Perfil histórico (séc. XX) — "leitura sombria"
- 1911 (melhor ano da década): retorno não melhor que títulos de 1ª classe. 1930–35: 214 tramps renderam 1,45%/ano.
- Bolsa marítima (Economist): 10,3%/ano nos 1950 (×17,2% geral); 3,2%/ano em 1958–69 (×13,6%). Rochdale: 3,5% ("muito baixo").
- Virada na expansão 2003–2008: ativos mais que duplicaram; investidores triplicaram capital em 5 anos.
Volatilidade × risco (CAP) — Tab. 8.1
Comparação com investimentos (Tab. 8.3)
| Investimento | ROI | Desvio |
|---|---|---|
| Obrigações do tesouro | 6,6% | 2,7% |
| Libor | 8,5% | 3,9% |
| S&P 500 | 14,1% | 15,1% |
| Granel sólido | 7,2% | 40% |
| Cargas líquidas | 4,9% | 70,4% |
EBID = ganhos antes de juros/depreciação · DEP = depreciação · CAPP = valorização do capital (do gêmeo especulador) · NAV = valor líquido dos ativos
Caso Perfect Shipping (1975–2006)
- 20 graneleiros: US$ 162 mi (1975) → US$ 740 mi (2006). Frota com 1 navio de cada idade; vende o mais velho/encomenda um novo → idade média 10 anos sempre.
- ROSI (TIR) = 7,3%/ano, volatilidade 40% — risco alto, retorno baixo (Libor média 6,9%).
- EBID = US$ 1.180 mi; negativo só em 2 anos (1977–78); com capital de giro de US$ 3 mi e sem dívida, cumpriria tudo.
- Substituição (depreciação) US$ 700 mi (59% do EBID), mas adiável nas recessões (9 anos não cobriram).
Os 3 Rs do lucro: Remuneração do capital (~2% real) · Retorno por bom gerenciamento (1–2%) · prémio do Risco (20–30%+ se der certo).
As três curvas de custo (Fig. 8.3)
| Curva | Significado |
|---|---|
| MC (marginal) | Custo de pôr +1 navio no mar; vertical com os 20 navios |
| AVC (variável médio) | Escritório + Opex ÷ navios no mar (equilíbrio das despesas correntes) |
| ATC (total médio) | + capital; muito mais alto (capital é fixo) |
A área entre AVC e ATC = faixa de risco do capital próprio (SERB); a questão é como financiá-la (dívida × capital próprio).
Ajuste de curto prazo (Fig. 8.4)
Longo prazo e teia de aranha
- Encomenda-se enquanto há lucro normal: fretes > ATC → encomenda; abaixo por muito tempo → sucata. Lucro normal estabiliza em custo do empréstimo + margem pequena.
- Teorema da teia de aranha (cobweb): a defasagem entre encomendar e entregar faz preço subir → encomendas → entregas → preço cai → sucata → preço sobe → repete. A defasagem alarga a expansão e provoca excesso de encomendas.
Mercados imperfeitos — 5 forças de Porter
Especializado/linhas regulares têm diferenciação e barreiras → Porter: novos concorrentes · substitutos · poder dos fornecedores · poder dos compradores · rivalidade. Sem fatores protetores (barreiras, marca, compradores fracos, monopólio), a indústria reverte ao modelo clássico.
Empreendedores marítimos parecem "especuladores irracionais", mas em longo prazo há pouca evidência de "trabalho malfeito". Ex.: Panamax encomendado na recessão de 1999 (US$ 19 mi) pagava US$ 5.500/dia na entrega (2002) → US$ 51 mil/dia em 2007 ("irracional" virou inspirado).
CAP × RAP (Fig. 8.8)
| Modelo | Relação risco-retorno | Quem adota |
|---|---|---|
| CAP (ativos financeiros) | Positiva: mais volátil → exige retorno maior (A→B) | Instituições financeiras |
| RAP (ativos de risco) | Negativa: retorno cai com volatilidade (C→D) | Empreendedores marítimos (opção D) |
A lógica do jogador: Adam Smith — a possibilidade de perda é subavaliada onde a recompensa é grande (sucesso das loterias); Marshall — ocupações aventureiras atraem mesmo com valor atuarial desfavorável; JP Morgan — "se é tudo o que consegue e ele aceita, é suficiente". Ações marítimas vendem com desconto sobre o NAV (institucionais pagam menos que proprietários privados).
- Paradoxo: proprietários ricos, mas retornos historicamente baixos para negócio tão volátil.
- ROSI (EBID, CAPP, DEP, NAV): Perfect Shipping rendeu 7,3% muito volátil, mas era investimento muito seguro (EBID negativo só 2 anos; depreciação adiável; ativos reais cobrem inflação).
- Concorrência perfeita "como uma luva": mercado como bomba que suga novos e expulsa velhos; lucro normal = custo de capital. ROSI flutua em torno do custo dos juros.