a partir de out.).
  • Fig. 17-6
    Fig. 17-6 — Taxas de frete de grao (Golfo dos EUA para o Japao) — tendencia e volatilidade sazonal. Serie de 16 anos: tendencia tracejada (y=0,0938x+18,177), media movel de 12 meses (linha continua) e taxa real (pontilhada), com forte volatilidade sazonal no pico 2004-2006. Fonte: CRSL, taxas mensais do grao.
  • Regressão: Y = a + bX + e; mínimos quadrados (OLS). Ex.: valor do Panamax Y = 20,47 − 0,88·X (novo ~US$ 20,47 mi; cai US$ 0,88 mi/ano; R²=0,90).
  • Fig. 17-7
    Fig. 17-7 — Ciclo sazonal do trafego do grao (1990-2007). Desvio % medio da tendencia por mes (1-12): pico da primavera no mes 3 (cerca de +6%), baixa do verao no mes 7 (cerca de -9%), recuperacao nos meses 10-12, acompanhando a colheita norte-americana. Fonte: CRSL.
Fig. 17-8
Fig. 17-8 — Tres etapas no ajustamento de uma equacao de regressao. (a) diagrama de dispersao do preco x idade de 21 navios Panamax (relacao linear negativa); (b) ajuste por minimos quadrados ordinarios (Yct=20,47-0,88Xt) que minimiza Y-Yc; (c) separacao da variacao em parte explicada (regressao) e termo de erro nao explicado (Y-Yc, Y-Ybar, Yc-Ybar). Fonte: Martin Stopford (2007).
Testes (Destaque 17.2)Para que
Teste-tb ≠ 0? Regra: |t| ≥ 2
Proporção da variação explicada (0 a 1)
Durbin-WatsonAutocorrelação do resíduo; deve ficar ~2

Probabilidade: se a taxa do VLCC excedeu US$ 60 mil/dia em 10 de 100 casos → 10%. Distribuição normal (média + desvio) dá a probabilidade. Aviso: 2003–2008 mostrou que probabilidades históricas nem sempre guiam o futuro.

Fig. 17-9
Fig. 17-9 — Exemplo da analise de tendencia das series temporais. Preco de mercado de um Aframax de 2a mao de cinco anos (1976-2006), com tres tendencias sobrepostas (T1 1976-2007, T2 1989-2002, T3 1979-1988) que a regressao multipla procura explicar. Fonte: CRSL, preco de um Aframax com cinco anos de idade.
Fig. 17-11
Fig. 17-11 — Distribuicao de frequencia dos ganhos (1990-2003). Histograma duplo dos ganhos mensais de navios-tanque (perfil de area, claro) e graneleiros (barras escuras); eixo x em bandas de ganhos (cerca de 2 mil a 50 mil US$/dia), eixo y no numero de meses. Tanques ganharam mais e com perfil mais disperso; graneleiros mais compactos. Fonte: CRSL e valores estimados.
4 problemas comportamentaisO que é
Excesso de confiançaIntervalo estreito demais; "ser especificamente errado em vez de vagamente correto"
Status quo viciadoPrever que o futuro = passado (conteinerização "não funcionaria")
Instinto de manadaPressão de grupo (Buffett: os lemingues)
Falso consensoPrevisões iguais por insegurança, não por confirmação
  • Modelo/pressupostos: especificação incorreta · demasiado detalhe (regra 80/20) · percepções sem contestação (Onassis e o Suez) · prever o imprevisível (falso senso "científico").
  • Monitorização: avaliar erros é difícil (PIB revisado; 3 medidas divergem). "Analisar os erros das previsões é tão difícil quanto fazer a previsão."

Bacon: "se começar com certezas, acaba em dúvidas; se começar com dúvidas, acaba em certezas".

  • Muitas questões são impossíveis de prever com confiança, mas isso não torna a previsão inútil. Tarefa: ajudar o decisor a reduzir a incerteza (paradoxo das previsões).
  • 3 critérios: relevante · racional · pesquisada. 4 horizontes; 3 tipos de análise (relatório, modelo, cenário); 5 famílias de técnicas.
  • Problemas em grande parte comportamentais (confiança, status quo, manada, falso consenso) ou de modelo (especificação, detalhe, pressupostos).
No fim, a previsão importa: o mercado tem um só objetivo — reduzir os recursos usados no transporte e dar um negócio melhor ao consumidor. O investidor profissional faz o dever de casa, calcula os imprevistos, reduz a incerteza e aceita menos risco — por isso, em média, suas decisões são melhores.